PRODUÇÃO CULTURAL NA ESCOLA


PRODUÇÃO CULTURAL NAS ESCOLAS NO FACEBOOK

https://www.facebook.com/groups/1527148180872626/

Quer a presença da Caravana Luiz Gonzaga em sua escola, empresa, orgão público ou organização não governamental?

Roda de quadriha improvisada no IFS – Foto: Alejandro Zambrana

Acima: Professor José Augusto – foto: Alejandro Zambrana
Abaixo: Exposição Fotográfica – foto: Zezito de Oliveira


Exposição de fotos,
exibição de documentário sobre a Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola  e apresentação de coreográfias inspiradas em
músicas de Luiz Gonzaga estão  a
disposição de escolas da rede pública de ensino, durante os meses de maio e junho .




As escolas públicas interessadas em contar com a
participação parcial da Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola, poderão
entrar em
contato com o  produtor executivo da iniciativa, Zezito de Oliveira,
para combinar
detalhes acerca das condições para o transporte de material, lanche  e
pagamento de diárias para 2 adolescentes  que fazem a assistência a  produção.  




As escolas particulares, orgãos públicos, empresas  e organizações não
governamentais,   além destas condições, deverão arcar com uma pequena
ajuda financeira ou em material, sem valor pré definido,  voltada para o
investimento no  trabalho
sócio-educativo da Ação Cultural desenvolvido
com crianças,  adolescentes e mães no Conjunto Jardim através de
oficinas artisticas, reuniões , exibição de filmes e passeios culturais.




e-mail: zezitodeoliveira@gmail.com
e 8864-5927 e 8117-2290
Para saber mais sobre a Caravana Luiz Gonzaga, clique AQUI AQUI
Quem quiser a presença completa da Caravana com  palestra, seleção de documentários e o trio de pé de serra, além dos itens citados no inicio deste informe,  deve entrar em contato com o produtor Zezito de Oliveira para acertar detalhes sobre o custo financeiro total.

Leia também: Festa junina na escola e qualidade na educação. AQUI


foto: Divulgação
 

Acima: Joaquim Antônio (Casaca de Couro)
Abaixo: Meninas da Oficina de Dança do Ponto de Cultura: Juventude e Cidadania.
 foto_ Marco Vieira




 

 

 

 



 

Apresentando o Programa Mais Cultura nas Escolas

Banner Programa mais cultura nas ecolas MEC
Mais Cultura nas Escolas é o resultado da parceria MinC e MEC
para promover o encontro de iniciativas culturais e escolas públicas de
todo o Brasil,  democratizar o acesso à cultura e ampliar o repertório
cultural de estudantes, professores e comunidades escolares do ensino
básico.



O que é “Mais Cultura nas Escolas”?

Mais
Cultura nas Escolas é o resultado da parceria MinC e MEC para promover o
encontro de iniciativas culturais e escolas públicas de todo o Brasil,
 democratizar o acesso à cultura e ampliar o repertório cultural de
estudantes, professores e comunidades escolares do ensino básico.
Artistas, mestres das culturas populares, cinemas, pontos de cultura,
museus, bibliotecas, arte educadores e outras iniciativas culturais
agora podem elaborar Planos de Atividade Cultural em diálogo com
projetos pedagógicos e com os eixos temáticos do Mais Cultura nas
Escolas.

As atividades serão desenvolvidas dentro ou fora da escola por no mínimo 6  (seis) meses, valendo-se das mais diversas linguagens artísticas (música, teatro, audiovisual, literatura, circo, dança, contação de histórias, artes visuais, etc.) e manifestações da cultura (rádio, internet, jornal, culinária, mitologia, vestuário, mestre e saberes populares, etc.).

 

Eixos Temáticos

Os
eixos temáticos do Mais Cultura nas Escolas foram criados considerando a
diversidade da cultura brasileira e das manifestações artísticas
atuais. São 9
(nove) eixos para incentivar projetos voltados, entre outros temas, a
atividades em museus, pontos de cultura, cinemas e outros espaços
culturais; à criação, circulação e difusão artística; à cultura digital e
comunicação; ao patrimônio material e imaterial; às tradições orais; às
culturas indígenas e à cultura afrobrasileira.

 
Recursos

Em 2013 serão investidos R$ 100 milhões para financiar 5 (cinco) mil projetos. Cada um dos contemplados vai dispor de valores entre R$ 20 e R$ 22 mil reais. Os recursos financiam, entre outros itens, a contratação de serviços culturais necessários às atividades artísticas e pedagógicas.
Os valores serão repassados diretamente às escolas via PDDE/ FNDE
(Programa Dinheiro Direto na Escolas/ Fundo Nacional do Desenvolvimento
da Educação).

 
Atores/ Participantes

iniciativas culturais

Pessoas
física ou jurídica, indivíduos ou grupos que desenvolvem práticas e
pesquisas em artes, patrimônio, cultura popular, etc. Entidades como
bibliotecas, pontos de cultura, museus, cinemas e outros espaços. O
melhor meio de encontrá-las é explorar territórios educativos potenciais
em torno da escola, atentando aos espaços e atores da cultura.   

escolas

Poderão
inscrever projetos cerca de 34 mil escolas da rede pública, espalhadas
por todo o Brasil, ativas nos Programas “Mais Educação” e “Ensino Médio
Inovador” (MEC) até 2012. Mais informações sobre as escolas
participantes nos links e documentos relacionados, ao lado, aqui nessa
página digital.

 
Como participar?

Escolas
e iniciativas culturais vão criar juntas um Plano de Atividade
Cultural, em diálogo com um ou mais eixos temáticos propostos pelo
programa. Os projetos serão cadastrados e enviados, pelos responsáveis
das escolas, via SIMEC (Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e
Controle do Ministério da Educação) até o dia 30 de junho de 2013. O processo de avaliação será conduzido pelos dois Ministérios, MinC e MEC.

 

Para visualizar as listas com nomes, endereços, telefones e outras informações das escolas participantes do Mais Cultura nas Escolas, procure nessa página, em cima e à direita do quadro “Saiba Mais”, um link
com o nome “Documentos”. Entre os materiais disponíveis estão arquivos
em formato .pdf, nomeados “Escolas Participantes – Mais Educação (MEC)” e
“Escolas Participantes – Ensino Médio Inovador (MEC)”. Nesse mesmo
espaço também está disponível o “Manual – Mais Cultura nas Escolas”, com informações e orientações  para a construção dos Planos de Atividade Cultural. 

 

Dúvidas?  AQUI

E explore documentos e links relacionados nessa página. Para saber mais escreva para maisculturanasescolas@cultura.gov.br
 

Mais Cultura nas Escolas


Governo investe R$ 100 milhões para
levar artes ao ambiente escolar


Terça-feira, 21 de maio de 2013 – 19:27- Fonte: site do MEC


Mercadante e Marta pretendem atender este ano 5 mil projetos do Mais Cultura nas Escolas (Foto: João Neto/MEC) Os
ministérios da Educação e da Cultura vão contemplar este ano 5 mil
projetos culturais com valor entre R$ 20 mil e R$ 22 mil, de iniciativa
de escolas da rede pública que já participam dos programas Mais Educação
e Ensino Médio Inovador. Os projetos, que deverão atender aos objetivos
de promover a circulação de cultura nas escolas e contribuir para a
formação de público para as artes na comunidade escolar, deverão se
formulados em parceria entre escolas, artistas e entidades culturais.

É
o que determina o programa Mais Cultura nas Escolas, lançado nesta
terça-feira, 21, pelos ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da
Cultura, Marta Suplicy. Estão aptas a se inscrever 34 mil escolas da
rede pública, ativas nos dois programas já existentes. As iniciativas
precisam ser cadastradas, até o final de junho, pelos diretores das
escolas no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do
MEC (Simec).

A previsão de investimento é de R$ 100 milhões para
financiar os 5 mil  projetos. Os valores serão repassados diretamente
às escolas por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Ao
prestarem contas, os gestores deverão incluir documentação de fotos e
vídeos das atividades que foram realizadas pelo programa Mais Cultura
nas Escolas.

“O objetivo do programa é envolver os estudantes
nesse processo de aprendizado por meio da cultura. Vamos selecionar os
projetos que mais envolvam a comunidade”, salientou o ministro da
Educação, Aloizio Mercadante.

As atividades deverão ser
voltadas para nove eixos temáticos: residência de artistas para pesquisa
e experimentação; criação, circulação e difusão da produção artística;
promoção cultural e pedagógica em espaços de cultura; educação
patrimonial; cultura digital e comunicação; cultura afro-brasileira;
culturas indígenas; tradição oral, e educação museológica.

Os
projetos serão selecionados por uma comissão com representantes do MEC,
do MinC e professores das universidades federais, que darão pareceres
técnicos. Segundo o ministro, a escolha dos projetos vai buscar o
equilíbrio para que todas as regiões do país estejam contempladas. “Vai
ganhar quem tiver qualidade. Tudo na educação é mérito”, pontuou
Mercadante. 

Paula Filizola



O Chão e a Gira 


Zezito de Oliveira

Texto
baseado na fala “inspirada” durante a minha participação no seminário
do coletivo investigador para a elaboração do plano integrado de cultura
e educação.
Iniciativa do MINC e Casa da Arte de Educar, realizado em Recife nos dias 15 e 16 de junho de 2012.


O processo educativo precisa aterrar, descer abaixo do chão e subir possibilitando a gira girar
de forma bem tranquila.A “crise” da escola advém daí. Quando falamos em
aterramento estamos tratando dos saberes de nossos ancestrais, estamos
querendo dizer que precisamos buscar referenciais na memória das nossas
comunidades , das nossas tribos, dos nossos terreiros, dos povos
originários.Deixar a gira girar é garantir um ambiente favorável dentro
da escola para liberar corpos e mentes para poderem se relacionar de
forma mais sincera e criativa, inclusive com o conhecimento.Por isso não
acontecer é que nos deparamos com pessoas completamente perdidas e
a mercê dos modismos de ocasião em matéria de valores e comportamentos
estimulados, fabricados e /ou disseminados com vistas ao fortalecimento
da sociedade materialista, consumista e predatória que nos é imposta
pelas elites capitalistas. Portanto, não é preciso temer nada daquilo que é novo ou diferente, desde que seja dedicado uma atenção especial
aquilo que vem de muito longe e que nos liga com os elementos naturais e
culturais que recebemos das gerações que nos antecederam.Falo das
brincadeiras, dos folguedos, dos ritos religiosos, das lendas, não
reduzidas a folclore, espetáculo, lazer ou coisa que o valha, mas
entendendo que tudo isto é fonte de conhecimentos, significados e saúde.
Falo também das águas, das florestas, da terra e do ar.Quando falo em
deixar a gira girar, me refiro a possibilidade de recriar, ressignificar
ou revitalizar aquilo que herdamos sem medo e sem falsos pudores.
Porque a vida está sempre fazendo isso, sob a aparência de algo estático
e imóvel, o movimento e a transformação estão sempre acontecendo.O
movimento de rotação e translação da terra é um bom exemplo. Se é
verdade que se repetem os dias e as estações, também é verdade que
sempre surge algo novo nestes dias e nestas estações que se repetem.Em
suma, uma educação atenta aos ciclos naturais e culturais da vida, pode
ser a saída para as crises nossas de cada dia.Se temos dificuldade para
que isto seja assimilado pelo sistema acadêmico e educacional como um
todo, poderemos começar em aliança com parte daqueles que compreendem
isto e que atuam em universidades, escolas, órgãos públicos, artistas,
ONGs, empresas e meios  de comunicação.



Para saber mais:


http://www.artedeeducar.org.br/promovendo-a-integracao-entre-cultura-e-educacao

 

Encontro do Coletivo Investigador
Recife / PE – Junho 2012
Pesquisa-ação para um Plano Articulado
entre Cultura e Educação

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ministério
da Cultura ouve a sociedade para elaborar políticas públicas que
possibilitem ações culturais integradas nas escolas.

O
professor de História, especialista em arte-educação e
idealizador/produtor da “Caravana Cultural Luiz Gonzaga vai a Escola”,
Zezito de OIiveira, viaja a Recife, para participar nos dias 14 e 15 de
junho do seminário do
coletivo
investigador da pesquisa-ação que tem  como objetivo elaborar
 princípios que auxiliem na formulação e orientação de políticas de
cultura voltadas para a educação.

Este
seminário contará com a presença de professores, educadores populares,
artistas e outros agentes da educação e da cultura empenhados na
formação de um sistema educacional que integre as experiências de
Educação Formal e as de Educação Não-Formal, realizadas por organizações
da sociedade civil, bibliotecas e museus.

O seminário do coletivo investigado é uma das principais ações do  projeto Um Plano Articulado para Cultura e Educação, desenvolvido pelo Ministério da Cultura e pela ONG Casa da Arte de Educar.
Para mais informações sobre o projeto, acesse o site da Casa da Arte de Educar, cujo endereço é http://www.artedeeducar.org.br

Sobre o trabalho e reflexão realizado por Zezito de Oliveira sobre a parceria cultura e educação, Leia:


“A televisão é hoje uma grande indústria de vendas associada ao capital
monopolista. Ao lado dessa função principal que é uma função econômica, a
televisão, por ser também uma indústria cultural, exerce a função de
difundir, reproduzir e legitimar as idéias da cultura dominante.

É nesta ordem de coisas que é programada
a educação, a cultura e o lazer para as classes subalternas, para a
massa de trabalhadores. É por essa razão que o controle político da
televisão é muito mais ostensivo do que o controle da escola; não que
seja menor a importância da escola na reprodução da ideologia e das
classes sociais. Mas são aparelhos de Estado qualitativamente
diferenciados. A televisão ganha em atualidade e extensão geográfica e
em quantidade de indivíduos atingidos ao mesmo tempo. Nisso a escola
perde. Por outro lado, a ação da escola é mais duradoura e tem um
caráter de assimilação da ideologia mais lento, portanto, mais
profundo.”

(MOACIR GADOTTI. CONCEPÇÃO DIALÉTICA DA EDUCAÇÃO. pp. 156-157)

 
sábado, 10 de novembro de 2012

Universidade das Quebradas propõe o encontro de culturas da periferia

Curso desenvolvido pela UFRJ se tornou referência no meio artístico

Universidade das Quebradas (Foto: Divulgação)Aula do curso de Literatura na Grécia Antiga promovido na Universidade das Quebradas (Foto: Divulgação)

 
Fonte: Site Globo Universidade

A fórmula não poderia ser melhor. De um lado a universidade, que entra
com o saber “formalizado”, de outro os alunos, que trazem para a sala de
aula suas sensibilidades e vivências do mundo artístico. Esse modelo
vem acontecendo na Universidade das Quebradas,
projeto de extensão criado em 2010 e vinculado ao Programa Avançado de
Cultura Contemporânea (PACC), da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ). O objetivo da iniciativa é o de promover a aproximação entre a
universidade e agitadores culturais da periferia da cidade do Rio de
Janeiro. São artistas e produtores oriundos dos mais diferentes
“territórios” cariocas, com diferentes experiências e atuações
culturais.
A ideia da Universidade das Quebradas nasceu a partir da tese de
doutorado sobre rap, feita na UFRJ pela pesquisadora Numa Ciro,
atualmente coordenadora adjunta do curso, com orientação de Heloísa
Buarque de Holanda, que também atua no projeto. A proposta inicial da
tese era a de reunir pessoas ligadas à cultura na periferia do Rio de
Janeiro para trocarem informações. Com o projeto de extensão criado e o
curso formatado, a primeira turma começou, em 2010, com 40 alunos, que
são chamados de “quebradeiros”. Em 2011, esse número subiu para 50,
sendo que a nova turma, que iniciou em agosto de 2012, está com 70
alunos, que foram selecionados entre 300 candidatos. Mesmo com o curso
concluído, muitos ex-alunos retornam para assistir às aulas, reforçando o
lema da universidade de “uma vez quebradeiro, sempre quebradeiro”.
“A Universidade das Quebradas é uma praça de trocas. Todos nós saímos
daqui com novos conhecimentos a cada encontro. Temos quebradeiros de
muitos bairros da cidade e arredores, desde Santa Cruz a São Gonçalo.
Eles trabalham em projetos sociais, artísticos e educacionais em seus
bairros, são multiplicadores”, explica Beá Meira, uma das
desenvolvedoras do projeto. O curso, que tem duração de um ano (180
horas), é desenvolvido em cinco áreas da produção cultural, sendo elas:
literatura, artes visuais, teatro, dança e música, e aborda a produção
artística e cultural em momentos específicos, incluindo fases como o
romantismo, modernismo e contemporaneidade.
As aulas acontecem uma vez por semana no Colégio Brasileiro de Altos
Estudos, antiga Casa do Estudante, no Flamengo. Uma vez por mês, são
realizados também os “territórios das quebradas”, encontros em que os
quebradeiros mostram suas reflexões sobre o território onde vivem. Os
alunos apresentam material próprio sobre os mais diversos temas. Já
houve território em que os alunos falaram sobre vestuário feminino no
funk, por exemplo, ou sobre grafite, no qual foram apresentados os
termos mais comuns utilizados entre os grafiteiros e o que eles
significam.
“O território das quebradas consiste em uma mesa na qual os
quebradeiros, previamente inscritos, falam durante 20 minutos. Eles
apresentam seus pontos de vista sobre diversos temas da cultura da
periferia. Em seguida, rolam os debates. À tarde, o encontro é encerrado
com a apresentação de um sarau dos palestrantes”, conta Beá Meira.
O curso aborda disciplinas como Filosofia, Cultura Africana, Arte e
Arquitetura na Antiguidade, Epopeia Clássica, Mitos Gregos e Africanos,
Mitologia Yoruba, Romantismo na Arte e na Literatura, Literatura Negra e
de Cordel, entra outras. Já na segunda parte do curso, são ministradas
aulas de cinema, música, dança, teatro e de elaboração de projeto
culturais, além de oficinas de linguagem e expressão ministrada em
parceria com a Fundação Roberto Marinho.

MAIS CULTURA NAS ESCOLAS

 
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: 




 O
PROGRAMA MAIS CULTURA NAS ESCOLAS é uma iniciativa interministerial,
envolvendo a Secretaria de Políticas Culturais (MinC) e a Secretaria de
Educação Básica (MEC), que vai aproximar e aprofundar parcerias de
escolas públicas e iniciativas culturais. Cada projeto selecionado
receberá entre R$ 20 mil e R$ 22 mil para desenvolver um Plano de
Atividade Cultural, em diálogo com o projeto pedagógico da escola
parceria e orientado por, pelo menos, um dos seguintes eixos temáticos:

1. Residências de Artistas para Pesquisa e Experimentação nas Escolas;
2. Criação, Circulação e Difusão da Produção Artística;
3. Promoção Cultural e Pedagógica em Espaços Culturais;
4. Educação Patrimonial – Patrimônio Material, Imaterial, Memória, Identidade e Vínculo Social;
5. Cultura Digital e Comunicação;
6. Cultura Afrobrasileira;
7. Culturas Indígenas;
8. Tradição Oral;
9. Educação Museal;

Cerca de 34 mil escolas públicas distribuídas por todo território
nacional, e que estão inscritas nos Programas Mais Educação e Ensino
Médio Inovador (MEC), podem participar do MAIS CULTURA NAS ESCOLAS. Cada
escola deverá construir em Plano de Atividade Cultural em parceria com
artistas, grupos culturais, pontos de cultura, museus, bibliotecas,
espaços culturais diversos, que trabalhem com artes visuais, circo,
culturas indígenas, culturas populares, cultura digital, dança, livro e
leitura, moda, música, teatro, etc. Os parceiros da escola podem ser
pessoa física ou jurídica, e serão remunerados por serviços artísticos,
culturais e pedagógicos necessários ao desenvolvimento do projeto. Cada
escola só poderá inscrever 1 (um) projeto, com 1 (uma) iniciativa
cultural parceira. Assim como, cada iniciativa cultural parceira só
poderá inscrever 1 (um) projeto, com 1 (uma) escola parceira. A depender
do acordo entre parceiros, o Plano de Atividade Cultural poderá ser
desenvolvido dentro ou fora da escola, e contemplar mais de um dos Eixos
Temáticos.

Inicialmente, serão selecionados 5 mil projetos e
os recursos serão repassados via PDDE/ FNDE (Programa Dinheiro Direto na
Escola do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).



Outras informações sobre o programa podem ser encontradas na Resolução do FNDE n° 30, de 03/08/2012, disponível no link: http://www.fnde.gov.br/fnde/legislacao/decretos/item/3705-resolução-cd-fnde-nº-30,-de-3-de-agosto-de-2012).

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Festa junina na escola e qualidade na educação

EdQue

Crianças da EC 18 de Taguatinga dançam com os pais e as mães.
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EdQue · Brasília, DF

1/7/2007
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Há alguns dias participei da festa junina da escola pública
onde meu filho estuda. Além dos tradicionais doces e bolos de milho, a
festa agradou pelo aspecto cênico. O ponto alto foram as apresentações
da meninada, preparadas previamente pelas professoras. As mestras,
aliás, estavam todas lindamente vestidas de caipira. A terceira série
apresentou uma coreografia para a música “Coração bobo”, do Alceu
Valença. Meu coração zabumbou dentro do peito, como costuma acontecer
nessas ocasiões. Noutra apresentação, as crianças da quarta série
dançaram quadrilha junto com os pais e as mães. Foi muito bonito e
mostrou a capacidade de organização das professoras, que conseguiram
ensaiar pais e mães normalmente com agendas incompatíveis em virtude do
trabalho. A festa foi emocionante e despertou em mim idéias sobre
cultura, educação e sobre o papel da escola.
Estamos vivendo um momento em que o debate sobre educação, começa a
ganhar espaço na mídia e na agenda da cidadania. Fala-se muito de cotas,
necessidade de mais recursos financeiros e principalmente da baixa
qualidade do ensino público. Em geral, pouco se diz sobre a necessidade
da arte na escola. A visão de qualidade que está imperando nessas
discussões é instrumental. As crianças têm de dominar determinado
conhecimento para o país ter bons trabalhadores, profissionais
liberais, empresários…Um dia descobrimos que nossos alunos queimaram
um índio, espancaram uma mulher negra e não sabemos o motivo.
E olha que os documentos oficiais da educação brasileira falam em
trabalhar com os jovens a “estética da sensibilidade”. Mas como tem sido
difícil para as escolas fazerem isso! Refiro-me aqui apenas àquelas que
tentam, pois muitas sequer cumprem o papel de transmissão de
conhecimento, que dirá de sensibilizar. Felizmente, há muitos
professores tentando formar mentes livres por meio da arte, do esporte,
da literatura.
Sensibilizar por meio da educação hoje não é fácil. É nadar contra a
correnteza. É ensinar a gostar dos sabores da comida brasileira, ao
invés de levar o fast food para a lanchonete da escola. É cantar e
dançar Alceu Valença e deixar É o Tchan fora da sala de aula. É mostrar
um filme brasileiro para as crianças, ao invés de render-se ao
bombardeio midiático do Homem Aranha.
Educar, afinal de contas, exige conhecimento, paixão e muito esforço,
pois muitas vezes há resistência. Nem tudo se aprende com prazer, mas é
possível aprender muita coisa prazeroza. A festa junina me fez, mais uma
vez, constatar isso. Sei que a festa não acabou ali. Depois vêm as
redações, as discussões sobre as apresentações. Tem até o Vale a Pena
Ver de Novo, quando as coreografias são reapresentadas durante a semana
para que os pais possam ir revê-las. Acima de tudo, existe a certeza de
que as crianças nunca vão esquecer aquele momento, como eu nunca esqueci
a primeira vez que dancei quadrilha na escola. O nome da menina que
dançou comigo era Ana Paula…
Então, é preciso recolocar o debate sobre qualidade na educação. Além de
jovens preparados para passar no vestibular, precisamos de homens e
mulheres capazes de conviver, de pensar, de se emocionar e, ainda, que
saibam selecionar. Afinal, informação é o que não falta. A grande tarefa
da escola hoje não é empurrar mais conteúdo, e sim ensinar a escolher
qual conteúdo, ou, melhor ainda, levar as crianças a produzirem
conteúdo.
Sabemos que isso é uma tarefa árdua. Quando o mercado oferece tudo, como
ensinar a optar? Quando a indústria do entretenimento invade as casas
com toda sorte de lixo, como ensinar a gostar de poesia? Só vai
conseguir ter sucesso nessa empreitada quem evitar o lugar comum. A
Escola Classe 18 de Taguatinga (DF) não deixou a festa junina cair no
trivial. Mostrou que é possível fazer educação de qualidade com beleza,
poesia, muita animação e sem lixo “cultural”, é claro.

Início

Festas juninas têm versão modernizadas no país

Ouça o áudio AQUI

Lívia Carla – Radioagência Nacional
28/06/2013
Festas juninas têm versão modernizadas no país
 As festas juninas chegaram nas cidades e vieram com força total. Mas
será que é possível  manter a tradição dos festejos diante de tantas
inovações e fora do campo?

 Ouça o primeiro capítulo (de um total de cinco) da série especial “Arraial na cidade: reinventando a identidade cultural”. AQUI

VAMOS DANÇAR QUADRILHA !

acervo da Ação Cultural

A dança aproximando gerações (filha e pai no primeiro plano)

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE

22/4/2011
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“Não me convidem para certas festas pobres”. Essa
frase, baseado no primeiro verso da música Brasil do Cazuza, foi citada
por mim em um dos momentos em que estive realizando o trabalho de
divulgação da oficina de quadrilha junina em uma emissora de rádio em
Aracaju.

Este tipo de “pobreza” a que me referi, não diz respeito as condições
econômicas, porque em alguns casos, alguma festas juninas “pobres” até
dispõem de uma boa estrutura material, fartura de comes e bebes e
grandes atrações artísticas.

A questão fundamental a que me refiro é que a alegria e o calor humano
espontâneo, sem depender do álcool e de outras substâncias químicas, e
a criatividade em especial, são fatores imprescindíveis para o
enriquecimento estético, afetivo e ético de nossas existências.

Por exemplo, se fizermos um exercício de memória dificilmente nos
lembraremos de uma festa junina da atualidade em que o cenário e
adereços não sejam baseados no mesmo padrão de outras, como as
bandeirolas de plásticos e réplicas de balões de cartolina, algumas
comidas típicas misturadas com cachorro quente, churrasco e sanduíche,
refrigerante e cerveja, a bebida que ocupa o lugar do velho e bom licor
e do quentão e outras padronizações ou descaracterizações mais.

Por isso, a relevância da oficina de quadrilha junina realizada
sob a chancela da ong Ação Cultural, no dia 17 de abril, na comunidade
bom pastor, em Aracaju. Ué! Oficina de quadrilha junina foi esta a
indagação de um dos radialistas, e então respondi: Com o processo de
urbanização acelerada ocorrido no Brasil nos últimos anos e com a falta
de percepção dos cursos de formação de professores, de psicólogos,
serviço social e áreas afins, com relação ao potencial educativo,
estético, lúdico e terapêutico da nossa cultura popular, faz-se
necessário um trabalho como este.

E a avaliação dos participantes ao final da oficina, confirmou o que
dissemos acima. A maioria dos presentes, estudantes e profissionais das
áreas da educação, psicologia, terapias holisticas e comunicação
revelaram ter tido contato com a quadrilha tradicional, somente em
escolas, nos tempos da infância e pré-adolescência.

Também demonstraram muito contentamento em poder se reportar a este
tempo, através do movimento corporal e da música, como por terem se
conectado aos antepassados através dessa experiência lúdica e social
muito presente nas vidas deles, por ocasião das festas de junho.

Outros três depoimentos que deixou a coordenação da oficina bastante
satisfeitos, foi de uma participante que disse ter se inscrito na
oficina para sentir alguns momentos de alegria, e isso ficou confirmado
pelo brilho nos olhos dela ao final do dia.

Já outra participante, “quadrilheira dos nossos tempos” e integrante dos
quadros da quadrilha Asa Branca, disse que há muito tempo não dançava
quadrilha no estilo das antigas e se sentiu muito feliz em fazer esta
viagem ao passado.

O outro depoimento refere-se a uma pessoa que tinha ficado chateado por
ter um curso, cuja data marcada, foi a semana de São João, “nem precisa
dizer que o local é a região sudeste, onde os festejos juninos não tem a
mesma força cultural que tem aqui em nossa região” e ele, “só pra
contrariar” e na base “d’eu vou mostrar pra vocês como é bom dançar
quadrilha” estava programando a organização de uma quadrilha junina
tradicional, só não sabia antes como fazer, pois a sua aprendizagem com
dança, se deu com relação ao estilo flamenco e circulares.

Quem não pode participar confira o que dissemos acima, participando do baile de danças circulares nordestinas, no dia 28 de maio, a partir das 19h30, na comunidade bom pastor. Na ocasião será aplicado o que foi aprendido nesta oficina e em outras promovidas pela Ação Cultural desde 2005.

Por último, vale a pena replicar a idéia da oficina de danças populares
em outros locais, não trata-se de formar dançarinos/bailarinos, mas
trazer a dança como um componente permanente de nossas vidas, como era
no principio e deva ser agora e para sempre.

Assim com nem todos que aprendem a ler e a escrever necessitam tornar-se
escritores, assim também nem todos que participam dessas oficinas
precisam tornar-se dançarinos.

