Em Pernambuco
O movimento já resiste há 31 dias com objetivo de impedir avanço do projeto Novo Recife e pauta outra lógica de ocupação do espaço urbano
RESISTE ESTELITA/FACEBOOK
Manifestantes permaneceram 28 dias dentro do local histórico; após repressão, seguem na ocupação, em frente ao cais
Recife – “Não vai ter diálogo. Cinco minutos para
desocupar!” De um lado, o choque, de outro, a cavalaria, de outro, o
canil. Foi assim que na última terça-feira (17), a Polícia Militar
de Pernambuco desocupou as pessoas que estavam acampadas no Cais José
Estelita, em Recife. O movimento resistia há 28 dias no local, impedindo
o avanço do projeto Novo Recife e pautando outra lógica de ocupação do espaço urbano.
A medida
violenta cumpriu uma ordem de reintegração de posse emitida de maneira
suspeita, questionada pelos manifestantes e declarada irregular pelo
próprio Tribunal de Justiça
de Pernambuco. Um dia antes de nova decisão, coincidentemente em dia de
jogo do Brasil na Copa do Mundo, a polícia apareceu no terreno. A fala
ríspida, proferida por um dos muitos policiais envolvidos na ação,
mostra a postura desrespeitosa e pouco confiável do poder público
perante a sociedade civil.
Em reuniões anteriores, tinha-se acordado que, em caso de
desocupação, esta se daria de forma pacífica, com o intermédio do
Ministério Público de Pernambuco e com 48 horas de aviso prévio.
Não só foi desrespeitado esse tempo, como também o boato de
reintegração, surgido um dia antes, foi negado pelas secretarias
estaduais envolvidas no acordo horas antes da ação.
É importante esclarecer outra coisa: uma parte do terreno
ocupado ainda é propriedade da União. Quando anunciada a reintegração,
os ocupantes foram estrategicamente para esta parte, onde, por lei, a
polícia não teria poder de ação. Foi exatamente lá que começou o primeiro ataque. Bombas, balas de borracha, spray de pimenta e até chicotadas.
Quatro pessoas foram presas, uma delas seminua e desmaiada. O
único pobre e negro, entre as quatro, foi levado direto pro Centro de
Observação e Triagem (Cotel).
A ação de repressão, que começou antes das 6h, acabou somente
15h depois. Os manifestantes resistiram e a polícia atacou cada vez com
mais violência. Uma mulher foi arrastada pelo cabelo, uma grávida
agredida, crianças ameaçadas, spray de pimenta disparado diretamente nos
olhos de um homem e, como de costume na história dos movimentos sociais,
ativistas perseguidos. A tentativa de desmoronar o movimento atingindo
ocupantes considerados “lideranças” pelo poder é clara. Alguns receberam
a notícia de que a polícia havia lhes procurado em casa, policiais
perguntaram, durante o ataque, por pessoas específicas, como forma de
amedrontar os ocupantes.
Apesar de toda a violência protagonizada pela polícia, uma coisa é certa, a esperança se fortaleceu nas pessoas que acreditam numa cidade melhor: Já são 31 dias de ocupação, que agora ocorre em frente ao Cais.
A indignação é o primeiro passo
para a quebra da apatia, a presença massiva de pessoas no dia da
resistência brutal reacendeu o fôlego do movimento. A partir da
repressão, defender o Projeto Novo Recife não é só defender um modelo de desenvolvimento
burro, mas é também se colocar ao lado de um grupo de empresas que, com
o aparato da prefeitura e governo do estado, derramou sangue de dezenas
de pessoas.
O Movimento Ocupe Estelita deu mais uma demonstração de força com
o poder agregador que só o espaço público pode proporcionar. Da terça
sangrenta para este domingo (22) foram diversas atividades,
apresentações, produções críticas, da reconstrução da ocupação no
viaduto ao banho de água,
gentilmente cedido pelo motorista do caminhão pipa. Enquanto o projeto
Novo Recife se encastelava com centenas de seguranças privados e cães de guarda no Cais, se via brotar a vida novamente, do lado de fora.
