Fonte: Blog do André Forastieri AQUI
coletivos parceiros. Em 2013, são 18 Casas, 91 Coletivos e 650 coletivos
Parceiros.
os coletivos vem chamando de “Pós Marca”, ou seja, no fortalecimento de
outras redes autônomas ao FdE, à exemplo:
qualquer edital público ou privado. Além disso, disponibilizamos um
banco de editais e projetos colaborativos que auxiliam na formação dos
menos experientes, na criação de atalhos para se elaborar novos projetos
e na transparência da rede.
central. Cada coletivo é responsável pela captação e gestão
administrativa e financeira de seus projetos e de seus CNPJ’s, de
maneira autônoma
Solidária, é um conselho composto por diferentes coletivos. Realiza
fluxos de metodologias, desenvolvimento e aperfeiçoamento de soluções,
chamadas pela rede de “aplicativos”, que estimulam a troca dos mais
variados recursos econômicos entre os coletivos da rede, e auxiliam cada
coletivo na sua gestão. Entre os principais aplicativos estão a moeda
social (Fora do Eixo Card), a Conta Comum, o Caixa Coletivo, Projete-se
(núcleos de projetos), Compacto.TEC e o Hospeda Cultura. Para saber mais
informações, ver o programa da frente disponibilizado no site do Fora do Eixo.
qualquer edital público ou privado”, consequentemente, tem a
responsabilidade e dever de elaborar suas prestações de contas,
separadamente.
no acompanhamento bem como tirar dúvidas sobre como realizar a prestação
de contas a partir das normas de cada edital.
coletivos no final de 2012, estima-se que a rede Fora do Eixo movimentou
cerca de 5 milhões de reais, entre recursos públicos e privados. O
balanço de 2012 ainda não foi finalizado, estamos reunindo esforços na
rede para finalizar a coleta e publicar números mais precisos no site do
Fora do Eixo. Lembrando que a gestão da rede é descentralizada e os
balanços são realizados colaborativamente.
desenvolvidos pela rede. Mas é sempre importante reforçar e reafirmar
que CADA COLETIVO tem autonomia de gestão e não existe um caixa unico,
portanto o Banco apenas auxilia a fazer estes levantamentos.
de gestão e captação de recursos. Sempre trabalhamos com estimativas, a
partir de planilhas colaborativas e levantamentos feitos junto aos
coletivos da rede.
contas e planilhas estão à disposição de quem quiser. Onde estão
disponíveis planilhas que dêem conta de todas as movimentações do FDE?
compartilhamos nas listas de atuação da rede. Temos listas pra cada
frente de trabalho e uma lista geral. Ao todo, elas somam-se cerca de
100. Elas são o primeiro canal de compartilhamento da rede.
estão espalhadas em diversas planilhas e sites da rede. O esforço atual
está sendo de centralizar este conteúdo para ser postado no site de
Transparência do Fora do Eixo (www.foradoeixo.org.br).
publicizar uma série de artigos redigidos, e criar canais de atendimento
e ouvidoria para que todas as dúvidas sobre a Rede Fora do Eixo sejam
respondidas. Todas as respostas aos e-mails serão publicadas no Portal
FDE a fim de gerar acúmulo para discussões futuras.
partir do exercício de construção de um projeto de engenharia de
informação que responda às demandas da rede.
empreendimentos. Segue algumas de nossas fan pages institucionais:
analisar. Às vezes os valores aparecem em número, às vezes por extenso, o
que dificulta a soma direta. Por quê? (clique aqui para ver).
dados que reúne projetos culturais elaborados por coletivos da rede e
parceiros. Esse banco foi construído para uso colaborativo, em que todos
pudessem trocar/ fazer uso dos textos e metodologias ali disponíveis,
sempre que necessário.
“Situação”, em que é possível analisar o status do projeto: se foi
inscrito, elaborado, aprovado ou não aprovado. Nas demais colunas é
possível observar também o valor inscrito e o valor aprovado, já que não
é sempre que o valor solicitado junto aos editais, é aprovado em sua
íntegra. Como se trata de um documento colaborativo, em que muitas
pessoas, dos diferentes coletivos, fazem uso (preenchendo e buscando as
informações que ali constam), ocorre que muitos atualizam as informações
sem seguir um padrão.
resultados. A gente sabe que às vezes fica para outro ano. De todos os
projetos apresentados pelo FdE, qual a proporção que é aprovada e qual a
proporção rejeitada?
colaborativamente. Os coletivos disponibilizam as informações que
quiserem. Como disse, não há um centralismo administrativo. Há um
esforço para reunir dados, para que a partir dos indicadores gerados,
possamos medir a economia e os resultados que o conjunto de coletivos
atuando em rede promove.
Em 2013, por exemplo, de 103 projetos elaborados e registrados no banco,
9 foram aprovados, sendo que apenas 19 coletivos registraram seus
projetos. Em 2012, de 120, 28 foram aprovados.
dinheiro público. No Roda Viva, você falou em 5%. Isso indica que o FDE
tem um orçamento consolidado. Tem ou não tem? Se tem, você pode
divulgar?
consolidado. O que temos são percentuais aproximados, que variam de ano
para ano e levantamos em cima de pesquisa que aplicamos junto aos
coletivos. O que temos já divulgamos.
Projetos Culturais elaborados para inscrição de projetos em editais e concursos públicos e privados.
final de cada ano são lançados formulários para recolher essas
informações, que contribuem para levantarmos indicadores e termos um
diagnóstico significativo de toda a rede. Os balanços anuais de 2010 e
2011 estão disponíveis no site http://foradoeixo.org.br/balanco/ e estamos trabalhando nos balanços de 2012 e 2013, que também serão divulgados por lá.
rede como ambiente de produção, circulação e trocas de conhecimentos.
Cada coletivo, festival e/ou evento da rede é considerado um campus da
universidade com programações que envolvem debates, colunas, imersões,
conferências, seminários, encontros, oficinas, vivências e outras
atividades de formação livre.
Quando as pessoas circulam e se encontram, elas trocam conhecimentos,
saberes e tecnologias. Acreditamos que a formação é um percurso
contínuo, ampliador de referências, repertórios e experiências, que
compõe a trajetória de vida de cada pessoa.
a pessoa torna-se um Vivente e/ou Corpo Docente que construirá, em
conjunto com os integrantes do campus que frequenta, seu percurso de
formação livre. Os percursos duram enquanto houver interesse por parte
do Vivente e/ou Corpo Docente.