Por isso, venham todos dançar !

MAIS:

Conexão Futura 06/04/11 Entrada 3
Assunto: Cultura Popular — Festas Juninas
Por tel: Zezito de Oliveira – Educador cultural — Aracaju/SE

Reportagem exibida no Canal Futura. Saiba mais. AQUI

quadrilha tradicional – projeto ciranda – UCB
no you tube.

O Gonzagão em noites de gala

Quadrilha Junina – Patrimônio Cultural Imaterial

Nossos agradecimentos as seguintes instituições e pessoas:

Overmundo, a divulgação através do portal viabilizou o primeiro contato do canal futura.

Comunidade Bom Pastor, sempre abrindo as portas para as oficinas, encontros mensais e bailes de danças circulares, desde o ano de 2005.

Fundação Aperipê, (rádio e televisão) pelos spots e
abertura nos programas de rádio (nação nordestina, ritmo da história,
encontro com o AA, linha sertaneja e aquarela nordestina)

Rádio Cultura – através do espaço aberto nos programas giro da noticia e linha direta.

Canal Futura, através do espaço aberto no programa conexão futura.

Maxivel Ferreira, responsável pela criação do cartaz e produtor do evento, juntamente com este escriba.

Giovane Reis (mestre/ marcador/oficineiro) por ter aceitado o convite de compartilhar conhecimentos.

Ronaldo Lima, parceiro voluntário e de longa data da
Ação Cultural no campo do audiovisual e fotografia. (mais adiante
disponibilizaremos imagens em vídeo)

Carlos Barbalho (comunidade bom pastor), Thiago Paulino (jornalista), Hora Reis (funcionário público), Milton Coelho (funcionário publico) e a todos (as) que contribuíram com a divulgação do evento e por último a Indira Amaral,
diretora da Fundação Aperipê que desde o inicio deste ano, acatou o
nosso pedido de parceria para a divulgação das rodas de danças da Ação
Cultural e que se despede dos sergipanos para alçar outros vôos no campo
do audiovisual em outro estado (Rio de Janeiro). Confira, aqui, reportagem da TV Aperipê sobre a oficina de danças circulares realizada em janeiro de 2011.

E um agradecimento especial a todos (as) que estiveram
presentes, acolhendo o convite para que tenhamos mais vida e vida em
plenitude.

imagens clique para ampliar

cartaz de divulgação da oficina
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cartaz de divulgação da oficina

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alguns direitos reservados

OFICINA DE QUADRILHA JUNINA DAS “ANTIGAS”

17/4
·
Aracaju, SE
Caravana Arcoiris

Apresentação de quadrilha junina na III Noite Cultural – Gonzagão (2007)
1

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE

19/3/2011
·
2
·
8
No tempo em que a maioria da população brasileira morava no
campo, as pessoas organizavam quadrilhas juninas para fortalecer o
convívio social, com a dança popular funcionando como um potente canal
de inserção de um número grande de indivíduos nestes processos de
socialização e coesão social.
Nos dias de hoje, um grupo de pessoas se preparam com coreografias, cada
vez mais complexas e estilizadas, para se apresentarem para um grupo
de espectadores, pessoas que apenas veem, mas não participam da
“brincadeira”.
Mesmo assim, há um grupo grande de pessoas que desejam celebrar o São
João de forma mais comunitária, com alegria e participação de mais
gente na folia, como no tempo das “antigas”.
É por este motivo que a Ong Ação Cultural estará organizando a Oficina
de Quadrilha Junina Tradicional em 17 de abril , tendo como objetivo
preparar focalizadores de danças circulares, educadores,
arte-educadores, profissionais da área social e da saúde e ativistas
sociais para marcar quadrilhas “improvisadas” ou “caipiras” em seus
espaços de atuação.
Esta iniciativa está inserida em torno de um movimento oriundo da
Inglaterra e que chegou ao Brasil (São Paulo) no inicio da década de 80,
ao nordeste (Recife) no final da década de 90 e, finalmente, em
Aracaju, no inicio do ano 2000.
As suas origens se devem à iniciativa do alemão Bernhard Wosien,
bailarino e pedagogo da dança, que no decorrer dos anos sessenta do
século XX, iniciou o registro e a difusão de muitas danças folclóricas e
étnicas da Europa Central e Oriental, incluindo depois regiões de
outros continentes.
Wosien fez isso ao perceber que o acelerado processo de urbanização
estava ocasionando a perda do patrimônio cultural dançante das
gerações mais antigas e, como consequência, a perda das práticas
comunitárias de dança popular.
Nas observações sobre os efeitos proporcionados pela prática da dança de
roda em comunidades tradicionais, Wosien percebeu, de um lado, o
fortalecimento dos laços identitários e sentido de pertencimento e, do
outro, o estado de alegria e paz.
Com isso, ele passou a considerar as danças populares como um
importante canal de re(vitalização), de interação e coesão social,
bastante necessário para as populações residentes nas cidades, as quais
se deparam com sérios problemas decorrentes da perda dessa tradição.
Resumo biográfico do oficineiro
Giovane Reis da Silva, 47 anos. Atua como marcador de quadrilha junina
há 30 anos, tendo começado na Apaga a Fogueira, prosseguindo na
Arrasta Pé, Pisa Milho, Xodó da Vila, Pula Fogueira e por último na
quadrilha junina Asa Branca (Conj. A Franco), onde se encontra
atualmente. Foi campeão em concursos na rua de São João, centro de
criatividade, tri campeão no concurso do bairro 18 de Forte, bi campeão
no bairro Agamenon Magalhães e vice campeão em concurso promovido pela
Sociedade Comunitária do bairro Siqueira Campos.
No ano de 2008 marcou uma quadrilha infantil em escola particular no conjunto Augusto Franco.
Representou Sergipe em concursos de quadrilhas juninas nas cidades de Recife, Salvador e Maceió.
Participou no ano 2000, de um seminário de formação para marcadores e
coreógrafos promovido pela Liga Sergipana de Quadrilhas Juninas.

OLHA O CAMINHO DA ROÇA!

1

Pedro Vianna · Belém, PA

17/6/2007
·
325
·
18
A dança de quadrilha teve origem na Inglaterra, por volta dos
séculos XIII e XIV. A guerra dos Cem Anos serviu para promover uma certa
troca cultural entre Inglaterra e França. Com isso França adotou a
quadrilha e levou-a para os palácios, tornando-a assim uma dança nobre.
Rapidamente a quadrilha se espalhou por toda a Europa, tornando-se uma
dança presente em todas as festividades da nobreza. Originalmente, em
sua forma francesa, a quadrilha era dançada em cinco partes, em
compassos que variavam de 6/8 a 2/4, dependendo da parte que estava
sendo dançada, terminando sempre em um galope, que normalmente
atravessava-se o salão.
A quadrilha não só se popularizou, como apareceram várias derivações
suas no interior. Assim a Quadrilha Caipira, no interior paulista (e
Minas), o baile sifilítico na Bahia e Goiás, a saruê (deturpação de
soirée) no Brasil Central e, porventura a mais interessante dentre todas
elas, a mana chica e suas variantes. Várias danças do fandango usam-se
com marcação de quadrilha, da mesma forma que o pericón e outros bailes
guascas da campanha no Rio Grande do Sul.
É intrigante o fato de uma dança nascida no meio do povo seis ou sete
séculos atrás, voltar ao povo, em outro país, mas conservando a mesma
função antropológica, social e cultural. A Guerrra dos Cem Anos acabaria
levando a “country dance para a França. Lá, a palavra se afrancesou,
transformou-se em contredance , uma dança em que os pares executam a
coreografia, frente à frente, ou “vis-a-vis”. A “contredance” se
aportuguesou como “contradança” e quadrilha, mas com a formação de pares
em alas apostas; a palavra é provavelmente derivada da “country dance”
inglesa.
Em dois séculos, a contradança perdeu aquela característica camponesa
para tornar-se uma dança nobre, conquistando a corte francesa etodas as
cortes européias, incluindo a portuguesa. Chegou-se ao ponto de, no
século 18, ela ter sido a grande dança protocolar, de abertura dos
bailes da corte. A medida que foi se popularizando, principalmente no
Brasil e Portugal, o nome quadrilha’ foi começando a ser usado,
seguindo, aliás,uma terminologia utilizada na Espanha e na Itália, onde
identificava a contradança, dançada por quatro pessoas. Desta”quadrilha
de quatro derivou a “quadrilha geral .
A quadrilha chegou ao Brasil no século XIX, com a vinda da Corte Real
portuguesa. Rapidamente essa dança de salão, típica da nobreza, caiu nas
graças do nosso povo animado e festeiro. É importante lembrar que a
quadrilha é uma dança característica dos caipiras, pessoas que moram na
roça e têm costumes muito pitorescos. Em 1952 foram apresentadas,
simultaneamente, 20 quadrilhas pelo “Baile do Poço” o que demonstrava o
quanto este gênero era apreciado aqui no Brasil. Os compositores
brasileiros tomaram gosto pelo gênero e hoje em dia as quadrilhas
possuem características bem nacionais.
A quadrilha é dançada em homenagem aos santos juninos (Santo Antônio,
São João e São Pedro) e para agradecer as boas colheitas na roça. Tal
festejo é importante, pois o homem do campo é muito religioso, devoto e
respeitoso a Deus. Dançar, comemorar e agradecer. Em quase todo o
Brasil, a quadrilha é dançada por um número par de casais e a quantidade
de participantes da dança é determinada pelo tamanho do espaço que se
tem para dançar. A quadrilha é comandada por um marcador, que orienta os
casais, usando palavras afrancesadas e portuguesas. Existem diversas
marcações para uma quadrilha e, a cada ano, vão surgindo novos comandos,
baseados nos acontecimentos nacionais e na criatividade dos grupos e
marcadores.
BALANCÊ (balancer) – Balançar o corpo no ritmo da música, marcando o passo, sem sair do lugar.
E usado como um grito de incentivo e é repetido quase todas as vezes que termina um passo. Quando um comando é dado só
para os cavalheiros, as damas permanecem no BALANCË. E vice-versa,
ANAVAN (en avant) – Avante, caminhar balançando os braços.
RETURNÊ (returner) – Voltar aos seus lugares.
TUR (tour) – Dar uma volta: Com a mão direita, o cavalheiro abraça a
cintura da dama. Ela coloca o braço esquerdo no ombro dele e dão um giro
completo para a direita.
Para acontecer a Dança é preciso seguir os seguintes Passos:
01. Forma-se uma fileira de damas e outra de cavalheiros. Uma, diante da outra, separadas por uma distância de 2,5m. Cada
cavalheiro fica exatamente em frente à sua dama. Começa a música. BALANCÊ é o primeiro comando.
02. CUMPRIMENTO ÀS DAMAS OU “CAVALHEIROS CUMPRIMENTAR DAMAS”
Os cavalheiros, balançando o corpo, caminham até as damas e cada um
cumprimenta a sua parceira, com mesura, quase se ajoelhando em frente a
ela.
03. CUMPRIMENTO AOS CAVALHEIROS OU “DAMAS CUMPRIMENTAR CAVALHEIROS”
As damas, balançando o corpo, caminham até aos cavalheiros e cada uma
cumprimenta o seu parceiro, com mesura, levantando levemente a barra da
saia.
04. DAMAS E CAVALHEIROS TROCAR DE LADO
Os cavalheiros, de mãos dados, dirigem-se para o centro. As damas fazem o mesmo. Ao se aproximarem, todos se soltam.
Com os braços levantados, giram pela direita. Soltam-se as mãos,
dirigem-se ao lado oposto. Os cavalheiros, de mãos dados, vão para o
lugar antes ocupado pelas damas. E vice-versa,
05. PRIMEIRAS MARCAS AO CENTRO
Antes do início da quadrilha, os pares são marcados pelo no. 1 ou 2. Ao comando “Primeiras marcas ao centro , apenas os
pares de vão ao centro, cumprimentam-se, voltam, os outros fazem o “passo no lugar . Estando no centro, ao ouvir o marcador
pedir balanceio ou giro, executar com o par da fileira oposta. Ouvindo
“aos seus lugares , os pares de no. 1 voltam à posição anterior. Ao
comando de “Segundas marcas ao centro , os pares de no. 2 fazem o mesmo.
06. GRANDE PASSEIO
As filas giram pela direita, se emendam em um grande círculo. Cada
cavalheiro dá a mão direita à sua parceira. Os casais passeiam em um
grande círculo, balançando os braços soltos para baixo, no ritmo da
música.
07. TROCAR DE DAMA
Cavalheiros à frente, ao lado da dama seguinte. O comando é repetido até
que cada cavalheiro tenha passado por todas as damas e retornado para a
sua parceira.
08. TROCAR DE CAVALHEIRO
O mesmo procedimento. Cada dama vai passar portadas os cavalheiros até ficar ao lado do seu parceiro.
09. O TÚNEL
Os casais, de mãos dados, vão andando em fila. Pára o casal da frente,
levanta os braços, voltados para dentro, formando um arco. O segundo
casal passa por baixo e levanta os braços em arco. O terceiro casal
passa pelos dois e faz o mesmo. O procedimento se repete até que todos
tenham passado pela ponte.
10. ANAVAN TUR
A doma e o cavalheiro dançam como no Tour(passeio em iportuguês). Após
uma volta, a dama passa a dançar com o cavalheiro da frente. O comando é
repetido até que cada dama tenha dançado com todos os cavalheiros e
alcançado o seu parceiro.
11. CAMINHO DA ROÇA
Damas e cavalheiros formam uma só fila. Cada dama à frente do seu
parceiro. Seguem na caminhada, braços livres,balançando. Fazem o
BALANCË, andando sempre para a direita.
12. OLHA A COBRA
Damas e cavalheiros, que estavam andando para a direita, voltam-se e caminham em sentido contrário, evitando o perigo.
Vários comandos são usados para este passo: “Olha a chuva , “Olha a
inflação , Olha o assalto , “Olha o (cita-se o nome de um político
impopular na região). A fileira deve ir deslizando como uma cobra pelo
chão.
13. É MENTIRA
Damas e cavalheiros voltam a caminhar para a direita. Já passou o perigo. Era alarme falso.
14. CARACOL
Damas e cavalheiros estão em uma única fileira. Ao ouvir o comando, o
primeiro da fila começa a enrolar a fileira, como um caracol.
15. DESVIAR
É o palavra-chave para que o guia procure executar o caracol, ao contrário, até todos estarem em linha reta.
16. A GRANDE RODA
A fila é único agora, saindo do caracol. Forma-se uma roda que se
movimenta, sempre de mãos dados, à direita e à esquerdo como for pedido.
Neste passo, temos evoluções. Ouvindo “Duas rodas, damas para o centro ;
as mulheres vão ao centro, dão as mãos.
Na marcação “Duas rodas, cavalheiros para dentro , acontece o inverso,
As rodas obedecem ao comando,movimentando para a direita ou para
esquerda. Se o pedido for “Damas à esquerda e “Cavalheiros à direita ou
vice-versa, uma roda se desloca em sentido contrário à outra, seguindo o
comando.
17. COROAR DAMAS
Volta-se à formação inicial das duas rodas, ficando as damos ao centro.
Os cavalheiros, de mãos dados, erguem os braços sobre as cabeças das
damas. Abaixam os braços, então, de mãos dados, enlaçando as damas pela
cintura. Nesta posição, se deslocam para o lado que o marcador pedir.
18. COROAR CAVALHEIROS
Os cavalheiros erguem os braços e, ao abaixar, soltam as mãos. Passam a
manter os braços balançando, junto ao corpo. São as damas agora, que
erguem os braços, de mãos dados, sobre a cabeça dos cavalheiros. Abaixam
os braços, com as mãos dados, enlaçando os cavalheiros pela cintura. Se
deslocam para o lado que o marcador pedir.
19. DUAS RODAS
As damas levantam os braços, abaixando em seguida. Continuam de mãos
dados, sem enlaçar os cavalheiros, mantendo a roda. A roda dos
cavalheiros é também mantida. São novamente duas rodas, movimentando, os
duos, no mesmo sentido ou não, segundo o comando. Até a contra-ordem!
20. REFORMAR A GRANDE RODA
Os cavalheiros caminham de costas, se colocando entre os damas. Todos se
dão as mãos. A roda gira para a direita ou para a esquerda, segundo o
comando.
21. DESPEDIDA
De um ponto escolhido da roda os pares se formam novamente, Em fila,
saem no GALOPE, acenando para o público. A quadrilha está terminada. Nas
Festas Juninas Mineiras, após o encerramento da quadrilha, os músicos
continuam tocando e o espaço é liberado para os casais que queiram
dançar.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ciclo junino em Sergipe : decadência ou revitalização?

José Paulino da Silva – Doutor em Filosofia e História da Educação

O Centro de Criatividade, visando comemorar o aniversário de 26 anos de fundação promoveu no dia 10 próximo passado, um fórum junino com o objetivo de discutir
a “Contribuição dos festejos juninos para a formação da Identidade
Cultural Sergipana”. Convidado para ser um dos provocadores deste tema,
aceitei por acreditar que esta discussão mantém acesa a chama da defesa
da cultura popular brasileira da qual o ciclo junino é um segmento. E
por entender também que a melhor forma de manter a identidade cultural
de um povo é oportunizar-lhe meios para que possa continuar a
expressar-se produzindo cultura e (usu)fruindo da produção cultural. A
identidade de um povo é uma realidade dinâmica em constante elaboração.
Ao longo do processo de sua construção algumas características vão
perdendo sua força, outras se acentuam. Ao interagir com outras
culturas, os povos e segmentos populares reelaboram sua própria produção
simbólica. Entre as instituições que exercem influência cultural,
citamos o poder político e econômico representados , entre outros, por
agentes públicos e meios de comunicação. Mas é a própria população que
deve assumir-se como protagonista de sua vida incluindo sua cultura.
Para
nós sergipanos, o ciclo junino é um período denso de significado. Seu
traço mais marcante é a celebração da festividade através da dança e da
música como momento de participação efetiva do povo. Como afirmei em
outra oportunidade, “a festividade se apóia em memória e crenças comuns,
alimenta esperanças coletivas, celebra a vida, favorece a gratuidade
do criar, o compartilhar desinteressado, o reencontro com a alegria de
viver e do conviver que reconcilia o homem consigo, como os outros, com
o cosmos, lembrando-o que a felicidade é direito e meta de todos”(CD
Vozes e Toques Sergipanos).
Megashows x celebração festiva
Sem
querer ser pessimista, nem muito menos saudosista, tenho constatado
que o ciclo junino em Sergipe, está perdendo o sentido de celebração,
de efetiva participação da população. Basta verificar o que ocorre com a
música e a dança, duas expressões mais representativas deste ciclo.
Tem sido crescente a sua desvalorização causada pela ganância dos
grupos que comandam a indústria cultural dos mega-shows e pela
permanente ausência de uma política pública comprometida com os valores
da cultura popular. A união destes dois fatores negativos tem causado
desgaste, prejuízo e humilhação a artistas deste ciclo e, sobretudo,
tem privado o povo do prazer da dança, da alegria do brincar. Os
mega-shows musicais que primam pela espetacularização, são vendidos
como entretenimentos a uma platéia de consumidores que já não dançam
nem cantam, mas são expectadores da exibição do que acontece no palco’.
A
transformação de Aracaju num grande pólo dos festejos juninos com dois
grandes espaços, um situado no mercado municipal e outro na orla da
Atalaia, tem prejudicado sensivelmente os demais bairros e as cidades
que integram a grande Aracaju. Em pouco tempo o pólo denominado de Forró Caju do mercado municipal apagou literalmente as fogueiras da tradicional rua São João bem como o brilho dos festejos que se realizavam nas ruas do bairro Santo Antônio.
A programação junina em todo estado tem se tornado repetitiva.
Tem acontecido a cada ano, uma homogeneização da programação na qual
se priorizam os artistas de fora e as bandas de forró eletrônico,
colocando-os nos melhores horários, nos maiores palcos, com maiores
cachês, em detrimento dos trios de forró e grupos dos artistas locais.. Como exemplo de desvalorização do artista local, basta olhar a propaganda veiculada nas revistas de circulação nacional e na imprensa local, sobre o Forró Caju: um cartaz com o rosto de vários
artistas nordestinos, mas nenhum sergipano! Para enfrentamento desta
questão, sem dúvida, desagradável, humilhante, não basta uma legislação
que estabeleça critérios justos e transparentes. É necessário vontade
política por parte dos gestores públicos e evidentemente, senso ético.
Vontade política ligada mais ao fazer do que ao dizer.Vale aqui citar o
exemplo que está acontecendo atualmente no Estado da Paraíba. O
secretário de Cultura daquele Estado, Chico César decidiu não liberar
verbas para as prefeituras contratarem as bandas de “forró de plástico”.
A reação a esta sua decisão, diz matéria veiculada na imprensa, foi
como “soltar um busca-pé numa sala de reboco lotada.” (Folha de São
Paulo. E 4 Ilustrada, Edição de 8 de maio de 2011. RAIZ FORTE). É
importante observar que a decisão do secretário Chico César teve total apoio do governador e de outros artistas de renome nacional.

quem defenda que esta realidade a que chegou o ciclo junino em
Sergipe, seja irreversível, decorrente da dinâmica dos fatos. Afinal a
sua espetacularização não tem aumentado o fluxo turístico, inclusive
trazendo mais divisas para o comércio local? A concentração dos
espetáculos não tem sido uma boa para o marketing das empresas
financiadoras e também um excelente palco para maior visibilidade dos
políticos, especialmente quando é ano eleitoral? Admitir este raciocínio
é concordar que tudo está bom, tudo está bonito. Apatia por parte da
sociedade civil, conformismo ou silêncio por parte da maioria dos
artistas que se acreditam na condição de nada poder dizer. E é isto o
que os grupos que se apropriam dos valores da cultura do povo e os
gestores inescrupulosos querem que aconteça.
Será que tudo está perdido?
Acredito
que não. Muita coisa pode ser feita. Um ponto de partida é não ficar
de braços cruzados, esperando que tudo venha das mãos do poder público,
como benesse do líder político. Isto não significa que não se deva
exigir do gestor político a responsabilidade de administrar bem as
coisas públicas. É importante que a população discuta através de suas
associações as possíveis formas para resgatar sua efetiva participação nas manifestações do ciclo junino e estimular o direito à alegria, ao lazer sadio na volta da celebração festiva deste ciclo
Revitalizar
o ciclo junino não pode ser entendido como saudosismo ou um simples
retorno ao passado. Queremos aqui lembrar que há uma relação dinâmica
entre passado, presente e futuro. Entender a relação entre memória e
história é uma chave importante para quem quer conhecer a realidade
atual e propor ações afirmativas para sua transformação. Lembro um
pensamento do filósofo Bergson ”A memória que se atualiza no presente, e
que se move do passado em direção ao presente, não se detêm nele; pela
própria natureza contínua da duração, ela é portadora do futuro.” A história
do ciclo junino, com toda sua plasticidade, toda sua beleza, toda sua
riqueza de significados, continua muito viva na memória da população,
especialmente dos moradores dos bairros mais populares mais antigos.
Como aproveitar este potencial?
Algumas sugestões
O filósofo cubano José Martí dizia que O fazer, é a melhor forma do dizer. ” Creio que o objetivo deste Fórum Junino foi indagar a cada um de nós,(população, gestores públicos, artistas, empresários, mídia) do lugar onde estamos, o que podemos fazer ante a questão do ciclo junino e a identidade sergipana . Eis algumas sugestões:
· A criação de Pólos-Arraiais nos bairros, com infra-estrutura necessária para boas apresentações e dança de forró.
· Estimular os moradores dos conjuntos e condomínios a fazerem seu São João.
· Resgatar
e devolver aos moradores das comunidades, os espaços denominados de
“Barracões Culturais” que foram construídos com dinheiro público e hoje
se encontram abandonados ou invadidos. Fazer circular nestes barracões
artistas locais com programação semanal.
· Buscar
com a população local, iniciativas que possam reativar, brincadeiras
como ‘O Arraial do Arranca Unha’ e revitalização de espaços como, a ‘Rua
São João,’ ‘Espaço Cultural o Gonzagão’.
· As
danças do ciclo junino (forró, quadrilhas, côco de roda) poderiam se
constituir em matéria de ensino nas escolas, e de dinamização nos
barracões culturais visando a integração da geração jovem com os valores
deste ciclo.
· Apoiar
as quadrilhas no sentido de que elas encontrem um equilíbrio entre o
tradicional e o contemporâneo (estilização) estimulando-as a manter
maior envolvimento com a comunidade, através da realização de um
trabalho sócio-educativo junto à juventude, pessoas de terceira
idade…sem perder a dimensão de ser uma expressão cultural que devolva
ao povo o direito à alegria e do divertir-se coletivamente.
· Mantendo a similaridade com o Festival de Verão, promover sempre no mês de maio um Grande Forró da Juventude, com a participação de jovens sanfoneiros de todo o Brasil, interiorizando este festival nos centros maiores dos oito territórios sergipanos.
· Manter
acesa a chama do Fórum de Forró de Aracaju, evitando deixar para
última hora as providências necessárias para sua realização.
· Criar uma comissão mista (poder público, sociedade civil, representante dos artistas) para definir critérios transparentes para programação de shows pagos com o dinheiro público.
Como
disse antes, cada um a seu modo, pode contribuir para a revitalização
do ciclo junino. Esta é uma luta de todos na qual a responsabilidade
maior deve ser dos gestores públicos. Esses tem o dever de induzir
políticas e destinar recursos a eventos que valorizem os artistas, os
espaços e equipamentos relativos a este ciclo para que a população possa
expressar sua alegria de viver, celebrando esta festividade como
participante efetivo e não como simples espectador.

Baião nas aulas de música

Luiz
Gonzaga influenciou gerações de artistas brasileiros célebres, como
mostra a entrevista de Gilberto Gil à revista “BRAVO!”. Aproveite e
explore com seus alunos o ritmo que o consagrou

Luiz Gonzaga

Objetivos
– Contextualizar a obra de Luiz Gonzaga
– Participar de uma experimentação rítmica sobre o baião

Conteúdos

– Baião
– Percussão corporal

Tempo estimado
Duas aulas

Materiais necessários

– Projetor de imagens

Introdução

No centenário do nascimento de Luiz Gonzaga, sua obra ganha um destaque
digno de “rei do baião”. Foi com esse ritmo que Gonzagão, como também é
conhecido, despontou para o país e o mundo e passou a influenciar de
forma definitiva a cultura musical brasileira. Aproveite a reportagem
“Eu não existiria sem Gonzagão” (BRAVO!, ed. 184, dezembro de 2012) e
apresente aos seus alunos atividades de contextualização histórica e
prática musical do baião.

Desenvolvimento
1º etapa
Faça uma pesquisa prévia (algumas fontes são sugeridas logo abaixo, na
bibliografia deste plano) e apresente aos estudantes quem foi Luiz
Gonzaga. Na reportagem “O baião de Luiz Gonzaga na sala de aula”, publicada no site de NOVA ESCOLA você encontra uma breve biografia:

Engana-se
quem pensa que o Baião é coisa do passado. Muito pelo contrário, ele
segue vivo e influenciando a Música Popular Brasileira até hoje. E como o
próprio criador do gênero cantou “Luiz Gonzaga não morreu / Nem a
sanfona dele desapareceu”. Isso porque desde que foi criado em 1946, sua
batida está presente, direta ou indiretamente, em todos os movimentos
musicais que surgiram em seguida.

Nascido em 1912, o filho mais
ilustre da cidade de Exu, no sertão pernambucano, ganhou o Brasil após
conhecer um dos seus mais importantes parceiros: o advogado cearense
Humberto Teixeira. É deles a música Baião,
que marca o nascimento do gênero: “Eu vou mostrar pra vocês/ Como se
dança o baião/ E quem quiser aprender/ É favor prestar atenção”. Depois
desse manifesto, Gonzaga estourou, vendeu milhares de discos e colocou o
nordeste no cenário da MPB.

O Rio de Janeiro era um terreno
fértil para a divulgação da música nordestina e do forró nas suas mais
diferentes variações como baião, chamego, xaxado, xote e o coco. Nas
décadas de 1940 e 1950 o rádio era o meio de comunicação mais popular no
País. Além disso, a intensificação do processo de migração que trouxe
milhares de nordestinos ao sul e sudeste do país.

Não há
dúvidas de que Lua, como Gonzaga também ficou conhecido, é um dos
construtores da MPB. “Ele não foi só um instrumentista ou um compositor.
Gonzaga definiu um gênero musical e sintetizou como ninguém a cultura
nordestina” exalta o jornalista e historiador, Paulo César de Araújo,
autor do livro Eu Não Sou Cachorro, Não. Antes dele, outros nordestinos
tentaram, mas nenhum conseguiu a projeção nacional de Gonzagão.

