a Diferença” promovido pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da
Presidência da República e Universidade Federal Fluminense (UFF), vem
acontecendo em 29 cidades brasileiras, com o objetivo de capacitar cerca
de 500 professores de 300 escolas públicas brasileiras dos ensinos
médio e fundamental, a trabalhar com o audiovisual em sala de aula, em torno da temática do Cinema e dos Direitos Humanos.
Guiados por 30 mediadores, os educadores participam de oficinas de vídeo
e têm acesso ao material pedagógico impresso – também disponível
online. Em sua segunda e atual fase- de março até junho-, o projeto
entra efetivamente em sala de aula. É o momento dos professores
compartilharem o conhecimento apreendido com os alunos, que ganham a
oportunidade de enxergarem o cinema não apenas como recurso didático
ligado ao conteúdo dos filmes, mas também como experiência inventiva e
estética.
No total, “Inventar com a Diferença” abrange cerca de 10 escolas em cada uma das
cidades e pretende contemplar aproximadamente 5.400 alunos. Em Sergipe,
contando com o apoio da Universidade Federal de Sergipe, estão
participando do projeto, setes escolas, sendo cinco da capital (Centro
Experimental de Ensino Médio
Ministro Marco Maciel, Colégio Estadual Presidente Castelo Branco,
Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, Colégio Estadual Tobias
Barreto, Escola Municipal Maria Virginia Leite Franco), uma de Nossa
Senhora do Socorro (Escola Estadual Júlia Teles) e outra de Laranjeiras
(José Monteiro Sobral).
Segundo Gabriela
Caldas, diretora de cinema e mediadora do projeto no Estado,
inicialmente, 10 escolas estavam inscritas no projeto, mas três
desistiram. “Nem todos os professores conseguiram colocar as atividades
das oficinas nos horários das aulas
e por estarem sobrecarregados, desistiram da empreitada. Três escolas
saíram da lista inicial. Nem todos são abnegados, dispostos a trabalhar
fora do horário de aula, mas os que persistiram- alunos e professores-
estão mostrando bons resultados”.
O material didático é em formato de fichário (em cada oficina,
trabalha-se uma ficha), assim facilita o manuseio e traz exercícios
instigantes, como o Minuto Lumière, onde o educando deve produzir um
vídeo de até um minuto com câmera fixa no tripé. Isso ensina sobre a
possibilidade de produção de conteúdo e de sentidos mesmo com pouco ou
em condições precárias. A produção dessas imagens pelos alunos é livre.
Trata-se de provocar a percepção de si e do outro, a singularidade do
olhar para as diferenças, potencializando a dimensão crítica em relação
ao mundo e às imagens que os cercam.
A Escola Estadual Júlia Teles participa do Projeto Inventar com a Diferença.
“Percebo que em comunidades onde a questão da identidade é melhor
definida e trabalhada, os alunos são mais espontâneos e lidam melhor com
a câmera. Mas em outras localidades, onde a violência é uma constante, a
autoestima dos garotos tem que ser estimulada. Mudar essa visão das
crianças para com elas mesmas e o outro, é um dos desafios do projeto.
Já conseguimos detectar avanços com relação a isso, nos filmes
produzidos durante as aulas”, conta Caldas.
Para o coordenador-geral do projeto e chefe do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF,
recolocar constantemente a pergunta sobre o que são os direitos
universais das mulheres e homens do planeta. “E o cinema é forte em
denunciar as cenas em que os direitos são perversamente divididos em
constantes processos de exclusão, mas é ele também que tem a
possibilidade de antecipar as cenas dos direitos de todos, inventando
formas de vida que ainda nem sabemos possíveis. Assim, o cinema
participa da exigência de igualdade de direitos entre os humanos, ao
mesmo tempo em que explicita e se inventa com as potências das
diferenças, dos que sentem o mundo de forma singular”, destaca.
Toda a produção realizada será enviada à UFF, coordenadora-geral e criadora do Inventar, que intermediará a troca dos filmes realizados entre as escolas, assim como fará a seleção para exibição no site do projeto e para integrá-los à programação da 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul deste ano.
“Espero que o resultado desse primeiro ano de projeto, seja positivo para que ele tenha uma continuidade em 2015”, comenta Gabriela Caldas.
A equipe de trabalho
– Para promover o projeto nacionalmente, a coordenação geral, situada
na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ), gerencia todas as
equipes envolvidas e está em contato direto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, além de elaborar materiais de apoio.
O coordenador regional é o elo entre a coordenação geral e os mediadores e parceiros locais de sua região – suprindo demandas
destes profissionais, oferecendo apoio metodológico e logístico, além
de supervisionar os trabalhos desta equipe. Para facilitar a logística
do Inventar, o país foi dividido em cinco regiões (Regional Sudeste-Sul,
Nordeste I, Nordeste II, Norte e Centro-Oeste), sendo um coordenador
responsável por cada regional.
Atuando junto às escolas de seu respectivo estado, o mediador é a principalligação entre a coordenação do projeto
e a ponta, ou seja, os professores e a escola. Cabe a ele ministrar as
oficinas para os educadores, além de acompanhar nas escolas os trabalhos
prestando auxílio pedagógico e técnico aos professores. Os mediadores
possuem papel vital para o projeto, pois é por meio deles que
necessidades e demandas outras de professores e alunos são observadas e
atendidas. Quinzenalmente, eles visitam as escolas selecionadas para
acompanhar o trabalho dos professores, disponibilizando equipamentos e
toda a infraestrutura necessária para a realização dos exercícios e
trabalhos finais.
Com patrocínio da Petrobras e da OEI – Organização dos Estados
Íbero-Americanos, o projeto “Inventar com a Diferença” conta com apoio técnico
de ONGs, universidades e institutos federais de todo o país,
consolidando o caráter coletivo do projeto, comprometido com as diversas
formas de agenciamentos e conhecimentos em rede.