200 observatórios, 150 imersões envolvendo coletivos e parceiros, e mais
de 800 vivências que aconteceram em Festivais, Casas e Pontos Fora do
Eixo de todo o Brasil.
momento, que participaram de vivências ou ações da UniFdE em todas as
regiões do país. Em relação ao corpo docente somam-se 510 “professores”
que vão desde acadêmicos, a povos originários, passando também por
quadros com formação livre em práticas alternativas diversas.
hospedagem, alimentação e acesso ao caixa coletivo para despesas básicas
e adjacentes durante todo o período de sua vivência.
você aprende ora você ensina. Sendo assim, ninguém se forma na UniFdE,
realiza percursos. A duração e a área de atuação dos percursos vão de
acordo com o interesse de cada vivente e emitimos certificados, caso
seja solicitado.
somando os cards e os reais, sendo 6,5 milhões em cards e R$ 1,3
milhões em reais. Como toda a rede, a UniFdE tem gestão distribuída.
Cada campus tem autonomia de captar e gerir seu próprio recurso e como
política da rede, estimulamos a troca e colaboração entre coletivos.
Para isso, existem conselhos gestores regionais e nacional da
Universidade composto por integrantes dos coletivos de todo país. Os
conselhos são responsáveis por acompanhar os campus, avaliar o andamento
das atividades, trocar experiências e gerir os recursos do projeto.
“Realização: Ministério da Cultura, Petrobras, Fora do Eixo”, com os
logotipos. Qual a participação, e o investimento financeiro, do
Ministério da Cultura e da Petrobras na Universidade Fora do Eixo?
590.000,00 da Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei
Rouanet), para a realização de um projeto de 01 ano de duração. É regra,
que quando um projeto seja aprovado via Lei de Incentivo, que as marcas
do Ministério da Cultura e do Governo Federal sejam aplicadas na página
do projeto junto às marcas do patrocinador.

24)A Petrobras vem sendo um grande apoiador das iniciativas do Fora do
Eixo. O FDE já indicou alguém para participar das instâncias que decidem
os patrocínios da Petrobras?
Brasil. Vários já o fizeram, são 5342 cidades no Brasil, não tenho como
te responder com precisão quais foram apoiados.

26) O Fora do Eixo já indicou alguém para participar de governos? Quem?
Não, a rede Fora do Eixo nunca indicou alguém para participar de
governos. No entanto, sempre que convidada a dar sua opinião sobre
política pública e outras questões referentes, o faz.
27) Embora o FDE tenha entrado de cabeça no movimento Existe
Amor em SP, contra Russomano e pró-Haddad, a secretaria de cultura de
São Paulo está com Juca Ferreira, e com o chefe de gabinete Rodrigo
Savazoni. Savazoni é da Casa de Cultura Digital e independente do Fora
do Eixo. Você acha que o FDE mereceria mais espaço na gestão Haddad?
Não, não achamos. E temos participado de fóruns, conselhos e
conferências envolvendo a sociedade civil. Acreditamos que esses são
canais essenciais para fortalecer a democracia brasileira.
28) Quantas pessoas trabalham em período integral na rede Fora do Eixo?
Novamente vale dizer que estamos trabalhando com estimativas, tal
como temos explicado ao longo das perguntas. A estimativa é que 600
pessoas trabalham integralmente e mais de 2 mil sejam colaboradores
fixos, que participam de ações durante todo ano.
29) É obrigatório para quem trabalha em período integral no FDE morar nas Casas Fora do Eixo?
Não. A decisão de morar em uma casa, assim como a adesão a rede Fora
do Eixo, é livre, espontânea e esclarecida, assim como definido em nossa
Carta de Princípios.
30) Qual é a faixa etária dessas pessoas?
A rede Fora do Eixo é basicamente formada por jovens entre 16 e 35
anos. Porém há uma parcela pequena de 35 a 50. Atualmente a rede também
possui crianças com faixa etária entre 09 meses e 15 anos.
31) Três pessoas diferentes me disseram que os integrantes do
Fora do Eixo são pressionados a se relacionar amorosamente somente com
outros integrantes do FDE. Quem quiser namorar com alguém de fora é
convidado a sair do FDE. É verdade ou mentira?
Mentira. Cada um faz o que quer da vida. As relações afetivas não são
determinadas por regras do movimento, mas construídas por cada
indivíduo, a partir dos desejos de cada um. Sem o nome das pessoas não
é jornalismo, é especulação. E as garotas que vivem nas casas Fora do
Eixo estão sendo absolutamente desrespeitadas com este tipo de
afirmação. Isso sim é de um machismo intolerável. A Beatriz Seigner, por
exemplo, se relacionou amorosamente com um dos integrantes da Casa São
Paulo. Ninguém nunca foi convidado a sair por estar se relacionando com
outra pessoa, outra mentira absurda.
32) Há relatos de que uma criança mora em uma Casa Fora do
Eixo, apelidada “Bebê 2.0”. Seria filho de dois militantes do FDE, mas
seria criada coletivamente, por vários “pais” e “mães”. O pai e mãe
biológicos não teriam poder paterno sobre a criança. É verdade?
Mentira. O apelidado pelas mídias tradicionais de “Bebê 2.0” se chama
Benjamin Juvêncio Ninni e hoje tem 09 meses. Ele é filho de Isis Maria
Juvencio e Marco Ninni (pais biológicos), atualmente moradores da Casa
das Redes localizada em Brasília/DF. Logicamente o pai e a mãe são os
detentores do poder familiar, até mesmo porque isso decorre de lei. Na
verdade, o Benjamin conta com a proteção e carinho de todas as pessoas
da Casa, como uma grande família que lhe ampara. As decisões sobre sua
educação são dos pais, o apoio é coletivo. Assim, se algum dia
resolverem se desligar da rede Fora do Eixo, logicamente continuam
detentores da guarda e todos os demais direitos e deveres que o poder
familiar acarreta. Ficaria apenas a saudade e o carinho que todos
desenvolvemos durante o processo.
33) O Fora do Eixo criou diversas moedas virtuais: Cubo Card,
Goma Card, Marcianos, Lumoeda, Palafita Card e Patativa. Como elas são
utilizadas?
Não são moedas virtuais, são moedas sociais. Surge na economia
solidária como alternativa, complemento ao capital que é bem escasso
para os pequenos empreendimentos e empreendedores. Existem centenas de
moedas sociais só no Brasil e cada uma possui características próprias. A
do FdE Card é pautada no “velho” escambo, ou seja, a partir das trocas
de serviços, produtos e saberes. Ex: um artista quer produzir um
videoclipe. Para realizá-lo, ele precisará de equipe de produção;
assessoria de imprensa, e outros serviços. Os coletivos da rede podem
oferecer esses serviços, em troca, por exemplo, de shows ou outros
serviços e/ou produtos que ele estiver disposto a oferecer.