Para o sociólogo alemão Norbert Elias, o êxito alcançado por um artista
não pode ser atribuído apenas à sua suposta genialidade. O resultado
depende de inúmeras variáveis, articuladas entre si, em um determinado
contexto social. “O rei do Baião estava no lugar certo, na hora certa”,
afirma Maria Sulamita de Almeida Vieira, professora da Universidade
Federal do Ceará e autora de Luiz Gonzaga, o Sertão em Movimento. (reportagem de Elisângela Fernandes)

Na
década de 60, tanto Gonzaga quanto o baião saem do foco da música
popular, mas logo florescem novamente na obra de novas gerações de
compositores, como aqueles associados ao tropicalismo e aos grandes
festivais. Daí a associação com Gilberto Gil, feita pela revista BRAVO!.

2º etapa

Este é o momento para conhecer melhor os instrumentos do baião. Afinal,
qual a diferença entre sanfona e acordeão? O que significa “sanfona de 8
baixos” ou “sanfona de 80 baixos”?

Explique à turma que,
originalmente, “sanfona” é um instrumento musical cordófono que remonta
ao século 11. Instrumento cordófono é aquele em que uma corda esticada é
o elemento produtor do som. A sanfona é parecida com um violino, e de
fato o som é produzido da mesma forma como no outro instrumento:
friccionando-se as cordas esticadas. A diferença é que a melodia, ao
invés de dedilhada ou beliscada nas cordas com os dedos, é tocada a
partir de um teclado anexo à caixa de ressonância do instrumento, e, ao
invés de um arco, o dispositivo que fricciona as cordas é uma roda com
uma manivela. Ufa! Depois desta descrição com tantos detalhes, mostre
aos alunos uma imagem ou vídeo da sanfona, também chamada de viola de
roda. Você pode encontrar as imagens na internet.

Ainda assim,
“sanfona” é comumente o termo empregado para se referir a um
instrumento completamente diferente, o aerófono “acordeão”. Aerófono é
aquele instrumento cujo elemento produtor de som é a coluna de ar dentro
do instrumento. Nele, há duas caixas de ressonância ligadas por um
fole, dispositivo que origina a força produtora do som: a vibração
causada pela passagem do ar entre duas palhetas. As palhetas da sanfona,
diferentes daquelas empregadas ao se tocar violão ou guitarra, são duas
pequenas membranas rígidas que, ao vibrarem, produzem um som de altura
específica (isto é, uma nota musical determinada).

Em cada
caixa de ressonância há um dispositivo com função diferente: de um lado
fica o teclado, como no piano, e do outro, os botões do “baixo”. A
melodia de uma música é tocada no teclado (ou, em alguns instrumentos,
por outro conjunto de botões que fazem as vezes das teclas). Já a
harmonia – o acompanhamento da melodia – é feita no outro lado, quando o
instrumentista pressiona os botões do “baixo”. O som resultante é a
sustentação da melodia – em uma banda, este seria o papel do contrabaixo
juntamente com a guitarra que toca os acordes.

Desta forma, a
primeira sanfona de Gil sai em vantagem em relação à de Gonzaga: a desta
tinha 8 baixos, ou seja, oito botões para que se tocasse a base da
música. Já a de Gil tem 88 botões, possibilitando uma gama maior de
acompanhamentos. Ainda assim, foi com seu fole, pé de bode, concertina,
harmônica; enfim, sanfona de 8 botões que Gonzaga fez sucesso.

3º etapa

Há um outro elemento ligado ao baião que você pode destacar em suas
aulas: a feira livre, tema da canção “A feira de Caruaru”, sucesso
composto por Onildo Almeida e gravado por Gonzaga em 1957:

Peça aos alunos que ouçam a música e discuta:
1) Que instrumentos há no arranjo?
2) Qual é o ritmo da canção?
3) De que trata a letra?

Em seguida distribua cópias da letra para todos e destaque que os
números marcados se referem a produtos da feira. Ouça novamente a música
e solicite que o grupo acompanhe. Prossiga com os questionamentos:
quantos e quais destes produtos eles conhecem? Quais poderiam ser
encontrados na sua região?

A partir daí, apresente uma pequena
descrição da Feira de Caruaru, considerada a maior feira livre do mundo
e que existe há mais de 200 anos na cidade de Caruaru, em Pernambuco. O
comércio lá é variado: frutas, carnes, ervas, cereais, roupas, animais,
ferragens e artesanato, entre outras mercadorias. Duas manifestações
culturais significativas aparecem no lugar: a literatura de cordel e as
bandas de pífanos. Banda de pífanos é uma formação musical tradicional
da música folclórica brasileira, que pode ser ilustrada pelos enfeites
de argila comumente produzidos no nordeste do Brasil. O conjunto é
formado de pífanos (instrumentos de sopro da família da flauta) e
instrumentos de percussão como a caixa, o bombo, o surdo e o tambor.

O
aspecto cultural do evento valeu o registro de Bem Cultural Registrado
na lista do Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN – Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 2006. Para mais
informações, consulte as referências abaixo. O site da feira também vale
a visita. Assim que o internauta acessa o portal, ouve a música cantada
por Gonzagão indicada neste plano.

Sugira que os adolescentes
façam uma pesquisa para conhecer melhor os objetos que aparecem na letra
e que são desconhecidos por eles. O resultado deverá ser compartilhado
com todos.

4º etapa
Depois da
contextualização histórica e do primeiro exemplo de audição, chegou a
hora de tocar. Usando percussão corporal, faça uma roda de baião na sala
de aula!

Separe a letra de “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e
Humberto Teixeira. Comece estimulando os alunos a cantarem (ou ouvirem
uma gravação) e baterem palmas no ritmo da música:

Explique que uma canção tem dois tipos de ritmo: o ritmo real,
aquele das sílabas das palavras, e o pulso, ou seja, o ritmo constante
que nos permite “bater o pé” ou dançar acompanhando a canção. Neste
caso, vamos bater justamente o ritmo do pulso com palmas.

Provavelmente, o resultado da execução será como no esquema abaixo, em
que se representam a letra da música e os momentos em que bate o pulso
da canção:

Ritmo do baião 1. Imagem: TiagoMadalozzo

Agora
vamos substituir a simples batida de palmas no pulso por outra célula
rítmica característica do baião. Trata-se de uma versão reduzida daquilo
que é tocado pela zabumba ao fazer o ritmo do baião. A zabumba é um
instrumento de membrana que possui duas peles. Em cada uma o som
resultante é diferente por conta do tipo de elemento usado na percussão:
na pele de cima, é uma baqueta que produz som mais grave; na de baixo, é
uma vareta que produz som mais agudo. Em nossa execução, vamos
trabalhar igualmente com dois sons: o grave será feito com uma das mãos
batendo no peito; e o som mais agudo será executado com uma palma.

Graficamente, o ritmo fica assim:

Ritmo do baião 2. Imagem: TiagoMadalozzo

O que está em verde é o pulso da música. Em laranja estão os toques no
peito, e em vermelho, a palma. A contagem em “1, 2, 3” é para evidenciar
que cada frase é uma composição de 8 tempos, isto é, 8 sons em
sequência, sendo que a duração do ritmo da palma é ligeiramente menor do
que o dos toques no peito.

Na prática, procure ouvir uma
gravação de baião e acompanhar com as palmas. Experimente! Se tiver
dúvidas, acompanhe o início (00:03 a 00:12 segundos) deste vídeo demonstrativo, em que o pulso é feito com batidas do pé.

Uma
vez que todos pegarem o ritmo, cantem “Asa Branca”. Se preferirem,
façam uma sobreposição rítmica: metade da sala pode tocar o pulso da
música com os pés, e a outra metade, tocar o baião.

Além de
escolher previamente diferentes obras de Luiz Gonzaga para esta etapa,
seja cantando em sala ou acompanhando enquanto se escuta, proponha aos
alunos um desafio para conclusão das práticas: uma nova célula rítmica
mais complexa.

Desta vez, peça uma ampliação, incluindo os
outros tempos representados na imagem acima. Para tal, utilizaremos um
novo timbre: o dos estalos de dedo. Neste caso, nossa percussão terá
três timbres, executados por cinco diferentes movimentos: toque da mão
no peito (seja a mão direita ou a esquerda); palma; e estalo (seja de
uma ou da outra mão).

A frase é formada por 8 tempos, que podem
ser praticados bem lentamente no início, e acelerando. “Dir” se refere à
mão direita que produz o estalo ou então bate no peito; “esq” é a mão
esquerda. A sequência é:

Peito (dir) – Estalo (esq) – Estalo (dir) – Peito (esq) – Estalo (dir) – Estalo (esq) – Peito (dir) – Estalo (esq)

A sequência, portanto, deve ser tocada sem parar. Na prática, você vai
notar que a troca das mãos é natural; o cuidado deve ser com o final,
pois são apenas 8 tempos.

Será que a classe consegue cantar e
bater o ritmo ao mesmo tempo? Proponha ainda variações: um grupo pode
fazer o ritmo, e outro, a célula mais simples enquanto canta. Caso tenha
dúvidas, o ritmo proposto para esta etapa está na parte central do
vídeo demonstrativo (00:12 a 00:21 segundos).

Por fim, sugira
uma substituição nesta sequência para que a frase fique ainda mais
complexa, mas sonoramente mais parecida com a zabumba: basta substituir o
último toque no peito (sublinhado na sequência acima) por uma palma.
Que tal? Se precisar, consulte a parte final do vídeo demonstrativo
(00:21 segundos até o final).

Agora é aproveitar o repertório
de Gonzagão para colocar em prática as sugestões de ritmos. Seja
criativo: mescle sequências, sobreponha-as e comande os grupos.

Vale destacar que as atividades propostas são sugestões para a criação
de novas possibilidades de prática musical com os alunos. Por isso,
adapte de acordo com o contexto da sua escola, e sempre procure treinar
os movimentos antes da aula, bem como separar a maior variedade possível
de informações históricas, imagens, áudios e vídeos para que a aula se
torne ainda mais dinâmica e interessante musicalmente para os alunos.

Avaliação
A participação dos alunos nas discussões, pesquisas e práticas musicais
é a principal medida para avaliação. Deve haver comprometimento dos
alunos com as atividades. Além disso, pesquisas complementares e
práticas musicais em aulas seguintes podem originar instrumentos de
avaliação muito ricos. Lembre-se de que, conforme o pensamento de alguns
pedagogos musicais, a avaliação da atuação dos alunos nas práticas
musicais é fundamental em aulas de música.

Bibliografia

– Sobre Luiz Gonzaga
LUIZ GONZAGA. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

LUIZ GONZAGA. In: Cliquemusic.

– Sobre o baião
BAIÃO. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

BAIÃO. In: Cliquemusic.

– Sobre a  Feira de Caruaru
GASPAR, Lúcia. Feira de Caruaru. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife, mar. 2010. Disponível na internet. Clique aqui para acessar.

IPHAN. 9. Feira de Caruaru. Principal, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, s d. Disponível no site do IPHAN.

Tiago Madalozzo
Professor de musicalização na Alecrim Dourado Formação Musical, em Curitiba (PR)

 

PROGRAMA “MAIS EDUCAÇÃO” NA CONTRAMÃO.

blog de origem AQUI

 “Não necessitam de médicos os sãos, mas sim ,os doentes.”  (Jesus Cristo -Marcos 2:17)
 Programa
“Mais Educação” em algumas escolas de Gravatá, está excluindo alunos
com problemas de comportamento. Este texto pode parecer denúncia,
reclamação ou pura pentelhice, mas na realidade, tem a intenção de
provocar uma reflexão sobre os motivos que estão provocando estas ações.

 
Embora
seja uma ávida crítica da transferencia de responsabilidades imposta
pelo governo e pela própria sociedade, para a escola e professores, no
cuidado das crianças, concordo com a teoria de Josué de Castro, no que
concerne a questão da fome no Brasil, parafraseando uma de suas
citações: “se a escola não tem obrigação de resolver o problema da fome,
cabe a ela ao menos matar a fome do dia, de forma plena”. Acredito que
essa teoria se aplica também ao projeto de educação integral do governo
federal, que visa deixar sob o cuidado da escola um número consideraval
de crianças em situação de risco. Nesse caso, o perfil desses alunos já é
(re)conhecido pela escola. São crianças que vivem em lares instáveis,
sem referencia de autoridade, com pais prostituidos e/ou drogados,
alcolatras, violentos, sem alimentação adequada…enfim, com sérios
problemas de ordem comportamental, advindos do abismo social no qual
estão imersos. Não há novidade nas escolas públicas quanto ao perfil da
maioria de seus clientes/alunos.
Quando
Jesus estava sentado à mesa na companhia de pecadores,foi questionado
pelos fariseus,os religiosos da época,por causa desta atitude. Então
Jesus lhes respondeu: “Não necessitam de médicos os sãos, mas sim ,os
doentes.”
 Não
cabe a desculpa de falta de estrutura fisica, pois este é também um
problema que, embora esteja sendo minimizado  neste governo, com as
reformas e ampliações das escolas, já acompanha a educação há décadas.
Neste caso, houve tempo suficiente para buscarmos adequações, outras
alternativas, parcerias, enfim: solução. Reclamar é algo peculiar aos
desprovidos de capacidade de transformar o meio e melhorar a situação
adversa.
Uma
questão que cabe discussão e reflexão é o perfil da equipe escolar
quanto ao compromisso assumido para com nossas crianças (do porteiro ao
gestor) e a equipe do programa, tanto os monitores quanto os
coordenadores. Há de fato identidade com este tipo de trabalho a ser
desenvolvido, ou mero interesse em aumentar a  remunenação recebida? Há,
por parte de alguns funcionários, uma repetição repulsiva do discurso:
“Isso não é trabalho meu!” – Será que esse discurso se aplica,
especialmente na educação? O processo de ensino-aprendizagem depende
apenas do trabalho desenvolvido em sala de aula??! É claro que não! A
educação deve funcionar como uma orquestra. Todos os instrumentos
precisam estar afinados (comprometidos) para que a música tocada seja de
qualidade, encante!

Da
mesma forma que conseguimos ministrar uma aula que foi preparada para o
power-point usando o quadro de giz se o equipamento estiver com
defeito, podemos encontrar alternativas que não provoquem mais exclusão
na vida de crianças que já têm que lidar com abandono e falta de um lar
que os ajudem a se desenvolver de forma saudável. Se está nas nossas
mãos, então façamos, da melhor maneira!

Não há uma receita pronta.
Particularmente já tive muitos problemas com indisciplina e agressão,
mas para chegar ao ponto de providenciar a saida de um aluno da sala ou
da escola, já havia esgotado todas as outras possibilidades e
alternativas, depois de pelo menos 6 meses de tentativas. No caso do
Programa “Mais Educação”, o funcionamento tem apenas 1 mês. Considero
extremo a expulsão ou substituição destes alunos.


Não estou sugerindo que é fácil.
Mas, acredito que é possível, especialmente se houver vontade,
determinação, parceria, compromisso de todos que fazem a educação
escolar acontecer.



“Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: esforça-te!” (Isaías 41: 16)

Aos
que não se encaixam neste perfil de trabalhar com crianças de
periferia,com todos esses problemas advindos desta sociedade hipócrita e
desigual,  por favor, tenham a ombridade de “pedir para sair”, até
porque, se falharmos com essas crianças hoje, poderemos ser os próximos
alvos do revólver de um deles amanhã.
Ou ainda, nos endereços eletrônicos:
MinC (http://www.cultura.gov.br/site/e)
MEC (http://www.mec.gov.br/)
E-mail maisculturanasescolas@cultura.gov.br.

Movimento de Cultura Popular – MCP


O MCP foi criado em 1961,
por um grupo de intelectuais e artistas pernambucanos, na primeira
gestão de Miguel Arraes como prefeito de Recife. Assumiu inovadoramente o
conceito de cultura popular como chave para o trabalho com a população
pobre, por meio de escolas para crianças, alfabetização de adultos,
praças e núcleos de cultura. Revitalizou as festas folclóricas e teve
expressiva atuação no teatro e cinema. Seu Livro de Leitura para Adultos
renovou radicalmente o material didático da época. Sediou a primeira
experiência do Sistema Paulo Freire, no Centro Dona Olegarinha, em 1962,
e o I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular, promovido
pelo MEC, em 1963.
 Prof. Osmar Fávero – Universidade Federal Fluminense – UFF


Apresentação

O MCP foi o primeiro
movimento de cultura popular criado nos anos de 1960. Após sua posse
como prefeito do Recife, eleito por uma coligação de partidos de
oposição aos governos anteriores, Miguel Arraes reuniu um grupo de
intelectuais “progressistas”, comunistas e católicos, propondo uma ação
estratégica nas áreas de educação e de cultura. Desse encontro
resultou a incorporação da experiência anterior de praças de cultura,
promovida por Abelardo da Hora, sob patrocínio da própria prefeitura,
em um projeto mais amplo. Assumiu a coordenação desse movimento Germano
Coelho, que havia chegado há pouco tempo da Europa, onde conheceu
várias experiências, em particular a do movimento Peuple et Culture.
Anita Paes Barreto encarregou-se da implantação de escolas primárias
para crianças e adolescentes dos bairros não atendidos pela rede
municipal, o que foi feito com a colaboração de várias entidades e
parceria entre a prefeitura e a população interessada. Definiu-se um
projeto de escolas radiofônicas para jovens e adultos e começou-se a
trabalhar intensamente em várias áreas da cultura, valorizando o
artesanato local, promovendo a realização das festas populares (São
João, Reisado etc.), festivais de cinema e apresentação de autos e
peças teatrais originais. Foram organizados também clubes de leitura e
centros de cultura, além de exposições permanentes de arte e artesanato
popular.


O MCP serviu de modelo e exemplo para muitos outros movimentos de cultura e educação popular do início dos anos de 1960. O Livro de leitura para adultos,
elaborado por Josina Maria Lopes de Godoy e Norma Porto Carreiro
Coelho e impresso em 1962, inovou radicalmente o material didático para
alfabetizandos e recém-alfabetizados, tendo sido adaptado por vários
outros movimentos, dentre eles De pé no chão também se aprende a ler,
Centro de Cultura Popular de Goiás e a Campanha de Alfabetização da
UNE.


Apesar do imediato e violento encerramento de suas atividades, após o
golpe militar de 1964, conseguiu-se reunir significativa amostra do
material produzido pelo MCP e sobre o MCP, além do Livro de leitura para adultos,
já citado: Estatutos; Projeto de educação pelo rádio e relatório de
instalação de escolas radiofônicas, de Giselda Fonseca; Projeto de
meios informais de educação, de Paulo Rosas; Plano de ação para 1963,
apresentado ao MEC e no I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura
Popular, realizado no Recife, em 1963; monografia de conclusão no Curso
de Serviço Social de Zaira Ary, sobre o Centro de Cultura Dona Olegarinha,
onde aconteceu a primeira experiência do Sistema de Alfabetização
Paulo Freire, que traz em anexo Projeto de educação de adultos,
elaborado pelo mesmo; texto da peça Incelença, de Luiz Marinho; folheto de cordel A voz do alfabetismo, de João José da Silva, que contém o Hino do MCP. De singular importância é o álbum de desenhos Meninos do Recife, de Abelardo da Hora, usado como cartão de visita do movimento.


Foram reunidos também praticamente todos os depoimentos e textos de
entrevistas disponíveis sobre o MCP, folders dos muitos eventos
realizados, além de fotos e recortes de jornais do período, em especial
sobre as escolas para crianças e adolescentes organizadas pelo
Movimento.


Divulgação

Aderradeira Ceia Aderradeira Ceia, Programa
A derradeira ceia
A derradeira ceia – programa
Camaleão Alface Julgamento em Novo Sol
Camaleão Alface
Julgamento em Novo Sol
Clube da leitura, Folheto Propaganda
Festa de Natal em Recife
Clube da leitura
Festa de Natal em Recife
Festa de São João
1º Festival de Teatro do Recife
Festa de São João
1º Festival de Teatro do Recife
1º Festival de Cinema do Recife
2º Festival de Cinema do Recife
1º Festival de Cinema do Recife
2º Festival de Cinema do Recife
2º Semana Estudantil
2º Semana Estudantil de Cultura Popular
2ª Semana Estudantil
2ª Semana Estudantil
de Cultura Popular


Imagem ampliada
Bernardo Dimenstain, 1963
(Doado pelo autor)
Imagem ampliada
Adão Pinheiro, 1963
(Doado por Bernardo Dimenstain)
Fonte das imagens:
Letícia Rameh Barbosa. Movimento de Cultura Popular em Pernambuco:
evolução e impactos na sociedade. Tese de doutorado em educação,
defendida na Universidade Federal da Paraíba em 2007, p.128.



Jornais

Plano Municipal de ensino foi
apresentado ontem ao prefeito

Diário de Pernambuco, 31.01.1960, p. 13
Prefeito inaugurará 11 escolas e
fará 10 discursos amanhã

Diário de Pernambuco, 26.04.1960, p. 3
Sociedade civil e o Movimento de
Cultura Popular: escolas

Diário de Pernambuco, 26.04.1960, p. 5
Prefeitura inaugurou as
dez primeiras escolas…

Diário de Pernambuco, 03.05.1960, p. 10
MCP com ajuda da
Prefeitura: 20 escolas…

Diário de Pernambuco, 27.05.1960, p. 8
Prefeitura inaugurará mais vinte
escolas no mês corrente

Diário de Pernambuco, 01.06.1960, p. 3
Inauguradas 4 bandinhas do
Mov. de Cultura Popular

Diário de Pernambuco, 18.10.1960, p. 5
Cartilhas e cadernos para os alunos
do Movimento de Cultura

Diário de Pernambuco, 25.10.1960, p. 9
Caderno C - Jornal do Commercio, 10.05.1997
Caderno C – Jornal do Comércio
10/05/1997



Livros

 
 
Movimento de Cultura Popular: impactos na sociedade pernambucana
Letícia Rameh Barbosa
Movimento de Cultura Popular
Memorial
MCP – História do Movimento de Cultura Popular
(1960-1964)
Germano Coelho
 
Capa l Resenha Capa l Resenha



Teatro



A Incelença
(36 mb)

 Herança Negra no Rio de Janeiro

Obras recentes na zona portuária revelaram detalhes do passado escravocrata
O repórter Marcelo Castilho conversa com o historiador Carlos Libano no Rio de JaneiroO repórter Marcelo Castilho conversa com o historiador Carlos Libano no Rio de Janeiro

Até
meados do século XIX eles desembarcavam aos milhares no Rio de Janeiro.
Da cidade, a grande maioria partia para as fazendas sustentando a
monocultura e a riqueza dos senhores de terra. Os africanos cruzaram o
Atlântico escravizados e aqui além de contribuir imensamente para a
construção do país ajudaram na formação da cultura brasileira.
Obras
recentes na zona portuária do Rio revelaram um passado que conta um
pouco mais da história desse povo: o cais onde desembarcavam dos navios
negreiros, o cemitério para onde eram levados os que não sobreviviam à
viagem, a rua onde eram vendidos e muitos objetos deixados pelos que
chegavam aqui, peças que têm sido analisadas por uma equipe de
historiadores e arqueólogos.
Essas
revelações e lugares redescobertos farão parte do circuito histórico e
arqueológico da herança africana que vai permitir que cariocas e
turistas possam entender melhor a história dos africanos que chegaram
por aqui. O Caminhos da Reportagem acompanhou o trabalho dessa equipe e
vai mostrar também como a herança negra se estende pelo tempo e se
expande pela cidade: a presença do negro que se espraia pelo Rio após a
abolição da escravatura, a influência na criação do samba, quilombos que
ainda existem em meio ao tecido urbano carioca e a persistência do
jongo e da culinária negra no Rio de Janeiro.
Reportagem: Marcelo Castilho
Edição: Isabelle Gomes
Produção: Vivian Carneiro e Betania Dutra
Estagiária: Luisa Lougue

———————————————//————————————————

 ‘Passinho’ é o grande salto do funk

 Enviado em 04/09/2011
Mistura de ritmos e de danças em duelos empolgantes nos bailes


Assista AQUI

Homenagem do programa Esquenta a Gambá e a Turma do passinho – Esquenta 1- Assista AQUI

 ————————-//————————–

Mais um vídeo de agressão contra professor alerta para violência nas escolas públicas

Banheiros incendiados, paredes destruídas e armas apreendidas se misturam
a hematomas, fratura e depressão. Só na capital paulista mais de 70 mil
servidores da educação estão afastados em consequência de estresse. Mas
este não é um problema exclusivo da rede pública. Marcados pela
violência, muitos dos que sonharam dedicar a vida ao ensino abandonam a
carreira.
reportagem produzida e veiculada pela Rede Record em  06/03/2013.   Assista AQUI

Assista também.
 
  Documentário: Pro Dia Nascer Feliz

 
               Um documentário sensacional e ao mesmo tempo angustiante
do diretor João Jardim, lançado em 2006. O filme aborda a educação
brasileira em um angulo pouco visto, dentro da sala de aula, abordando
os dramas dos jovens e professores de diferentes regiões do Brasil. A
precariedade das instalações, preconceito, violência e o abandono são
temas presentes no filme.




            O documentário é fundamental para jovens estudantes, pois
perceberão que apesar dos cenários  e classes sociais diversificadas, os
dramas são em alguns aspectos semelhantes, tanto no sertão nordestino
quanto nas grandes metrópoles do sudeste, claro guardando as devidas proporções. Para
educadores ou futuro educadores, é extremamente valido pois demonstrará
os grandes abismos da educação brasileira, os dramas dos professores
que abdicam de muitos lazeres e dedicam a educação.




               A angustia que e o filme passa é no sentido que o
problema da educação brasileira é profundamente grave e abrange todo o
Brasil e infelizmente sem perspectivas de melhoras.


