É tempo de ouvir a voz do Papa Francisco, dos cientistas e intelectuais comprometidos com a permanência da vida, dos misticos, poetas e artistas.

Brumadinho é o grande sinal que a igreja católica no Brasil, àquela parte que ainda não ouviu o chamado e que fica somente olhando para o alto, precisa se converter rapidamente e aceitar o convite do Papa Francisco, por meio da LAUDATO SI, de São Francisco de Assis e da nossa mãe terra. Isso vale também para as igrejas protestantes e/ou evangélicas, comprometidas com a salvação integral dos seres humanos e dos outros filhos da criação. Os adeptos de outras religiões, procurem em seus livros sagrados, na sua tradição, nos ensinamentos de seus mestres e avatares, a força necessária para barrar o movimento de destruição definitiva, que o capitalismo explorador e predatório está fazendo  contra a vida e contra o planeta. Destacamos especialmente a carta do cacique Seatlle escrita no séc XIX e inspirada pelo grande espirito.




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A Vale está em todos nós Brumadinho e a insustentabilidade do mundo em que vivemos. Por Daniel de Mattos Höfling

Posted on 31 de janeiro de 2019

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A tragédia de Brumadinho, assim como a de Mariana e tantas outras, foi
um crime e não um desastre ambiental. Como parte considerável dos
crimes, foi calculado. Este cálculo mina gradativamente o futuro da
civilização humana. Consubstanciado no elevado número de mortos (84) e
desaparecidos (276) Brumadinho transmite relativo ar de
excepcionalidade, como um episódio macabro que marca determinado momento
de nossas vidas. Entretanto, não o é. Pertence à normalidade cotidiana
que, de tão presente, torna-se imperceptível.

O que move nossa sociedade é, antes de tudo, o cálculo monetário. O
custo-benefício. Diariamente todos os seres humanos da terra se
questionam: “Será que Vale o quanto custa? Será que Vale a pena gastar
com isso? Quanto Vale isso? Vale investir nisso?” Todas essas perguntas,
bem como suas respostas, são mensuradas por uma única variável: o
dinheiro. Sobre esse atributo são tomadas a quase totalidade das
decisões humanas numa sociedade capitalista. O dinheiro é o Valor máximo
numa organização social fundamentada na sua suposta escassez. Reside
aqui a quase totalidade dos nossos males.

Tanto no nível micro quanto macro, individual ou coletivo, privado ou
público, avaliações relacionadas à saúde, à educação e ao meio ambiente
são constantemente mensuradas pelo dinheiro. “Cortaremos gastos com
saúde para atingirmos o equilíbrio fiscal”. “Invista no curso que
mudará sua vida”. “Estude e se dê bem”. “Utilize o agrotóxico que
duplicará sua produção e rentabilidade”. “Casou bem”. Todas essas frases
colocam o dinheiro acima de qualquer coisa, tornando-o objetivo e base
do relacionamento e da sociabilidade entre todos os indivíduos.
Interagimos mediante o dinheiro. É o objetivo supremo das nossas ações. É
a razão das nossas atitudes. É o Valor primeiro do nosso cotidiano. É o
substrato da sociedade capitalista.

Os indivíduos nessa sociedade dormem e acordam pensando em como ganharão
mais dinheiro. Bolam estratégias, falas, comportamentos e atitudes que
os levem ao sucesso, ou seja, ganhar dinheiro. Apoiados na inocente
ideia de meritocracia, realmente acreditam que o dinheiro é o prêmio
justo e adequado àqueles mais esforçados. Realmente acreditam que o
mundo é composto por perdedores e vencedores. Que uns têm pouco porque
não merecem, outros têm muito porque mereceram. É assim que deve ser.
Criamos nossos filhos para serem vencedores; investimos em colégios
caros e cursos de inglês não na esperança de torná-los mais humanos e
preocupados com o mundo ao seu redor mas sim porque terão mais
ferramentas para se destacar no mercado de trabalho esmagando seus
competidores e recebendo seu merecido prêmio em dinheiro. Forjamos
amizades com o intuito de ampliar nossas redes de contato e facilitar
nossos negócios. Praticamos relacionamentos interessados buscando
incessantemente o dinheiro. O livro mais vendido no mundo desde os anos
1940 é: “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, de Dale Cornegie.
Nossa sociedade move-se por esses Valores. Acreditamos neles; a Vale
também. Não é só um Valor da Vale; é nosso também.

