trabalhadora, pode ser uma boa oportunidade para nos repensarmos, tanto
enquanto sujeitos individuais, como enquanto sujeitos coletivos.”
NÉ PRA CHORAR NÃO, É PRA FAZER
Concentração de riqueza imaterial gera desequilíbrio injusto
Pensando em quem faz arte fora do eixo Sudeste… Como consegue?
Tudo funciona mesmo a partir de SP e RJ? Seguirá sendo assim?
Vivendo em SP, vejo-me oferecendo comida a quem não tem nenhuma fome…
Tentando explicar sobre o Brasil longe daqui…
Enquanto nos interiores do país uma criança cresce sem ver um filme de arte ou um concerto de música
No Nordeste passaram veneno onde Luiz Gonzaga semeou…
Artistas amargam a indiferença da população local que só crê no que vê e ouve na mídia
Como subverter isso?
Não seria o caso de se gastar energia com novos circuitos? Fomentando,
capacitando dentro de outra lógica que não seja a de mercado de uma
moeda só?
Pensando alto…
Socorro Lira, cantora, compositora e produtora cultural, nascida na Paraíba e radicada em São Paulo.
Não dá para fazer florescer, se a terra não está cuidada!
Emerson Sbardelotti, Mestre em Teologia pela PUC-SP. Especialista em Gestão Ambiental e Sustentabilidade, pelo CESAP-Vitória/ES e Licenciado em História
pelo Centro Universitário São Camilo, Vitória/ES.
PONTOS DE CULTURA DO NORDESTE SE REUNEM PARA ENCONTRO DE PRODUÇÃO CULTURAL COLABORATIVA
II Encontro Nordeste das Produtoras Culturais Colaborativas contará com debates, shows e oficinas voltadas à economia solidária
De acordo com o Instituto Brasileiro de Tecnologias Sociais (ITS/Brasil) as ações tecnológico-sociais são uma denominação moderna para “um conjunto de técnicas e metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida da população”.
O II Encontro Nordeste das Produtoras Culturais Colaborativas acontece pela primeira vez no Recife. A primeira edição foi realizada em Outubrode 2013, na Faculdade de Educação da UFBA, em Salvador.
Participarão do encontro a Rede Colaborativa iTEIA.NET (Pontão de Cultura Digital), Condomínio do Empreendedor Cultural (Salvador/BA) Universidade Livre de Teatro, do Teatro Vila Velha (Salvador/BA), Produtora Colaborativa da Chapada Diamantina (Chapada Diamantina/BA), Associação de culto Afro Itabunense (Itabuna/BA), Colivre (Salvador/BA), Centro de cultura da Vila de Ponta Negra (Natal/ RN), A Ponte (Cachoeira/BA), Coletivo Tear Audiovisual (Recife/PE), Produtora Colaborativa.PE (Arranjo Produtivo Local), Umbigada no Ar (Olinda/PE), Laia Laboratório (Camaragibe/PE) além de duas organizações de outras regiões do país que também integram a rede e organizarão encontros regionais no segundo semestre deste ano: o Coletivo Casa Preta (Belém /PA) e a Produtora Outros 500 (Porto Alegre/RS).
A abertura do encontro acontecerá no dia 30 (quinta-feira) na sede da ONG Gestos (Boa Vista). No primeiro dia a programação é composta por debates sobre movimentos sociais e comunicação, além de uma mostra audiovisual com vídeo produzidos pelos coletivos participantes. A noite promete muita animação no Bar Apolo 17 (Recife Antigo), com a edição especial do Palco Livre, com Poesia de Improviso e com a participação do DJ Charles ZamboHead. As bandas, músicos, poetas e artistas que tiverem
No dia 31 (sexta-feira) serão realizados debates no Centro de Educação da UFPE, pela manhã, a partir das 9h, com os temas Subjetividades Coletivas, Educação Popular, Tecnologias Sociais e Economia Solidária e na parte da tarde, a partir das 14h, especificamente sobre Aplicação da Lei Cultura Viva. A programação cultural acontecerá na Praça da Várzea a partir das 20h com as apresentações dos Batuqueiros do Silêncio, do Coco Raízes do Capibaribe, do Forró de Cabeça e com a participação do DJ VirguLINUX nos intervalos.