AQUI  

  A Potência da CULTURA – ensaio com sugestões para programas de governo

 
04/09/2012 | Publicado por celioturino em Sem categoria

A Potência da CULTURA
E se a Cultura fosse prioridade em
programas de governo? Ela seria reconhecida como o fio condutor que une o
direito à saúde, ao transporte, à moradia, à educação, ao trabalho, à
cidade… à cidadania. Cultura como arte, habilidades humanas, mas para
além das artes e da expressão simbólica, Cultura como comportamento,
como atitudes e valores que se expressam desde as mínimas relações no
cotidiano à economia. Assim, teríamos programas de candidatos e
candidatas às prefeituras que tratariam a Cultura em toda sua Potência,
central e transversal.
Como primeira medida, o fortalecimento
das Secretarias e órgãos de gestão da Cultura. Não é possível que a
Cultura continue sendo tratada como mero ornamento, com políticas
públicas acanhadas e concentradas, tanto no espaço geográfico, quanto
social, ou restritas à realização de eventos e atividades artísticas
pontuais. Em São Paulo, por exemplo, se de um lado houve a positiva e
necessária recuperação de espaços como o Teatro Municipal e a Biblioteca
Mário de Andrade, além da incorporação da Virada Cultural (que, em meu
modo de ver, deve ser mantida e aperfeiçoada) ao calendário da cidade;
de outro, o investimento em Cultura, para além do centro da cidade ou
para além de um grande evento anual, ficou praticamente abandonado. E
este é o retrato de praticamente todo o país, em Campinas a
mediocrização da gestão cultural vem desde o final do século passado (e,
infelizmente, enquanto paro para pensar em alguma exceção positiva,
poucos exemplos me vêem à cabeça, talvez Suzano, na grande São Paulo,
não muito mais que isso). Ao menos em cidades mais dinâmicas, como São
Paulo, outros agentes e instituições assumem um papel mais ativo que as
prefeituras na vida cultural da cidade; como o SESC paulista e sua
programação de vanguarda, ou a iniciativa privada financiada com
recursos de renúncia fiscal (mas neste caso reduzindo a Cultura à
dimensão Mercadoria), além de manifestações e organizações autônomas da
sociedade (como os saraus literários de periferia ou os pequenos teatros
de grupo). Sem dúvida, em cidades com as dimensões de São Paulo esta
pluralidade de agentes culturais, pode e deve ser estimulada; todavia, o
que não pode mais continuar acontecendo é o fraco protagonismo do poder
público municipal, não somente em São Paulo como em quase todos
municípios do Brasil.
Tanta coisa boa poderia acontecer se as
gestões municipais fossem estruturadas a partir de uma visão ampla
integradora da Cultura, sob o conceito da cidadania cultural. Aqui
exercito um ensaio de como isso poderia se realizar na prática, em
programas de governo. Penso em quatro macro-programas, interligados e
transversais, não somente entre si, no âmbito de atuação das secretarias
de Cultura, mas em inter-relação com as demais secretarias e programas
do governo municipal. Estes programas matriciais deveriam se desdobrar
em Ações e Iniciativas, conforme apresento a seguir.
Programas e Ações
CULTURA em REDE
Um retrato da desigualdade: abundância e
escassez na distribuição dos equipamentos culturais. No caso de São
Paulo, há regiões da cidade, ou mesmo uma única avenida ou parque
público, que concentram diversos equipamentos culturais da mais alta
qualidade, enquanto regiões inteiras, com centenas de milhares de
habitantes, ou mesmo milhões, sequer dispõem de um único teatro ou
biblioteca adequados. Fazer uma política democrática de Cultura
pressupõe reverter este quadro, que se repete em milhares de cidades
brasileiras, boa parte delas com ausência total de equipementos
culturais, contando, no máximo, com alguma biblioteca funcionando em
condições precárias.
Em São Paulo esta situação começou a ser
modificada quando da implantação dos CEUs, no governo da prefeita Marta
Suplicy; porém, com a mudança de governo houve uma descontinuidade, com
o apequenamento do projeto original; e os novoss CEUs, que perderam
espaços de lazer e cultura, como teatro, área para oficinas culturais ou
mesmo instrumentos musicais para orquestra e demais equipamentos
indispensáveis para o bom desenvolvimento de uma ação cultural.
Repetindo o vício de se privilegiar o invólucro no lugar do conteúdo (ou
a estrutura no lugar do fluxo, ou a casca no lugar da gema), o máximo
que as propostas de governo alcançam é propor a construção de novos (e
custosos) equipamentos culturais. Sim, eles são necessários, mas o
principal objetivo de um programa Cultura em Rede não
seria a construção, mas a articulação (por isso Cultura em Rede) dos
espaços culturais já existentes, qualificando sua estrutura e
potencializando sua programação. Há tantos espaços desperdiçados por aí,
por vezes um teatro em escola, barracões, salas de ensaio; por que não
utilizar-los de forma mais intensa? Inclusive os privados e com pouco
uso, que poderiam ser incorporados à rede via conveniamento. Não é
possível que uma cidade com 93 distritos, cada qual com população média
de 100.000 pessoas, como no caso de São Paulo, não contem com, ao menos,
um teatro, uma biblioteca, um cinema, um museu e um espaço para
oficinas culturais, cursos de iniciação artística e exposições. Isto
poderia acontecer a partir da construção de equipamentos integrados com a
educação (a exemplo das Bibliotecas Parque, de Medellin, ou dos
primeiros Parques Infantis na gestão Mário de Andrade), sobretudo com a
expansão, dinamização e retomada do projeto original dos CEUs,
requalificação de Espaços e Casas de Cultura, recuperação de edifícios
históricos, integração com equipamentos esportivos ou praças e parques
públicos, ou mesmo o melhor aproveitamento de espaços culturais
privados. Desnecessário dizer que esta situação se repete em
praticamente todos municípios do país.
Menos obras físicas e mais articulação e
requalificação dos equipamentos já existentes, menos fachadas e mais
conteúdos, pois o fundamental para a Cultura é o relacionamento em rede e
de maneira complementar. Com isto, de forma rápida -e a um custo
relativamente baixo-, as cidades poderiam contar com Sistemas Integrado de Centros Culturais
permitindo que, para além da custosa construção física, seja possível
disponibilizar recursos específicos para sua manutenção e programação,
compreendendo todo ciclo da produção cultural (patrimônio, formação,
produção e difusão). E este Sistema poderia funcionar
tanto em grandes, médios ou pequenos municípios, diretamente
administrados por uma prefeitura ou através de consórcios
intermunicipais.
Para integrar e consolidar o Sistema de Centros Culturais – Cultura em Rede, devem ser adotadas duas ações:
a) Assegurar ao menos uma grande
Instituição Cultural (Centro Cultural, Museu ou Biblioteca Parque) em
cada macroregião da cidade (no caso de grandes cidades, ou ao menos uma
Instituição de referência em caso de cidades médias ou pequenas, neste
caso via consórcio intermunicipal), funcionando como Centros de
Referência, integrando e complementando programação em centros menores,
promovendo intercâmbio, interações estéticas e programação de qualidade
variada;
b) Cultura em rede pressupõe
articulação e integração entre estrutura física, programação integrada e
ação digital. É neste campo que “Casas e Praças da Cultura Digital” poderiam atuar. Uma ação de Cultura Digital
é indispensável para o funcionamento de Cultura em rede e deve ser
compreendida de maneira ampla, envolvendo desde a disponibilização de
banda larga pública até inovadoras experiências que integram comunidades
de software livre, metareciclagem de computadores e equipamentos
eletrônicos e trabalhos colaborativos com o desenvolvimento de novas
práticas econômicas sob os princípios da economia solidária – trabalho
colaborativo, comércio justo, consumo consciente, generosidade
intelectual e gestão em rede-. As Casas de Cultura Digital integrariam estas iniciativas e as Praças de Cultura Digital
seriam praças públicas dotadas de internet em alta velocidade, espaços
de convivência para as comunidades digitais e centros de coleta e
reciclagem de computadores e aparelhos eletrônicos, funcionando como
pólos públicos da rede.
CULTURA e EDUCAÇÃO
Quando a Educação se afasta da Cultura
ela perde sua alma. Quando a Cultura se afasta da Educação ela perde seu
corpo. Reaproximar Cultura e Educação é reaproximar corpo e alma.
Um programa de integração entre Cultura e Educação
deveria ser estruturante para todo programa de governo. Há acúmulo
teórico e experiência prática, comprovando que este encontro entre
Cultura e Educação não somente dá certo como é indispensável para uma
cultura cidadã e uma educação emancipadora, como o movimento mundial
pelas Cidades Educadoras, ou o conceito das Escola-Parque, formulado pelo pedagogo brasileiro Anísio Teixeira, ou dos Parques Infantis,
implantados na década de 1930 em São Paulo, por Mário de Andrade.. Aqui
não se trata da pedagogização da cultura e das artes, mas da integração
entre cultura e educação, em um processo permanente, que aconteça em
todos os lugares, com todas as gerações e por toda vida. A base da
cidadania cultural está neste sutil exercício.
Integrado Cultura e Educação (e também esportes, lazer e meio ambiente) é possível implantar, paulatinamente, a Educação em Tempo Integral,
mas não em tempo integral na escola e sim utilizando toda a rede de
Cultura da cidade (não somente a municipal, como também de demais
instituições a partir de parcerias). Fora do horário na escola os alunos
poderiam participar:
a) Cursos de iniciação artística em Escolas Municipais de Iniciação Artística (em Campinas, lamentavelmente, a prefeitura fechou a única escola pública de música);
b) Formação de público com freqüência a teatros, museus, centros culturais e cinemas;
c) Projetos especiais como o Recreio nas Férias – assegurando programação cultural e esportiva de férias para todas as crianças e adolescentes da cidade;
d) Corpos Artísticos Juvenis (ou vocacionais), como orquestras e corais, grupos de teatro, dança, circo e coletivos em artes visuais ou audiovisual.
O objetivo seria
assegurar a todas crianças e jovens o acesso a, pelo menos, um curso de
iniciação artística e freqüência mensal em, no mínimo, uma programação
em teatro, cinema ou exposição e uma semana de férias nas atividades do
Recreio nas Férias (com
atividades de cultura, esporte e lazer nos pólos de férias, passeios e
visitas a áreas de lazer – quando desenvolvi esta experiência em
Campinas, no início dos anos 90 e em São Paulo, no governo Marta
Suplicy, conseguimos atender a mais de 100.000 crianças e jovens por
edição).
Quanto aos Corpos Artísticos Juvenis, faço um exercício para demonstrar o quanto é viável. Imaginemos uma cidade que contasse com 50 Orquestras e Corais Infantis e Juvenis, com
participação entre 60 e 100 jovens em cada um. O custo de manutenção de
cada orquestra seria de R$ 400 mil/ano, garantindo contratação de
regente e professores por naipe (violino, violoncelo, percussão, etc…);
um sistema de orquestras jovens com este porte asseguraria 1.000
apresentações de música de câmera por ano (2 por mês, durante 10 meses,
por cada orquestra), envolvendo diretamente entre 3 a 5 mil jovens
músicos, além de gerar postos de trabalho para músicos recém formados,
que atuariam como regentes e professores de orquestra (aproximadamente
500 no total). Há que contabilizar também o público beneficiado com a
série de concertos, alcançando centenas de milhares, ou até milhões, de
pessoas. O custo total desta ação seria de R$ 20 milhões/ano (numa
cidade que assumisse 50 orquestras jovens), pouco para o alcance
educacional e cultural da iniciativa. A Orquestra de Heliópolis, em São
Paulo, é um exemplo de transformação social e beleza que resulta de um
trabalho como este. Por que as cidades do Brasil não podem contar com
tantas mais experiências como a surgida na favela de Heliópolis, em São
Paulo? O mesmo poderia acontecer com grupos de teatro, dança, coral,
etc… (neste caso a um custo menor por grupo constituído). Como parâmetro
de eficácia, devemos observar o Sistema de Orquestras Jovens da
Venezuela, conhecido como El Sistema (atualmente a Venezuela é o
país que mais forma músicos eruditos no mundo – em relação à
população); com 30 milhões de habitantes, o país conta com mil
orquestras e 300 mil músicos em atividade (em proporção, a cidade de São
Paulo deveria contar com 100 mil músicos e mais de 300 orquestras
jovens). Todo município brasileiro pode e deve ter seu Sistema de Corpos Artísticos Juvenis, seja uma banda de coreto ou orquestra, um grupo de teatro, dança ou circo, ou vários. Investindo muito ou pouco, mas investindo e cuidando de sua gente, este deveria ser o principal objetivo de todo governo.
Sistema Municipal de Bibliotecas, livro e leitura,
outra ação indispensável. Biblioteca é patrimônio cultural e,
sobretudo, formação. Além de assegurar, ao menos, uma biblioteca por
município ou distrito, cabe integrar a rede de
bibliotecas públicas com as bibliotecas escolares, bibliotecas
comunitárias e demais iniciativas de difusão do livro e da leitura. E ir
além da integração e disponibilização de acervos. É preciso atualizar o
conceito de bibliotecas, transformando-as em espaços convidativos e
agradáveis, com acervo atualizado e livros ao alcance direto do leitor
(ao menos o acervo mais atual), espaços iluminados e aconchegantes,
atividades lúdicas em brinquedotecas e constante programação cultural e
artística. Há diversos bons exemplos de como a instituição Biblioteca
pode assumir um novo papel de estimulador social e cultural, que vai
muito além da guarda e consulta de acervos. A cidade de Medellin, na
Colômbia, é um belo exemplo de como potentes bibliotecas se transformam
em âncora para a regeneração urbana e o exercício de uma cultura cidadã;
isso também pode acontecer em qualquer cidade do Brasil.
E para além das Bibliotecas. Há a
necessidade de políticas de difusão do livro e da leitura, levando-o
mais próximo ao público, com iniciativas que vão desde a distribuição
gratuita de livros de baixo custo no sistema de transporte público (a
exemplo do programa “Para ler de boleto en el metro”, na cidade
do México) até a organização de bancas/estantes em praças e pontos de
ônibus (a exemplo da cidade de Bogotá, ou da bela iniciativa de um Ponto
de Cultura em um açougue, na cidade de Brasília, que disponibiliza
100.000 livros nos pontos de ônibus da cidade). E difusão se faz com
gente, Agentes de Leitura (jovens da Cultura Viva, que difundem a leitura em casas, ruas e espaços comunitários) e o próprio incentivo à criação literária. Enfim, não há Cultura e Educação sem a devida prioridade às bibliotecas, livros e leitura.
CULTURA VIVA
Cultura Viva, um
conceito de cultura que se desenvolveu no Brasil e se espalha por toda
América Latina. A Cultura entendida como processo e não produto, feita
pela gente, pelas pessoas, sem hierarquias ou controle. Cultura como
expressão simbólica, como construção de valores e cidadania e como
economia. Uma Cultura que se desenvolve com autonomia e protagonismo,
potencializados na articulação em rede. Cultura como fluxo, potência,
afeto, desejo e encantamento.
As cidades formam o melhor ambiente para a Cultura Viva. Mil povos, mil fazeres e mil sonhos. Tudo junto (e misturado). Para sedimentar a rede Cultura Viva (ou: o “fazer cultural” autônomo e protagonista) há os Pontos de Cultura; no Brasil eram mais de 3.000 em 2010, em 1.100 municípios. Os Pontos de Cultura
são entidades culturais da sociedade, com personalidade jurídica
própria, selecionadas por edital público e que já desenvolvem trabalhos
em suas comunidades; tem atuação das mais diversas, das linguagens
artísticas às ações sócio-culturais em territórios de vulnerabilidade
social, de grupos eruditos a populares, do fortalecimento de laços
identitários e tradições à experimentação estética e à vanguarda da
cultura digital em software livre. São os mais diversos recortes, cada
qual à sua maneira. Ao se potencializarem em rede vão se desenvolvendo,
tanto do ponto de vista ético, estético ou econômico. E o fazem em uma
relação horizontal, entre iguais (uma igualdade que se realiza na
diferença), rompendo com processos formativos de cima para baixo, ou de
fora para dentro.
Cada Ponto de Cultura
recebe um recurso anual de R$ 60 mil e desenvolve seu plano de trabalho
conforme suas necessidades, empoderando-se no processo. Até o momento
esta rede acontece em convênio com o Ministério da Cultura; mas por que
não assumi-la como política municipal? Custa pouco, por vezes menos que
uma festa patrocinada pela prefeitura, com a diferença de que acontece
em processo contínuo, por todo o ano.
Mas Cultura Viva vai além dos Pontos de Cultura e também envolve ações como “Cultura
Digital”, “Cultura e Saúde”, “Economia Solidária e Cultura”, “Agentes
Jovens de Cultura”, “Griôs e Mestres da Cultura tradicional transmitida
pela Oralidade”, “Interações Estéticas”, “Escola Viva”, “Pontos de
Leitura”, “Pontos de Memória”, “Pontos de Mídia livre”, “Pontinhos
(para cultura da infância e lúdica)” e “Pontões (articuladores, capacitadores e difusores na rede) de Cultura. Todas estas ações – e outras- devem ser desenvolvidas junto com os Pontos de Cultura. Há tanta cultura tradicional, tantos mestres, tantos Griôs e tanto conhecimento que podem contribuir para o desenvolvimento da cidade; há tantos Pontos de Mídia Livre,
rádios e TVs comunitárias, sites, blogs, fanzines e revistas
independentes que contribuem para difundir o que de mais profundo e
esquecido se produz por aí; tantos artistas, fazendo coisas belas e
dispostos a interagir com comunidades em efetivas Interações Estéticas, ensinando e aprendendo com elas; a Cultura e Saúde
com terapias alternativas e a arte como elemento de desenvolvimento das
pessoas com deficiências intelectuais ou físicas, a medicina
tradicional e a busca da cura em ambientes saudáveis; Pontos de Memória, com memoriais e museus comunitários, de vizinhança, temáticos, afetivos, em escolas; e Pontos de Leitura
e suas bibliotecas comunitárias, as biciclotecas construídas a partir
de tanta idéia boa surgida da mente de gente igualmente boa, por vezes
moradores de rua, catadores de papel que reciclam livros e vidas. Tanta
coisa boa e bela que pode se desenconder por aí, isso é Cultura Viva.
E que pode ir além. Há que desenvolver ações e programas de arte pública, em apoio à artes e aos artistas de rua,
que tanto humanizam as cidades. E os grupos de teatro e dança, que na
falta de apoio governamental foram abrindo seus espaços próprios,
gerando pólos autônomos de arte, inovação e convivência; mas a
manutenção destes espaços é custosa, cabendo a criação de um arcabouço
de apoio (redução ou isenção de impostos) e financiamento público para Espaços Culturais de Grupos
que assegure a manutenção dos custos fixos; como contrapartida, esses
espaços poderiam oferecer sua própria programação e uso em atividades e
programas como Cultura e Educação e outros. O apoio ao Circo e aos artistas circenses e todas as suas especificidades, da regulação do uso de espaços à formação, do circo tradicional ao novo circo. E as Iniciativas Culturais da Juventude ou grupos culturais não formalizados, a exemplo do programa paulistano, VAI; ou a Agentes Jovens de Cultura,
para jovens artistas e articuladores culturais; ou o apoio à ações e
manifestações (a exemplo da parada Gay) de combate à discriminação,
sejam de caráter religioso, gênero, étnico ou cultural; ou às Culturas tradicionais e populares,
há tantas, em todas as cidades, as mais surpreendentes, como em São
Paulo, em que os índios Pankararu redescobrem suas raízes na favela do
Real Parque, ou jovens do Hip Hop que se reencontram com o repente de
seus avós; as festas populares,
seja em grandes ou pequenos municípios, sempre presentes. Tanta coisa
bela e sensível, que passa na frente de nossos olhos e que nos diz que a
Cultura continua Viva, não porque é
feita pelo Estado ou governos, nem porque se deixa transformar em
mercadoria, mas porque é feita pela gente e para a gente. E vai além.
CULTURA: direito do povo, dever do Estado
O objetivo: a Arte. E só. Arte como
habilidade, criação, beleza. Convivência.Arte de bem viver. Uma cultura
cidadã só pode acontecer se as pessoas conviverem em estado de Arte,
cultivando forma e o espírito e, no espaço da liberdade de criação,
aprenderem a viver com liberdade e respeito. Arte, conceito difícil de
definir e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas. Por isso mesmo a
arte deve permear o conjunto dos programas de toda política cultural.
Arte necessita de fomento
que ative e impulsione o processo criativo. Nos últimos 20 anos as
políticas de fomento em vigor no país estiveram, basicamente,
concentradas em instrumentos da renúncia fiscal, transferindo recursos
públicos para um processo de decisão privada, submetida à lógica do
mercado. Houve iniciativas que caminharam em outro sentido, apresentando
resultados consideráveis, como as iniciadas no movimento Arte contra a Barbárie,
que resultou na lei do Fomento em São Paulo ou a experiência do
programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, disseminada pela ação do
Ministério da Cultura no governo Lula, bem como os editais específicos
de fomento para os campos da identidade e diversidade e das artes. São
contrapontos ao modelo que reduz a Cultura e a Arte apenas à dimensão
produto ou mercadoria. Programas de Cultura com sentido emancipador
deveriam caminhar nesta mesma lógica, em que Cultura e Arte são
consideradas direitos inalienáveis, que devem ser realizados pelas
pessoas, pela sociedade, em ambientes de liberdade criativa, cabendo ao
Estado assegurar meios para que aconteçam em toda sua potencialidade,
com critérios públicos e sem dirigismo, seja do Estado ou do Mercado.
O principal meio para efetivação desta política deve ser o Fundo Municipal de Cultura, com dotação orçamentária própria e destinada diretamente ao fazer cultural e artístico da sociedade, das pessoas. Como meta: 1% do orçamento municipal diretamente destinado ao Fundo de Cultura.
Para as necessidades de manutenção e investimento direto do município,
as Secretarias de Cultura devem contar com orçamento próprio; ou, em
linguagem técnica: os Fundos Municipais de Cultura devem contar com
rubrica específica, com fonte de recursos assegurada e mecanismos
públicos na definição de acesso a estes recursos.
Chega-se ao valor de 1% do orçamento a
partir de que, no mínimo 5% do PIB nacional (dados do IBGE) advém da
economia da cultura. Toda essa economia gera recursos para as cidades
que retornam na forma de tributos diretos (ISS sobre atividades
culturais) e indiretos (arrecadação em bares, restaurantes, hotéis e
demais atividades econômicas diretamente impactadas pela economia da
cultura), nada mais justo que parte destes recursos seja aplicada na
própria atividade que os gerou (permitindo, inclusive, a ampliação
destes recursos com o motor da própria atividade econômica). Diversas
cidades já contam com Fundos Municipais de Cultura, algumas há décadas
(Campinas, por exemplo) e outras começam a implantar (Campo Grande,
recentemente, aprovou lei criando o Fundo e definindo piso de 1% do
orçamento municipal); não faz sentido que grandes ou pequenas cidades
ainda não disponham de algo semelhante. Cabe salientar que a criação de
Fundos Municipais de Cultura está prevista na lei que cria o Sistema
Nacional de Cultura e em poucos anos esta será a única forma de acesso a
recursos nacionais de cultura, que serão transferidos “fundo a fundo”, a
exemplo do Sistema Único de Saúde. Outra fonte de recursos do Fundo
deve ser a receita própria dos equipamentos municipais de cultura
(borderô de ingressos, eventuais locações, doações diversas), evitando
que este recurso se perca no caixa único das prefeituras.
Com o Fundo Municipal de Cultura é possível manter e ampliar as ações de fomento; nos grandes municípios podem existir Fundos Setoriais
(Artes, Diversidade e Cidadania Cultural, Patrimônio e Memória,
Audiovisual, Livro e Leitura e Projetos Especiais), seguindo a mesma
lógica do projeto de lei que institui o Pró-Cultura (reforma da lei
Rouanet) em nível nacional – ainda em tramitação no Congresso. Somente
com um Fundo efetivamente estruturado e com recursos suficientes será
possível realizar uma efetiva política de fomento à cultura nos
municípios.
Mas para além de uma política de editais
para acesso público a recursos públicos, cabe assegurar uma série de
mecanismos de fomento às artes e à preservação do patrimônio histórico e
cultural. As cidades precisam contar com Conselhos do Patrimônio
Histórico e Cultural, bem como com regras estáveis de preservação, que
possam conviver com as necessidades da expansão imobiliária, sem
prejuízo à preservação de nossas referências históricas, ambientais e
afetivas. Cabe a estes Conselhos assegurar a inventário das áreas
envoltórias de patrimônios tombados e regras prévias e claras para os
proprietários do entorno, tornando sustentável a preservação e até
criando compensações, no caso de grandes e médios municípios, com uma lei da troca do potencial construtivo
(em que o proprietário de um imóvel tombado poderá negociar o potencial
construtivo de seu imóvel em outras áreas da cidade, assegurando
recursos para preservação do bem tombado).
Junto a estas medidas de Fomento e
Regulação, cabe, igualmente, manter Instituições e Programas de
Preservação e Memória, que vão desde a manutenção de Museus e Arquivos à
realização e inventários, cartografias culturais, mapas e roteiros,
histórico, ambientais, afetivos e artísticos.
Medidas institucionais de gestão da Cultura
Os quatro programas aqui apresentados
dão conta, ao meu ver, das diversas dimensões e necessidades de uma
efetiva política cultural para o século XXI, porém, para que aconteçam
em plenitude, serão necessárias medidas institucionais, basicamente
previstas na lei que cria o Sistema Nacional de Cultura, a exemplo do SUS. São elas:
a) Adesão das cidades ao Sistema Nacional de Cultura;
b) Plano Municipal de Cultura, com objetivos, metas e indicadores para os próximos 10 ou 20 anos;
c) Criação, fortalecimento e
democratização dos Conselhos Municipais de Cultura (e criação de
conselhos por subprefeituras, quando houver);
d) Criação do Fundo Municipal de Cultura (com dotação orçamentária própria e repasse de recursos por editais públicos);
e) Fortalecimento da capacidade de
gestão e formulação das Secretarias de Cultura (ampliação orçamentária e
concurso público para quadro funcional especializado);
f) Sistema de Informações e Mapeamento Cultural;

E para os candidatos a vereador, fica a sugestão para abraçarem as leis Cultura Viva e Griô, ora em tramitação no Congresso Nacional e que também podem ser adaptadas à legislações municipais. Além da Carta Compromisso com a Cultura, que deveria ser assinada por todo candidato ou candidata que percebe na Cultura a potência de seu povo.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

“O Brasil é afetivo, encantador, violento e tenebroso”

Para
Maria Rita Kehl, o importante é que quem está se mobilizando tenha
inteligência política suficiente para saber que pontos políticos podem
mobilizar

Fonte: Brasil de Fato



26/12/2011
Áurea Lopes
de São Paulo (SP)

Dois pesos: a psicanálise e o jornalismo. Foi a partir dessa parruda
união de forças e percepções que Maria Rita Kehl produziu as crônicas de
sua mais recente obra, entre muitos escritos em outros livros e jornais
– incluindo o artigo que resultou na escandalosa suspensão de sua
coluna no jornal O Estado de S. Paulo por ter defendido políticas do
governo Lula, quando o jornal (que faz campanha contra a censura)
apoiava o candidato à presidência José Serra.
“Eu até gostaria de fazer crônicas mais literárias, mas os temas da
atualidade acabam me roubando… e é pra isso que eu vou”, diz a
intelectual, que nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato fala
sobre “as dores do Brasil”, eixo agregador dos temas abordados em “18
crônicas e mais algumas”, publicação da Boitempo Editorial lançada em
novembro.
Indignada com o descaso dos governos e a indiferença da população diante
das mazelas sociais (“restos não resolvidos de 300 anos de
escravidão”), Maria Rita fala sobre o engajamento dos jovens nas lutas
populares (“ainda é pouco”), a violência policial (“resultado de uma
ditadura que termina impune”) e afirma que os recursos para aplacar as
dores do país estão na militância: “É hora de fazer política”.
Brasil de Fato – Uma frase que do seu último livro que chamou
muito a atenção e teve grande repercussão foi “O Brasil dói”. A pergunta
inevitável é: quais as dores do Brasil que você considera mais
preocupantes?

Maria Rita Kehl – Bem, não que seja uma frase genial,
ao contrário, acho até banal. Mas talvez tenha chamado tanto a atenção
porque corresponda ao sentimento de muita gente. A dor que o Brasil
sente eu já intuía, mas aprendi com o meu ex-companheiro, o historiador
Luís Felipe Alencastro, que é um estudioso da escravidão no Brasil. Uma
parte do que se chama de um difuso mal estar tem a ver com os restos não
resolvidos politicamente de 300 anos de escravidão. Quer dizer, não há
explicitamente uma política de segregação no Brasil, mas nunca houve uma
abolição, de fato. A abolição se deu porque economicamente o sistema já
estava falido.
A escravidão acabou assim, com miséria, com os escravos chutados dos
lugares, ganhando subsalários. Mas não houve nada para proteger essas
populações, que foram jogadas nas ruas, sem trabalho, sendo tratadas do
mesmo jeito que antes porque a cor da pele não muda… e marcou durante
décadas os escravos. Demorou muito para o negro ser visto como um
trabalhador livre, como qualquer outro. E mesmo hoje, acho importantes
as políticas públicas feitas no governo Lula e no governo Dilma, mas
embora não haja preconceito explícito, que agora é ilegal, há, sim,
diferenças.
Outra coisa que dói, para pegar aquilo que me atinge, é a forma como a
ditadura militar acabou. Igualzinho. De repente acabou, porque estava
inviável mesmo… e não tem reparação, não tem investigação, julgamento
de quem torturou, de quem matou… crimes de Estado ficaram impunes.
Hoje há um movimento mais importante para tentar fazer alguma coisa, com
muito esforço, conseguiu- se uma tímida comissão da verdade. Mas a
indiferença da população é enorme. E dói também o desamparo de uma parte
da população, quando tem inundação, quando desaba um morro… e você vê
o modo como a verba pública é desviada, os mistérios não cumprem suas
funções…. é isso que dói.
Como essas “dores” atingem, em particular, os jovens? Quais as
perspectivas de futuro para que as novas gerações mudem esse cenário? O
acesso à educação aumentou, mas e as oportunidades de trabalho?