A moeda social é considerada um instrumento de desenvolvimento,
destinada a beneficiar o mercado de trabalho dos grupos que participam
da economia de suas localidades. Seu uso é restrito e a sua circulação
beneficia a redistribuição dos recursos na esfera da própria comunidade.
O aumento da circulação de moeda social corresponde ao aumento das
transações realizadas pelos participantes dessa economia, que por sua
vez aumenta o desenvolvimento social.
34) Por quê criar diversas moedas, e não uma só?
Justamente para fortalecer a lógica da descentralização. A gestão e
administração próprios de cada coletivo promove mais autonomia para cada
um deles. A idéia não é ser um único banco que centraliza as pequenas
moedas, tampouco um único empreendimento que centraliza os pequenos
coletivos. A lógica das redes é unir uma série de pequenos que
conectados conseguem ganhar escala de produção, barateando custos
através dos corredores que são abertos para a circulação de pessoas
(artistas, produtores e jornalistas); a distribuição de produtos; a
formação / qualificação dos profissionais envolvidos nessa cadeia, e
principalmente, a comunicação das atividades que são realizadas.
35) Essas moedas virtuais podem ser trocadas por reais? Se sim, qual o câmbio? Se não, por quê não?
Tudo é uma questão de negociação de caso a caso. Há a possibilidade
de trocar cards por reais, se devidamente negociado entre as partes. O
câmbio é R$ 1 = FdE$ 1. Porém, a lógica do card prioriza a troca de
serviços, produtos e saberes.
36) Quem trabalha para o Fora do Eixo recebe em moedas virtuais. Se sair do FDE, o que vai fazer com suas moedas virtuais?
Essa afirmação não está correta. Assim como em muitas organizações,
na Rede Fora do Eixo existem os integrantes associados que trabalham
pelo (e não para) seu empreendimento e parceiros que estabelecem
relações pontuais. Ambas as formas utilizam das moedas real (R$) e
social. A diferença é que o associado participa do sistema do caixa
coletivo, fazendo suas retiradas por necessidades (de sobrevivência,
necessidades individuais e de desenvolvimento de projetos) e o parceiro
pontual estabelece um valor X por cada atividade.
Quem sai do caixa coletivo, sai com seus pertences pessoais (mesmo os
que foram adquiridos dentro do processo) e os próprios ativos que a
rede lhe proporcionou. Ex: contatos, networking, conhecimentos técnicos,
metodológicos e linguísticos, etc. Inclusive muitos dos ex-integrantes
conseguem melhores colocações no mercado do que os oferecidos antes de
entrarem na rede. Além disso, os ex-integrantes continuam estabelecendo
parcerias pontuais assim como os que nunca entraram, em card e em real.
37) No site da Casa Fora do Eixo, há, em destaque, um
logotipo da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Qual o valor
do apoio da Secretaria à Casa Fora do Eixo?
R$ 15 mil reais em 2 parcelas. A primeira de R$ 10.500,00 e a segunda de R$ 4.500,00.
38) O Estado de São Paulo é governado pelo PSDB. O Fora do Eixo aceita apoio de governos de qualquer partido?
As políticas públicas não são partidárias. Não acreditamos em
política de governo, acreditamos em políticas de estado. O Estado não é o
PT e muito menos o PSDB ou qualquer outro partido! Alguns partidos
estão abertos ao dialogo e outros não, mas as politicas públicas
independem deles.
39) O governador Geraldo Alckmin foi o principal alvo das
manifestações em São Paulo. Você vê alguma contradição em receber apoio
de um governo e militar contra ele?
Não, de forma alguma. A resposta da pergunta anterior já explica a
questão. A participação em editais públicos não significa alinhamento
partidário.
40) A homepage do Portal Fora do Eixo traz três patrocínios
federais: Ministério da Cultura, programa Cultura Viva e Programa Mais
Cultura. Isso não provoca no leitor uma ideia imediata de vinculação
entre o FDE e o governo federal?
As marcas estavam lá, pois este foi um dos 67 projetos premiados pelo
Prêmio Pontos de Mídia Livre do Ministério da Cultura, por meio do
Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva. E
como de praxe, é necessário a aplicação das logomarcas do Ministério, do
Programa e do Governo Federal.
41) O que é o Partido da Cultura? É ligado ao Fora do Eixo?
O Partido da Cultura (PCult), movimento supra partidário (partido vem
de “tomar partido”), foi criado em 2010 coletiva e solidariamente por
meio da internet, com o objetivo de expor problemas e sugerir soluções
que sejam operadas a partir de decisões políticas e institucionais de
partidos políticos, candidatos a cargo eletivo e ocupantes de cargos
públicos.
O movimento acompanha o debate de centralidade da cultura na agenda
nacional, tal qual os batidos verbetes saúde, segurança, educação. O
PCult aglutina diversas pessoas, entidades, redes e movimentos de todos
os estados do país em torno de temas diversos, sempre na esfera
cultural.
A rede Fora do Eixo é um dos movimentos integrantes do PCult, e
inspirando-se em sua experiência fundou em 2012 o Partido Fora do Eixo
(partido, nome fantasia), entendendo-o enquanto um laboratório de
formulações de políticas de redes, com fortes referências em campos
teóricos e práticos que vem sendo formulados pela sociedade civil em
fóruns e instâncias de debates culturais ao longo dos últimos 10 anos. A
proposta é estabelecer metodologias de trabalho próprias, novas e
dinâmicas, que reforcem os processos de formação política e a afirmação
de novas dinâmicas comportamentais pautados em princípios de colaboração
e compartilhamento.
42) No site do Partido da Cultura, o último post é de janeiro
de 2012. No twitter, de março de 2012. Ele está ativo? Pretende se
constituir como partido regular e disputar eleições?
Não, ele não está ativo. E nunca foi o propósito disputar eleições ou
se constituir como partido regular. Ele foi criado para levar a Cultura
para o centro do debate nas Eleições de 2010. O PCult foi criado para
isso, para debater políticas Públicas para a Cultura e promover o debate
em torno disso.
43) O FDE vem se aproximando de Marina Silva e seu projeto de
partido, a Rede, inclusive colaborando na campanha de assinaturas. Há
alguém indicado pelo FDE na executiva da Rede?
Não, ninguém.
44) Se Marina Silva vencer a eleição para presidente, o FDE pretende indicar o ministro da cultura?
Se a Marina Silva vencer a eleição, será de direito e dever da mesma indicar seus ministros.