No dia 1º (sábado) as atividades se dividem entre as oficinas de Moedas Sociais Digitais, com Pedro Jatobá; de Acervo Cultural Multimídia, com Carlos Lunna; de Criação de Brinquedos Populares, com Mestre Arraia; Batucadas do Samba de Pele e Arco e de Batucadas do Coco de Senzala, com Mestre Zé Negão, Patrícia Araújo e Marcone Alves, pela manhã, às 09h, no Centro de Educação da UFPE, e pela tarde, a partir das 14h, no bairro de Guadalupe, em Olinda, será realizado um debate sobre a Aplicação da Lei Cultura Viva, e uma roda com os encaminhamentos do Encontro. Durante a noite, a partir das 18h, na Marím dos Caetés, subirão ao palco o anfitrião Coco de Umbigada e os convidados especiais o Mestre Zé Negão e a Sambada da Laia, o Mestre Zé Lasca Vara e Nilton Jr.
O II Encontro Nordeste das Produtoras Culturais Colaborativas faz parteda execução do plano de trabalho do Projeto da Rede das ProdutorasCulturais Colaborativas que foi aprovado em 1º lugar na categorianacional do edital Cultura de Redes, promovido pelo MinC em 2015. Esta tecnologia social foi certificada pela Fundação Banco do Brasil (e.eita.org.br/produtora-cultural-colaborativa)
organizações em quatro regiões do pais que colaboram para a melhoria
desta tecnologia social.
Para participar basta fazer sua inscrição gratuita até o dia 30 de março no link: corais.org/colaborativas
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conversamos com algumas pessoas sobre a importância de ações desse
tipo, isso em termos mais conceituais. Com este video abaixo que recebemos de
um companheiro músico, produtor e integrante da Ação Cultural,
acreditamos que deva ser uma proposta de ação prioritária, pensando para
além da gestão pública que aí estão. estejam mais a direita ou mais a
esquerda, e na sustentabilidade das organizações culturais. Pois como
sabemos, somente organizações fortes é que podem atuar em favor da
manutenção e aperfeiçoamento de politicas culturais progressistas,
após mudanças de comando na gestão pública.
Zezito de Oliveira – Educador e Produtor Cultural
Matutando aqui sobre a metodologia da última reunião de Economia
Criativa no Sebrae Sergipe , no mês de novembro de 2016, reitero o que já disse, é bom conhecermos
estratégias e metodologias, que aliem o necessário conhecimento dos
modelos de organização de negócios nos moldes da economia capitalista e,
também considerar as especificidades do campo da arte e da cultura e a
realidade das populações que trabalham com economia solidária.
A esse respeito leia:
Como é levar conceitos de economia criativa a periferia e ver a transformação social acontecer no seu nariz.
Zezito de Oliveira – Educador e Produtor Cultural
é levar conceitos de economia criativa à periferia e ver a
transformação social acontecer no seu nariz” – See more at:
http://projetodraft.com/como-e-levar-conceitos-de-economia-criativa-a-periferia-e-ver-a-transformacao-social-acontecer-no-seu-nariz/#sthash.lB6S6Trb.dpuf
Rodrigo Savazoni conta como nasceu o livro sobre o Fora do Eixo
de 300 quilômetros de sua foz, ele cruza a cidade de Rio Branco,
capital do Estado do Acre. Durante boa parte do ano, é um rio navegável.