Pelo que eu vejo nas minhas viagens pelo país, o ProUni (Programa
Universidade para Todos) – que foi tão criticado, as pessoas diziam que o
governo estava fazendo a privatização do ensino, o que não é – abriu
uma perspectiva enorme. Em 2008, por exemplo, eu viajei por uma região
do rio São Francisco. Todo mundo que a gente conversava tinha um parente
na universidade ou estava na universidade. Isso quer dizer que o cara
vai ser um doutor, contratado por um alto salário de uma companhia? Não.
Mas significa que a visão de mundo dele vai melhorar, o status dele
para emprego vai melhorar. Se vai ter emprego, ou não, não dá pra saber.
E o mais importante é que isso revela um interesse desse jovem pelo
estudo. Eu lembro, em Barra de São Miguel (AL), o garçom dizendo “eu
quero estudar história e meu irmão, filosofia”. O que isso vai melhorar
na renda dele de garçom? Não tão grande coisa. Mas a visão de mundo será
outra. Então, eu acho que melhorou, mas ainda falta muito.
Como você a participação política dos jovens, hoje?
Acho que hoje há um distanciamento. Como havia antes. Na época da
ditadura, a gente pensava que todo mundo estava dentro porque a gente
estava dentro. Mas era uma minoria de estudantes, uma minoria de
militantes. Eu acho, por exemplo, que o MST é o único movimento que
atrai os jovens, hoje, inclusive os de classe média. Os partidos não
atraem, a política não atrai, a política estudantil está tendo agora um
crescimento, que eu acho importante, mas está minguada, comparando-se ao
que já foi. Então, tem gente que diz que o jovem de hoje não está
interessado em mudar o mundo. Não parece. Uma porção de jovens de classe
média apoia o MST, milita, vai trabalhar lá… até mora embaixo da lona
preta.
É como na minha geração. Claro, os estudantes estavam nas ruas… mas
quem foi lutar? Uma minoria. As pessoas estavam adorando que o Brasil
estava se tornando uma sociedade de consumo. A grande maioria, enquanto
teve o milagre brasileiro, estava indo para os shoppings.
Talvez o que aconteça hoje, como não existe a ditadura, é que os jovens
se envolvam em vários tipos de militância. A militância ecológica agrega
muita gente. E não que eles tenham uma visão de esquerda,
anticapitalista, revolucionária… talvez não tenham. Mas eles estão
interessados na discussão política do meio ambiente. Porque está mais
perto, é mais fácil de compreender, exige menos debate teórico, não sei
por quê… mas esse é um campo de militância do jovem. Assim como as
lutas pelos direitos individuais, antirracistas, por reconhecimento de
homossexuais… Agora, essas lutas são fáceis do capitalismo absorver. A
luta anticapitalista no Brasil ainda é confusa. O MST é uma exceção.
Nessa crise, por exemplo, um grupo de estudantes acampou no Anhangabaú
(Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo), tentando fazer algo como o
que aconteceu em Wall Street, nos Estados Unidos. Mas aqui não tem
efeito nenhum. Basta a imprensa ignorar e a polícia intimidar que o
assunto não existe.
E não precisa muito para a polícia, principalmente a de São Paulo, “intimidar”. O que significa: partir para a pancadaria?
Olha, não existe mais um Doi-Codi aqui em São Paulo. Mas a polícia
paulistana é tão violenta quanto. Mata, tortura e há uma indiferença da
sociedade em relação a isso. Esse movimento que houve agora na USP não
era, como muitos colunistas de jornal falaram, um movimento de
jovenzinhos mimados. Eles estão lutando contra a falta de direitos. É
confuso, evidente, porque não ter polícia no campus é controverso, pois
teve até assassinato lá… Mas a questão é o modo como a polícia age.
Não tem uma passeata que não seja dissolvida com porrada, gás de
pimenta, cassetete… São Paulo, nesse ponto, é o estado mais
conservador do país. E o que me assusta é que a violência é grave e a
sociedade fica indiferente. No período militar, tinha uma parte da
população que era indiferente também. Tinha uma parte que até apoiava a
violência, achava ótimo que apanhassem os comunistas. Mas também tinha
uma parte que não apoiava a violência, que não estava indiferente, mas
que tinha medo. Hoje não é pra ter todo esse medo de se manifestar. Tudo
bem, a polícia pode chegar, jogar gás de pimenta… mas pouca gente se
manifesta. Na última passeata na avenida Paulista, não sei se foram uns 3
mil estudantes, mas é pouco. Podia ter uma passeata de 50 mil.
A violência – e a indiferença da sociedade – são mais marcantes no campo, onde a luta de classes é mais selvagem?
A região do agronegócio é um assunto à parte. No livro O que resta da
ditadura, uma série de ensaios publicados pela editora Boitempo – esse
livro vale ser citado, o leitor que puder deve ler – faz uma análise
exatamente disso. Como uma ditadura que termina sem nem um tipo de
investigação, de punição, deixa muitos restos. Tem um dado de uma
pesquisadora estadunidense que diz que o Brasil, de todos os países que
passaram por uma ditadura na América Latina, é o único onde a violência
policial aumentou, em vez de diminuir. Só que não é mais contra
estudantes, não é mais contra supostos subversivos… é contra pretos,
pobres, favelados, contra gente fumando maconha, é o cara do exército
que se acha desacatado pelo menino do morro…
A violência de classe no Brasil sempre existiu. Sérgio Buarque de
Holanda nos mostrou o que os donos dos escravos faziam dentro de suas
terras, por conta própria, a crueldade com os escravos… e a polícia
não entrava. O fazendeiro, o senhor de engenho, dentro do seu pequeno
feudo, fechado, era rei, policial, juiz. E o Estado não invadia, por uma
questão de conluio. O pacto de classes no Brasil colonial e
pós-colonial permitia, por exemplo, que o pai de família rural prendesse
a filha desvirginada no quarto pro resto da vida… Sem falar nas
revoltas populares que foram massacradas durante o período
pré-independência. E a gente aprende na escola que a independência se
deu sem sangue, dom Pedro lá, bonitinho, no cavalo… Por isso que eu
coloquei no meu livro que o Brasil é afetivo, encantador, violento,
tenebroso.
A que causas você atribui o aumento da violência?
Eu não sei analisar se a violência está aumentando. O que me preocupa
mais, como disse, é a indiferença das pessoas em relação à violência. O
que talvez esteja mais acentuado, e eu acho que isso tem a ver com os
apelos da sociedade de consumo, é a violência dita banal. A violência
que tem a ver com o jovenzinho que para no farol e começa a disputar com
o outro quem põe o som mais alto, e acaba em racha, e acaba em tiro… e
atropela gente que não tem nada a ver com isso. A violência do sujeito
que acha que para se incluir tem de ostentar algum tipo de poder que lhe
é conferido por uma mercadoria. Então ele pode matar para roubar um
tênis, ou, quando ele consegue um carro, tem que ir até o limite de
velocidade e arrisca as pessoas, não agüenta um pequeno confronto de
trânsito e já sai para brigar. É o modo como nós estamos cada vez mais
definindo quem nós somos, a nossa qualidade humana, pelas mercadorias e
as disputas que isso promove.
E olha que interessante… no tempo do império, a segregação pelos
signos de poder era tremenda. A roupa que cada um podia usar, o tecido
que podia comprar, se andava de carruagem ou de cavalo… Ou seja, a
segregação pelo que você pode ter existe em toda sociedade de classes. E
talvez já tenha sido até mais forte. Muito poucos podiam ostentar ou
desfrutar de benefícios e privilégios e a maioria não desfrutava nem de
direitos. Os direitos estão se expandindo.
Inclusive o direito a integrar a sociedade de consumo.
Isso é curioso. Há um ponto includente, na sociedade de consumo. Por
exemplo, a não ser que seja um garoto que só compra roupas de marcas
importadas, não tem muita diferença entre o que usa um filho de família
de classe média e o filho da empregada dessa família. Essas evidências
eram muito mais fortes antes, havia menos mercadoria quando as roupas
eram muito caras. Talvez por isso é que as pessoas briguem com mais
violência por aquilo que as distingue. O filhinho de papai porque tem
outro cara com um carrão e ele quer se sobressair. Ou o jovem de classe
C, que pode comprar seu primeiro carro, e de repente acha que pode sair
perseguindo os outros… Eu digo carro porque, dentro da sociedade de
consumo, a propaganda de carro eu acho um horror! Na propaganda de
bebida, o máximo que pode ter de segregação é: você comprou a marca X
porque não sabia que a marca Y era melhor, então você é um otário. Mas a
cerveja qualquer um tem dinheiro pra comprar. Agora, o carro… o cara
passa com o carro e todo mundo fica babando a pé… o flanelinha disputa
com o outro o direito de guardar o carro do playboy… o cara adora
provocar inveja… o carro lhe basta, o mundo pode estar caindo lá
fora… é o máximo da convocação para você não ter nenhum tipo de
solidariedade com ninguém.
Uma apologia ao individualismo? E, daí, a indiferença em relação ao coletivo?
Um pouco isso. Mas temos de ver que o individualismo tem suas vantagens.
Por isso eu não usei essa palavra. Por exemplo, o individualismo que
tem a ver com liberalismo eu acho que traz ganhos mesmo na sociedade
pós-capitalista, que eu não vou chamar de comunista, mas talvez de
socialista, no sentido amplo. Eu espero que esses direitos individuais
não se percam. Nós, que somos mulheres, sabemos os ganhos que tivemos
com o individualismo. Que cada um possa escolher seus destinos, que cada
um possa fazer suas opções sexuais, decidir se vai formar família ou
não, que se possa ser mãe solteira, ser mãe por inseminação artificial,
não ser mãe… sem ser a escória da sociedade! Que gente rica possa
escolher trabalhar com o MST ou ir para comunidades indígenas na
Amazônia. A riqueza das diferenças individuais é um ganho do capitalismo
liberal, que a gente chama de individualismo. Ao mesmo tempo, o
individualismo é nefasto quando lança as pessoas em uma luta de todos
contra todos.
Os brasileiros e a sociedade brasileira têm recursos para trabalhar as “dores” do Brasil?
Sim, sem dúvida. Políticas públicas são saídas possíveis, mas precisa
haver movimento social que pressione por essas políticas. Uma coisa que
talvez tenha sido um problema no governo Lula é que muita gente que se
mobilizava até então se sentiu assim: “ah… conseguimos eleger o Lula e
as coisas vão acontecer”. Houve uma desmobilização e o próprio estilo
de governar do Lula contribuiu para isso. “Deixa que eu cuido… calma,
gente, as coisas não podem ser tão rápidas…” Esse estilo de governar
eu acho um problema, politicamente. Embora ele tenha sido um grande
governante do ponto de vista administrativo. Mas, politicamente, ele se
colocar como um “pai” – aí vem aquela história… a gente não pode
sempre dizer sim para os filhos. Enfim, ele ajudou muito a desmobilizar.
Tudo bem, o papel dele não era mobilizar. Mas era acolher a
mobilização. E tem também o crescimento econômico, que desmobiliza.
Houve a inclusão econômica de muita gente, pelo menos da classe C, que
contribuiu também para desmobilizar. As pessoas se interessam menos
pelas outras lutas na hora em que elas começam a ter oportunidades
individuais. Começam a cuidar de suas vidas, a fazer suas revoluções
individuais. De um modo geral, as pessoas lutam muito pouco por
idealismo. E, na maior parte das vezes, só quando a água bate no
pescoço. Aí é que acontece a grande luta. O importante é que quem está
se mobilizando tenha inteligência política suficiente para saber que
pontos políticos podem mobilizar, como é que se dialoga com a sociedade
mobilizada. Para articular, para angariar aliados. Senão ficam pequenos
guetos de manifestações que ou são reprimidos ou não falam com ninguém. A
questão toda, na essência, é fazer política.

Serviço
Título: 18 crônicas e mais algumas
Autora: Maria Rita Kehl
Editora: Boitempo Editorial
Páginas: 160
Preço: R$ 30,00

Dois Pesos
(Trecho do artigo que causou o cancelamento da coluna de Maria Rita Kehlno jornal O Estado de São Paulo)
“Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu
que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta
apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos
instruídos pensavam nos interesses do país. Jaguaribe só não explicou
como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se
preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio
contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser
desqualificado como pouco republicano. Agora que os mais pobres
conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da
dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas
locais pelo interior do país, dizem que votar em causa própria não
vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos
mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos
que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de
seus votos.”

Trechos do livro

Os vira-latas do Bumba

“No morro do Borel, 150 pessoas – somente desabrigados e seus
familiares– fazem protesto contra a precariedade de sua condição e
exigem a presença do poder público. Manifesto do Comitê de Mobilização e
Solidariedade das Favelas de Niterói critica a especulação imobiliária
que expulsa as famílias pobres dos bairros para as encostas e contribui
para a deterioração do meio ambiente. E exige ‘… compromissos com os
problemas públicos, que nos respeitem como cidadãos e seres humanos’.
Não faltarão autoridades para acusar os poucos que se mobilizam para
protestar de politizarem a questão. Uai: mas a questão não é política?
Querem que acreditemos que viver sobre um velho lixão (há 17 mil pessoas
emc ondições semelhantes na Grande São Paulo) é uma situação…
natural? Nós somos os derrotados que não conseguem chorar. Vivemos,
todos, sobre uma espécie de lixo mal soterrado. Antigamente se chamava
entulhoautoritário. Somos o cachorrinho do morro do Bumba, salvos por um
triz, sem entender o que temos a ver com aquela bagunça toda.”
Tortura, por que não
“Encaremos os fatos: a sociedade brasileira não está nem aí para a
tortura cometida no país, tanto faz se no passado ou no presente. Pouca
gente se manifestou a favor da iniciativa das famílias Teles e Merlino,
que tentam condenar o coronel Ustra, reconhecido torturador de seus
familiarese de outros opositores do regime militar. Em 2008, quando o
ministro da Justiça Tarso Genro e o secretário de Direitos Humanos Paulo
Vanucchi propuseram que se reabrisse no Brasil o debate a respeito da
(não) punição aos agentes da repressão que torturaram prisioneiros
durante a ditadura, as cartas de leitores nos principais jornais do país
foram, na maioria, assustadoras: os que queriam apurar os crimes foram
acusadosde ressentidos, vingativos, passadistas. A culpa pela ferocidade
da repressão recaiu sobre as vítimas.”
Tristes trópicos
“A concentração de terras e a produtividade do agronegócio, boas para
enriquecer algumas poucas famílias, não são necessárias para o aumento
da riqueza ou para sua distribuição no campo. Nem para alimentar os
brasileiros. A agricultura familiar – pasmem: emprega mais, paga melhor e
produz mais alimentos para o consumo interno do que o agronegócio.
Verdade que não rende dólares, nem aos donos do negócio nemaos lobistas
do Congresso. Mas alimenta a sociedade. Vale então perguntar quantos
brasileiros precisam perder seus empregos no campo, ser expulsosde seus
sítios para viver em regiões já desertificadas e improdutivas,quantas
gerações de filhos de ex-agricultores precisam crescer nas favelas,
perto do crime, para produzir um novo-rico que viaja de jatinho e manda a
família anualmente pra Miami. Quanto nos custa o novo agromilionário
sem visão do país, sem consciência social, sem outra concepção política
senão alimentar lobbies no Congresso e tentar extinguir a lutados
sem-terra pela reforma agrária”

 

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Escola dos meus Sonhos – Frei Betto

Na
escola dos meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar,
consertar eletrodomésticos, a fazer pequenos reparos de eletricidade e
de instalações hidráulicas, a conhecer mecânica de automóvel e de
geladeira e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e
oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam
na orquestra. Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de
lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais,
repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim aprendem como a
cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões que, à
superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança,
informação e alimentação.
Não
há temas tabus. Todas as situações-limite da vida são tratadas com
abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte,
enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o
texto dentro do contexto: a Matemática busca exemplos na corrupção dos
precatórios e nos leilões das privatizações; o Português, na fala dos
apresentadores de TV e nos textos de jornais; a Geografia, nos
suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a Física, nas
corridas de Fórmula-1 e nas pesquisas do supertelescópio Huble; a
Química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a História, na
violência de policiais contra cidadãos, para mostrar os antecedentes na
relação colonizadores – índios, senhores – escravos, Exército – Canudos,
etc.
Na
escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os
professores de Biologia e de Educação Física se complementem; a
multidisciplinaridade faz com que a História do livro seja estudada a
partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz
aulas de meditação e dança e associa a história da arte à história das
ideologias e das expressões litúrgicas. Se a escola for laica, o ensino
religioso é plural: o rabino fala do judaísmo, o pai-de-santo, do
candomblé; o padre, do catolicismo; o médium, do espiritismo; o pastor,
do protestantismo; o guru, do budismo, etc. Se for católica, há
periódicos retiros espirituais e adequação do currículo ao calendário
litúrgico da Igreja. Na escola dos meus sonhos, os professores são
obrigados a fazer periódicos treinamentos e cursos de capacitação e só
são admitidos se, além da competência, comungam os princípios
fundamentais da proposta pedagógica e didática. Porque é uma escola com
ideologia, visão de mundo e perfil definido do que sejam democracia e
cidadania. Essa escola não forma consumidores, mas cidadãos.
Ela
não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos
de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A
publicidade do iogurte é debatida; o produto adquirido; sua química,
analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as
incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à
saúde. O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de
vida subjacente, a visão de felicidade, a relação animador-platéia, os
tabus e preconceitos reforçados, etc. Em suma, não se fecham os olhos à
realidade, muda-se a ótica de encará-la. Há uma integração entre escola,
família e sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina
obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil são
levadas a sério e, um mês por ano, setores não vitais da instituição são
administrados pelos próprios alunos. Os políticos e candidatos são
convidados para debates e seus discursos analisados e comparados às suas
práticas.
Não
há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla
escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor
de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras),
no dia da prova sobre a Independência do Brasil, os alunos traziam para
a classe a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os
textos, aprendendo a pesquisar. Não há coincidência entre o calendário
gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou
em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e seus
recursos. É mais importante educar do que instruir; formar pessoas que
profissionais; ensinar a mudar o mundo que ascender à elite. Dentro de
uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos
cuidados com nossa unidade corpo-espírito e o enfoque curricular
estabelece conexões com o noticiário da mídia.
Na
escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam
pular de colégio em colégio para se poderem manter. Pois é a escola de
uma sociedade em que educação não é privilégio, mas direito universal, e
o acesso a ela, dever obrigatório.
Frei Betto é escritor, autor do romance “O Vencedor” (Ática), entre outros livros.

 terça-feira, 2 de outubro de 2012

A escola é o lugar que atrasa o século 21’

Não importa muito como ela seja chamada: educação 3.0, educação para o
século 21, educação para a vida. Mas a verdade é que muitos educadores
já perceberam que os sistemas educacionais precisarão se adaptar se
quiserem formar alunos capazes de lidar com a quantidade de informação
hoje acessível, hábeis em administrar problemas cada vez mais complexos e
prontos para serem atuantes em um mercado que exige habilidades que não
ensinadas nos livros. Cientes desse descompasso entre o que a escola
oferece e o que o mundo exige, um grupo de especialistas decidiu formar o
Gelp (Global Education Leaders’ Program) para discutir problemas reais de sistemas educacionais espalhados pelo mundo e suas possíveis soluções.
“Não há uma resposta única nem um só modelo a ser seguido”, diz David
Albury, diretor de design e desenvolvimento do Gelp. O britânico, que
foi conselheiro do primeiro-ministro para assuntos estratégicos entre
2002 e 2005, vem conversando com alunos e educadores e conhecendo
modelos em todo o mundo. Diante do que tem visto, Albury encontra três
tendências importantes para a educação do século 21: personalização, aprendizado baseado em projetos e avaliação por performance.

crédito Jeanette Dieti / Fotolia.com

A personalização, explica ele, não quer dizer necessariamente a adoção
de plataformas educacionais on-line, mas a configuração do aprendizado
para necessidades de cada aluno. “A tecnologia é parte essencial nesse
processo, mas não é o processo”, afirma ele. Como exemplo de escola que
desenvolve um ensino personalizado, Albury cita a escola sueca Kunskapsskolan,
em que os alunos desenvolvem, com a ajuda de tutores, seus planos
individuais de estudo adequado às suas paixões e afinidades, com metas
claras, que podem ser acompanhadas ao longo do ano.
O aprendizado baseado em projetos, afirma Albury, tem sido uma escolha
que escolas ou grupos de escolas têm feito para desenvolver habilidades
nos alunos de maneira menos “compartimentalizada”. Nessa abordagem, os
alunos precisam desenvolver um projeto e, durante o processo, aprendem
conceitos das mais diversas disciplinas, trabalham em equipe, tomam
decisão. Apesar de ser uma tendência, diz o britânico, ele não conhece
nenhum sistema público de ensino que use o formato em todas as suas
escolas. “Não precisa ser adotado em sistemas inteiros. Isso pode
acontecer de forma piloto”, afirma. “Não podemos esperar que os sistemas
já comecem perfeitos. Leva tempo para acertar, as pessoas cometem
erros.”
Já sobre as avaliações por performance, afirma ele, surgem na tentativa
de medir e reconhecer habilidades que os testes de múltipla escolha não
conseguem. “Como é que eu avalio se um aluno é criativo? Ou se ele é bom
em resolver problemas da vida real?”, pergunta Albury. Essa questão,
que tem afligido líderes educacionais de todo o mundo, não está
respondida, mas há algumas tentativas, diz o inglês, de usar colegas,
família e comunidade na construção de novas formas de avaliar.
crédito Porvir
Outra realidade que tem se tornado cada vez mais clara é que processos
educativos muito ricos têm ocorrido fora da escola. Albury conta que
esteve em uma reunião com alunos canadenses de 13 anos. Um deles lhe
disse: “Quando eu venho para a escola, eu sinto que eu estou sendo
desempoderado. Fora da escola, eu tenho acesso a várias fontes de
informação. Na escola, eu tenho um professor, um livro, talvez um
computador”. Um colega dele concluiu: “A escola é o lugar que atrasa o
século 21”.
Trazer a educação que ocorre fora da escola para dentro é um desafio a
mais para os professores, que precisam remoldar a forma como lidam com o
ofício. “É também uma questão de identidade dos professores.” Para
tanto, a participação das universidades é fundamental. Nesse quesito,
diz o especialista, a demografia do Brasil é mais favorável do que a de
países europeus, onde há poucos professores se formando e muitos estão
em atividade há muitos anos. “Mais difícil do que aprender é
desaprender”, afirma Albury.
Equipe brasileira
Formado há quatro anos, o Gelp começou com quatro membros: Ontário
(Canadá), Nova York (EUA), Vitória (Austrália) e Inglaterra. No ano
passado, o Brasil passou a fazer parte do Gelp, que hoje já tem 13
membros, entre cidades, estados e países. Entre os representantes
brasileiros estão a Secretaria Municipal do Rio e as estaduais de São
Paulo, Goiás e Pernambuco. Os participantes se encontram duas vezes por
ano e, virtualmente, compõem uma rede com atividades ao longo do ano. Em
novembro, o Rio de Janeiro será anfitrião do segundo encontro de 2012.
Comentário recebido via e-mail
Gostei muito das respostas dos alunos. Quando damos a eles
a fala conseguimos avaliar as mudanças de vários ângulos. Precisamos
acordar e rápido.
Edjane

 sábado, 22 de março de 2008

A Escola fortalecendo a Cidadania Cultural.

* José de Oliveira Santos(Zezito)
Artigo escrito em 2001

Durante
alguns anos como dirigente da Associação dos Moradores do Bairro
América – AMABA, pude estabelecer contato com setores ligados ao
movimento artístico e intelectuais de Aracaju. Esta aproximação se deu
em virtude da necessidade de trabalhar aspectos da cultura, objetivando o
reforço da auto estima da população daquele bairro, tão discriminado
pelos setores dominantes e infelizmente reforçado por uma parcela
bastante ampla dos próprios moradores.

A memória escrita e
fotográfica deste trabalho confirma a realização de diversas oficinas
culturais, exibição de filmes e vídeos e semanas de arte (1987 e 1988). O
sucesso crescente dessas iniciativas vem culminar em 1989, com a
aprovação de auxilio financeiro por parte de duas agências de fomento a
projetos sociais: Cese (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) e Visão
Mundial ao Projeto Reculturarte.

Este, nasceu da reflexão feita
por alguns componentes da AMABA, em conjunto com o Centro Sergipano de
Educação Popular (CESEP), grupos de jovens da Igreja São Judas Tadeu e
posto de extensão da FEBEM, no bairro América.

Enquanto
cidadão (adolescente ainda) me acostumei na freqüencia a espaços
culturais. O fato de ter morado durante muitos anos no Rio de Janeiro,
mais especificamente na baixada fluminense, favoreceu este hábito. Das
melhores coisas me recordo com saudade: das idas inúmeras ao teatro do
SESC e teatro João Caetano, da apresentação de musica clássica do
projeto aquarius, promovido pelo jornal O Globo, a biblioteca nacional, a
cinemateca do MAM, aos shows Primeiro de Maio (inclusive o de 1981 em
que uma bomba explodiu no colo de um militar de direita) etc… Isto
tudo, mesmo morando na periferia e ser aluno da escola publica.

Nesta
ultima situação foram pouco os momentos em que fui estimulado a
prática e a apreciação das diversas formas do fazer artístico. A
lembrança mais forte é a apresentação de “Cinderela” por um grupo de
teatro de bonecos, e de uma aula-espetáculo de um grupo musical,
infelizmente não me recordo do gênero.

Como estudante
universitário (entrei na Universidade Federal de Sergipe – UFS em
1990), no ano em que as atividades culturais estimuladas por aquela
universidade estavam em decadência, ao contrario dos anos anteriores
quando o campus foi um celeiro de artistas para a cultura sergipana,
ainda pude ter o prazer de me deliciar(antes de entrar na universidade)
com a melhor produção da cultura nordestina, através do Festival de
Arte de São Cristóvão, uma das iniciativas mais brilhantes da UFS nos
anos 70/80.

O resultado disto e mais as leituras de alguns
brasileiros, como Darci Ribeiro, apaixonados pelo povo e pela cultura
deste país, é que me tornei um cidadão preocupado e disposto a
enfatizar os aspectos mais significativos da cultura brasileira, como
elemento constitutivo do esforço para a construção de uma sociedade
menos desigual. Segundo Darci:

“Não se tem em nenhum lugar
do mundo uma nação feita com base na miscigenação.(…) A massa
principal dos brasileiros é feita disso. Uma gente de uma beleza
extraordinária, que guarda o patrimônio de talentos corporais do índio e
do negro, a sabedoria imensa do índio sobre a floresta e que guarda do
negro a imensa espiritualidade. Isso dá ao Brasil um élan. É um povo
capaz de fazer coisas incríveis.”
(Entrevista concedida ao Jornal do Brasil)

O
problema é que infelizmente não estamos habituados a valorizar as
nossas raízes negras e indígenas, o que contribui enormemente para um
sentimento de inferioridade em relação aos países europeus e
norte-americanos. Chegamos até a reforçar a idéia de que os motivos do
nosso atraso é exatamente esta herança cultural, há quem afirme ainda
hoje que se o país fosse colonizado pelos ingleses ou franceses
seriamos uma nação desenvolvida, esquecendo que a maioria das
ex-colonias inglesas e francesas tanto na África como na Ásia e na
própria América, estão em condições semelhantes ou piores que as
nossas. È incrível como adoramos falar mal de nós mesmos, segundo o
jornalista Fernando Rosseti:

“Talvez nenhum outro país tenha
uma falta de auto-estima tão grande. Ignorante, despreparado,
analfabeto são adjetivos suaves com que o brasileiro se autoclassifica. O
preconceito é ainda mais forte nas classes média e alta, que fazem
questão de reafirmar constantemente sua superioridade em relação ao
“povão”(…) Se o bate-papo for entre professores ou educadores, o
amargor não tem limites: “Os alunos não querem nada”, “Esse povo não se
interessa por Educação”. Não faltam críticas nem mesmo aos professores
“despreparados”, “desinteressados”.

Uma das lembranças mais
fortes do preconceito contra as raízes culturais negras é a das criticas
feitas aos cariocas e baianos justamente aqueles que trazem no corpo,
nos ritmos, na devoção aos orixás as marcas mais fortes da
ancestralidade africana. Lembro da imagem de “irresponsável”,
“festeiro”, “malandro” com a qual o baiano é estigmatizado pelo
sergipano, da mesma forma como o carioca o é pelo paulista.
Isso se
repete também em relação as áreas de moradia, como no Brasil Colonial, a
“casa grande” de hoje, que são os bairros da zona sul referem-se aos
bairros da “periferia”, que são as senzalas de hoje com os adjetivos
mais desqualificados.

No entanto, é da periferia ou das
“senzalas” de hoje, que vemos surgir os principais responsáveis pela
nossa alegria nas tão aguardadas noites de sábado, quando nos dirigimos
para os bares ou casa de shows, ou nas jovens tardes de domingo quando
nos sentamos junto ao sofá, para ver o Faustão ou o Gugu ou para ouvir
os cds dos grupos de pagode, reggae, rap ou os artistas da MPB.

E
a alegria não é só nossa é também dos moradores dos morros, das
favelas, das “baixadas fluminenses” espalhada pelo Brasil afora, quando
assisto ou ouço o grupo Cidade Negra, como é bom ver gente do lugar
onde morei e com o qual me identifico fazendo bonito no Brasil e no
mundo. É bom se ver num espelho que apresente os descendentes dos
negros e dos índios como seres capazes de criar beleza mostrando a
outra cara de um mundo onde dizem, só tem violência e miséria.

E
a escola pública, como se tem posicionado diante disto tudo? Muitos
professores são originários da classe média, o pensamento de uma parcela
significativa reproduz a visão preconceituosa e elitista da classe
dominante, o mesmo se sucede com a maioria dos pais e alunos que tem
vergonha do que são e do lugar onde moram. Além dos meios de
comunicação, outro responsável por tudo isso e a própria escola que tem a
sua estrutura de gestão e currículos organizados de forma ultrapassada e
não condizente com o atual estagio de desenvolvimento da sociedade.

É
bem verdade que alguma coisa mudou, em passado não tão distante, os
livros didáticos de Historia apresentavam os índios como preguiçosos
pela recusa em se deixar explorar, para o enriquecimentos dos
portugueses.

Quanto aos negros, nunca houve e ainda não há
preocupação com o estudo sobre o continente africano. Sobre Zumbi e a
luta dos quilombos somente há poucos anos é dado algum destaque. A
propósito da capoeira, só uma citação como traço de uma herança
cultural, estimular e apoiar a prática nem pensar. Se não fosse o
movimento de conquista do espaço escolar vindo de fora para dentro da
escola, dificilmente teríamos algo semelhante em termos de dança afro
dentro das unidades de ensino. O reggae e o rap, duas importantes
formas de expressão cultural dos jovens negros da periferia, passam bem
distante da preocupação da maioria dos profissionais da educação.

Apesar
disso, ainda bem que alguns sinais positivos de uma mudança de caminhos
já começam a se fazer notar . Na década de 90, do século passado, a
perspectiva de abordagem da escola como um espaço sociocultural e os
sujeitos que nela atuam como portadores de diferentes identidades,
assume uma dimensão maior. Acredito que desta maneira a escola se
encontra em condição de um diálogo mais profícuo e duradouro com aqueles
que as freqüentam.

Assumindo com vontade e decisão este papel,
aquilo que tem chegado com maior intensidade para dentro da escola que é
a violência física, poderá ser atenuada quando as causas forem
discutidas e reapresentadas em forma de ações educativa, que certamente
terão na arte um canal privilegiado. Uma experiência realizada em
Salvador merece ser apresentada para dar uma idéia bem real de como esta
mudança pode ser operada:

“Afinal, quem é a escola senão
as pessoas que a compõem? Cadeiras e carteiras quebradas. Alunos
desinteressados. Paredes riscadas. Professores atrasados, desanimados.
Janelas sem vidro. Banheiros sem pias. Este cenário é familiar para
você? Provavelmente, sim. É comum para milhares de escolas espalhadas
pelo Brasil afora.