45) O Fora do Eixo costumava proclamar a política do
“pós-rancor”. O termo “pós-rancor” é criação de Claudio Prado, chefe do
programas de cultura digital do Ministério da Cultura na época de
Gilberto Gil e Juca Ferreira. Segundo a teoria do pós-rancor, as tensões
entre capital e trabalho estão superadas, o conflito agora é entre quem
tem informações e quem não tem. Cláudio Prado é muito próximo do FDE,
tem até programa na Pós TV. Mas nas manifestações de rua, o que não
falta é rancor e polarização, ainda mais nos últimos protestos. O
“pós-rancor” morreu?
O conceito do Pós Rancor não defende que não devemos sentir rancor ou
que não tenhamos memória histórica de todas as injustiças acumuladas
pela humanidade. Pelo contrário, reconhece seu contexto e condição e
propõe ações propositivas, ou seja, luta em favor de causas e não
contra. Essa mudança de olhar foi decisiva para o entendimento da lógica
da abundância e da potência, da superação do medo e do protagonismo na
rede.
46) Uma fonte me disse que o Fora do Eixo costuma apoiar
determinados candidatos em eleições municipais e estaduais, com os
militantes trabalhando diretamente nas campanhas. Se o candidato vence, o
Fora do Eixo indica gente para a secretaria de cultura, geralmente
pessoas que não são do FDE, mas próximas. Seriam mais de dez secretários
da cultura no Brasil. É verdade?
Não. A rede Fora do Eixo, enquanto rede, não costuma apoiar
candidatos em eleições municipais ou estaduais, o que acontece é que
cada coletivo e/ou membro de coletivo tem total liberdade de apoiar ou
não uma candidatura, mas isso se torna uma posição dele, dentro de seu
território. Livre e autônoma.
47) A Mídia Ninja, como a Pós-TV, é do Fora do Eixo. O FDE
recebe verbas de grandes corporações, como Vale e Petrobras. O Fora do
Eixo financia a Mídia Ninja, que critica o grande capital, e
principalmente a grande mídia. Afinal, FDE e a Mídia Ninja são contra o
grande capital ou a favor?
Primeiro que já organizamos milhares de eventos e somente em um a
Vale foi patrocinadora, no Congresso de 2011 e somente em 2 projetos das
centenas que realizamos foi apoiado pela Petrobras. A rede Fora do Eixo
não prega a revolução armada como metodologia de transformação social.
Para entender a rede, é preciso tomar emprestado um pouco o conceito do
que é Economia Solidária: “Trata-se de uma forma de produção, consumo e
distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano
e não do capital. Tem base associativista e cooperativista, e é voltada
para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços de modo
autogerido, tendo como finalidade a reprodução ampliada da vida.
Preconiza o entendimento do trabalho como um meio de libertação humana
dentro de um processo de democratização econômica, criando uma
alternativa à dimensão alienante e assalariada das relações do trabalho
capitalista”.
Muitos costumam dizer que a lógica da Economia Solidária é a de um
cupim no sistema capitalista. Ele “come” o sistema por dentro, muitas
vezes, sem os “donos” da casa tomarem conta de sua ação.
48) Diversos apoiadores do FDE trabalham ou trabalharam na
grande imprensa. A principal figura da Mídia Ninja, Bruno Torturra,
trabalhou anos na Editora Trip, chegando a diretor de Redação.
Contratou, demitiu, controlou orçamentos. Além da Trip, a editora faz
revistas pra grandes corporações, como Gol, Pão de Açúcar e Audi. Seu
emprego mais recente foi na TV Globo, como redator do programa Esquenta,
com Hermano Vianna e Regina Casé. Você vê alguma contradição nisso?
Não. O fato de uma pessoa ter trabalhado em veículos da mídia
tradicional não impede que ele em determinado momento assuma outra
atividade, que questione esta mídia. Acreditamos, inclusive que esta
experiência é parte fundamental para esta tomada de consciência e
atitude.
49) Você acha que quem participa dos protestos tem
consciência de que a Mídia Ninja e o FDE recebem apoio financeiro de
grandes empresas, e governos de diversos partidos?
Achamos que essa é uma preocupação que não procede. A Mídia Ninja
nunca recebeu apoio financeiro de grandes empresas, governos ou
partidos. A rede Fora do Eixo, no caso dos projetos financiados com
essas fontes de recursos, deixa sempre explícito com aplicação das
marcas.
50) O Fora do Eixo costumava ser muito ativo nas redes
sociais. Mas no auge das manifestações em S. Paulo, você abandonou o
Twitter. Entre 11 e 18 de junho, não publicou nada, sendo que a
manifestação em que a repórter da Folha foi ferida no olho aconteceu no
dia 13. Coincidentemente, o twitter do Fora do Eixo tb não publicou nada
entre 13 e 22 de junho. Vc só voltou ao twitter pra divulgar as
transmissões da Mídia Ninja e pra anunciar que o prefeito Haddad ia
baixar as tarifas. Por quê?
A rede Fora do Eixo esteve amplamente envolvida nas manifestações.
Integrantes dos coletivos de todo país saíram às ruas para protestar e
difundir o que acontecia em cada território, principalmente nossa equipe
de comunicação, que esteve focada prioritariamente na ação da Mídia
Ninja. Por isso a opção foi em usar os canais do Ninja, ao invés do Fora
do Eixo.
Uma entrevista com Pablo Capilé, do Fora do Eixo – Parte 3
51) No começo deste ano, o Fora do Eixo publicou na
internet o glossário do FDE: termos que devem ser conhecidos e usados
por todos os militantes. Outros coletivos fizeram críticas, o FdE tirou o
texto do ar, depois republicou, mas com alterações. A principal:
eliminou o verbete “choque pesadelo”. O verbete era assim: “Choque
pesadelo: Embate conveniente direcionado a alguém que vem conflitando
ideias através de críticas não propositivas que desestimulem uma pessoa,
ou grupo. O choque pesadelo serve como uma fala direcionada que busca
esclarecer situações através do “papo reto”. Ex. Tivemos uma conversa
franca que serviu como choque pesadelo para ele. Ler também “papo reto”.
Pode explicar?
O glossário é um conjunto de ‘gírias’ e jargões utilizados pelos
coletivos da rede. Eles vão sempre se ressignificando com o tempo e o
processo, alguns verbetes ficam, outros são aperfeiçoados. Foi o que
ocorreu.
52) Muitos críticos do FDE dizem que o Fora do Eixo é uma
seita, com regras rígidas para todas as ocasiões. O fato de existir um
glossário tão detalhado não dá razão aos que criticam o FDE por ser uma
espécie de seita?