Nas imediações da calatraviana Ponte dos Pedestres, uma edificação que
cruza o rio bem em frente ao Mercado Municipal de Rio Branco,
embarcações estacionadas são usadas para festas e encontros. Foi no
Flutuante, uma dessas embarcações, no dia 12 de outubro de 2007,
sexta-feira, que tive minha primeira conversa sobre o Circuito Fora do
Eixo.
organizado na Usina de Arte João Donato, com coordenação do cineasta
Maurice Capovilla. Meses antes o jornalista mineiro Israel do Vale
falara-me com entusiasmo do Espaço Cubo Mágico de Cuiabá e de Pablo
Capilé, que estavam reorganizando a cena musical da capital do Mato
Grosso com o uso de moedas sociais e um claro direcionamento político e
contestatório. “Você tem de conhecê-los”, disse o Isra e eu fiquei com
isso na cabeça.
cicerone acriana cujo primeiro livro de poemas estava sendo distribuído
pelo Fora do Eixo, que me apresentasse o Pablo. Na noite que nos vimos
pela primeira vez seria o lançamento do Festival Varadouro, com show de
algumas bandas, entre elas uma chamada Filomedusa, liderada pelo
secretário de cultura estadual e baixista Daniel Zen. Zen era também o
criador do coletivo afiliado ao Fora do Eixo no Acre e o Varadouro já
era um dos principais festivais do nascente circuito e integrava a
Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), duas
organizações que surgiram no final de 2005 praticamente simultaneamente e
foram impulsionadas no Festival Goiânia Noise, de Fabrício Nobre.
contemporâneas voltadas à reorganizar a música independente brasileira,
uma reunindo festivais de música jovem e a outra coletivos de regiões
afastadas do eixo Rio-São Paulo. Duas forças provenientes das franjas do
eixo onde se formatam as tendências hegemônicas de comportamento e
consumo cultural no país.
a rede era uma potência latente. A primeira reunião geral da entidade
tinha ocorrido um ano antes e a adesão mais forte ainda estava
concentrada nas quatro cidades que se articularam pioneiramente para sua
criação: Cuiabá, Uberlândia, Londrina e Rio Branco. A rede estava ainda
distante de ser essa força motriz da cultura brasileira com tantas
realizações e polêmicas acumuladas. Mas passei a acompanhá-la com
entusiasmo, justamente por vislumbrar em seus agentes um repositório de
ousadia e competência.
realizar suas primeiras reuniões com o Governo Federal, acompanhado de
Talles Lopes, de Uberlândia, outro produtor fundador da rede. Foram os
dois que, no final de 2005, em uma conversa durante o festival
Jambolada, decidiram pelo nome Fora do Eixo. Em Brasília, tinham
agendadas reuniões com a Secretaria Nacional de Economia Solidária e
ajudei-os agendando encontros no Ministério da Cultura. Faz sete anos
que nos encontramos pela primeira vez e passamos a cooperar.
tenha na construção do Fora do Eixo. O que quero é esclarecer que este
livro começa naquele momento, naquela conversa no rio Acre, em que pedi
uma cerveja e servi meu copo e o de Pablo. Alguns anos depois eu
perceberia que Pablo não gosta de cerveja e lembrei-me que naquela noite
eu bebi outras tantas e ele apenas bebericou do seu copo enquanto
falava com o entusiasmo que lhe é peculiar sobre seus planos para a
“cena” cultural das cidades em que estavam atuando.
um olhar objetivo sobre o que tenho visto, ouvido, lido e debatido em
relação ao Fora do Eixo. Sou próximo, mas não sou integrante do Fora do
Eixo. E na posição em que me encontro, opero como observador
privilegiado, o qual influencia e é influenciado, numa dinâmica
qualificada de “pensar com”, e não somente de “pensar sobre”. Mas que
ninguém espere de mim algo feito sem engajamento.
estabelecer um olhar panorâmico sobre o FdE. Seu objetivo específico é
compreender a guinada política desse agrupamento, que passa de uma rede
de coletivos culturais para uma organização política de expressão
nacional e internacional, como o recente processo eleitoral brasileiro
demonstrou, tendo o Fora do Eixo apoiado ao lado de outros movimentos
sociais a reeleição de Dilma Rousseff.
obra prioritariamente analítica. E acredito que o FdE mereça que sobre
ele se escrevam romances, narrativas épicas e análises argutas. Acho que
o que fiz foi descrever uma onda em movimento. Apenas produzi uma
fotografia momentânea desse objeto mutante que é o Fora do Eixo.