Na Bahia também. Lá, porém, esse quadro que
mais parece uma praça de guerra depois da batalha, mas que na verdade é
uma escola, virou pano de fundo para uma história de amor. A história de
Ritinha e Sinval. Ela é representante de classe, boa aluna. Ele, o
bagunceiro, da turma do fundão. Os dois, tão diferentes, se apaixonam. E
começam a construir um presente diferente: junto aos amigos, aos
professores, a cadeiras, carteiras, paredes, janelas, enfim, à escola.


A
história de Ritinha e Sinval é ficção. É o enredo da peça Cuida Bem de
Mim, a partir do projeto Quem Ama Preserva. O projeto é uma parceria do
Liceu de Artes e Ofícios e da Secretaria de Educação da Bahia, que
desenvolveu oficinas de teatro com 570 alunos e 310 professores da rede
pública de ensino baiana sobre a depredação das escolas.


Depois
do trabalho com estudantes e educadores, foi escrito o texto da peça. Os
autores Luiz Marfuz e Filinto Coelho têm longa experiência em teatro.

Marfuz
conta que, antes das oficinas, sua idéia de escola se resumia ao espaço
físico das salas de aula e corredores. Com a experiência, percebeu que o
problema era mais profundo. Incluía a destruição institucional da
escola, das relações pessoais, dos papéis mal desempenhados por
diretores que não dirigem, professores que não ensinam e alunos que não
aprendem.


È uma situação que se repete em cada sala de aula do
Distrito Federal, no Rio, em São Paulo, em Minas, no Rio Grande do Sul,
no Ceará, no Pará e na Bahia falta então transformar a história de
Ritinha e Sinval em realidade. Falta fazer baile, fazer música, fazer
teatro, fazer arte, fazer jornal na escola. Fazer do quebra-quebra, do
descaso, do desinteresse uma história de amor. Quem se habilita?”

Sem
dúvida o processo de mudanças desencadeado por esta postura levará a
transformação da visão do mundo de todos os sujeitos envolvidos.
Inclusive o preconceito contra a população da periferia e a baixa
auto-estima dos moradores. Da mesma forma como o comportamento dos
alunos também será afetado de forma positiva, assumindo posturas de
maior diálogo e cooperação com colegas e professores com reflexos,
inclusive, na melhoria dos indicadores de aprendizagem. Embora o
caminho para chegar até lá seja árduo e longo.

Lorene dos Santos,
em sua dissertação de mestrado sobre a mudança do currículo de
História, na perspectiva abordada acima, destaca o seguinte:

“A
idéia de que a história deveria promover um diálogo entre diferentes
culturas / temporalidades, num contraponto permanente entre presente /
passado, também parte da perspectiva de que é pela contraposição com a
diferença que se constrói a identidade. Além disso, a idéia de se
trabalhar com a realidade vivenciada cotidianamente, problematizando-a,
buscando compreendê-la a partir de sua historicidade, seria uma forma de
resgatar as várias dimensões de identidade das quais os sujeitos da
aprendizagem são portadores. Nesse sentido, questões relativas a gênero,
etnia, faixa etária e tantas outras, parecem encontrar, no ensino da
história, um campo fértil para a sua problematização.”

No
entanto, existe um sério obstáculo para isso se tornar possível, citando
outro autor Lorene dos Santos apresenta a seguinte questão:

“…os
professores alegam pouco preparo para abordar questões que tratam de
discriminação, preconceito, diferenças culturais, em sala de aula. Uma
pesquisa, efetuada com docentes da área de História, Estudos Sociais,
mostrou que a falta de formação e informação é apontada como um dos
principais obstáculos para abordar esses temas. (PINTO, 1993: 44)”

Embora
a citação privilegie a disciplina História, por se tratar de um estudo
sobre o ensino desta matéria na rede escolar de Belo Horizonte, é
evidente que todos os aspectos relacionadas a questão da identidade
(gênero, etnia, faixa etária, religião) diz respeito a todas as outras
disciplinas.

Para o professor e/ou estudante interessados em
tornar a escola um espaço de criação e liberdade, lugar onde a diferença
seja conhecida e valorizada, as alianças para tornar realidade este
desejo parecem fortalecidas. Digo “parecem” porque, infelizmente, na
maioria das vezes, aquilo que representa um avanço em termos de
legislação e de documentos oficiais não é assumido de forma efetiva
pelos estratos mais baixos da hierarquia do poder. Basta lembrar da
ausência de uma proposta permanente de atualização, para os professores
da rede publica de ensino em nosso estado, visando suprir as demandas
colocadas que colocamos em destaque A Lei de Diretrizes e Bases, entre
outros exemplos, destacamos o Art. 26 § 4º.

“O ensino da
História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes
culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das
matrizes indígena, africana e européia.”

Este ponto de vista é fortalecido pelo tema transversal “Pluralidade Cultural” contido nos documentos dos PCNs:

“Para
viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar e
valorizar a diversidade étnica e cultural que a constitui. Por sua
formação histórica, a sociedade brasileira é marcada pela presença de
diferentes etnias, grupos culturais, descendentes de diversas
nacionalidades, religiões e línguas.(…) Essa diversidade etnocultural
freqüentemente é alvo de preconceito e discriminação, atingindo a escola
e reproduzindo-se em seu interior. A desigualdade que não se confunde
com a diversidade, também está presente em nosso país como resultado da
injustiça social. Ambas as posturas exigem ações efetivas de superação”.

E
é neste sentido que propomos o projeto “Circuito Cultural Arte e
Cidadania nas Escolas” que objetiva formar núcleos de cultura e
cidadania para contribuir para que os anseios de uma escola mais
inclusiva, plural e prazerosa se torne realidade, contribuindo para que
as distancias entre as palavras e os atos sejam abreviadas o mais
rapidamente possível, para o bem de todos e felicidade geral da nação.
* É Professor de Historia e Educador Popular

 
PROGRAMA SALTO PARA O FUTURO – TV ESCOLA.

FORMAÇÃO CULTURAL DE PROFESSORES – PGM.1 – QUESTÕES TEÓRICAS – AQUI


 Sinopse

Aborda uma questão que se apresenta quando são discutidos os
saberes necessários à docência: além dos conteúdos específicos de sua
disciplina, é fundamental que o professor tenha parâmetros estéticos
mais amplos e, para isto, é importante que ele tenha uma sólida formação
cultural.


SALTO PARA O FUTURO – FORMAÇÃO CULTURAL DE PROFESSORES – PGM.2 – CULTURA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES. AQUI


 SALTO PARA O FUTURO – FORMAÇÃO CULTURAL DE PROFESSORES – PGM.3 – EXPERIÊNCIAS ESTÉTICAS E LINGUAGENS ARTÍSTICAS – AQUI


SALTO PARA O FUTURO – FORMAÇÃO CULTURAL DE PROFESSORES – PGM.4 – OUTROS OLHARES – AQUI 


 SALTO PARA O FUTURO – FORMAÇÃO CULTURAL DE PROFESSORES – PGM.5 – DEBATE – AQUI

Fórum de Ciência e Cultura (FCC)

O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) visa promover o debate dos estudos
referentes ao progresso dos vários setores do conhecimento. É também
seu propósito a difusão científica e cultural do patrimônio histórico,
cultural, artístico e da natureza brasileira, além da preservação e
expansão do mesmo. Para alcançá-los, a atual gestão (2011-2014) – sob a
Coordenação do professor Carlos Vainer – retoma, de forma mais
sistemática, consistente, coletiva e institucional, a discussão acerca
da formulação e implantação de uma política cultural para a UFRJ que
busque contemplar, de maneira abrangente e articulada, as áreas de
produção e difusão cultural, artística e científica, bem como de museus,
acervos e patrimônio.
Assim, de agosto a novembro de 2012 a comunidade acadêmica pôde participar dos debates promovidos pelo seminário Você faz Cultura – Por uma Política Cultural, Artística e de Difusão Científico-Cultural da UFRJ.
O evento reuniu cerca de 500 participantes e recolheu 160 propostas que
ajudaram a formatar o documento final que será encaminhado ao Conselho
Universitário (Consuni) para aprovação em fevereiro de 2013. A
Coordenação do FCC considerou o Seminário uma rara possibilidade de
resgate e articulação da reflexão amadurecida ao longo de anos para a
construção de uma política cultural para a UFRJ, afora a oportunidade de
elaboração conjunta de estratégias de difusão do conhecimento mais
ousadas, organizadas, críticas e transformadoras.
As determinações do Fórum de Ciência e Cultura têm como referência
iniciativas similares na UFRJ, em particular a que deu origem ao
documento Cidade Universitária, Cidade do Conhecimento – Uma
Proposta de Política Cultural, Artística e de Difusão
Científico-Cultural para o Plano Diretor UFRJ 2020
, relatório preliminar do Subcomitê Cultura e Museus, de 20 de março de 2009, aprovado pelo Consuni em novembro de 2010.

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Panorama IPEA – Cultura e Educação nas Escolas.

Assista AQUI 

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Site mapeia iniciativas educativas perto de escolas


Fonte: Site Catraca Livre

Do Redação Na Rua em 26/10/12
Por Marjorie Ribeiro, do Portal Aprendiz
Se a formação de um indivíduo extrapola os limites da
escola, como identificar os espaços culturais e educativos de uma
comunidade para que eles se articulem, potencializando as práticas de
educação formal? O CulturaEduca.cc nasce para ajudar a localizar e a integrar essas iniciativas.
A plataforma vai mapear os entornos de 15 mil unidades educacionais
da rede pública que integram o programa Mais Educação, do governo
federal, que apoia financeiramente as escolas que queiram ampliar não
apenas o tempo de permanência dos alunos na sala de aula, mas as suas
oportunidades de aprendizagem. O projeto está sendo desenvolvido pelo
Instituto Lidas, em parceira com o Ministério da Cultura (MinC) e
Ministério da Educação (MEC).
Por meio de uma tecnologia de georreferenciamento está sendo
construída uma ferramenta on-line que agrega dados de pontos de cultura,
bibliotecas, teatros, museus, centros culturais, além de equipamentos
públicos de saúde, esporte e assistência social. A presidente do
Instituto Lidas, Inaê Batistoni, explica que o objetivo é cruzar esse
conjunto de informações oficiais com a percepção subjetiva dos próprios
moradores e dos sujeitos das ações.
Plataforma colaborativa
“A rede será alimentada colaborativamente, ou seja, o usuário poderá
cadastrar livremente iniciativas como o sarau do Zezinho, que não está
na base de dados oficiais”, afirma. Com isso, o trabalho pretende
valorizar o saber popular no processo de ensino-aprendizagem que, para
ela, muitas vezes é ignorado pela educação formal.
Serão mapeados os entornos das escolas, em um raio que varia de 2km a
5km, de acordo com a base censitária de cada região – a área delimitada
poderá ser modificada posteriormente, caso faça sentido para os
moradores. Não haverá restrição ao cadastro, já que a ideia é que o
portal seja apropriado pela população e que ela mesma identifique e
corrija as informações que não se enquadrem à realidade.
Além disso, o CulturaEduca é produzido com licença Creative Commons
para que as informações do portal circulem livremente em prol da própria
rede. Segundo Inaê, os primeiros mapas devem estar prontos em dezembro
deste ano e os dados devem ajudar também a criar indicadores
relacionados às ações de cultura e educação, o que não existe
atualmente.
Instrumento pedagógico
E como isso será trabalhado nas escolas? “Isso ainda está em debate,
mas a proposta é que a plataforma seja divulgada nas escolas
selecionadas como uma ferramenta de subsídio para as próprias atividades
do programa Mais Educação”. Com isso, o CulturaEduca pretende
constituir-se também como um instrumento pedagógico virtual, em que
educadores e alunos podem inserir e consultar, de maneira interativa,
informações sobre o território educativo.
Além do mapa interativo, o site contará com fóruns para debates,
trocas e produção de metodologias da área. Nesse espaço virtual poderão
interagir educadores, produtores culturais, estudantes, gestores de
políticas públicas, pesquisadores  e o público em geral.
Para isso, o Instituto Lidas trabalha em parceria com a Casa de Arte
de Educar, que tem fomentado uma rede de agentes interessados na área. A
instituição desenvolve uma pesquisa-ação em cinco capitais para
investigar e apresentar propostas de políticas públicas que articulem
cultura e educação.
Assista ao vídeo do projeto
 AQUI

O Chão e a Gira 

Zezito de Oliveira

Texto
baseado na fala “inspirada” durante a minha participação no seminário
do coletivo investigador para a elaboração do plano integrado de cultura
e educação.
Iniciativa do MINC e Casa da Arte de Educar, realizado em Recife nos dias 15 e 16 de junho.


O processo educativo precisa aterrar, descer abaixo do chão e subir possibilitando a gira girar
de forma bem tranquila.A “crise” da escola advém daí. Quando falamos em
aterramento estamos tratando dos saberes de nossos ancestrais, estamos
querendo dizer que precisamos buscar referenciais na memória das nossas
comunidades , das nossas tribos, dos nossos terreiros, dos povos
originários.Deixar a gira girar é garantir um ambiente favorável dentro
da escola para liberar corpos e mentes para poderem se relacionar de
forma mais sincera e criativa, inclusive com o conhecimento.Por isso não
acontecer é que nos deparamos com pessoas completamente perdidas e
a mercê dos modismos de ocasião em matéria de valores e comportamentos
estimulados, fabricados e /ou disseminados com vistas ao fortalecimento
da sociedade materialista, consumista e predatória que nos é imposta
pelas elites capitalistas. Portanto, não é preciso temer nada daquilo
que é novo ou diferente, desde que seja dedicado uma atenção especial
aquilo que vem de muito longe e que nos liga com os elementos naturais e
culturais que recebemos das gerações que nos antecederam.Falo das
brincadeiras, dos folguedos, dos ritos religiosos, das lendas, não
reduzidas a folclore, espetáculo, lazer ou coisa que o valha, mas
entendendo que tudo isto é fonte de conhecimentos, significados e saúde.
Falo também das águas, das florestas, da terra e do ar.Quando falo em
deixar a gira girar, me refiro a possibilidade de recriar, ressignificar
ou revitalizar aquilo que herdamos sem medo e sem falsos pudores.
Porque a vida está sempre fazendo isso, sob a aparência de algo estático
e imóvel, o movimento e a transformação estão sempre acontecendo.O
movimento de rotação e translação da terra é um bom exemplo. Se é
verdade que se repetem os dias e as estações, também é verdade que
sempre surge algo novo nestes dias e nestas estações que se repetem.Em
suma, uma educação atenta aos ciclos naturais e culturais da vida, pode
ser a saída para as crises nossas de cada dia.Se temos dificuldade para
que isto seja assimilado pelo sistema acadêmico e educacional como um
todo, poderemos começar em aliança com parte daqueles que compreendem
isto e que atuam em universidades, escolas, órgãos públicos, artistas,
ONGs, empresas e meios  de comunicação.



Para saber mais:


http://www.artedeeducar.org.br/promovendo-a-integracao-entre-cultura-e-educacao

 

Encontro do Coletivo Investigador
Recife / PE – Junho 2012
Pesquisa-ação para um Plano Articulado
entre Cultura e Educação

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ministério
da Cultura ouve a sociedade para elaborar políticas públicas que
possibilitem ações culturais integradas nas escolas.

O
professor de História, especialista em arte-educação e
idealizador/produtor da “Caravana Cultural Luiz Gonzaga vai a Escola”,
Zezito de OIiveira, viaja a Recife, para participar nos dias 14 e 15 de
junho do seminário do
coletivo
investigador da pesquisa-ação que tem  como objetivo elaborar
 princípios que auxiliem na formulação e orientação de políticas de
cultura voltadas para a educação.

Este
seminário contará com a presença de professores, educadores populares,
artistas e outros agentes da educação e da cultura empenhados na
formação de um sistema educacional que integre as experiências de
Educação Formal e as de Educação Não-Formal, realizadas por organizações
da sociedade civil, bibliotecas e museus.

O seminário do coletivo investigado é uma das principais ações do  projeto Um Plano Articulado para Cultura e Educação, desenvolvido pelo Ministério da Cultura e pela ONG Casa da Arte de Educar.
Para mais informações sobre o projeto, acesse o site da Casa da Arte de Educar, cujo endereço é http://www.artedeeducar.org.br

Sobre o trabalho e reflexão realizada por Zezito de Oliveira sobre a parceria cultura e educação, Leia:


terça-feira, 26 de junho de 2012

Dentro de instantes, a partir das 20h, estaremos no programa Revista Aperipê

Dentro
de instantes,  a partir das 20h,  estaremos no programa Revista Aperipê
apresentado pelo jornalista João Neto para falar sobre o seminário do
coletivo investigador do plano articulado cultura e educação, o qual foi
realizado nos dias 15 e 16 de junho e que contou com a minha
participação.

O programa irá ao ar através das ondas da Rádio Aperipê, 630 AM, Salvo engano, o programa poderá ser ouvido pela net

Para saber mais detalhes, clique no link abaixo

http://acaoculturalse.blogspot.com.br/2012/06/o-chao-e-gira_21.html


Link para acessar a rádio Aperipê AM

http://www.aperipe.com.br/

Programa Participação Popular da TV Câmara discute violência nas escolas
 

As notícias de brigas em escolas, com plateia e publicação na internet, têm sido frequentes, assim como as agressões contra professores.
AQUI

Programa Câmara Ligada da TV Câmara  destaca a participação dos jovens na política (Especial 6º aniversário do programa).

AQUI

Edital “Mais Cultura nas Escolas”

O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Políticas Culturais, e o Ministério da Educação vão lançar no próximo dia 10 de setembro o edital do Programa “Mais Cultura nas Escolas”, que vai selecionar 5.000 mil propostas de todo o país elaboradas em parceria entre  escolas e instituições culturais. A finalidade do Programa é fomentar ações que promovam o encontro entre o projeto pedagógico de escolas públicas contempladas com os Programas Mais Educação e Ensino Médio Inovador do MEC e experiências culturais e artísticas em curso nas comunidades locais. Serão investidos cerca de 100 milhões no total, sendo que cada projeto selecionado receberá entre R$ 20 mil e 22 mil, proporcionalmente calculados em relação ao número de alunos registrados no censo de 2011.
O Programa é um dos resultados da aliança entre os dois ministérios para a estruturação de uma Política Nacional de Cultura para a Educação, celebrada pelo Acordo de Cooperação Técnica no. 001/2011. Um dos desafios desta iniciativa é a formulação e a implementação de uma política que promova a interface entre educação e cultura, de maneira a abranger a formação para a cidadania, o ensino da arte nas escolas de educação básica, o compromisso das universidades com a promoção da cultura e da diversidade e o ensino profissionalizante no que tange à economia da cultura.

Fazendo produção cultural na escola  

Zezito de Oliveira
1                      Zezito de Oliveira · Aracaju, SE

5/10/2011 · 22 · 3

Há cerca de uns vinte dias, quando comecei a pensar a respeito da seleção de músicas que utilizaria na apresentação do tema “produção cultural nas escolas”, no programa de formação cultural “Ossos de Oficio”, da Fundação Municipal de Cultura, a primeira frase musical que me ocorreu foi: “Há tempos são os jovens que adoecem”, parte da composição “Há Tempos” do Legião Urbana. 

Ao mesmo tempo em que preparava a apresentação, a frase “Há tempos são os jovens que adoecem” me remetia ao trágico acontecimento ocorrido por estes dias em uma escola pública em São Paulo, vitimando uma criança de 10 anos e sua professora, além de outros fatos semelhantes ocorridos nos últimos anos em todo o mundo.


O sergipano não valoriza o produto cultural local  

E agora??

O produto cultural genuinamente sergipano é pouco consumido ou, em outras palavras, o sergipano “compra” pouco aquilo que é produzido em Sergipe, o que traz como consequência a dificuldade de “vender” Sergipe para quem é de fora. Isso tudo nos lembrando de um dito popular que afirma: “Quem engorda o boi são os olhos do dono”.

Como disse no primeio dia (24/11), em Aracaju, no espaço destinado aos debates da oficina de gestão cultural, promovida pelo Itaú Cultural em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), a afirmação acima é recorrente há mais de vinte anos em quase todos os debates que discute direta ou indiretamente políticas culturais.

O PORTAL DAS LETRAS (1) – LER E CRESCER

RODA DE LIVROS
Desde o início de 2010 tenho emprestado alguns livros para adolescentes da escola onde trabalho atualmente. Estes livros tratam de temas ligados ao seu cotidiano e foram escritos por pessoas que contam histórias ligadas às suas dúvidas e inquietações, alegrias e tristezas, expectativas e descobertas, além de outras experiências que fazem parte da vida deles e de cada um de nós.

O primeiro livro a ser entregue foi o de Gabriel, o Pensador “Diário Noturno”, seguiram-se “Depois daquela viagem” de Valéria Piassa Polizzi , “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva, “Com licença eu vou a luta” de Eliane Maciel, e “Confissões de Adolescente” de Maria Mariana.


LEIA MAIS:


http://www.overmundo.com.br/overblog/o-portal-das-letras-1-ler-e-crescer


O Mundo conectado à Arte e Sergipe ligado no Mundo

O texto foi produzido já há algum tempo.. mas como certas idéias são atemporais vale compartilhar com os overmanos


Um público com um traço inevitável: a diversidade. Pessoas de vários cantos do mundo, com histórias e visões diferentes. Em comum, a pergunta: “como a arte pode transformar beneficamente realidades?”. Na certa houve inúmeras respostas nos dias 17 ao 25 de julho, período do “VII Congresso do IDEA Abraçando as Artes de Transformação: Viva a Diversidade! Viva!”, em Belém (PA). E é de lá, do Norte do País, que um sergipano concedeu a entrevista abaixo por telefone. Zezito de Oliveira foi convidado para apresentar a interessante experiência do Projeto ECARTE que, nos anos de 2002 a 2006, realizou oficinas de teatro, dança e discussões sobre o Estatuto da Criança e Adolescente com adolescentes do conjunto Jardim, periferia da região metropolitana de Aracaju.


LEIA MAIS:


http://www.overmundo.com.br/overblog/o-mundo-conectado-a-arte-e-sergipe-ligado-no-mundo

EXPERIÊNCIA DO PROJETO ECARTE SERÁ APRESENTADA EM CONGRESSO MUNDIAL


II FÓRUM POPULAR DE CULTURA – ARACAJU (AUDITÓRIO DO SEBRAE) – 2006 (PARTICIPAÇÃO DE ADOLESCENTES DO PROJETO ECARTE)
Foto: Zezito de Oliveira
Texto: Thiago Paulino


Coloque em prática o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) com arte e transforme em oficinas voltadas para adolescentes da periferia da Grande Aracaju. Assim originou o projeto ECARTE no ano de 2002. A experiência construída com arte-educadores e lideranças comunitárias será apresentada no “VII Congresso do IDEA – Abraçando as Artes de Transformação: Viva a Diversidade Viva!” que acontecerá nos dias 17 a 25 de julho.


Segundo o idealizador do projeto ECARTE, o professor de História, arte-educador e Produtor Cultural Zezito Oliveira, a viagem será uma ótima oportunidade de conhecer outras metodologias de trabalho e divulgar a produção sergipana na categoria de iniciativas culturais e transformação social. De volta a Aracaju, o arte-educador pretende repassar o conhecimento e experiências obtidas durante o congresso. Para Zezito participar de um evento deste porte é fundamental:


“Dentre os aspectos importantes para a participação no congresso do IDEA destaco as possibilidade de ampliação do alcance e a repercussão do Ecarte, colaborando com a ampliação da auto-estima de quem estece envolvido e sentido de pertencimento em relação a Ação Cultural, pelo fato de ser a primeira vez que esta iniciativa é apresentada em um congresso internacional.


Outro aspecto importante é que esta apresentação em Belém, está exigindo uma apuro em termos da sistematização do Projeto Ecarte o que vem proporcionando uma apreensão mais aprofundada do limite e potencial do trabalho realizado, o que trará um avanço bastante significativo em relação aos aspectos qualitativos da assessoria pedagógica, neste momento de revitalização do Projeto Ecarte. “


A participação do ECARTE no Idea 2010 se dará através de uma breve apresentação, utilizando recursos áudio-visuais para abordar pontos como: caracterização do local onde foi realizado; principais agentes envolvidos; idéias que norteiam o trabalho; metodologia das oficinas e resultados alcançados, além de depoimentos de adolescentes e jovens partiicipantes.


IDEA 2010 – A instituição Idea foi fundada em 1992 através da convergência de diversos agentes culturais e educadores que tinham como foco seguir a diretriz de que “todos os seres humanos têm a capacidade e o direito de aprender as linguagens criativas e habilidades necessárias para criar um mundo justo e pacífico”.


Nesta VII edição o Congresso Idea terá uma maior abrangência em relação às edições anteriores. O encontro traz uma nova proposta pedagógica para a educação mundial, que será apresentada direto da capital paraense por representantes de mais de 70 países que formam o IDEA, com apoio da Unesco-Brasil, Aliança Mundial pelas Artes, Ministério da Cultura, Ministério da Educação e diversas instituições de ensino.


Para se ter noção da dimensão do evento seguem alguns números do Congresso: público estimado de duas mil pessoas de todos os continentes; 117 horas, nove dias ininterruptos para criar propostas pedagógicas e transformar as relações sociais nos setores vitais da sociedade como escola, segurança pública e saúde; mais de 400 ações organizadas em debates, conferências, apresentações, palestras, oficinas artísticas, atrações de dança, teatro e música. Os palcos serão as praças, universidades, teatros, escolas e 15 ilhas da comunidade ribeirinha que circundam a cidade.


HISTÓRICO ECARTE – O projeto foi fruto do 1º Fórum Comunitário de Políticas Públicas, realizado em agosto de 2001. Nesse, além dos conferencistas, alguns grupos de teatro e dança, formados por adolescentes da comunidade, foram convidados para, através da arte, mostrar os seus anseios e frustrações com relação ao tema. Por isso, foi iniciada a formação de uma rede de agentes culturais formada por adolescentes e jovens interessados em ampliar a sua atuação na área.


CONJUNTO JARDIM






Fotos: Ronaldo Lima


No período 2002 à 2006, no Conjunto Jardim, bairro periférico do município de Nossa Senhora do Socorro (SE) aconteceram as oficinas do ECARTE. Durante esta época foram proporcionadas, aos adolescentes da região, iniciação às artes cênicas, utilizando o Estatuto da Criança e do Adolescente como tema das coreografias e esquetes teatrais. Aproximadamente 60 adolescentes tiveram oportunidade de descobrir o mundo do teatro e da dança além da consciência dos seus direitos fundamentais.




APRESENTAÇÃO DE INTEGRANTES DA OFICINA DE TEATRO – I MOSTRA ARTE E CIDADANIA – ARACAJU (TEATRO JUCA BARRETO/CULTART) – 2004.







APRESENTAÇÃO DE INTEGRANTES DA OFICINA DE DANÇA – JORNADA DA CONFIANÇA – ARACAJU (GINÁSIO CONSTÂNCIO VIEIRA) – 2005.



APRESENTAÇÃO DE INTEGRANTES DA OFICINA DE DANÇA – I MOSTRA ARTE E CIDADANIA – ARACAJU (TEATRO JUCA BARRETO/CULTART)- 2004.





Em 2010 a meta é atuar em parceria com a Cia de Dança Rick di Karllo que possui um trabalho consolidado no Conjunto Eduardo Gomes, no município de São Cristóvão (SE). Pretende-se atingir 20 crianças e adolescentes, estudantes da rede pública de ensino. O projeto ECARTE é realizado pela organização Ação Cultural que tem como filosofia a utilização da cultura como forma de transformação da realidade social trabalhando nas periferias da região metropolitana de Aracaju.





Reunião para discussão referente a retomada do Projeto ECARTE com integrantes da Cia de Dança Rick di Karllo. (sede da Cia Rick di Karllo – municipio de São Cristóvão – 2009).


O Portal do Som – Música e Educação

A música brasileira aproximando gerações e rompendo preconceitos


Quem gosta muito de música popular brasileira ficou surpreendido em 2007 com o lançamento do CD “Onde brilhem os olhos meus”, gravado por Fernanda Takai, do grupo Pato Fu, com releituras de músicas gravadas por Nara Leão. E dentre estas, a música “Diz que fui por aí”, gravada por Nara e também por Zé Keti, criador da canção.


Nesta gravação, considero bem interessante o andamento da música — cantada e tocada de forma mais lenta, ficando algo bem próximo a uma balada pop —, como pode-se perceber pelo toque da bateria e pela batida do violão. Não imaginava ouvir um samba tradicional dessa maneira. Causou-me muita alegria ouvi-lo nesta nova versão. E, Importante para o resultado final não esquecermos a “delícia” que é ouvir a voz de Fernanda Takai.


http://www.overmundo.com.br/overblog/o-portal-do-som-1



Zezito de Oliveira · Aracaju, SE


Música e Tragédia Urbana


Recentemente, algumas tragédias urbanas — em especial a relacionada ao assassinato do cartunista Glauco e do seu filho, Raoni — me trouxeram à lembrança alguns versos da canção “Muros e Grades”( “Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia, o medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia…”), um grande sucesso dos Engenheiros do Hawaii, e uma das canções que fez parte da trilha sonora da vida de uma “banda” da geração 80. (1)

Falo em banda querendo aqui me referir a uma parte da juventude, pois outras juventudes estavam ligadas em outras vertentes musicais, mesmo que, em muitos casos, a matriz de origem fosse o mesmo rock brazuca que despontava com toda força, a partir do início da década.