A tentativa de classificar a rede Fora do Eixo como seita religiosa
busca explicitamente difamar o projeto. A criminalização de experiências
dos coletivos e redes com princípios comunitários, prejudicam não só a
rede, mas todos que buscam alternativas concretas de colaboração fora
dos padrões convencionais do mercado. O glossário, como eu disse, é
apenas uma tentativa de registrar os vocabulários vivos que vão sendo
desenvolvidos, mas está longe de definir nossa forma de atuação e ação.
53) O que é “catar e cooptar?”
Pergunte para quem nos acusa disso, esse termo não é sério o suficiente para merecer uma resposta.
54) Embora o FDE se apresente como uma rede, ex-integrantes
do FDE dizem que a estrutura é totalmente verticalizada, e que você é
como um guru na organização – jamais é questionado por ninguém. Quais
outros integrantes do FDE têm influência próxima à sua?
As diversas acusações sobre a presença de uma liderança autoritária,
projetada em mim, implicam mais uma vez na tentativa de caricaturizar
novas formas de relação para além de polaridades e maniqueísmos,
desqualificando os demais indivíduos da rede.
As lideranças da rede resultam, como em qualquer outra, da dedicação
ao coletivo e seus participantes; e obtêm sua legitimidade e
reconhecimento internos de acordo com ela.
A influência dos integrantes faz parte de uma complexa arquitetura,
com diversas camadas temáticas e geográficas. Não existe uma relação
linear entre influência e lideranças. Diversas decisões são tomadas e
executadas diariamente sem a minha participação, e assumo as
responsabilidades que a rede deposita e espera de mim. E digo mais, são
poucos os movimentos com tantas lideranças espalhadas por tantos estados
como o Fora do Eixo!
55) Muitos coletivos de esquerda e movimentos populares não
se dão com o Fora do Eixo. É o caso do Movimento Passe Livre, do MST,
Movimento Hip Hop, Ocupa São Paulo e vários outros. A que você atribui
essa rejeição?
Existe algum ponto de consenso nos movimentos sociais? O que existe,
no nosso entendimento, é um espaço enorme de diversidade e de disputa de
narrativas e alinhamentos a partir dos valores e interesses dos
movimentos. Acho complicado mais uma vez transformar dissenso, que é
algo natural das sociedades democráticas, em uma questão moral que
distorce a realidade.
O Movimento Nacional dos Direitos Humanos, o Movimento Ação Griô, o
Movimento de Povos de Terreiro, a UJS, e vários movimentos Ambientais,
Sociais e Culturais são nossos parceiros. Não conhecemos nenhum
movimento que seja um consenso absoluto dentro das lutas sociais que são
realizadas no Brasil e no Mundo, e isso deveria ser visto como algo
natural, sem alarme e tanto alarde. Alarmante é a forma como
determinados setores da cultura e da mídia brasileira tem reagido a uma
pequena “ameaça” aos modelos vigentes de produção cultural e
comunicação.
56) Um conhecido jornalista de esquerda, José Arbex, escreveu
um texto com críticas pesadas ao Fora do Eixo, em 2011, na revista
Caros Amigos: “Lulismo Fora do Eixo”. Ele conta que durante a preparação
da Marcha pela Liberdade, em maio de 2011, você mencionou a
possibilidade de a Coca-Cola patrocinar a marcha, e que a Coca nem fazia
questão de sua marca aparecer –era só pra ficar bem com os movimentos
progressistas. Outros coletivos rejeitaram o patrocínio. Várias pessoas
contaram a mesma versão dessa história. Isso é verdade? Se não é,
exatamente o que você disse nessa reunião? Se isso não é verdade, o que
foi que você disse nessa reunião?
Isso é grande mentira. A Coca-Cola nunca ofereceu patrocínio para
marcha da Liberdade ou para a rede Fora do Eixo. Essa possibilidade
nunca nem foi cogitada. Não é à toa que nem em nossas festivais
recebemos esse apoio ou patrocínio. Mais um mito que visa difamar a
rede. O que existiu foi um debate sobre financiamento privado de
coletivos e movimentos. E o José Arbex escreveu aquilo sem sequer nos
conhecer, nunca visitou uma casa ou coletivo da rede, e tampouco nos
entrevistou. Ele fez aquele texto usando terceiros como fonte.
57) O coletivo de esquerda chamado Passa Palavra se destaca
nas críticas ao Fora do Eixo. Em um texto muito alentado, de 2011, eles
afirmam que: a) o Fora do Eixo tem 57 CNPJs diferentes; b) o FDE é uma
máquina de ganhar editais, que floresceu nas gestões de Gilberto Gil e
Juca Ferreira no MinC, por meio do programa Cultura Viva, dirigido pro
Claudio Prado. Segundo o Passa Palavra, o FDE participava da elaboração
de editais da área digital do Minc, editais esses que eram vencidos pelo
próprio FDE. Como você responde a essas acusações?
Todas equivocadas e mentirosas. Não temos 57 CNPJ’s diferentes,
Claudio Prado não dirigiu o Programa Cultura Viva e nunca participamos
de elaboração de editais da área digital do MinC. O Passa Palavra sempre
fez críticas infundadas à rede Fora do Eixo. Os artigos sempre foram
elaborados em cima de “achismos”. Nunca fomos pesquisados de fato por
eles, nunca sequer visitaram as casas ou entrevistaram alguém que vivia
ali. Achamos que para fazer um texto que quisesse de fato contribuir com
as leituras sobre o atual momento, tomando uma rede com práticas tão
novas como estudo, para evitar os preconceitos deveria ter havido uma
pesquisa séria sobre o tema, deixando o outro lado da história ser
ouvido. Na época, propusemos vários debates públicos com integrantes da
rede e eles se esquivaram de todos.
58) O Fora do Eixo começou em Cuiabá, com o Festival Calango.
Esse festival não existe mais, apesar do crescimento da FDE. Por quê?
O Festival Calango desempenhou papel fundamental para a cena cuiabana
e para o crescimento do Fora do Eixo enquanto rede, pois possibilitou a
abertura de diversas rotas, e junto a outros festivais, a consolidação
de um circuito nacional de artistas, produtores e jornalistas.
Acreditamos que com o papel que exerceu até aqui ele cumpriu seu ciclo.
59) Você já disse defendeu várias vezes de que os artistas que tocam em festivais não deveriam receber cachês. Por quê?