Beneficiei-me sim do longo convívio com o agrupamento que foi meu
objeto. Mas busquei também dialogar com as críticas que existem e que
são parte, eu diria, da complexidade desse fenômeno.
E uma certeza: se o Fora do Eixo não existisse, seria legal que alguém o
inventasse.
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O Coletivo Fora do Eixo na medida em que foi sobressaindo, com o tempo
passou a ser motivo de opiniões controversas a torto e a direito. A
esquerda foram/são acusados de ser uma espécie de panela politica e
cultural fechada, voltada para o fortalecimento sectário de alguns
coletivos culturais emergentes.
Já a direita, é considerado como uma das ponta de lança “da ditadura petista-gayzista-feminista-abortista-
Da minha parte, tive contato com Pablo Capilé, principal articulador
do Fora do Eixo, apenas uma vez, em um debate promovido pelo Núcleo de
Produção Digital Orlando Vieira, aqui em Aracaju, no ano de 2013, salvo engano, todavia antes e
depois disso, não deixei de acompanhar pelas redes sociais as ações do
mesmo e dos coletivos Fora do Eixo e Midia Ninja. Este último, um
coletivo de comunicação ligado ao Fora do Eixo, criado em meio as
manifestações de junho de 2013, para oferecer outra opção para quem
queria informações do lado de dentro das manifestações de rua, sem o
filtro dos grandes programas jornalísticos.
Gosto de acompanhar
o Fora do Eixo, por causa das contribuições que eles trouxeram e
trazem para quem faz ou quer fazer produção cultural alternativa ou
independente, com base na troca de serviços ou de produtos em uma
espécie de escambo pós moderno, alinhado com a tecnologia da moeda
social e complementado em alguns casos, com aportes financeiros
estatais ou da iniciativa privada.
Também me chama atenção no
modus operandi do Fora do Eixo , a criatividade e a disseminação de
tecnologias sociais e tecnologias de cultura e de comunicação, em
especial no campo da economia solidária da cultura.
Pois,
neste campo da economia solidária , encontramos muita teoria, divagação e
devaneios, falta produção e disseminação da informação sobre “o como
fazer “.
Clicando no link abaixo, alguns tutoriais sobre as
tecnologias sociais ou tecnologias da cultura e da
comunicação,desenvolvidas e/ou aperfeiçoadas dentro do Coletivo Fora do
Eixo e MIdia Ninja..
Nesse link, pode-se acompanhar a polêmica a esquerda envolvendo o Fora do Eixo.
http://www.revistaforum.com.br/
Também recomendo a leitura do livro que relata a evolução do coletivo Fora do Eixo, na cultura e na política
Roda Viva recebe o jornalista Bruno Torturra e o produtor cultural Pablo Capilé, ambos idealizadores do grupo Mídia Ninja.
é levar conceitos de economia criativa à periferia e ver a
transformação social acontecer no seu nariz” – See more at:
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é levar conceitos de economia criativa à periferia e ver a
transformação social acontecer no seu nariz” – See more at:
http://projetodraft.com/como-e-levar-conceitos-de-economia-criativa-a-periferia-e-ver-a-transformacao-social-acontecer-no-seu-nariz/#sthash.lB6S6Trb.dpuf
“Como é levar conceitos de economia criativa à periferia e ver a transformação social acontecer no seu nariz”
inédita com o British Council levou à periferia de São Paulo um projeto
que multiplicou a formação de negócios criativos nessas áreas. E o que
aprendeu com isso.
por Sérgio Miletto
Sou presidente da Adesampa,
um serviço social autônomo de utilidade pública que atua em cooperação
com a Prefeitura de São Paulo, via secretaria municipal do Trabalho,
Empreendedorismo e Desenvolvimento, desde 2014. Quando chegou até mim o
convite para que a gente fizesse uma parceria com o British Council
Brasil para aplicar a metodologia Nesta na periferia da cidade, fiquei lisonjeado. Afinal, era um super reconhecimento do trabalho que vínhamos fazendo.
