Festival Lula Livre nos Arcos da Lapa (RJ) em 28 de julho. Todos lá!

Festival no Rio reforça campanha por eleições democráticas e Lula Livre


Mobilizações dos próximos dias
culminam com marcha a Brasília para defender a democracia e garantir o
registro oficial da candidatura do ex-presidente, em 15 de agosto

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Trazendo a memória de Teotônio Vilela, canções de Milton Nascimento e parceiros do clube da esquina , Henfil, artistas atuais e o melhor que o Brasil produziu e produz em matéria de gente criativa, solidária, feliz e corajosa, semelhante a Lula.






Teotônio Vilela foi uma apaixonada figura do cenário político brasileiro
nos anos 60 e 70.

Ligado a partidos de direita, ele chegou a apoiar o golpe de estado de
1964, mas a partir dos anos 70 passou a ter uma postura de defesa
implacável da redemocratização. Seus discursos memoráveis  lhe
valeram o apelido de Menestrel das Alagoas.

Teotônio percorreu o Brasil exigindo democracia. Inspirou-se na miséria
nordestina para elaborar o Projeto Emergência, que propunha a moratória
da dívida externa, reformas sociais e eleições diretas para presidente.

Morreu em 1983, de câncer generalizado, depois de comover o país com sua
peregrinação. “Há coisas que enchem a vida de alegria: lavar um cavalo
na água fria do rio, sacudir um boi pelo rabo na carreira de uma
vaquejada e falar com os jovens, sentindo a esperança”,
dizia.

Milton Nascimento e Fernando Brant prestaram-lhe esta e bela e merecida
homenagem, a canção “Menestrel das Alagoas” que, naqueles tempos de
Diretas Já, também fez muito sucesso com Fafá de Belém.

O vídeo foi extraído do especial de Milton Nascimento gravado pela TV
Globo na Praça da Apoteose, em 1984, com direção de Dennis Carvalho.


 

Festival Lula Livre, no Rio, tem playlist divulgada; ouça 


 O repertório conta com Chico Buarque, Ana Cañas, Chico César, Flávio Renegado, Mc Carol, Beth Carvalho e vários outros nomes.

 

28/7: CHICO BUARQUE E MARTINHO DA VILA CONVOCAM PARA O FESTIVAL LULA LIVRE NOS ARCOS DA LAPA



DIANTE DA INJUSTIÇA CONTRA LULA E UM PAÍS Á DERIVA SÓ RESTA A RESISTÊNCIA. VEJA CONVOCATÓRIA DE 750 ARTISTAS E INTELECTUAIS. 

 

Artigo do Lula na Folha de S.Paulo: Afaste de mim este cale-se

Querem impedir que o povo escolha em quem votar?
Publicado em 19/07/2018


Por: Ricardo Stuckert
Estou
preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego aumenta, mais pais e
mães não têm como sustentar suas famílias, e uma política absurda de
preço dos combustíveis causou uma greve de caminhoneiros que
desabasteceu as cidades brasileiras. Aumenta o número de pessoas
queimadas ao cozinhar com álcool devido ao preço alto do gás de cozinha
para as famílias pobres. A pobreza cresce, e as perspectivas econômicas
do país pioram a cada dia.

Crianças brasileiras são presas separadas de suas famílias nos EUA,
enquanto nosso governo se humilha para o vice-presidente americano. A
Embraer, empresa de alta tecnologia construída ao longo de décadas, é
vendida por um valor tão baixo que espanta até o mercado. 

Um governo ilegítimo corre nos seus últimos meses para liquidar o
máximo possível do patrimônio e soberania nacional que conseguir
—reservas do pré-sal, gasodutos, distribuidoras de energia,
petroquímica—, além de abrir a Amazônia para tropas estrangeiras.
Enquanto a fome volta, a vacinação de crianças cai, parte do Judiciário
luta para manter seu auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento
salarial.

Semana passada, a juíza Carolina Lebbos decidiu que não posso dar
entrevistas ou gravar vídeos como pré-candidato do Partido dos
Trabalhadores, o maior deste país, que me indicou para ser seu candidato
à Presidência. Parece que não bastou me prender. Querem me calar.

