vivemos e podemos fazer diferente. Os 20 anos de congelamento foi
aprovado, os direitos trabalhistas retirados, a farsa da reforma dos
aposentados se encaminha na calada da noite.
corruptos são comprados a preço de ouro, e quem dirá que há crise
econômica nesse país? Se você vem de uma família sem posses, de pais
dignos e lutadores por favor não defenda os chicotes disfarçados de
“Mitos” o golpe já foi dado, por isso muita calma, leitura e ação.
Retrocesso
Com Temer, o Brasil volta à condição de Colônia
por Rodrigo Martins
—
publicado
27/07/2017 00h30,
última modificação
26/07/2017 17h4. Fonte: Carta Capital
Como no passado, o País se reduz à condição de plataforma exportadora de commodities

submetida a uma nova metrópole. Diante da impossibilidade
físico-temporal de retroagir no tempo, seu projeto guarda certas
singularidades em relação ao modelo do Brasil Colônia, mas a arquitetura
é a mesma.
Com um mercado doméstico fragilizado e abastecido por
produtos manufaturados importados, a produção orienta-se quase
exclusivamente para o mercado externo. Como no passado, os produtos de
exploração são as commodities agrícolas e minerais. As adaptações
impõem-se por força das atuais circunstâncias. Os juros da dívida
pública somam-se aos valiosos artigos oferecidos ao mercado.
A metrópole não é mais Portugal e, sim, as multinacionais e o sistema financeiro. Em vez da mão de obra escrava, o trabalho assalariado precarizado,
o que igualmente inviabiliza o consumo interno. No lugar dos poucos
representantes da Coroa portuguesa, um Estado mínimo, ausente na
prestação de serviços essenciais à sociedade.
Leia Mais:
A análise é do economista João Sicsú, ex-diretor de
Políticas e Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e professor do Instituto de Economia da UFRJ.
“Do congelamento dos gastos públicos por 20 anos à reforma
trabalhista recém-sancionada, todas as iniciativas do governo Temer
levam à conversão do Brasil em uma plataforma exportadora de produtos
básicos, pois o mercado doméstico está sendo dilapidado”, afirma.
“O barateamento da mão de obra não traz qualquer vantagem
competitiva para quem produz para o consumo interno, pois todos os
empresários terão esses custos reduzidos e, a médio prazo, o rebaixamento salarial afetará ainda mais o poder de compra das famílias.
Somente quem produz para o mercado externo terá algum
benefício. O País, por decisão da elite política e financeira, entrará
na divisão do trabalho globalizado como uma colônia moderna.”
A
dependência do mercado internacional torna-se cada vez mais evidente. Em
dois anos de recessão, 2015 e 2016, o PIB brasileiro encolheu 7,2%.
Festejado pelo ministro da Fazenda,Henrique Meirelles, o crescimento de
1% verificado no primeiro trimestre deste ano deve-se, sobretudo, à
supersafra agrícola e às exportações, que cresceram 4,8%.
Sem isso, a variação do PIB ficaria próxima de zero, pois
houve queda no consumo das famílias (-0,1%), do governo (-0,6%) e do
investimento (-1,6%).
Até mesmo a geração de empregos formais tem sido salva pelo boom do agronegócio.
Entre demissões e contratações, foram gerados 67,3 mil postos de
trabalho com carteira assinada no primeiro semestre de 2017. O campo
criou 117 mil vagas e compensou o mau desempenho de setores como
comércio (123 mil vagas fechadas) e construção civil (33,1 mil vagas a
menos).
Com 14,2 milhões de desempregados, segundo o último balanço divulgado pelo IBGE,
o Brasil vê o seu mercado doméstico evaporar. Do último trimestre de
2014 até o primeiro de 2017, o consumo das famílias contraiu-se cerca de
10%. O problema tende a se agravar com a precarização da mão de obra.
Sancionada por Temer sem vetos, a reforma trabalhista altera
117 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e fere de morte
todo o arcabouço jurídico de proteção laboral. Com as brechas abertas na
legislação, empregados formais podem ser substituídos por falsos
autônomos e por falsas pessoas jurídicas, eximindo os tomadores de
serviços do pagamento de direitos como férias e 13º salário, além de
afastar a ameaça de processos na Justiça do Trabalho.
Legalizou-se,
ainda, um extenso leque de vínculos empregatícios precários, assentados
em contratos de trabalho temporário, parcial e intermitente. “Os
Programas de Demissão Voluntária abertos em bancos públicos e privados
são os primeiros sintomas dessa reforma”, diz Ana Cláudia Bandeira
Monteiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores do
Trabalho.