Desde o início, nossa missão tem sido trabalhar no protagonismo de
empreendedores da Economia Solidária, micro e pequenas empresas com viés
na inovação tecnológica. Por isso, o convite vir de um dos países de
ponta quando se fala em Economia Criativa, a Inglaterra, foi um atestado
de que estávamos no caminho certo.
SOBRE COMO TRANSFORMAR UM CONVITE NUMA PROPOSTA MAIOR
Aquilo era também a oportunidade de ter um superaliado. Em vez de
apenas aceitar o convite, o que já seria incrível, propus uma parceria
estratégica para aplicarmos a metodologia Nesta (que usa recursos
interativos para ajudar a planejar, construir, comunicar e
lançar negócios culturais e criativos) como parte da nossa proposta de
política pública. Lancei um desafio.
E se, em vez de formar empreendedores, a gente treinasse mais formadores, que assim multiplicariam a metodologia?
E não é que o pessoal do Conselho Britânico topou de cara? E foi
assim que, pela primeira vez, a metodologia Nesta foi parar nas
quebradas paulistanas. O projeto foi batizado de Criado em Sampa
e sua definição foi ajustada para “Empreendedorismo e Economia Criativa
em Territórios Vulneráveis”, resultado da parceria entre Adesampa e o
Conselho Britânico através do programa de Desenvolvimento Profissional e
Engajamento do Fundo Newton.
O britânico Percy Emmett veio ao Brasil para ministrar o primeiro
curso para os selecionados e, com eles, foi fazendo as devidas
adaptações para a realidade que ia encontrando. Quarenta pessoas
participaram da primeira formação, dos quais quatro foram selecionados
para se tornarem multiplicadores. Desde então, a iniciativa já formou
250 empreendedores criativos.
Qual é o impacto dos conceitos de economia criativa nas quebradas? Não vou dizer que é tudo mil maravilhas, não
Antes do início do programa, 90% dos participantes sequer sabiam o que significava Economia Criativa,
embora seus negócios estivessem inseridos dentro do setor. A definição
não é mesmo simples, pois trata-se de um termo recente até nos países
desenvolvidos. Economia Criativa é, segundo um documento elaborado pelo
Ministério da Cultura em 2011, a economia do intangível, do simbólico.
Ela se alimenta dos talentos criativos, que se organizam individual ou
coletivamente para produzir bens e serviços criativos. Quando inserimos
esse conceito na periferia estamos falando dos artesãos, cabeleireiros,
designers, cantores de hip hop, costureiras e por aí vai.
Mas como localizar e fomentar esses talentos? Para isso, a Adesampa
lançou mão de uma figura central em nossa estrutura superenxuta: o
agente de desenvolvimento local, que fica alocado nas subprefeituras, na
linha de frente, articulando contato com os coletivos, associações e
cooperativas de cada região. Os agentes também fizeram o curso Nesta e
ajudam os empreendedores locais a formalizar e desenvolver seus
negócios, criando uma rede de colaboração e economia solidária entre
eles. Neste vídeo, a Lia Goes, de Parelheiros (periferia da zona sul paulistana) fala do processo.
O micro e pequeno empreendedor é o famoso Bombril: tem mil e uma
utilidades e precisa estar presente o tempo inteiro no negócio, cuidando
de tudo: do atendimento às compras. Por isso, se ausentar para fazer um
curso sobre um assunto que nem imaginava existir foi um desafio e tanto
para cada um deles. Mas o resultado valeu a pena.
O relatório conclusivo, encomendado pelo British Council mostrou que,
além da apropriação das ferramentas, eles se apaixonaram pelos negócios
que reinventaram. Muitos revolucionaram a forma de enxergar o próprio
negócio. Um dos exercícios do curso foi elaborar um pitch, a apresentação da própria empresa em três minutos.