O Fora do Eixo sempre defendeu a sustentabilidade dos artistas como
princípio, não estamos ajudando a construir uma rede nacional de música
à toa. Quem ajuda na construção de rede de Festivais, circuito de
turnês, sistemas de distribuição, intercâmbios internacionais e
regionais, debates, oficinas e etc está pensando em sustentabilidade o
tempo inteiro. E sustentabilidade não é somente cachê! Não há uma defesa
para que os artistas não recebam, e sim que entendam o festival como
uma plataforma de formação de público, para quem ainda não tem público
formado. E mesmo assim os festivais todos buscam remunerar os artistas
com os recursos que tem.
Qualquer profissional que pretende atuar no mercado de trabalho deve
construir um plano de carreira pro seu empreendimento ou ser contratado
por alguma empresa/ instituição. Alguns optam por serem músicos
contratados de outros artistas, de estúdios, escolas e instituições de
ensino, bares ou casas de shows covers. Os que optam pelo seu próprio
empreendimento, devem investir para ganhar solidez a médio e longo
prazo, assim como qualquer empreendimento. Nesse contexto acredito que
muitos artistas deveriam encarar os festivais como parte desse
investimento inicial, aproveitando dos ativos de cada localidade como
formação de público, divulgação local, contatos e oportunidades de
negócios pra sua própria carreira. Especialmente se é a primeira vez do
artista naquele local e se o contratante não é uma empresa, corporativa,
com condições de pagar seu cachê, independente dos prejuízos.
Cabe ao artista querer ou não aceitar essa condição, como também cabe
ao produtor fazer sua proposta para a banda, levando em consideração a
carreira dessa banda, seu reconhecimento por parte do público e sua
qualidade sonora. Muitas bandas que estão começando, tem a oportunidade
de tocar para mais pessoas, pois está no mesmo local que o público das
diferentes atrações, que por consequência acaba conhecendo a banda.
60) Se os artistas não ganham para tocar, não ganham para
divulgar música na internet, e o mercado de discos está em baixa, do que
os artistas devem viver?
Primeiro, que não podemos afirmar que os artistas não ganham pra
tocar, sem levar em conta o processo histórico de desenvolvimento do
mercado de música independente no Brasil. O problema da sustentabilidade
do artista independente não está ligado apenas as mudanças trazidas
pelas novas plataformas, mas é um problema histórico.
Para quem tem um pouco de memória e mais de 23 anos é notório que o
cenário da musica independente brasileira até o inicio dos anos 2000 era
bem diferente. Em quase todas as cidades do Brasil os pouquíssimos
espaços voltados pra música ao vivo eram dominados pelo cover. Banda
autoral não tinha espaço pra se apresentar, e quando tinham não
recebiam.
Neste sentido, nosso entendimento é que a a construção de plataformas
coletivas, e a luta pela organização do setor musical e políticas
públicas estruturantes são desafios fundamentais para a sobrevivência
dos artistas nos dias de hoje. Para nós está claro que apenas a livre
concorrência do mercado é uma lógica excludente e que não resolve o
problema, e isso está comprovado historicamente.
Ou seja, não podemos tratar a questão de forma simplista, como se
estes problemas estivessem sendo colocados agora pelas mudanças trazidas
pelo Digital e também por uma discussão sobre cachês em festivais.
61) O FDE agencia shows? De que artistas? Como o FDE é remunerado por agenciar shows?
Não, não agenciamos shows.
62) Os festivais independentes de rock brasileiros eram
reunidos, desde 2005, numa entidade chamada Abrafin. Qual a relação
atual entre a Abrafin e o Fora do Eixo?
A Abrafin, a partir da saída dos dissidentes e da mudança de sua
forma de gestão, com a criação dos circuitos regionais e a
descentralização dos processos passou a se chamar Rede Brasil de
Festivais. A Rede possui um grande número de festivais realizados por
coletivos ou agentes ligados ou não ao Fora do Eixo. A relação com a
Rede Brasil de Festivais é a mesma que tínhamos desde o inicio da
Abrafin. Dar suporte à organização e gestão deste laboratório de conexão
entre produtores. Vale lembrar que desde o início os produtores do Fora
do Eixo contribuíram com a entidade, oferecendo quadros para auxiliarem
na gestão, independente dos cargos ocupados. Nossa relação é a mesma
com outras redes de cultura: incentivar e contribuir para o
desenvolvimento de ações coletivas e associativas.
63) Em 2011, treze festivais independentes, incluindo alguns
dos mais importantes do Brasil, como o Goiânia Noise e o Abril Pro Rock
(de Recife), abandonaram a Abrafin. Alegaram que o FDE tentava impor um
paradigma único a todos os festivais. E que os festivais se viam
obrigados a chamar sempre os mesmo artistas ligado ao FdE. O que
aconteceu de fato na Abrafin?
Primeiro que não cabe esta afirmação de modelo único e artistas
ligados ao FDE. A questão foi uma discordância entre os festivais sobre o
modelo de gestão. Nós entendíamos que os festivais tinham aumentado
muito, naquele momento já tinham mais de 40 filiados e uma fila enorme
de pedidos de filiação, já que o próprio nascimento da Abrafin deu
visibilidade a esta plataforma que se espalhou pelo país inteiro, junto
com o Fora do Eixo.
Neste sentido, propomos uma nova arquitetura, com a criação de
circuitos regionais, para descentralizar a gestão e fazer
acompanhamentos mais próximos. Ao mesmo tempo, a nova gestão fez a
proposição de ao criar os circuitos regionais diminuir o número de
edições necessárias para a entrada na entidade, porque acreditava ser
perverso a lógica: faça 3 edições e se sobreviver entre para o grupo
seleto dos vencedores, já que entendia-se que os festivais nas suas
edições iniciais necessitam mais ainda de suporte, principalmente na
troca com os festivais mais experientes.
Ao contrário disso, a proposta dos festivais que saíram era que a
entidade se fechasse, não recebendo mais filiados, o que para a maioria
ia contra aos princípios associativos que deveriam marcar a entidade.
Existia uma visão clara entre o protecionismo deliberado pelos festivais
que saíram e a necessidade de ampliar os diálogos e abrir a entidade
para toda esta gama de festivais que tinham nascidos inspirados pela
própria Abrafin. A partir disso, como existia uma mudança organizacional
entendida como necessária pela maioria dos festivais filiados naquele
momento, implementamos os circuitos regionais e descentralizamos o
processo de gestão, enquanto os insatisfeitos saíram e montaram depois
sua entidade.
No nosso entendimento, a saída e nascimento de novas entidades fazem
parte do processo de amadurecimento político do próprio segmento musical
brasileiro. Pessoas com ideias similares se juntam e trabalham a partir
disso. Hoje a rede se divide em 6 circuitos regionais, e lançará em
breve um calendário 2013/2014 com 130 festivais integrados.
