da República analisa as razões das manifestações e o despreparo da
polícia para lidar com elas. E diz considerar a democratização dos meios
de informação irreversível
o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da
República, afirma que o debate sobre a democratização dos meios de
informação é irreversível, e que o monopólio absoluto da já começou a
ser relativizado e quebrado pela contrainformação nas redes sociais, nos
blogs. “No Brasil, os veículos tradicionais criminalizam o debate sobre
a democratização afirmando, astutamente, que o governo quer ter uma
mídia oficialista para restringir a liberdade, quando o que queremos é
ampliar a liberdade”, diz. Carvalho
O ministro argumenta que a presidenta Dilma Rousseff “não enviará uma
lei ao Congresso para ser derrotada” e explica: “É preciso, antes de
propor uma lei, fazer um trabalho de esclarecimento da população.
Precisamos que existam veículos que deem um tratamento democrático à
informação, não falo de canais do governo, mas de meios que permitam ao
leitor ou ao espectador ter acesso a vários pontos de vista. Temos que
enfrentar uma forte batalha pela democratização da mídia…. É preciso
reconhecer que a esquerda brasileira cometeu um equívoco ao não dar
importância suficiente para o tema. Não é apenas com uma lei que se faz a
democratização.”
Gilberto Carvalho entende as manifestações como naturais da
democracia e admite o despreparo da polícia: “A polícia foi formada
ideologicamente para ver os manifestantes que protestam contra a Copa
como se fossem inimigos contra quem se deve disparar balas de borracha.
Sabemos que, de fato, a polícia jogou gasolina no fogo das
manifestações, aumentando a indignação da população. Isso aconteceu em
junho do ano passado durante a Copa das Confederações”.
De acordo com o Página 12, o secretário-geral da Presidência é
considerado nos meios políticos como o principal elo entre o ciclo Lula
(sob cuja presidência trabalhou por oito anos) e o atual, da presidenta
Dilma Rousseff. “O Estado brasileiro foi montado pelas elites para
proteger sua acumulação e reprodução da riqueza, e o aparato de
segurança foi montado para conter aqueles que se opuserem a esse
processo de acumulação econômica”, observa. Leia a entrevista:
Ministro, para onde esse fenômeno vai evoluir?
É muito difícil prever, acredito que esses jovem estejam no centro de
uma disputa ideológica e política que suscita um desafio para o nosso
projeto, que foi exitoso ao proporcionar um futuro para esses jovens ao
derrubar os muros e permitir que vão em multidões aos shoppings, em ter
gerado novos consumidores, mas aí começa a batalha cultural.
Esses jovens estão cativados por valores do consumo, do
exibicionismo, alguns entram em lojas de marcas caras não para comprar,
apenas para provar, tirar fotos e mostrar no Facebook. Seus valores são
parecidos com aqueles mostrados na televisão e nosso desafio é disputar
essa hegemonia, propondo a solidariedade, a paz, o respeito à mulher.
Temos que ser capazes de oferecer a eles um projeto que desperte
novos sonhos. Nós ganhamos as eleições de 2002, 2006 e de 2010, agora
temos que repensar o esgotamento de nossas propostas para torná-las
novamente atrativas para a população.
Haverá outro “incêndio” durante a Copa?
Sabemos que haverá manifestações, é natural que aconteçam em um país
democrático, mas têm que ser sem violência. Entre os manifestantes, há
grupos minoritários que atacam símbolos do capitalismo, incendeiam
bancos, apedrejam concessionárias de automóveis importados. Estamos
preocupados, mas acreditamos que não haverá um incêndio.
No mês passado, fui ao Fórum Social Mundial em Porto Alegre,
estávamos jantando quando o governador do Rio Grande do Sul, Tarso
Genro, pediu licença para resolver um problema entre manifestantes e
policiais. Como governador, ele ordenou não reprimir, mas não é fácil
que a polícia fique imóvel quando alguns insultam, cospem neles.
A reeleição da Dilma depende da Copa?
Considero quase impossível que existam problemas graves e se,
conforme esperamos, tudo correr bem na Copa, tudo será festa. Inclusive
se a Argentina for campeã (risos), isto permitirá que a vida das
pessoas continue normalmente e isso não vai beneficiar a candidatura da
Dilma. Mas se a Copa for afetada por episódios violentos, se algum jogo
for suspenso ou alguma coisa do tipo, o que me parece improvável, isto
sim poderia afetar a presidenta. Por isso estamos trabalhando fortemente
para que tudo corra bem, queremos que a população participe de
atividades culturais, que tenha lugares onde festejar, não apenas nos
estádios.
Em que ponto isso se relaciona com o debate de democratização da mídia?
Acredito que o debate sobre a democratização é irreversível, e que o
monopólio absoluto da informação já começou a ser relativizado. Está
sendo quebrado através da contrainformação nas redes sociais, nos blogs.
No Brasil, os veículos tradicionais criminalizam o debate sobre a
democratização afirmando, astutamente, que o governo quer ter uma mídia
oficialista para restringir a liberdade, quando o que queremos é ampliar
a liberdade.
Queremos que mais pessoas tenham acesso à mídia, que outros pontos de
vista possam ser divulgados, nós queremos que a realidade não seja
filtrada pelos donos dos veículos.
A presidenta Dilma enviará uma lei ao Congresso?
A presidenta Dilma não enviará uma lei ao Congresso para ser
derrotada. É preciso, antes de propor uma lei, fazer um trabalho de
esclarecimento da população, que já começou a relativizar o que a grande
imprensa, cuja credibilidade está diminuindo, diz.
Acredito que antes de enviar uma lei precisamos que existam veículos
que deem um tratamento democrático à informação, não falo de canais do
governo, mas de meios que permitam ao leitor ou ao espectador ter acesso
a vários pontos de vista. Temos que enfrentar uma forte batalha pela
democratização da mídia…. É preciso reconhecer que a esquerda
brasileiro cometeu um equívoco ao não dar importância suficiente para o
tema. Não é apenas com uma lei que se faz a democratização.
Acredito que não demos apoio suficiente a veículos que fizessem
contraposição à imprensa tradicional. Eu me pergunto por que não temos,
no Brasil, um jornal como o Página 12, da Argentina, ou como La Jornada, do México. Quem dera nós tivéssemos um Página 12.
Lula voltará em 2018?
Espero que Lula volte à presidência em 2018, acredito que seja
possível que ele volte, e é preciso trabalhar para isso. Se Lula voltar
em 2018, não será somente alguém que volta ao poder depois de dois
governos (2003-2010), Lula é uma expressão do povo brasileiro. É alguém
que fortalece a autoestima do povo. Eu acredito que com Lula no governo
de 2018 a 2022 fecharíamos um ciclo.