“Agora, as empresas têm várias opções para baratear o custo
da mão de obra. De nada adianta estabelecer uma quarentena para evitar
que o funcionário seja demitido e recontratado pela mesma empresa. Com
tantos desempregados, há um enorme exército de reserva.”
Enquanto
o poder de compra do trabalhador está ameaçado, a capacidade de
investimento do Estado está comprometida desde a aprovação da Emenda 95,
no fim do ano passado. Até 2036, o aumento dos gastos federais está restrito à variação da inflação.
Em outras palavras, a União não poderá destinar mais
recursos para projetos de infraestrutura ou para áreas historicamente
subfinanciadas, como saúde e educação. Ademais, a contração de despesas
públicas reduz ainda mais a demanda interna.

- Com o trabalho precarizado, a aposentadoria tornou-se um sonho cada vez mais distante (Foto: Jadson Marques/Futura Press)
“É uma camisa de força. Ainda que a população eleja, nas próximas
eleições, um governante comprometido com um programa de desenvolvimento
nacional, ele estará amarrado à regra.
Precisaria ter maioria qualificada no Parlamento para
alterar a Constituição”, lamenta Eduardo Fagnani, professor do Instituto
de Economia da Unicamp. A medida ameaça o futuro do País. O
congelamento de gastos inviabiliza, por exemplo, o cumprimento da meta
de universalizar o atendimento das crianças e adolescentes em idade
escolar até 2020, como prevê o Plano Nacional de Educação.
Atualmente, 2,8 milhões de brasileiros entre 4 e 17 anos estão fora da escola, segundo o Censo Escolar.
“Além da questão quantitativa, há o desafio de melhorar a
qualidade da educação pública, o que implica melhor formação dos
professores, investimentos em material didático alinhado com as novas
diretrizes curriculares e também a valorização da carreira docente”,
alertou o filósofo Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação,
quando o Congresso debatia o tema.
Na Saúde, o congelamento de gastos ganha contornos dramáticos.
Estima-se que a população idosa passará de 16,8 milhões em 2016 para
36,1 milhões em 2036. Além da transição demográfica, há uma mudança no
padrão de enfermidades.
A partir de 2030, projeta a Organização Mundial da Saúde, as
principais causas de mortalidade no mundo não serão mais as doenças
cardiovasculares ou cerebrovasculares, e sim as neoplasias (câncer), que
têm um custo de tratamento muito superior.
“Enquanto o quadro epidemiológico se torna mais complexo,
enquanto a população envelhece velozmente, enquanto a pressão da
sociedade pela incorporação de novas tecnologias se agudiza, o governo
acena com um futuro de graves restrições do ponto de vista econômico
para a saúde”, resume o médico sanitarista José Gomes Temporão,
ex-ministro de Lula, em recente artigo publicado no site de
CartaCapital.
Presidente do Conselho Nacional de Saúde, Ronald
Ferreira dos Santos alerta para a progressiva diminuição de recursos
para a área. “No decorrer de 20 anos, o porcentual de gastos públicos
vai cair de 3,8% para 1% do PIB”, afirma. “Vai ferir de morte o SUS. Se a
medida não for revertida, podemos desistir da ideia de um sistema
universal de saúde.”
Atualmente, há seis ações no Supremo Tribunal Federal
questionando a constitucionalidade da Emenda 95, apresentadas pela
Associação dos Magistrados Brasileiros, pela Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação, pela Federação Nacional dos Servidores e
Empregados Públicos Estaduais e do Distrito Federal e por três partidos
políticos: PDT, PSOL e PT.
Em parecer entregue à Corte na segunda-feira 17, a
Defensoria Pública da União pediu para participar dos processos na
condição de amicus curiae. A entidade sustenta que a medida promove um
“desmantelamento do Estado”, além de inviabilizar o direito à saúde e à
educação pelo estrangulamento de recursos.
Bode introduzido na sala pelo próprio governo, a Emenda 29 tem sido
utilizada como instrumento de chantagem para a açodada aprovação da
reforma da Previdência.
Sem ela, vaticina o ministro do Planejamento, Dyogo
Oliveira, a União não teria condições de pagar todas as aposentadorias e
pensões a partir de 2020 – ultrapassaria o teto de gastos em 2,6
bilhões de reais.