64) Você tem a informação de que festivais que abandonaram a Abrafin passaram a receber menos patrocínios? A que atribui isso?
Não temos estas informações até porque não sei o valor dos
patrocínios que eles recebem, porquê não tem isso publicado em nenhum
lugar acessível. Desta forma não dá pra atribuir isso a qualquer coisa.
Inclusive acho que esta pergunta faria mais sentido a eles do que a nós.
Contudo, nos últimos anos o mercado musical independente teve uma queda
no investimento privado.
A Petrobras teve seu edital de festivais encerrados e o Conexão Vivo
que era outra plataforma que investia bastante no setor acabou com a
compra pela Telefônica da Vivo. Acho que eles estão vivendo o mesmo
cenário que nós vivemos. Mas é só pegar o ultimo resultado do edital de
festivais da Petrobras que fica mais claro isso pra você!
65) Vários artistas – o cantor China, o Daniel Peixoto (do
Montage) e o Márvio dos Anjos (do Cabaret), entre muitos outros –
relatam que os festivais do Fora do Eixo têm como características a
infraestrutura muito simples e o não-pagamento de cachê, exceto em casos
muito excepcionais. Se a infraestrutura é básica, não tem cachê, e os
festivais são feitos com dinheiro de editais, para onde vai o dinheiro
que sobra? Ou não sobra?
Os cachês não são exceções e menos de 30% dos festivais tiveram
recursos captados via edital público, dos 100 festivais integrados a
Rede Brasil de Festivais Independentes, tem de grandes festivais com
ótimas estruturas quanto a pequenos que ou estão começando ou tem pouco
recursos. Em 2012 foram 107 festivais e 19 tiveram recurso via edital
público o restante é feito com parcerias locais, pequenos patrocínios e
ou recursos de bilheterias e bar. Em 2013 serão 130 festivais e ainda
não temos todos os dados porque a maioria dos festivais acontecem agora a
partir de agosto, e muitos ainda estão em processo de captação,
buscando apoios, parcerias, etc.
Importante destacar que cerca dos 40% dos festivais da RBFI não são
de coletivos do Fora do Eixo e integram a rede com o intuito de trocas
de tecnologias de produção e alcance em divulgação. Nos festivais de
coletivos da Rede Fora do Eixo que são realizadas com dinheiro público
via edital todo o recurso é destinado para o próprio festival, para
financiar estrutura, logística, produção, cachês, alimentações,
transportes, divulgação e diversos outros servições necessários para a
realização do mesmo. O mercado da música independente nacional e não
apenas em grandes centros urbanos está em gestação, atingindo cada vez
mais cidades do interior do país, criando uma nova agenda no circuito
independente em progresso.
É visível para quem circula essas cidades e festivais um salto nas
estruturas de palco, som, iluminação, atendimento, hospedagem,
alimentação, cada vez mais os produtores e coletivos se qualificam. É
claro que necessita de aprimoramento ligados à diversas questões
estruturais do país e do setor cultural, passando por avanços nas
políticas públicas para a cultura bem como maior investimento do setor
privado em um mercado emergente.
66) A cineasta Beatriz Seigner divulgou um longo depoimento
no Facebook. Cita um jantar na casa da diretora de marketing da Vale,
onde ela e você estavam. Segundo o texto dela, você disse que era “era
contra pagar cachês aos artistas, pois se pagasse valorizaria a
atividade dos mesmos e incentivaria a pessoa ‘lá na ponta’ da rede, como
eles dizem, a serem artistas e não ‘DUTO’ como ele precisava. Eu
perguntei o que ele queria dizer com “duto”, ele falou sem a menor
cerimônia: “duto, os canos por onde passam o esgoto”. Esse diálogo
aconteceu?
Não, o diálogo foi apresentado de forma completamente distorcida por
Beatriz Seigner. A fala que o duto seriam os artistas e que é por onde
passa o esgoto nunca aconteceu. Isso poder ser confirmado por relatos de
outras pessoas que também estavam presentes na ocasião. A discussão
sobre os dutos que fazemos é sobre as plataformas de circulação e
distribuição cultural que são prioridade de debate no Brasil.
A realidade que persiste ainda é da grande dificuldade de artistas e
atores culturais de localidades fora do eixo como Rio Branco, Cuiabá,
Macapá, Santa Maria, entre outros, sairem de suas cidades e circularem
pelo país. Hoje o Estado não consegue dar conta dessa demanda e os dutos
são os sistemas de circulação e distribuíção criados como alternativas
independentes para circulação cultural.
Dentro da rede Fora do Eixo existem dutos da Música, do Audiovisual,
das Artes Visuais, do Midialivrismo, da Formação Livre, entre muitos
outros, que nada mais são do que as plataformas de circulação e
distribuição temáticas da rede.
67) Beatriz também diz que seu filme “Bollywood Dream – O
Sonho Bollywoodiano” foi exibido em sessões que contavam com
patrocinadores, mas que o dinheiro ficou sempre com o Fora do Eixo; ela
não recebeu nada pela exibição durante os festivais Grito do Rock, e só
conseguiu receber o dinheiro do SESC depois de muito insistir com o FDE.
Isso é verdade?
Não. O SESC entrou como apoiador na sessão que ocorreu em São Carlos e
como parceria em Bauru, com os coletivos locais. Nas duas ocasiões a
negociação foi realizada diretamente entre o SESC de cada cidade e a
empresa de Beatriz, a Miríade Filmes e Produções Artísticas Ltda. Nas
duas cidades a parceria com o SESC foi somente para viabilizar essa
sessão, portanto nenhum dinheiro foi para o coletivo local. Além disso
no próprio contrato, há a discriminação de 50% para cachê e 50% para
transporte, hospedagem e alimentação, sendo que as duas últimas
necessidades foram supridas pelo próprio coletivo, no caso de Bauru por 3
dias e no caso de São Carlos 2 dias. Para compreender a questão,
sugerimos a leitura do Relatório postado no portal Transparência FdE, bem como, uma análise do Jornalista Francisco Bosco, no O Globo, e do advogado, produtor de cinema
independente e professor de Produção Cultural da UFPel (Departamento:
Centro de Integração do Mercosul), Rafael Geber Andreazza.
68) Diz que lhe foi pedido que seu filme tivesse o crédito
“Realização Fora do Eixo”, embora o filme não tenha sido produzido pelo
FDE. Isso é uma prática comum? Você considera isso um pedido normal?