Ao ter de fazer um pitch, é preciso pensar sobre o que se
faz, entender onde se está e para onde se quer ir. Só aí, muita coisa
muda
Um dos casos que mais nos orgulhamos é o da Cristiane Santana,
moradora de Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade. Em 2007, ela
saiu do emprego, pois não tinha com quem deixar a filha. Fez um curso
de fabricação de bijuterias para complementar a renda e, com o dinheiro
da poupança, abriu uma loja na garagem da sua casa. Mas o negócio não ia
para frente, com peças encalhadas e problemas administrativos,
principalmente no gerenciamento financeiro.
Mais do que dar fórmulas prontas para se tornar um empreendedor de
sucesso, o método Nesta impulsiona o participante a descobrir a vocação
de cada um. A economia criativa transforma saberes e fazeres populares
em ativo econômico. Ninguém compra um produto feio.
Quando estive na Argentina, fiquei encantado com uma empresa chamada
Buenos Aires 1930, que vendia pétalas de sabão: 100 g custavam muito
mais do que um quilo de um produto convencional. A diferença é que ela
tinha um conceito retrô, uma embalagem charmosa que carrega um pouco da
nostalgia da cidade. Criamos uma relação afetiva com o produto.
Outro exemplo: um imigrante boliviano que fabrica e vende camisa
falsificada da Nike vai perpetuar um modelo que não o valoriza. Mas, se
ele entender que é andino, que tem uma cultura ancestral, e conseguir
acrescentar essa riqueza ao produto que cria, o produto ganha outro
valor.
Foi o que a Cristiane enxergou, e mudou seu negócio, deixando de lado as peças prontas.
Depois do curso, ela investiu em seu trabalho autoral, um
artesanato ligado às suas raízes afro e ao feminino. E percebeu que não
estava sozinha no mundo: agregou peças de outros artistas à sua loja
Agora, um ajuda o outro na divulgação do trabalho, todos ganham. A
melhora da autoestima e a possibilidade de conquistar independência
financeira sem sair da comunidade são benefícios imediatos do programa.
O projeto caminha, agora, para uma nova etapa: a criação de uma
plataforma online que represente e complemente as formações em Economia
Criativa e sirva como ferramenta aos empreendedores que passaram, e
passarão, pela formação. O foco será na replicação dos
treinamentos. Essa nova etapa incluirá, também, a articulação
para aplicar o modelo do Criado em Sampa em outros Estados do Brasil.
Em paralelo, estamos implantando o módulo 2 do Criado em Sampa, que
aprofunda os conhecimentos sobre Economia Criativa. O curso
selecionou cinco empreendedores sociais, a maioria com projetos na
periferia, para um programa de intercâmbio de 10 dias na incubadora
britânica The Studio, vinculada à Universidade de Loughborough, no Reino Unido.
Gustavo Alencar, da Fábrica LivreKesley Barros, do Quebra Galho; Lia Muschellack, da AnimaSP; Paula Ferreira Leita, da Rede Rizoma
O que aprendi com tudo isso? Que a Economia Criativa de base
comunitária é pulsante e precisa de espaço e estímulo, pois é capaz de
estabelecer laços que estavam quebrados, redescobrir identidades
esquecidas, revelar talentos reprimidos e, claro, gerar renda e emprego.
Não vamos reduzir nossas desigualdades trazendo somente grandes empreendimentos para regiões carentes
De nada vale investir na formação de mão-de-obra técnica se, em
momentos de crise, as empresas não estiverem contratando. É por isso que
seguimos apoiando, estimulando e desenvolvendo o empreendedorismo,
sobretudo a Economia Criativa, nas periferias. Se queremos morar em uma
cidade mais agradável, precisamos fortalecer o nosso tecido social para
que as pessoas tenham perspectivas de que é possível ter um futuro no
lugar onde ela mora.
Sérgio Miletto, 62, é presidente da Adesampa. Empresário da Economia Criativa e ativista social foi presidente da Alampyme (Associação Latino Americana de Micro, Pequena e Média Empresas).
– See more at:
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