Como o critério de mensuração é o monetário, todas as demais questões
ficam em segundo plano. Ética, sustentabilidade e amor ao próximo são
Valores ressaltados apenas quando melhoram a imagem e portanto conferem
ganhos. Não são prioritários. O dinheiro é primaz; é o nosso principal
Valor. O crime de Brumadinho está nisso assentado. A Vale calculou:
“Gastarei menos na barragem. Caso o fiscal perceba, o suborno. Se
estourar, pago a multa ou compro o juiz. O que economizarei na barragem
compensa o gasto que terei num eventual rompimento. Vale a pena”.
Infelizmente, foi “apenas” um cálculo monetário. Da mesma natureza que
fazemos todos os dias, colocando o dinheiro no centro das nossas vidas e
acima de tudo.

Tais cálculos monetários derivam da fixação pelo dinheiro e subsistem
nas raízes dos principais problemas enfrentados pela humanidade,
tornando sua civilização insustentável. Afinal o que é a desigualdade, a
pobreza e o aquecimento global senão manifestações da primazia do
dinheiro sobre qualquer outro Valor? Reclamamos diariamente da corrupção
e da ganância mas não percebemos que tais “Valores” estão em nós
impregnados. Enquanto o amor ao dinheiro for o que nos move todos os
dias, não temos moral para criticar a Vale. Numa escala menor praticamos
diariamente o modo Vale de agir. A Vale está em nós e isso torna o
mundo impraticável.
Daniel de Mattos Höfling
Doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Professor da Facamp
(texto de 29 de janeiro de 2019)


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 MINERADORAS LESAM A HUMANIDADE

Riquezas
das Minas Gerais, seus minérios e tantas outras maravilhas, que tão
generosamente nos foram dadas pelo Criador, transformaram-se em sua
perdição. Minas vê, gravíssima e rapidamente, seus rios, lagos,
afluentes, terras agricultáveis, comunidades e suas culturas sendo
dizimadas. São cometidos crimes contra a vida humana, contra o meio
ambiente e contra o direito de viver em comunidade e em família.
Na Encíclica Laudato si, o Papa Francisco nos alerta para a
necessidade da urgente compreensão de que o Planeta agoniza e clama
contra o mal que provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso
dos bens que Deus nele colocou.
O que foi legado ao homem para que prospere e tenha uma vida plena e a
transmita às futuras gerações, a ação irrefreavelmente gananciosa e
criminosa das mineradoras destrói em tão pouco tempo. Vemo-nos diante da
débil regulação deste setor pelo Legislativo, eivado de pessoas
financiadas por essas empresas e que são autorizadas pelo Executivo,
imiscuído em múltiplos interesses nem sempre republicanos e
precariamente fiscalizadas pelos órgãos que existem para isso. Soma-se a
isso um Judiciário leniente, ensimesmado, caríssimo, insensível,
pretensioso e divorciado do povo brasileiro. Foi assim em Mariana, pela
Vale/Samarco, até hoje “na justiça”; é assim em Brumadinho, pela Vale.
Não podemos deixar que assim continue.

Não houve um acidente nessas Minas Gerais. Houve um crime ambiental e
um homicídio coletivo. Uma matança de pessoas, animais e do meio
ambiente. Quase mataram também a esperança, a fé, a dignidade e o amor
das pessoas que sobraram, agora terrível e indescritivelmente sofridas,
mas em processo curativo, em reconstrução, soerguimento, revitalização e
retomada de posse de sua brava dignidade. Como não há uma empresa
mineradora em abstrato, as pessoas que nela atuam e têm responsabilidade
sobre esta tragédia devem ser rigorosamente punidas, para que,
juntamente com a mineradora, não caiam em desgraça também os que exercem
os poderes acima citados e já tão pouco acreditados. Conscientemente,
as mineradoras optam, por serem mais baratos, por modelos de exploração
de minério de ferro e de outros metais mais danosos ao meio ambiente e à
vida humana. O lucro exorbitante, quase ilimitado, com pouco retorno à
sociedade por meio do poder público, é o único critério e preside,
inconsequentemente, as decisões em relação aos modelos de exploração dos
recursos naturais.
Por causa dessa sede insaciável e enlouquecida por riquezas cada vez
maiores, “que a traça e a ferrugem destroem e os ladrões roubam” (Mt
6,19), concentradas sempre mais nas mãos de pouquíssimas pessoas,
empresas mantêm trabalhadores na pobreza a vida inteira e expostos à
morte. A mineração em nosso País se tornou eticamente insustentável,
calamitosa e de altíssimo risco para a vida humana e toda a vida
existente em suas áreas de atuação.
A dimensão cruel e potência danosa da reincidência desses crimes nos
apontam que apenas o fato de não se tratarem de um contexto de conflito
armado é que os distingue de que sejam entendidos como crimes de
lesa-humanidade. As práticas de seus infratores, afinal, se mostram
sistemáticas, resultam da clareza dos riscos e danos de suas ações em
covardes atos desumanos e contra a população civil.
Por isso mesmo, urge que as pessoas, organizações e instituições que
valorizam a vida humana, que querem defender a natureza dessa
progressiva e suicida destruição, se insurjam contra esse modelo de
negócio que enriquece tão poucos, destruindo a vida de tantos. Do modo
que se realiza, esta economia mata, repito o Papa Francisco, o maior
líder humanitário do mundo atual.
É inadmissível a persistência desse modelo econômico de
enriquecimento pela destruição. É impossível continuarmos aceitando que a
natureza, obra-prima de Deus, seja sistematicamente destruída. E que
milhares de trabalhadores, idosos e crianças, mulheres e jovens,
prevalentemente os mais pobres e humildes, sejam diariamente expostos ao
risco de morrer em função de uma ganância deplorável.
Precisamos, talvez como nunca antes, como nos convoca o Papa
Francisco, cujo nome tem inspiração em São Francisco de Assis, “exemplo
por excelência pelo cuidado com o que é frágil e a ecologia integral,
vivida com alegria e autenticidade” (Laudato si), de um debate que una a
todos, porque o desafio ambiental diz respeito e tem impacto sobre
todos nós.