Luzes acesas num lugar que era abandonado. Música boa num local
que só se ouviam buzinas. Milhares de pessoas em um espaço que fora
esvaziado. A esperança renasce no Ocupe Estelita.
desocupar!” De um lado, o choque, de outro, a cavalaria, de outro, o
canil. Foi assim que na última terça-feira (17), a Polícia Militar
de Pernambuco desocupou as pessoas que estavam acampadas no Cais José
Estelita, em Recife. O movimento resistia há 28 dias no local, impedindo
o avanço do projeto Novo Recife e pautando outra lógica de ocupação do espaço urbano.
A medida
violenta cumpriu uma ordem de reintegração de posse emitida de maneira
suspeita, questionada pelos manifestantes e declarada irregular pelo
próprio Tribunal de Justiça
de Pernambuco. Um dia antes de nova decisão, coincidentemente em dia de
jogo do Brasil na Copa do Mundo, a polícia apareceu no terreno. A fala
ríspida, proferida por um dos muitos policiais envolvidos na ação,
mostra a postura desrespeitosa e pouco confiável do poder público
perante a sociedade civil.
Em reuniões anteriores, tinha-se acordado que, em caso de
desocupação, esta se daria de forma pacífica, com o intermédio do
Ministério Público de Pernambuco e com 48 horas de aviso prévio.
Não só foi desrespeitado esse tempo, como também o boato de
reintegração, surgido um dia antes, foi negado pelas secretarias
estaduais envolvidas no acordo horas antes da ação.
É importante esclarecer outra coisa: uma parte do terreno
ocupado ainda é propriedade da União. Quando anunciada a reintegração,
os ocupantes foram estrategicamente para esta parte, onde, por lei, a
polícia não teria poder de ação. Foi exatamente lá que começou o primeiro ataque. Bombas, balas de borracha, spray de pimenta e até chicotadas.
Quatro pessoas foram presas, uma delas seminua e desmaiada. O
único pobre e negro, entre as quatro, foi levado direto pro Centro de
Observação e Triagem (Cotel).
A ação de repressão, que começou antes das 6h, acabou somente
15h depois. Os manifestantes resistiram e a polícia atacou cada vez com
mais violência. Uma mulher foi arrastada pelo cabelo, uma grávida
agredida, crianças ameaçadas, spray de pimenta disparado diretamente nos
olhos de um homem e, como de costume na história dos movimentos sociais,
ativistas perseguidos. A tentativa de desmoronar o movimento atingindo
ocupantes considerados “lideranças” pelo poder é clara. Alguns receberam
a notícia de que a polícia havia lhes procurado em casa, policiais
perguntaram, durante o ataque, por pessoas específicas, como forma de
amedrontar os ocupantes.
Apesar de toda a violência protagonizada pela polícia, uma coisa é certa, a esperança se fortaleceu nas pessoas que acreditam numa cidade melhor: Já são 31 dias de ocupação, que agora ocorre em frente ao Cais.
A indignação é o primeiro passo
para a quebra da apatia, a presença massiva de pessoas no dia da
resistência brutal reacendeu o fôlego do movimento. A partir da
repressão, defender o Projeto Novo Recife não é só defender um modelo de desenvolvimento
burro, mas é também se colocar ao lado de um grupo de empresas que, com
o aparato da prefeitura e governo do estado, derramou sangue de dezenas
de pessoas.
O Movimento Ocupe Estelita deu mais uma demonstração de força com
o poder agregador que só o espaço público pode proporcionar. Da terça
sangrenta para este domingo (22) foram diversas atividades,
apresentações, produções críticas, da reconstrução da ocupação no
viaduto ao banho de água,
gentilmente cedido pelo motorista do caminhão pipa. Enquanto o projeto
Novo Recife se encastelava com centenas de seguranças privados e cães de guarda no Cais, se via brotar a vida novamente, do lado de fora.
Luzes acesas num lugar que era abandonado. Música boa num local
que só se ouviam buzinas. Milhares de pessoas em um espaço que fora
esvaziado. A esperança renasce no Ocupe Estelita.