O investimento realizado pelo Fora do Eixo na difusão do filme
“Bollywood Dreams” teria custo superior a R$100.000,00 se fosse
calculado e cobrado por uma empresa comum. A proposta de aplicar a marca
do Fora do Eixo em seu filme se deu a partir de nossa compreensão dessa
troca. Beatriz não aceitou, cobrando da rede sua cota mínima de
patrocínio de R$ 50.000,00 em moeda corrente. Mesmo com sua recusa,
entendemos que era importante realizar o investimento para fortalecer
nossa parceria e fomentar o audiovisual independente.
69) Todo o depoimento de Beatriz é muito crítico ao FDE e a você pessoalmente. Como você responde a ele?
Não tenho nada a responder do ponto de vista pessoal. Todo debate que
se deu até aqui, da minha parte, foi do ponto de vista político,
metodológico e conceitual. E assim será tratado até o fim.
70) “Fora do Eixo” é marca registrada. O registro no INPI é
da Globo Comunicação e Participações. Pode explicar? Aqui está o
registro:
NCL(8) 3582861623009/08/2006FORA DO EIXORegistroGLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A.NCL(8) 41
Esta marca Fora do Eixo possivelmente é referente ao programa de televisão da SporTV: http://sportv.globo.com/videos/fora-do-eixo/
Nenhuma relação com a rede cultural Fora do Eixo.
72) O Fora do Eixo vem recebendo mais e mais críticas. Agora,
também de ex-integrantes do FDE. Alguns preparam publicações de novos
depoimentos contra o FDE. Certamente, a imprensa vai investigar ainda
mais.
Temos consciência que o debate sempre marcou nossas relações na busca
pela coerência entre o discurso e a prática. Buscamos encarar as
críticas como combustível para nossas reflexões e incentivo à reinvenção
diária à que nos dispomos. Estamos em processo e temos consciência das
dores e das delícias à que estamos expostos.
73) Com tanta publicidade negativa, dificilmente o FDE
continuará recebendo apoios e patrocínios na mesma escala – afinal,
empresas não querem risco na hora de escolher quem patrocinam. E
necessariamente todas as contas do FDE serão examinadas com cada vez
mais rigor. O Fora do Eixo – e portanto Mídia Ninja, Abrafin, Pós TV,
Casas FDE, Universidade FDE etc. – está em risco de desmoronar de
repente?
Vivemos num momento de grandes mudanças. As jornadas de junho no
Brasil, alinhadas a diversos movimentos que correm o mundo todo hoje,
mais as mudanças tecnológicas vividas recentemente nos colocam no olho
do furacão, neste processo de mudanças sociais dramáticas, trazidas pelo
Digital.
Somos um laboratório de experiência de rede digital único no Brasil e
talvez único em todo o mundo. Trabalhamos fortemente nos últimos 10
anos dentro do circuito cultural e a pelo menos três anos estamos num
diálogo constante com diversos setores da sociedade brasileira. Fazemos
tudo isso de forma aberta e transparente entendendo que somos Beta, e
que estamos em processo permanente de atualização. E pra completar
tivemos uma enorme visibilidade nos últimos dias com o sucesso e
quantidade de questionamentos que a Midia Ninja teve e trouxe.
Como movimento fortemente enraizado nas redes sociais, também
recebemos os ônus e bônus de tudo que acontece ali. Ou seja, natural que
um movimento que questiona sistemas de representatividade na rede,
receba primeiramente os resultados disso. Pra gente essa é uma
oportunidade grande de aprendizado para melhorarmos nossos processos.
Não temos problema algum em receber a primeira ação tão ostensiva das
redes sociais, como gostaríamos que outras entidades, estados e empresas
estivessem recebendo, e realmente esperamos que esta experiência possa
servir para que avancemos na construção das novas formas de participação
e controle social trazidos pelo Digital.
Hoje, o Fora do Eixo representa o problema real, é o fato, o que
precisa ser entendido é que nós na verdade, somos a reação ao problema
real que precisamos enfrentar: as mudanças sociais dramáticas e a
inadaptabilidade dos antigos modelos civicos de lidar com ela. Somos o
pretexto pra um grande debate que precisa ser travado, e apesar da dor
da injustiça, seguimos firmes acreditando que debate vai ganhar a
profundidade necessária para que o Brasil encontre seus novos caminhos.
Não. O Fora do Eixo não vai desmoronar de repente.
Leia também:
“Eu prefiro o viés que disputa essas novas organizações pela esquerda”: Mídia Ninja Sobre o FdE -clique aqui
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Linchamento, a marca da mídia
Há tempos que não víamos uma campanha tão
pesada, tão agressiva e tão violenta como essa que vemos se desencadear
contra o Fora do Eixo. Ontem a Folha publicou chamada na primeira página
acusando Pablo Capilé de ser “imperador de um submundo”.
Hoje a mesma Folha volta a publicar matéria na primeira página: “Fora do Eixo deixa rastro de calote em Cuiabá”.
Não estou aqui para defender ninguém. Mas é espantoso como são as
coisas. A Globo pediu moratória de US$ 2 bilhões em 2002, tentou dar um
beiço em seus credores norte-americanos, e não houve nenhuma campanha
difamando a família Marinho. Ninguém foi entrevistar os credores da
Globo, para que eles fizessem desabafos.
E agora, a Folha e outros veículos de mídia, publicam chamada na
primeira página de matéria denunciando que o Fora do Eixo ainda não
pagou um restaurante em Cuiabá.
Dívidas devem ser pagas, mas há também uma relação privada que deve
ser respeitada. Há documentos que são assinados, riscos que são
assumidos, e existe uma justiça para resolver essas pendências.
A matéria da Folha provavelmente mistura dívidas corretas com fofocas
e cobranças indevidas, gerando um factóide político que não me parece
ter outra intenção que a de assassinar reputações.
Se a Folha for procurar por caloteiros, vai encontrá-los em magnitude
muito superior nos latifundiários, por exemplo, que há décadas pegam
empréstimos no Banco do Brasil e simplesmente não pagam. Isso sem falar
no Globogate, um caso de R$ 615 milhões com o qual a nossa mídia jamais
se importou, e que até hoje tenta, desesperadamente, abafar.
Para este blogueiro singelo, os “imperadores de submundo” não são os
que devem 20 mil reais em restaurantes de Cuiabá. Acabamos de saber,
por exemplo, que a Receita cobra R$ 18 bilhões do Itaú, e que a fortuna
de brasileiros em paraísos fiscais totaliza mais de R$ 1 trilhão.
Mas para os coxinhas, à esquerda e à direita, o bicho papão é um
rapaz de origem pobre de Cuiabá, com um estranho angioma no rosto e
fotos com Dirceu e Lula no Facebook…