Segundo a proposta de Temer, o trabalhador deve acumular 25
anos de contribuição para ter acesso à aposentadoria parcial, e 49 anos
para ter direito ao valor integral. A exigência, associada à liberação
das terceirizações e de outras modalidades de trabalho precário, pode
excluir grande parcela da população, alerta Fagnani, da Unicamp.
“É preciso considerar que esse trabalhador viverá diversos
períodos de inatividade. Portanto, esse período de contribuição pode
representar, na verdade, 35, 40 anos de serviço, dentro e fora do
sistema formal.”
Na modalidade de trabalho intermitente, para
citar um exemplo, o empregado é convocado para trabalhar com três dias
de antecedência, momento no qual é informado da jornada a ser cumprida.
Ele pode aceitar ou não a proposta, e receberá apenas pelo período
efetivamente trabalhado, em horas.
O tempo de inatividade, no qual fica à disposição do
contratante, é desconsiderado. Ao cabo, esse funcionário sequer tem a
garantia de que trabalhará o suficiente para amealhar um salário mínimo.
Caso isso aconteça, ele terá de complementar do próprio bolso a
contribuição previdenciária correspondente ao mínimo. Sem isso, o mês
trabalhado não contará no cálculo da aposentadoria.
Em relatório
apresentado na sede das Nações Unidas no início de julho, um grupo de
mais de 20 organizações da sociedade civil, que monitora o cumprimento
dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável,
alerta para o risco de pauperização dos brasileiros em um cenário
marcado pelo elevado desemprego, pela supressão de direitos trabalhistas
e pelo congelamento dos gastos públicos por 20 anos. Três anos após o
Brasil sair do Mapa da Fome da ONU, a insegurança alimentar volta a
ameaçar as famílias mais pobres, emendam as entidades.
Ex-ministra
do Desenvolvimento Social de Dilma Rousseff e uma das responsáveis pela
drástica redução dos índices de extrema pobreza e insegurança alimentar
nos últimos anos, Tereza Campello alerta, ainda, para a redução do
número de beneficiários do Bolsa Família. “Quando Dilma Rousseff deixou o
cargo, em maio de 2016, o programa beneficiava 13,8 milhões de
famílias.
Hoje, contempla 12,7 milhões. Ou seja, mais de 1 milhão de
famílias, ou 4 milhões de brasileiros, ficaram sem esse complemento de
renda”, observa. “Tenho notícias de que as pessoas batem na porta da
assistência social, mas enfrentam muitos obstáculos. Fala-se em 550 mil
inscritos à espera de receber o benefício. Acredito que a fila é muito
maior, e tem gente sendo desligada.”

- Apresentada à ONU, relatório alerta para o risco de pauperização da população brasileira (Foto: Fabio Costa/FotoArena)
No fim de junho, o governo decidiu suspender o reajuste do Bolsa
Família que havia prometido. O aumento de 4,6% no benefício não cabia no
Orçamento, por gerar um impacto de 800 milhões de reais em 2017,
justificou o ministro Osmar Terra, atual titular da pasta do Desenvolvimento Agrário.
Duas semanas depois, Temer sancionou uma lei com reajustes nos salários
de auditores fiscais, médicos peritos, técnicos do Banco Central e
outras categorias de servidores – um impacto de 8 bilhões de reais, dez
vezes mais do que seria gasto com o Bolsa Família.
Não é a
primeira vez que o governo favorece castas privilegiadas do
funcionalismo. Em 29 de dezembro, Temer reajustou o salário mínimo de
880 para 937 reais, abaixo do valor autorizado pelo Congresso no
Orçamento da União: 945 reais.
Medida Provisória 765, a prever reajustes salariais para oito categorias
de servidores federais, incluindo auditores fiscais e diplomatas, com
vencimentos iniciais superiores a 19 mil reais.
A concentração de
riqueza e a pauperização dos trabalhadores inviabilizam qualquer
projeto de desenvolvimento com soberania, alerta Sicsú. “Para não ser
dependente da demanda externa, é indispensável ter um mercado interno
forte, com milhões de consumidores com poder de compra. Infelizmente, o
Brasil reduziu-se, por decisão política, ao papel de uma mera colônia,
que de tempos em tempos sofrerá os abalos causados pela variação do
preço das commoditie
————————————————————————————————————————–
pesadelos e ao mesmo tempo, reconstruir o legado destruído de décadas
de lutas e resistência democrática?
O que podemos selecionar em
termos do mais progressista/humanista que nossos intelectuais,
artistas, mestres da cultura e da educação popular foram/são capazes de
criar, e que podem melhor nos “armar” com conceitos, instrumentos e
métodos de ação?