Leia mais em: http://www.overmundo.com.br/overblog/o-portal-do-som-2-musica-e-tragedia-urbana


MÚSICA SERGIPANA TIPO EXPORTAÇÃO
Mais uma noite de puro deleite estético/musical em 2010, vivida por mim, juntamente com muita gente “bonita” como disse uma das pessoas que nos acompanhou na Cantoria, organizada pelo grupo de forró Casaca de Couro no restaurante O Paiol em uma noite de sexta-feira (20/08).


O time bem escalado para aquela noite, foi composto de quatro violeiros sergipanos: Muskito, Sena, Joaquim Ferreira e Nino Karvan, participaram também o poeta popular João Brasileiro, o percussionista Tom Toy e os violeiros convidados Josino Medina (Vale do Jequitinhonha), Dinho Oliveira (Vitória da Conquista) e Paulinho de Jequié


http://www.overmundo.com.br/overblog/o-portal-do-som-3-sergipe-para-exportacao

Diversos – Conjunto Jardim e Projeto Ecarte no portal Overmundo


VISTA PANORÂMICA DO CONJUNTO JARDIM – IGREJA CATÓLICA – FOTO DO ANO DE 2006.



Com arte e com afeto
Nas aldeias indígenas, as crianças e adolescentes são assumidos pelos adultos. Todos formam uma mistura de pai, tio, irmão mais velho ou primo. Lá o ditado “quem pariu Mateus, que o balance” não voga. Isso contribui para que não haja trombadinhas, mendicância, meninas prostituídas, problemas com drogas,pois o que existe são os filhos e filhas da aldeia.
Leia mais em:


http://www.overmundo.com.br/overblog/com-arte-e-com-afeto-1
Um Jardim de Talentos

Quem conhece os adolescentes e jovens do Conjunto Jardim, apesar do destaque dado pela imprensa ao envolvimento de alguns deles com assaltos e tráfico de drogas, sabe que a maioria gosta de dançar, fazer teatro, cantar e tocar algum instrumento musical




O Central da Periferia na Escola

Na escola onde trabalhei até maio de 2007, a exibição do programa “Central da Periferia” causou um verdadeiro frisson. É a segunda vez que um programa em DVD causa tanto alvoroço e interesse por parte dos alunos. A primeira vez foi o filme “Uma Onda no Ar”, de Helvécio Ratton, no ano de 2005, distribuído em todo país, junto com a revista Isto É.
leia mais em:



 http://www.overmundo.com.br/overblog/o-central-da-periferia-na-escola


Outro Brasil é possivel. Outro olhar é necessário.

O ditado popular diz que o que os olhos não vêem o coração não sente, embora no mundo real seja diferente, pois quem é negro, mora na periferia, com pouca estudo ou que estuda em escola pública, que ganha salário mínimo ou que está desempregado o que vê? Falta de respeito pelos direitos humanos mais elementares, o principal deles o direito a vida, quase sempre negado através da sujeira, buracos, ônibus velhos e atrasados, assaltos, mortes, escolas tristes, falta de praças e de outros espaços para a prática da cultura, do esporte e do lazer, desemprego etc…
leia mais em: 



http://www.overmundo.com.br/overblog/outro-brasil-e-possivel-outro-olhar-e-necessario




II Mostra Arte e Cidadania em Sergipe
Surpreendente! É a melhor palavra que resume o resultado do trabalho apresentado pelos artistas e grupos das cidades de São Cristóvão, Barra dos Coqueiros, Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, que se apresentaram na noite do sábado, 13 de janeiro de 2006, no Teatro Lourival Batista em Aracaju.


http://www.overmundo.com.br/overblog/ii-mostra-arte-e-cidadania-em-sergipe



VISTA PANORÂMICA DO CONJUNTO JARDIM – CANAL – FOTO DO ANO DE 2004


Instituição em Nova Iguaçu usa tecnologia audiovisual como instrumento de ensino

A Escola Livre de Cinema (ELC) é a primeira escola de audiovisual da Baixada Fluminense e funciona desde julho de 2006 no bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.
O próximo episódio da série Sábados Azuis: Histórias de um Brasil que dá certo, que vai ao ar no sábado (10), às 22h, tem como temática o “Brasil Tecnológico” e vai mostrar o trabalho da escola, uma iniciativa do grupo Reperiferia, que antes trabalhava com artes cênicas nas comunidades carentes da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Ao serem convidados para fazer um projeto para a rede escolar da região, Anderson Barnabé e Marcus Faustini, ambos da Reperiferia, aproveitaram a “explosão” da tecnologia digital e criaram a Escola Livre de Cinema, que usa a tecnologia audiovisual como instrumento de ensino.
Hoje, Anderson é o coordenador artístico da escola e considera que o cinema muda a relação da criança com a tecnologia.“Enquanto em casa o pai diz “não mexe aí”, a gente entrega a câmera e diz: ‘Vai! Filma a sua rua, conversa com a sua família’.
A escola atende alunos da 5ª à 8ª série da Escola Municipal Janir Clementino durante a semana, nos turnos da manhã e da tarde. Há também cursos livres não-profissionalizantes abertos para a comunidade em geral e cursos profissionalizantes voltados para pessoas com o ensino médio completo. Os professores da rede municipal de Nova Iguaçu fazem cursos de capacitação na ELC, para aprender a trabalhar nas salas de aula com o audiovisual.

Marcus Faustini
Uma das ações mais importantes da Escola é o Festival de Cinema de Nova Iguaçu – IGUACINE –, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura. De lá saiu a produção do documentário “Carnaval, Bexiga, Funk e Sombrinha”.
Marina Rosa, 20 anos, diz que entrar na Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu foi uma aposta casual que moldou totalmente seu destino. Chamada para ser educadora do processo com as crianças do Bairro-Escola, em 2009, ela diz que a escola abriu seu pensamento para outras realidades, não só na questão audiovisual, mas em relação a sua visão de mundo.

Culturas Juvenis – Dinamizando a escola



Culturas Juvenis - Dinamizando a escola      Este livro é mais um lançamento do jornal Mundo Jovem, que traz para o centro do debate a rica diversidade cultural presente nos jovens das escolas brasileiras: os que curtem funk, rap, graffiti, cultura anime, rock, religião, que gostam de se encontrar nos parques, nos bares, nas ruas, nos quartos, enfim, múltiplas juventudes.
     Como podemos nos apropriar das culturas juvenis em nosso planejamento diário como professores? Como revelar as identidades juvenis nas diferentes práticas do currículo escolar? As aulas podem servir de canal para que as histórias de vida e as identidades dos jovens ganhem lugar na cena escolar? Com a colaboração de diversos autores, esperamos contribuir com a inquietude de tantos que buscam uma escola adequada aos nossos tempos.

Orgs: Márcia H. Koboldt Cavalcante e Rui Antônio de Souza
Número de páginas:
120
Valor
= R$ 14,00 (As despesas de correio estão incluídas)

Veja o sumário e a apresentação do livro (clique aqui)


     Para adquirir o livro basta enviar o endereço completo e o pagamento correspondente:

a) depósito identificado no Banco do Brasil Agência 3168-2 (Porto Alegre) – na conta nº 707.311-9. (o código identificador pode ser o nº de CPF ou CNPJ)
Esta conta está em nome de nossa mantenedora (UBEA-PUCRS-MJOVEM). É necessário enviar o comprovante do depósito junto com o nome e endereço completo para o envio do livro, pelo fax: 0 (..)(51) 3320-3889 / 3320-3902; ou por carta, porque o banco não comunica quem fez o depósito.
b) Enviar por carta um cheque cruzado, nominal ao Jornal Mundo Jovem.

(O livro será enviado pelo correio após o pagamento – a taxa de envio já está incluída no preço).

De 10 a 24 exemplares – 15% de desconto
Acima de 25 exemplares30% de desconto

     Para mais informações clique aqui


 Cultura e educação

Leonardo Brant
fonte:
http://www.culturaemercado.com.br/ideias/cultura-e-educacao-2/


Um dos assuntos mais controversos (e menos discutidos) das políticas culturais é a relação intrínseca da cultura com a educação. Vivemos uma espécie de trauma pós-separatório, influenciado por um tratamento periférico nos tempos que o MEC (Ministério da Edução e Cultura) ainda incluía seu irmão mais pobre. Está na hora de superá-lo e avançar na discussão sobre a educação, propondo soluções para o grande problema estrutural do Brasil: formar a maioria jovem e prepará-la o novo país que desejamos construir.


Não há nada mais gritante do que o abismo e a falência do sistema educacional brasileiro. Embora consuma grande parte do orçamento, o arcaismo bancário que tomou conta da educação impede os avanços necessários para alçarmos um novo patamar, que inclui ampla garantia dos direitos culturais, da livre informação e expressão.


Em todos os grandes modelos e metodologias educacionais, o exercício das expressões artísticas e culturais têm se de revelado como um denominador comum. Nada mais lúdico, criativo e inspirador do que a cultura da convivência, inerente às atividades artísticas e culturais, seja ela uma visita ao museu, o aprendizado do teatro ou a análise crítica da mídia. Não podemos mais admitir que o nosso futuro seja dominado por uma educação burocrática, baseada numa estrutura funcional da ditadura militar, preparando sub-cidadãos, acomodados com o Estado-pai, incapazes de agir e participar da vida cultural e política.


Paulo Freire é o grande mestre inspirador de escolas e sistemas educacionais em todo o mundo. Sua pedagogia crítica, no entanto, não foi incorporada, além da apropriação indébita do discurso comum às nossas estruturas políticas, em nossa educação. Sua inspiração, no entanto, foi bem absorvida em escolas particulares que servem a elite. Meu filho estuda em uma dessas escolas e observo os avanços em relação à educação pública que eu tive, e que só piorou da ditadura pra cá.


Um novo projeto educacional precisa ser desenvolvido urgentemente no país. As políticas culturais não podem se abster a esse processo. As interações entre MinC e MEC foram insuficientes e fracassadas. Partiam do princípio da contribuição da cultura à educação. Avanços como a inserção de elementos e referências africanas e indígenas no processo de formação são interessantes, mas insuficientes para o tipo de desafio que temos pela frente.


A Internet, as redes culturais, a cultura colaborativa e a possibilidade de acesso ao conhecimento e exercício da expressão são elementos que não podem faltar ao cardápio educacional do país. As escolas precisam abrir suas portas para comunidades, deixando de ser prisões para transformar-se em equipamentos culturais, com projeções de filmes independentes, que abordem a complexidade humana, além dos mitos fabricados em Hollywood, peças de teatro e exposições, com programação das próprias comunidades e de outras, a partir de um sistema artesanal, simples e desburocratizado (quase tribal) de trocas e circulação de cultura. Enfim, precisa deixar de ser escola para se tornar ponto de cultura.


Grades curriculares deveriam ser queimadas em praça pública. O conhecimento precisa ser construído a partir do indivíduo e da comunidade para o mundo e não de Brasília para os quatro cantos do país. Isso sim é um dirigismo cultural que precisa ser superado por todos nós. Precisamos celebrar a capacidade de cada bairro, distrito, município, de cuidar da formação de suas crianças. A sociedade precisa se envolver com o processo de formação de seus indivíduos. Estado nenhum dará conta disso. O ditador já não dava, quanto mais este neoliberal em que nos atolamos.


A educação precisa ser uma responsabilidade de todos nós. E só será a partir do reconhecimento de sua dimensão cultural.

MEC e Iphan disponibilizam publicação que promove a educação patrimonial nas escolas brasileiras

     Escolas que aderirem ao Programa receberão equipamentos para elaboração e divulgação de inventários do patrimônio local.
     O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta terça-feira, 20 de março, o primeiro fascículo sobre Educação Patrimonial no Programa Mais Educação. O material disponível em http://bit.ly/iphamaiseducacao e que também será distribuído às escolas que optarem pela atividade é o primeiro do kit que englobará outros dois.
     A ideia do projeto realizado em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan é que os estudantes realizem inventários dos patrimônios locais nos territórios nos quais as escolas estão inseridas. Ao escolher desenvolver o projeto sobre Educação Patrimonial, a escola receberá recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) – Educação Integral – para aquisição de equipamentos audiovisuais. Desta forma, poderão elaborar e divulgar os inventários produzidos.
     Serão máquinas fotográficas com a função filmagem; gravadores de áudio digital (MP3); HD externo; tripé de câmera; cartucho colorido de impressora ou apoio para serviço de impressão; fichas para o inventário, além de R$ 1.000,00 (mil reais) como apoio para as saídas de campo; e outros R$ 700,00 (setecentos reais) para produzir exposições, encontros, rodas de memória, mostras de filmes, e outros, a partir dos resultados do inventário.
     O segundo fascículo, em elaboração, apresentará conceitos importantes para o desenvolvimento do trabalho como, por exemplo, cultura, memória e identidade. O terceiro trará um repertório de possíveis ações educativas ligadas ao tema. Também está em elaboração um caderno com orientações para a realização do inventário.
A parceria entre MEC e Iphan
     A parceria foi iniciada ainda em 2010 e consolidada a partir da participação do MEC no II Encontro Nacional de Educação Patrimonial – II ENEP, realizado em Ouro Preto (MG) em julho de 2011.
     A Educação Patrimonial passou a integrar o Macro-campo “Cultura e Artes” do Programa Mais Educação com uma atividade específica que vem sendo construída pelo Grupo Técnico interdepartamental formado com esse fim, e coordenado pela Ceduc/DAF.
     O Programa Mais Educação da Secretaria de Educação Básica do MEC envolve, atualmente, 30 mil escolas das redes municipais e estaduais. Em 2012, a expansão do Programa deve incluir, pela primeira vez, escolas de ensino fundamental no campo, com a perspectiva de ingresso de 5 mil escolas da área rural.
     O Mais Educação integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estratégia do Governo Federal para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da Educação Integral. Essa estratégia promove a ampliação de tempos, espaços, oportunidades educativas e o compartilhamento da tarefa de educar entre os profissionais da educação e de outras áreas, as famílias e diferentes atores sociais, sob a coordenação da escola e dos professores.
     Trata-se da construção de uma ação intersetorial entre as políticas públicas educacionais e sociais, contribuindo, desse modo, tanto para a diminuição das desigualdades educacionais, quanto para a valorização da diversidade cultural brasileira, reconhecendo que a educação deve ser pensada para além dos muros da escola, e considerar a cidade, o bairro e os bens culturais como potencialmente educadores, eles próprios.
     Fazem parte do programa o Ministério da Educação, o Ministério da Cultura, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério do Esporte, o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Defesa e a Controladoria Geral da União.
Outras informações:
Twitter: @educpatrimonial

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12/05/2013 Tecnologia na Educação

Como a tecnologia está presente na sua sala de aula? Você sabe
utilizar o computador, a internet, blogs, celulares, tablets, podcasts,
projetores, câmeras e outros recursos para ensinar ainda melhor os
conteúdos curriculares de cada disciplina? Navegue nos 108 links abaixo e
dê um upgrade nas suas aulas. Há material para todos os segmentos. 

 AQUI

 

Site mostra como trabalhar a cultura digital na educação

Materiais produzidos por educadores de três escolas públicas de
Pernambuco, Tocantins e Ceará estão sendo disponibilizados em um site
para ajudar outros professores do ensino fundamental e médio a
trabalharem a cultura digital em sala de aula. O recém lançado portal Telinha na Escola
quer estimular educadores e alunos a experimentarem as novas
tecnologias de uma forma criativa e que transforme os processos de
aprendizagem.

Na sessão “aulas criativas”, por exemplo, há planos de aulas que o
ajudam a ensinar sobre o uso das redes sociais, a realizar dinâmicas de
reflexão sobre a história das mídias interativas no Brasil ou até mesmo a
levar a história do hipertexto para a sala de aula. Na categoria
“edição”, estão materiais que auxiliam na criação de vinhetas animadas
ou vídeos literários. Enquanto em “mobilidade”, é possível achar
conteúdos que orientam o professor a trabalhar temas como mídia e
cidadania usando máquinas fotográficas e aparelhos celulares.

 

crédito aleciccotelli / Fotolia.com

 

O site é resultado de um trabalho realizado, desde 2009, pela ONG Casa da Árvore,
nas escolas Arraial Novo do Bom Jesus (PE), Don Alano (TO) e Joaquim
Alves (CE). A instituição vem capacitando professores para pensarem e
produzirem aulas usando as novas tecnologias. E tudo que é realizado
nessas escolas fica disponível para uso livre e aberto (em licença Creative Commons) e pode ser editado, modificado e reproduzido livremente por qualquer educador.

Segundo Aluísio Cavalcante, coordenador do projeto Telinha na Escola, o
portal visa estimular professores a desenvolverem e mediarem aulas
usando recursos como redes sociais, audiovisual e mapas digitais. “As
aulas inovadoras e criativas realizadas pelos professores servem apenas
como um ponto de partida para a construção da experiência em novas
tecnologias”, afirma. “Nossa ideia é ter uma interface muito simples,
que permita uma navegação mais autônoma onde cada um possa aprender
aquilo que quer da forma que acha melhor”, diz Cavalcante.

Arraial Novo do Bom Jesus

Presente na escola municipal Arraial Novo do Bom Jesus, de Recife, desde
o início do ano passado, o projeto está capacitando mais de 40
professores do ensino fundamental para o uso dessas ferramentas. Segundo
Amanda Morais, diretora da escola, a cultura digital já existia no
colégio, mas de modo muito superficial. “Se o professor domina as
tecnologias, ele consegue envolver mais os alunos e trabalhar os
conteúdos em novos formatos”, afirma. “A iniciativa trouxe um novo gás e
aumentou a autoestima dos professores, que estão aprendendo na prática e
na própria escola, o que tem ajudado também a fortalecer o trabalho em
equipe”, diz.

De acordo com Amanda, uma das surpresas foi o fato de os alunos não
dominarem tão bem as tecnologias como o previsto. “Achávamos que os
estudantes tinham mais conhecimento do que os professores, mas
descobrimos que eles precisavam aprender e se apropriar melhor dessa
nova cultura. O que motivou ainda mais os professores.”

REDES SOCIAIS

Os enredados
Por Miguel Reale Júnior em 06/03/2012 na edição 684
Reproduzido do Estado de S. Paulo, 3/3/201; intertítulos do OI
     No
círculo midiático de hoje, a reflexão e a assunção sopesada de
convicções individuais, bem como o silêncio e a solidão, cederam passo a
uma saraivada contínua de comunicações. Reage-se a esta prevalência do
virtual de forma passiva ou com manifestações apressadas de cunho
emocional. Neste mundo de inter-relações imediatas, vive-se com a mídia
e pela mídia, segundo Manuel Castells, para quem, com as redes sociais
se instala uma virtualidade real.
“Todos
são iguais perante o Facebook”, eis o novo direito fundamental.
Diversos enredados na rede social expõem a si próprios e cada qual passa
a ter acesso ao mundo do outro. Se a televisão, o principal meio de
comunicação em nosso país, está presente em todos os instantes, a
criar, de um lado, o monólogo e, de outro, a audiência preguiçosa, com
as crescentes redes sociais se torna viável que o enredado possa
manifestar-se sem a preocupação de ser razoável.
Esse fenômeno carrega contraposições.
A
primeira, relativa à minimização do valor da intimidade e da vida
privada, um dos direitos da personalidade consagrados nas modernas
Constituições democráticas, mas violado pelo descaso com que muitos dos
enredados tratam sua própria área de exclusividade, em compulsão pelo
compartilhamento de cada instante de sua vida.
Intimidade e voyeurismo
No
inciso X do artigo 5.º da Constituição federal, no capítulo Dos
Direitos e Garantias Fundamentais, consagra-se que “são invioláveis a
intimidade, a vida privada, a honra, a imagem das pessoas (…)”. O
direito à privacidade constitui atributo da personalidade, requisito
essencial à realização da pessoa humana, instaurando a expectativa de
respeito à própria singularidade. A Constituição distingue entre
intimidade e vida privada, estabelecendo dois campos: um de grande
reserva e interioridade, ligada às próprias convicções e expressões de
pensamento, bem como relativamente ao que se passa entre quatro paredes;
outro, menos restrito, relativo à vida doméstica, aos hábitos
cotidianos, acessível a pessoas próximas nas quais se confia.
Para
Hannah Arendt, há uma zona de exclusividade onde sem cuidados se
desenvolve a própria existência, definida por Judith Martins Costa como a
especial esfera da vida em relação à qual é garantida a imunidade ao
próprio modo de ser da pessoa, defesa à interferência alheia, pois é o locus,
material e espiritual, em que cada qual fixa sua singularidade, seus
gostos particulares a serem usufruídos reservadamente. Há uma diferença
no grau de intensidade de exclusividade: a intimidade diz respeito ao
modo de ser singular que cada qual tem no campo nuclear de sua
existência, aos dados de foro o mais restrito, enquanto a vida privada
diz respeito a formas de pensar e agir a serem sabidas apenas por
poucos.
Vê-se
agora, todavia, que a inserção numa rede social faz muitos dos fisgados
desprezarem os limites quer da vida privada, de acesso limitado aos
mais chegados, quer também do próprio núcleo mais fechado da vida
íntima, como se viver só tivesse sentido ao se compartilhar e
socializar com muitos outros, pela rede, todas as sensações e
vivências, devendo-se divulgar aos demais todos os acontecimentos da
existência. De um lado, franqueia-se a intimidade, de outro, instala-se
um voyeurismo compulsivo: deixar-se ver e ver os outros.
Incitação ao ódio e à discriminação
A
segunda contraposição decorre de ser o internauta alvo de comunicações
em série, mas ao mesmo tempo ter a possibilidade de se manifestar
livremente, sobre tudo e sobre todos, jorrando, sem compromisso,
opiniões que vão do elogio apaixonado à agressividade desmedida, em
aplauso ou crítica ao comportamento de alguém ou de algum grupo de
pessoas.
A
liberdade de manifestação de pensamento constitui gênero de primeira
necessidade na vida democrática, condição essencial de desenvolvimento
dos cidadãos, pois areja, alimenta a multiplicidade de opiniões,
garante a difusão de pensamentos e a participação pelo conhecimento e
pela crítica dos fatos. A amplitude da liberdade de manifestação,
estatuída no artigo 220 da Constituição, exige, todavia, a observância
da composição com outros valores, em especial a dignidade sexual, a
honra e a vida privada, a não discriminação. Veem-se, contudo, em
comentários de internautas, novatos no exercício da liberdade de
pensamento, excessos, com violação da honra alheia, de sua intimidade ou
incitando o ódio e a discriminação das mais variadas espécies. Só o
tempo consertará tais exageros.
Tempos de urgência, exposição e interação
Por
fim, a última contraposição surge da ilusão de que a plena
possibilidade de manifestação de pensamento iguale o valor das diversas
perspectivas. Não se deve, porém, confundir o direito de se exprimir
com atribuir a mesma validade às diversas visões manifestadas, em
inaceitável relativismo. A pessoa humana, enquanto titular dos direitos
de não ser discriminada, de manter a integridade física e psíquica, de
não ter violada sua honra ou intimidade, de exercer liberdade
religiosa, constitui valor conquistado arduamente no processo histórico
do Ocidente, a prevalecer como fonte nuclear de outros direitos
fundamentais.
A
maior intensidade valorativa da dignidade da pessoa humana não impede
que se garanta a liberdade de opinar contra a liberdade religiosa, ou
de imprensa, ou em favor do comandante Schettino (do Costa Concordia). O
vertiginoso crescimento dos meios de manifestação, no entanto, traz o
risco do relativismo que iguala o diferente e nega a prevalência de
valores essenciais obtidos ao longo da História. A multiplicidade de
opiniões exigiria avaliá-las criteriosamente e não dar a todas o mesmo
peso.
Cabe,
ao final, realçar: essas perplexidades não retiram os benefícios
propiciados pelas redes sociais por aproximar pessoas e ventilar
questões de interesse geral. Mas fica sempre o desafio de entender os
valores dominantes nestes tempos de urgência, de exposição e interação
contínuas.
***
[Miguel Reale Júnior é advogado e professor titular da Faculdade de Direito da USP]

Rádio Câmara

 Entrevistas e debates  Ponto de Vista

26/02/2013 00:01

Incubadoras de empreendimentos criativos no Brasil – Bloco 1

O Brasil costuma ser bem
reconhecido no mundo pela criatividade dos seus artistas na música, no
cinema e na pintura. Apesar disso, ironicamente o país é classificado
como baixa intensidade criativa quando se fala em inovação nessa
indústria que envolve conhecimento, pesquisa e inovação. Estudos
recentes do IPEA e da Unesco mostram que o Brasil precisa melhorar os
negócios que envolvem a chamada Economia Criativa, setor que reúne a
produção de livros, música, cinema, softwares e outras artes e
espetáculos. O Ponto de Vista recebe a pesquisadora Júlia Zardo para
conversar sobre os fundos de investimento e incubadoras para empresas
iniciantes. Ela faz doutorado sobre o tema e coordena o Centro de
Cultura Empreendera da PUC do Rio de Janeiro. Júlia conta que já há
mais de 400 incubadoras no Brasil e que a novidade é o surgimento das
aceleradoras de negócio, mostra de que o mercado está amadurecendo.
Apresentador: Getsemane Silva
 

  Secretaria Municipal de Cultura promove segundo encontro #existedialogoemSP

No próximo dia 10 de abril, às 19h,o Centro Cultural São Paulo recebe mais um encontro do programa

ERRATA: O EVENTO OCORRERÁ NO DIA 10 DE ABRIL, ÀS 19H.

No próximo dia 10 de abril, às 19h, no Centro
Cultural São Paulo, a Secretaria Municipal de Cultura inicia a série de
encontros temáticos do programa #existediálogoemsp. Desta vez, o tema é
hip-hop!  O encontro também será
transmitido pela internet por meio deste link.

Criamos um evento no Facebook! Confirme sua presença!