Carta do Cacique Seattle

No
ano de 1854, o presidente dos Estados Unidos fez a uma tribo indígena a
proposta de comprar grande parte das suas terras, oferecendo, em
contrapartida, a concessão de uma outra “reserva”.

O texto da resposta do Chefe Seattle, distribuído pela ONU (Programa
para o Meio Ambiente), tem sido considerado através dos tempos, um dos
mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do
meio ambiente.

É aqui inserido na íntegra, pois acreditamos que, apesar de ter sido escrita há mais de 100 anos, é cada vez mais atual.

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O NOSSO IMENSO AMOR PELA NATUREZA

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa
ideia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho
da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado
para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de
areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a
zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo.

A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as
lembranças do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem sua
terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos
jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são
nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a águia, são nossos irmãos. Os picos
rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o
homem – todos pertencem à mesma família.

Portanto quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja
comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande chefe diz que nos
reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e
nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar a sua oferta de
comprar a nossa terra. Mas isso não será fácil. Essa terra é sagrada
para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água,
mas o sangue de nossos antepassados. Se lhe vendermos a terra, vocês
devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças
que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala
de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas
é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas
canoas e alimentam nossas crianças. Se lhe vendermos a terra, vocês
devem lembrar e ensinar seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus
também.

E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção
da terra para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é
um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo que necessita. A
terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista,
prossegue o seu caminho.

Deixa para traz os túmulos de seus antepassados e não se incomoda.

Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A
sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata
sua mãe terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas,
saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite
devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas
cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem
vermelho é selvagem e não compreenda.

Não há um lugar nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se
possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de
um inseto.

Mas talvez porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece
somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida não pode ouvir o
choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, a
noite.

Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave
murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo
por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas
compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que
respira.

Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro.
Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é
precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida
que mantém.

O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro.

Se lhe vendermos nossa terra vocês devem mantê-la intacta e sagrada,
como um lugar onde até mesmo o homem branco possa saborear o vento
adoçado das flores dos prados. Portanto, vamos meditar sobre sua oferta
de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, peço uma condição: o
homem branco deve tratar os animais dessa terra como seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um
milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco
que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não
compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais
importante que o búfalo, que sacrificamos apenas para permanecermos
vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem
morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os
animais, breve acontece com seus irmãos.

Vocês devem ensinar as suas crianças que o solo a seus pés é a cinza
de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela
foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o
que ensinamos as nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à
terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo,
estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence a terra.

Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recaíra sobre os filhos da terra. O
homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios.
Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo que o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo
para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que
sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos, e o
homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso deus é o mesmo Deus.
Vocês devem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra, mas
não é possível.

Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e
para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu
criador.

Os brancos também passarão, talvez mais cedo que todas as outras
tribos. Contaminem suas camas e, uma noite, serão sufocados pelos
próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente,
iluminados pela força de Deus que os trouxe a esta terra e por alguma
razão especial lhes deu domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os
búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os
recantos secretos da floresta densa impregnada do cheiro de muitos
homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo? Desapareceu.

Onde esta a águia? Desapareceu.

E este é o final da vida e o início da sobrevivência.



Leia também:

Mariana e Brumadinho: Chamem os mitos, os misticos, os poetas e os artistas.

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