Silêncio da rua contra Temer não é condescendência, mas perda de fé no país, por Leonardo Sakamoto
estejam coalhadas de gente pedindo sua cabeça, tal qual ocorreu com
Dilma Rousseff. De forma cínica, seus apoiadores afirmam que isso é uma
prova de que a população entende que ele tem agido corretamente para
tirar o país da crise e confiam em sua honestidade.
aponta que Temer, com seus 5% de aprovação, conseguiu a proeza de estar
abaixo dos pisos atingidos por Collor (12%), Dilma (9%) e até Sarney
(7%).
por manifestações ligadas a movimentos e sindicatos, não significa que a
insatisfação não esteja no ar. Mas que há uma sensação de desalento
generalizado.
conta das denúncias de corrupção em seu governo ou pelo desgosto com a
grave situação econômica que ele ajudou a construir, agora sente
desalento ao perceber que saiu da frigideira para cair direto no fogo.
Talvez haja felicidade entre quem professa o antipetismo pelo
antipetismo, mas este texto não trata de patologias.
impotência diante da profusão de denúncias de corrupção decorrentes do
fisiologismo a céu aberto do atual governo e sua relação incestuosa com o
Congresso Nacional. E com a aprovação de uma agenda de desmonte da
proteção social, trabalhista e ambiental, que não foi chancelada pela
população através de eleições.
queda de Dilma, nem para defendê-la, grupo que representa a maioria da
população, e assistiu bestializado pela TV ao impeachment, segue onde
sempre esteve: sentindo que o país não lhe pertence. Entende que as
coisas vão piorando e, quando bandidos não retiram o pouco que eles têm,
o Estado faz isso. Seja roubando suas aposentadorias, seja
violentando-os nas periferias de todo o país.
diz mais sobre o sentimento geral do país do que sobre a capacidade de
engajamento de movimentos contrários ao atual governo. Mesmo que
contasse com o apoio do poder econômico, que financiou e divulgou
manifestações pró-impeachment, a rua não atrairia tanta gente. E não
apenas porque o momento catártico passou e agora a população, cansada,
se retraiu. Mas porque, para muita gente, simplesmente não vale a pena.
legitimidade, honestidade e competência são questionados seria
suficiente para levar o país às ruas. Contudo, a sensação é de que boa
parte da população, aturdida com tudo o que foi descrito acima, está
deixando de acreditar na coletividade e buscando construir sua
vida tirando o Estado da equação. O que deixa o Estado livre para
continuar servindo à velha política e a uma parte do poder econômico.
insatisfação em desalento, impotência, desgosto e cinismo. Isso não
estoura em manifestações com milhões nas ruas, mas gera uma
bomba-relógio que vai explodir invariavelmente em algum momento, ferindo
de morte a democracia.
dos receios era o esgarçamento institucional que a retirada de uma
presidente eleita pelo voto popular por um motivo frágil (pedaladas
fiscais) em vez de um caminho mais sólido (cassação da chapa por caixa
2) poderia causar. Infelizmente, o esgarçamento aconteceu. Vivemos um
momento em que a sensação é de desrespeito a regras e normas,
principalmente por parte do governo e de parlamentares, é amplo.
para a solução dos problemas cotidianos é equivalente a abandonar o
diálogo visando à construção coletiva. Caídas em descrença, instituições
levam décadas para se reerguer – quando conseguem. No meio desse vácuo,
vai surgindo a oportunidade para semoventes que se consideram acima das
leis se apresentarem como a saída para os nossos problemas. Pessoas que
prometerão ser uma luz na escuridão, mas nos guiarão direto para as
trevas.
tenha passado para muita gente. E, por não ter produzido frutos, abriu
caminho para a desconstrução daquilo que três décadas de democracia
ergueram por aqui.
Temer não é condescendência, mas perda de fé no país
Leonardo Sakamoto
30/07/2017 12:51 … – Veja mais em
https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/07/30/silencio-da-rua-contra-temer-nao-e-condescendencia-mas-perda-de-fe-no-pais/?t=1&cn=ZmxleGlibGVfcmVjcw%3D%3D&refsrc=email&iid=7c44b43f197f48e7b1333fcc3407c472&uid=352229961&nid=244+281088008&cmpid=copiaecola
Temer não é condescendência, mas perda de fé no país
Leonardo Sakamoto
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Temer não é condescendência, mas perda de fé no país
Leonardo Sakamoto
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