Aqueles que não querem que eu fale, o que vocês temem que eu diga? O
que está acontecendo hoje com o povo? Não querem que eu discuta soluções
para este país? Depois de anos me caluniando, não querem que eu tenha o
direito de falar em minha defesa?

É para isso que vocês, os poderosos sem votos e sem ideias,
derrubaram uma presidente eleita, humilharam o país internacionalmente e
me prenderam com uma condenação sem provas, em uma sentença que me
envia para a prisão por “atos indeterminados”, após quatro anos de
investigação contra mim e minha família? Fizeram tudo isso porque têm
medo de eu dar entrevistas?

Lembro-me da presidente do Supremo Tribunal Federal que dizia “cala
boca já morreu”. Lembro-me do Grupo Globo, que não está preocupado com
esse impedimento à liberdade de imprensa —ao contrário, o comemora.

Juristas, ex-chefes de Estado de vários países do mundo e até
adversários políticos reconhecem o absurdo do processo que me condenou.
Eu posso estar fisicamente em uma cela, mas são os que me condenaram que
estão presos à mentira que armaram. Interesses poderosos querem
transformar essa situação absurda em um fato político consumado, me
impedindo de disputar as eleições, contra a recomendação do Comitê de
Direitos Humanos das Nações Unidas.

Eu já perdi três disputas presidenciais —em 1989, 1994 e 1998— e
sempre respeitei os resultados, me preparando para a próxima eleição.

Eu sou candidato porque não cometi nenhum crime. Desafio os que me
acusam a mostrar provas do que foi que eu fiz para estar nesta cela. Por
que falam em “atos de ofício indeterminados” no lugar de apontar o que
eu fiz de errado? Por que falam em apartamento “atribuído” em vez de
apresentar provas de propriedade do apartamento de Guarujá, que era de
uma empresa, dado como garantia bancária? Vão impedir o curso da
democracia no Brasil com absurdos como esse?

Falo isso com a mesma seriedade com que disse para Michel Temer que
ele não deveria embarcar em uma aventura para derrubar a presidente
Dilma Rousseff, que ele iria se arrepender disso. Os maiores
interessados em que eu dispute as eleições deveriam ser aqueles que não
querem que eu seja presidente.

Querem me derrotar? Façam isso de forma limpa, nas urnas. Discutam
propostas para o país e tenham responsabilidade, ainda mais neste
momento em que as elites brasileiras namoram propostas autoritárias de
gente que defende a céu aberto assassinato de seres humanos.

Todos sabem que, como presidente, exerci o diálogo. Não busquei um
terceiro mandato quando tinha de rejeição só o que Temer tem hoje de
aprovação. Trabalhei para que a inclusão social fosse o motor da
economia e para que todos os brasileiros tivessem direito real, não só
no papel, de comer, estudar e ter moradia.

Querem que as pessoas se esqueçam de que o Brasil já teve dias
melhores? Querem impedir que o povo brasileiro —de quem todo o poder
emana, segundo a Constituição— possa escolher em quem quer votar nas
eleições de 7 de outubro?

O que temem? A volta do diálogo, do desenvolvimento, do tempo em que
menos teve conflito social neste país? Quando a inclusão dos pobres fez
as empresas brasileiras crescerem?

O Brasil precisa restaurar sua democracia e se libertar dos ódios que
plantaram para tirar o PT do governo, implantar uma agenda de retirada
dos direitos dos trabalhadores e dos aposentados e trazer de volta a
exploração desenfreada dos mais pobres. O Brasil precisa se reencontrar
consigo mesmo e ser feliz de novo.

Podem me prender. Podem tentar me calar. Mas eu não vou mudar esta
minha fé nos brasileiros, na esperança de milhões em um futuro melhor. E
eu tenho certeza de que esta fé em nós mesmos contra o complexo de
vira-lata é a solução para a crise que vivemos.

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente da República (2003-2010)

 

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