 Assista ou reveja o primeiro #existediálogoemsp AQUI 


Zé Celso: 100 dias de Haddad ainda não bastam, mas apontam para uma Primavera Cultural

Por: José Celso Martinez Corrêa
Publicado em 06/04/2013, 14:05
Última atualização às 11:58


Zé Celso: 100 dias de Haddad ainda não bastam, mas apontam para uma Primavera Cultural


Zé Celso considera que Juca Ferreira, nome de ‘porte
ministerial’, será capaz de mudar a cultura na cidade
(Foto: Mastrangelo
Reino/Folhapress) 
 

“Estes 100 dias começaram com o reconhecimento da cultura como valor de Infraestrutura de SamPã
já com a nomeação de Juca Ferreira para a Secretaria de Cultura. Um
quadro de porte ministerial capaz de assumir a renovação cultural
transversal necessária em todos os domínios desta metrópole carente em
todas as áreas: trânsito, diferenças abismais de condições de vida de
seus moradores e consequente violência.
Esses pontos necessitam da criação de outros valores culturais para
este caos asfixiado pela cultura da especulação imobiliária
tecno-burocrática-dinheirista com seu poder ainda nas mãos de Papai$ões e
Mamãe$onas nesta Capital do Capital.
A RBA publica uma série de
reportagens sobre os primeiros 100 dias da gestão de Fernando Haddad
como prefeito de São Paulo. As mudanças nas relações políticas, as
iniciativas e os problemas enfrentados em áreas fundamentais para o dia a
dia dos moradores da cidade. 
O valor dado à Cultura por Haddad, que vem de seu amor por esta
cidade tão mal-amada, desafia apaixonadamente os Tecno-Artistas de todas
as periferias: a cidade tem como inspiração esses pontos mais críticos
pra sua imaginação criadora encontrar as saídas do dia a dia e também as
estruturais.
A nomeação de John Neschling para o Teatro Municipal – que já está
sendo desencalhado e ocupando o lugar que merece na cidade como ponto de
encontro de todas as SamPãs – é outro fator.
Modéstia à parte, menciono como bons ventos destes 100 dias até o
fato de Haddad ter tido a coragem de me convidar – mesmo sabendo que em
torno de minha pessoa existe uma zecelsofobia de quem não é nem
unanimidade – a participar do Conselho da Cidade, o primeiro convite em
minha vida que recebi para ocupar uma função pública.
Aliás, deste conselho, desde representante da Bolsa de Valores fazem
parte até demônios apontados pelo infeliz Feliciano, ponta de lança de
um golpe no Estado Laico Brasileiro: gays, lésbicas, negros, travestis
etc… Quer mais cultura nestes tempos que isso?
Há fatos concretos como as medidas diante das tempestades deste
ano de iniciar a construção de tubulação maior pros rios da
Pompéia, resolvendo o funcionamento permanente da Fábrica Cultural do
Sesc Pompéia do ‘arquiteto’ mais contemporâneo internacional de hoje:
Lina Bo Bardi.
Estas obras preparam assim o Centenário de Achi-Lina Bardi em 2014
sem as enchentes  que propiciavam até a pesca no fim da rua principal
desta Fábrica da Cultura Paulistana.
A semeadura cultural inicial está sendo muito forte. 100 dias ainda
não bastam mas apontam pra uma Primavera Cultural nunca vista na Paulicéia Desvairada – repito: na DESVAIRADA.
José Celso Martinez Corrêa
Presidente da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona”

 Leia também:  Outro Brasil? Somente com participação e arte. AQUI

Sugestões para os novos prefeitos, gestores de cultura dos municipios e vereadores eleitos em 2012.  AQUI


Paulistanos aprovam diálogo com prefeitura, mas esperam ações concretas


Próximo de completar 100 dias de governo, prefeito Fernando
Haddad (PT) investe na conversa permanente com setores sociais para
resolver os problemas da cidade

Por: Tadeu Breda e Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual
Publicado em 05/04/2013, 10:15
Última atualização às 15:17


Paulistanos aprovam diálogo com prefeitura, mas esperam ações concretas


Pessoas em situação de rua participam de encontro com
Fernando Haddad, em março: disposição ao diálogo para soluções conjuntam
marcam início de mandato (CC/Fernando Pereira/Secom)

São Paulo – Prestes a completar 100 dias no governo da cidade de São
Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) tem sido elogiado por grupos e
movimentos sociais devido à sua disposição ao diálogo. Em pouco mais de
três meses, os mais diversos setores da capital já foram recebidos por
membros do alto escalão municipal: moradores de rua, empresários,
artistas, militantes LGBT, lojistas, skatistas, funkeiros, sindicatos,
entre outros. Eles se declaram satisfeitos pela abertura da nova gestão,
mas preferem esperar para ver se tanta conversa se transformará em
políticas públicas efetivamente participativas.
Talvez o maior símbolo da mudança de postura da prefeitura se
expresse pela receptividade de Fernando Haddad às demandas do Movimento
Nacional da População de Rua (MNPR), sem dúvida o grupo social mais
excluído da cidade. “Já fui recebido seis vezes diretamente pelo
prefeito: quatro vezes em reuniões do movimento e mais duas em eventos
públicos”, revela Anderson Lopes, coordenador do MNPR em São Paulo. “Nos
oito anos anteriores, estivemos apenas uma vez com o chefe do
Executivo, no caso, Gilberto Kassab (PSD), durante a posse de um
conselho. Mas acabou a cerimônia, ele nem olhou na nossa cara e saiu
correndo.”
A RBA publica a partir de
hoje (5) uma série de reportagens sobre os primeiros 100 dias da gestão
de Fernando Haddad como prefeito de São Paulo. As mudanças nas relações
políticas, as iniciativas e os problemas enfrentados em áreas
fundamentais para o dia a dia dos moradores da cidade.
Anderson explica que alguns secretários da gestão anterior até
abriram as portas à população de rua, mas lamenta que as conversas não
tenham frutificado em ações. “A gente saía das reuniões e a Guarda Civil
Metropolitana (GCM) voltava a sentar o cacete.” O dirigente do MNPR
atesta que bastou uma mudança de governo para que os funcionários da
prefeitura deixassem de expulsá-los das áreas centrais com jatos d’água.
“Isso acabou, não tem mais”, garante. “Você pode ver que a população de
rua está nas ruas, está mais visível. Antes, tínhamos medo.”
O diálogo com o movimento já derivou em medidas concretas. Em março,
Fernando Haddad assinou decreto criando o comitê intersetorial de
políticas para a população de rua, que reúne nove secretarias municipais
e nove representantes da sociedade civil – entre eles o MNPR. Outra
consequência das conversas foi a criação de duas mil vagas em cursos
profissionalizantes para os moradores de rua. O projeto foi viabilizado
por recursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego
(Pronatec) e por uma parceria com a Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp).

Parcerias

Aliás, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, por enquanto também é só
elogios ao novo prefeito. “Haddad já esteve aqui inúmeras vezes, eu já o
visitei na prefeitura e fizemos um programa para pessoas em situação de
rua”, resume. Skaf é membro do Conselho da Cidade, criado pelo prefeito
Fernando Haddad e formalizado no dia 26 de março. O conselho terá
quatro reuniões por ano para discutir temas abrangentes para a cidade,
como o Plano de Metas e o Plano Diretor.
É composto por membros representativos de toda a sociedade
paulistana, como a presidenta do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, o
músico Arnaldo Antunes, o escritor Fernando Morais, o diretor teatral
José Celso Martinez Corrêa, a empresária Luíza Trajano, presidenta do
Magazine Luíza, o filósofo Vladimir Safatle, representantes das centrais
sindicais, associações de classe como a Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), igrejas, religiões de matriz africana e movimentos sociais.
Skaf conta que a parceria entre prefeitura e Fiesp não vai se limitar
aos cursos para moradores de rua. “Estamos estudando dois outros
grandes projetos. Um, em frente à estação do metrô Itaquera, onde
deveremos construir uma grande unidade do Senai e Sesi. Haverá um teatro
para atender a zona leste de São Paulo, que tem 4 milhões de habitantes
e não tem um teatro sequer”, revela. “E ainda vamos fazer o Museu da
Criança.” De acordo com Skaf, Haddad está se esforçando para colocar à
disposição o terreno necessário ao projeto, que será bancado pela
entidade.
O presidente da Fiesp diz que há projeto também para um centro
olímpico na capital. “Estamos estudando alternativas. Como não está
decidido, não quero antecipar. Primeiro é discutir e depois definir o
terreno.” Segundo ele, a partir do momento em que o terreno estiver
disponível, o prazo para a entrega do centro olímpico seria entre um ano
e meio e dois anos.

Expo 2020

Paulo Skaf menciona “uma parceria muito positiva em relação à
Exposição Mundial 2020”, cuja sede ainda não está definida. São Paulo
está na disputa, que deverá ser anunciada no final deste ano. A
candidatura da cidade também foi tema de conversa entre a gestão
municipal e a Associação Viva o Centro, mantida por bancos, empresas,
instituições, sindicatos e igrejas interessados na “revitalização” da
região central da cidade.
O superintendente geral da ONG, Marco Antonio Ramos de Almeida, diz
que já se reuniu com a vice-prefeita, Nádia Campeão (PCdoB), para tratar
do assunto. “Recebemos ainda a visita do subprefeito da Sé e do
secretário de Desenvolvimento Urbano”, afirma. “Em princípio, temos tido
êxito nos diálogos. Os canais estão abertos.”
Contudo, Ramos de Almeida ainda não vê nenhuma grande mudança de
mentalidade na prefeitura com a nova gestão. “Nossa associação tem 22
anos de existência, já passamos por vários governos municipais e nos
demos bem com todos. Temos uma atitude apartidária e nunca sofremos
restrições.” A Viva o Centro acompanha com atenção as modificações que
serão realizadas pelo governo municipal nos projetos da Nova Luz e na
reforma do Parque Dom Pedro II. “Queremos melhorias na limpeza,
segurança, iluminação e manutenção geral do centro.”

Zeladoria

A chamada “zeladoria” urbana, o trabalho rotineiro de manutenção da
cidade, é uma das maiores fontes de críticas do vereador oposicionista
Gilberto Natalini (PV) aos primeiros 100 dias de Haddad como prefeito, o
qual ele considera “frouxo”. “O que sinto é um governo que na minha
opinião não começou a fazer a zeladoria da cidade, os cuidados na sua
totalidade desde o primeiro dia. Por exemplo, você vê uma quantidade
enorme de praças com mato muito alto e a retirada de árvores caídas na
rua em períodos de chuva”, critica o vereador. “No ano passado demorava
um dia, esse ano teve várias árvores que ficaram até quatro dias.” 
Natalini também critica, entre outras coisas, a mudança na inspeção
veicular. “Para cumprir a promessa de isenção da taxa que fez na
campanha, ele ampliou o período da inspeção, e há uma ameaça de colocar a
inspeção nas oficinas e autorizadas da cidade, misturando fiscalização
com serviços no mesmo lugar, o que pode criar uma situação de fraudes
incontroláveis”, diz o parlamentar do PV. Ele diz ainda que as
subprefeituras estão praticamente paradas.
Essa morosidade parece não se refletir nas atividades do subprefeito
da Sé, Marcos Barreto. Ele diz ter realizado mais de 120 reuniões com
vários setores da sociedade paulistana apenas no mês de março. “A
diretriz é portas abertas e diálogo constante”, diz Barreto, para quem a
conversa tem sido até agora uma das principais marcas da gestão – e uma
diferença em relação à administração anterior. Sob Kassab, as
subprefeituras estavam quase todas ocupadas por militares reformados.
“Precisamos fazer valer a máxima cunhada pelo secretário da Cultura,
Juca Ferreira: Existe Diálogo em SP.”

Pé atrás

Oswaldo Pinheiro, integrante da Cia. Estável de Teatro e membro
fundador da Cooperativa Paulista de Teatro, elogia a disposição para o
diálogo de Juca Ferreira, mas tem ressalvas. “Isso, a disposição a
dialogar, não é mentira. Mas é preocupante, porque acompanhei todo o
ministério do Juca no Ministério da Cultura no governo Lula e essa
sempre foi a prática dele: chamar os movimentos, as entidades, conversar
e abrir sempre espaço. Mas as coisas não são encaminhadas como
deveriam”, diz Pinheiro. 
Ele critica por exemplo o “não andamento” do Projeto de Lei 6722, de
2010, que cria o Procultura. “Ainda não foi aprovado. Isso já foi
encaminhado desde a gestão do ex-ministro Gilberto Gil. O Juca fazia uma
crítica pontual à Lei Rouanet, muito próxima à nossa. Mas depois nada
se concretizou”, reclama Pinheiro. Segundo ele, os artistas reivindicam a
ampliação da Lei de Fomento ao Teatro, criada na gestão municipal de
Marta Suplicy, em 2002. “A Lei do Fomento é o que mais deu certo nos
últimos dez anos na cidade”, diz. “A gente só pode avaliar se há ou não
uma mudança [com o novo governo] se as coisas forem de fato encaminhadas”.
Para Fernanda Estima, do Núcleo LGBT de São Paulo, o diálogo começou
até antes da eleição. “Construímos com o então candidato Haddad um
programa de governo específico para a questão LGBT. No discurso de
vitória do prefeito na Paulista ele fez questão de falar dos negros,
mulheres e homossexuais”, afirma. “Começamos um governo sabendo que
temos um aliado para o que desse e viesse. E é o que tem mostrado.”
O movimento LGBT foi um dos que participaram de conversas com o
secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottili, neste
começo de mandato. A pasta comandada pelo gaúcho tem como uma de suas
principais funções recolher as demandas sociais e conduzi-las a outras
instâncias do governo municipal para que sejam levadas em conta durante a
tomada de decisões.
“Os primeiros 100 dias são um momento de arrumar a casa, de construir
as bases políticas do diálogo e ouvir muito a sociedade civil”, analisa
Sottili. A secretaria também já recebeu migrantes e representantes da
juventude, como os movimentos hip hop, estudantil e negro. A promessa de
Sottili é não deixar a peteca cair. “Nosso governo vai ter muita
participação social como método de gestão”, garante. “Vamos construir
canais de participação para construção das políticas públicas.”

 

PITTY, GAL COSTA E TULIPA RUIZ CONFIRMAM PRESENÇA

A Virada Cultural 2013 será em 18 e 19 de maio, entre o fim da tarde do sábado e o início da noite do domingo. Prepare-se!
http://www.viradacultural.org/

Fan-Page sobre a Virada Cultural 2013 – Dias 18 e 19 de maio em São Paulo
https://www.facebook.com/viradacultural?fref=ts

Quais serão as surpresas que a Virada Cultural reserva para este ano? Falta pouco, dias 18 e 19 de maio em São Paulo.

Confirme a sua presença!
https://www.facebook.com/events/210257889098741/?ref=22

 Subprefeito da Sé elogia iniciativas culturais no centro e convida: ‘Venham dialogar’


Em entrevista à RBA, Marcos Barreto, que tem violão no
gabinete, afirma ainda que desafio é requalificar áreas urbanas da Sé:
‘Queremos nos transformar em instância local de governo’

Publicado em 08/04/2013, 14:50
Última atualização às 16:05


Subprefeito da Sé elogia iniciativas culturais no centro e convida: 'Venham dialogar'


Festival Baixo Centro inunda a região da Sé com atividades culturais até o próximo domingo, 14 (Foto: Divulgação) 
 

São Paulo – O subprefeito da Sé, Marcos Barreto, espera que os
movimentos culturais que defendem uma maior ocupação do centro de São
Paulo devem mudar sua atitude em relação à prefeitura. “Esse grupos
nasceram num momento de não diálogo”, lembra, fazendo referência à
gestão Gilberto Kassab (PSD), que governou a cidade entre 2006 e 2012.
“A orientação do prefeito Fernando Haddad (PT) é inversa: manter as
portas abertas.”
O subprefeito entende que é da natureza de movimentos como Baixo Centro – que esta semana organiza um festival autônomo
na região da Sé – ocupar espaços públicos sem pedir autorização a
ninguém. “É a proposta deles”, reconhece. “A gente respeita, mas quer
frisar que está junto: nosso papel é estimular a ocupação do centro com
cultura, e não vetá-la. Se precisarem de alguma contribuição, a gente
pode ajudar.”
Com um violão no canto do gabinete, Marcos Barreto afirma que, nestes
100 primeiros dias de governo, tem conversado muito com os diferentes
setores sociais interessados no centro. Apenas em março, garante,
manteve mais de 120 reuniões com grupos, entidades e movimentos.
Em entrevista à RBA, o subprefeito pontua que os
maiores desafios de sua gestão passam pela requalificação do espaço
urbano na região, enquanto a grande prioridade é fazer da subprefeitura
uma instância de governo local. “As políticas públicas devem ser
elaboradas pelas secretarias, mas quem deve executá-las são as
subprefeituras.”
Como o sr. vê os movimentos culturais que pregam uma maior ocupação do centro?
Vejo com bons olhos: é um desejo legítimo de retomar os espaços
públicos para manifestar arte, música, dança, fazer esportes, caminhar,
andar de bicicleta etc. Esses movimentos nasceram num momento de não
diálogo. A orientação do prefeito Fernando Haddad é inversa: manter as
portas abertas para o diálogo. Isso vai sugerir uma mudança de
comportamento desses movimentos. Por exemplo, estivemos conversando com o
pessoal do Festival Baixo Centro, que tenta fazer as coisas no limite
do que não precisa de autorização.
Eles acreditam que, sim, podem ocupar os espaços sem pedir
autorização. Por isso, se resguardam a fazer eventos com características
que se encaixam nesse desenho. A gente está respeitando isso, claro,
mas estamos juntos. Se precisarem de alguma contribuição, nossa intenção
não é vetar, mas aprovar e ajudar a organizar no que for possível e no
que eles acharem que precisam do nosso apoio. Porque também é importante
respeitar a autonomia do movimento: eles nasceram com essa
característica e nós vamos respeitar isso sempre.
A retomada do carnaval de rua na cidade faz parte dessa estratégia?
Quando chegamos, nos deparamos com a véspera do carnaval. A
orientação inicial era de que a gente só reconheceria os blocos
legalizados, que estão ligados a duas associações. Mas chamamos todos os
blocos que pretendiam desfilar e sentamos com a Companhia de Engenharia
de Tráfego (CET), Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana (GCM) e
São Paulo Transportes (SPTrans) para organizar tudo. Isso não significa
dar apoio de recurso ou logística a todos os blocos, porque não estava
programado, mas se a gente sabe que eles vão sair, tem que, no mínimo,
organizar o trânsito para dar segurança aos foliões.
A gente também tem de garantir limpeza adequada, policiamento e
fiscalização pra que não tenha venda de bebida alcoólica para menores de
idade. É uma série de ações que podemos fazer, e diria, que é obrigação
do poder público fazer. Essa postura foi bastante acertada. Não podemos
fingir que os blocos não existem, como acontecia antes. É uma questão
de bom senso: estabelecer diálogo e organizar as coisas. É melhor pra
cidade porque é bom que tenha carnaval no centro. O carnaval do
sambódromo é midiático, é pra televisão. O carnaval que as pessoas podem
brincar é o carnaval de rua. Então, que bom que existe.
Agora que há tempo para planejar, o que a subprefeitura pretende fazer?
No próximo ano, a ideia é começar mais cedo, fazer um edital no
modelo do Rio de Janeiro. A gente acredita que este ano houve cerca de
80 blocos na cidade. No Rio foram 450. Talvez isso seja demais e nem
tenhamos fôlego pra tanto, mas certamente temos espaço pra ter mais
blocos. Vamos fazer algo sem conflito com os moradores, negociar tudo.
Algumas pessoas ficam descontentes? Ficam, a cidade tem seu dinamismo.
Mas negociar é sempre muito melhor do que ser surpreendido com
movimentos da noite para o dia. O que estamos fazendo é dar uma
racionalidade, apoiando esse movimento geral que vemos com muito bons
olhos. É uma ocupação positiva do centro, que tem como carro-chefe a
cultura, seja dança, música, teatro. Isso humaniza o centro, faz o
centro ser melhor.
Nesse processo de diálogo, vocês mapearam alguns setores que se colocam contra esse tipo de ocupação cultural do centro?
Contra não. Às vezes alguns grupos de moradores pedem que haja mais
diálogo com eles. Na Praça Roosevelt, por exemplo, eles reclamam não
exatamente dos eventos que ocorrem por ali, mas de outras coisas: por
que a caixa de som, em vez de ficarem viradas para os prédios, não ficam
viradas para o outro lado da praça? São sugestões desse tipo, simples
de solucionar, e que fazem sentido. Até porque eles sabem que moram numa
praça e que a praça é de todos. Não é um condomínio fechado. Mas eles
querem interagir e fazer sugestões.
Não há movimentos de moradores – pelo menos que se manifestem
publicamente como uma maioria ou com força política – contrários aos
skatistas, por exemplo. Mas querem preservar espaços onde possam
caminhar sem serem atingidos por skates voadores. Por isso, acho que o
diálogo vai fazer bem pra cidade. As pessoas têm de perceber que devem
convencer os demais com suas ideias e abrir mão de algumas posturas pra
garantir o que é mais importante: a convivência. Assim haverá
entendimento.
Quais os maiores desafios da sua gestão?
São imensos. Por exemplo, não estou nada feliz com o padrão de
zeladoria urbana que temos aqui. Acho que a Sé tem muito que melhorar em
termos de coleta de lixo, varrição das ruas e na limpeza de uma forma
geral. Em relação às áreas verdes, estamos longe de ter um padrão
satisfatório. Ainda mais nesta época de chuvas, o mato está numa altura
que não se justifica. Ao mesmo tempo, temos o desafio de fazer a
subprefeitura ser aquilo que ela estava destinada a ser quando foi
colocada na Lei Orgânica do Município, em 1991, e quando foi criada, em
2002: ser efetivamente uma instância local de governo.
Hoje, não é esse o papel da subprefeitura. As secretarias desenvolvem
e executam as políticas. Cabe às subprefeituras apenas a regulação de
uso e ocupação do solo e ações de zeladoria urbana, quando, na verdade,
acho que a gente precisava ter no âmbito das subprefeituras a execução
das políticas públicas. Claro, a formatação da política de habitação,
saúde e educação tem de ser feita pelas secretarias, mas a execução
dessa política poderia ser feita no âmbito da subprefeitura.
Outro desafio é requalificar determinadas áreas. Temos ruas
comerciais incríveis no centro, com uma riqueza e faturamento muito
grandes: 25 de Março, Santa Ifigênia, José Paulino. São ruas com muita
força, mas que ainda não têm o padrão urbano que deveriam. A calçada é
estreita, a iluminação deveria ser um exemplo, mas é ruim. A sujeira é
grande. Temos de requalificar esses espaços e também os calçadões, que
estão muito deteriorados: há vários buracos, alguns pedaços solapados
pelo próprio peso dos carros que passam por ali pra levar mercadoria. E é
um calçadão só de passagem, quando acho que deveria convidar o cidadão a
permanecer por ali alguns momentos: não há bancos nem floreiras nem
iluminação à altura.

Veja vídeo geral do encontro com Haddad e Callegari

Finalizamos as publicações da Série de Diálogos sobre educação na
cidade de São Paulo com um vídeo geral do encontro, que resume as
propostas dos participantes para formação de professores e gestores,
educação infantil e alfabetização, avaliação, garantia da equidade e
colaboração intersetorial.
O evento, realizado em parceria pelo Inspirare/Porvir e Todos pela
Educação, aconteceu no dia 18 de fevereiro,  com a participação do
prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o secretário municipal de
Educação, Cesar Callegari.

HADDAD QUER WIFI LIVRE EM 120 LOCAIS DE SÃO PAULO


HADDAD QUER LICITAÇÃO DE WIFI ESTE ANO, E VAI TROCAR REGULARIZAÇÃO DE ANTENAS DE CELULAR POR OFERTA DE PONTOS GRÁTIS.


Fernando Haddad, prefeito da cidade de São Paulo, afirmou na
quinta-feira (04/04) que a o projeto de implantação de WiFi livre na
cidade de São Paulo deve sair ainda este ano, e maior do que o
inicialmente previsto pelo secretário de Serviços Simão Pedro. Segundo o
prefeito da capital paulista, a intenção é estabelecer ao menos um
ponto de acesso por distrito da cidade, o que significaria conexão em
cerca de 120 locais.



“Subprefeitos já estão envolvidos no georreferenciamento dos pontos para
determinar onde há maior demanda da população. Estamos na fase de
orçamento, mas vamos ter seguramente, neste ano, a licitação de mais de
uma centena de pontos”, falou Haddad.

Disse ainda que o
objetivo é oferecer uma conexão de 512 kpbs por usuário quando a rede
estiver com o maior número de pessoas conectadas. O prefeito afirmou que
o WiFi deve ser a prioridade da prefeitura para inclusão digital neste
ano, uma vez que a procura por telecentros nos moldes dos implantados
pelas gestões anteriores tem diminuído.

“O que estamos notando é
que o grau de acessibilidade da população hoje é maior do que quando
começamos a introduzir os telecentros. As escolas estão informatizadas.
Temos laboratórios nas escolas estaduais e municipais e o trabalho é
muito conectado. Estamos vendo uma diminuição da demanda do telecentro
tradicional e aumento da demanda por WiFi”, disse.

Segundo o
prefeito, o número de locais com acesso livre pode ser ainda maior,
graças à assinatura de termos de ajuste de conduta por parte das
operadoras de telefonia móvel, que têm antenas irregulares no município.
“O Minicom vai entrar em um certo sentido no projeto porque existem
termos de ajuste de conduta, obrigando a telefonia móvel a oferecer para
a cidade, como contrapartida, instalações WiFi. A Vivo foi a primeira
que assinou esse ajuste. Certamente as outras vão seguir o exemplo.
Então, além da licitação, teremos o reforço do PAC”, observou.

No começo do ano, Simão Pedro, da secretaria de Serviços, responsável
pelo projeto, afirmou que o projeto-piloto seria realizado em alguns
pontos da cidade, como Av. Paulista e bairros da zona leste. Mas,
segundo fonte ligada ao projeto, chegou-se à conclusão de que “se vai
abrir o sinal, que o teste seja mais abrangente”.

A intenção da
secretaria é levar o edital da licitação a consulta pública dentro de
40 dias. A intenção é dividir a cidade em blocos, evitando que os pontos
de acesso e sua manutenção dependam de apenas uma empresa. Pode ser,
também, que os blocos sejam licitados em momentos diferentes.

As afirmações foram feitas durante o evento de lançamento do livro
Cultura pela Palavra, de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Ambos foram
ministros da Cultura no governo Lula e adotaram medidas de incentivo de à
Cultura Digital.


 A Escola Pernambucana de Circo informa:


# 12 de abril |  Festim Cultural – Em homenagem ao Circo, Teatro e Grafite #
A Escola Pernambucana de Circo convida a todos para participar do Festim Cultural
que nesta edição homenageia o Circo, Teatro e Grafite, artes
especialmente celebradas no dia 27 de março. Na EPC a comemoração
continua no mês de abril e toma conta do nosso 1o FESTIM de 2013.
A festa será colorida com os números da Trupe Circus: “Los Macatchos” (malabares), Trapézio Triplo, Arame e Experimento cênico “Este circo da praia” e com as apresentações de artistas e grupos convidados: Dança
do Ventre com Ítala Onâ, Parada de Mão com Rhayan Gomes, Apresentação
de Hip Hop, Espetáculo “Pólo Marginal Opereta de Rua” dos Loucos e
Oprimidos da Maciel.
FESTIM  é
um evento que homenageia o circo numa festa estilo cabaré, com muitas
atrações circenses, música e diversas outras linguagens artísticas.  O
evento reune gratuitamente artistas, juventude e comunidade em nossa
sede.
Vem comemorar conosco e homenagear o Circo, Teatro e Grafite.
SERVIÇO:
FESTIM Cultural – Homenageando o Circo, Teatro e Grafite
12 de abril
19h
Gratuito
Sede da Escola Pernambucana de Circo (Av. José Américo de Almeida, n. 05, Macaxeira, PE)
——————————————————————————————————
Acompanhe nossas ações:
Escola Pernambucana de Circo
Av. José Américo de Almeida, N. 05, Macaxeira – CEP: 52090-320
Fone: (81) 3266.0050
www.escolapecirco.org.br


Agentes culturais debatem sobre gestão de grupos de teatro durante o III FEST

Os dois últimos dias do III Festival Sergipano de Teatro
também serão dedicados às reflexões e ao debate sobre a produção
teatral. A programação acadêmica, que teve início na tarde desta
segunda-feira, 08 de abril, no Palácio Museu Olímpio Campos, contou com o
“Debate Vivo EnCena” e procurou instigar a classe artística a pensar o
teatro de maneira dinâmica e criativa.
Com o tema ‘Sustentabilidade e Prospecções para o Teatro: Gestão de
Grupos’ e curadoria do pesquisador em gestão cultural, Expedito Araújo,
representante do ‘Vivo EnCena’, o evento teve início com a apresentação
de Tahíba Chaves, assessora Técnica de Produção Cultural na SESC Escola –
RJ, que tratou da evolução histórica do teatro de grupo no Brasil a
partir da perspectiva do mercado. Sua explanação abordou questões como a
profissionalização dos artistas e a constituição da identidade de um
grupo.
As discussões prosseguiram com Ney Piacentini, presidente da
Cooperativa Paulista de Teatro, abordando a prática do teatro como um
eterno aprendizado e destacando os desafios de se encontrar unidade em
um grupo, e a partir daí atingir a sustentabilidade. Para Ney, que
também é ator da Cia. Do Latão – SP, os fatores capazes de manter um
grupo estão relacionados com a qualidade artística e estética que esse
grupo apresenta. E continua, “A sustentabilidade é uma realidade que só
pode ser construída por nós (a classe artística)”. Após as
apresentações, a mesa foi aberta ao debate.
Para Solange Gomes, produtora e jornalista, a importância de um
espaço como este no III Festival Sergipano de Teatro está relacionada ao
intercâmbio de conhecimentos. “O debate Vivo EnCena permitiu uma troca
de informações com as visões dos que produzem teatro e de quem o
consome”, destaca.

A programação acadêmica do III Festival Sergipano de Teatro segue até terça-feira, 09 de abril, das 15h
às 18h. O próximo tema abordado será ‘Cultura, Digital e Mercado: Novas
Práticas’ com participação de Priscilla D’ Agostini, Gestora Cultural,
Pesquisadora em Interações Midiáticas e Atriz do Grupo O Coletivo– MG, e
Rubens Velloso, Diretor da Phila 7 e Produtor Cultural.

Sobre o Vivo EnCena
O Programa Cultural Vivo EnCena é uma iniciativa da Vivo que estimula
o intercâmbio de projetos com o objetivo de contribuir para o
desenvolvimento do país e da sociedade como um todo. Neste âmbito, o
teatro é pensado além do espetáculo, sendo estabelecida uma rede de
ações com diversidade, empreendedorismo e criatividade, compartilhando
histórias inspiradoras, conceitos inovadores e ideias transformadoras no
âmbito da cultura.

O Vivo EnCena é realizado há três anos e está presente em 19 Estados,
além de realizar ações próprias e a curadoria do Teatro Vivo, situado
na capital paulista.

Sobre o III FEST
O III Festival Sergipano de Teatro é uma realização do Governo de
Sergipe, através da Secretaria de Estado da Cultura, e Instituto Banese.
Apóiam o evento o Banese, Sated/SE, Fundação Aperipê e Shopping Riomar.
A Vivo é a operadora oficial do evento.

Algumas
imagens são capazes de resumir mil frases… No caso brasileiro, por
exemplo, depois de 25 anos de ditadura militar, o uso das forças armadas
para reprimir a sociedade se tornou desnecessário. O aparelho de
repressão oficial deixou de ser o cassetete e o pau-de-arara e passou a
ser a televisão, incutindo valores capitalistas e a visão de mundo
estadunidense em grande parte da população. Hoje, nós somos nossos
próprios CENSORES, nós mesmos nos reprimimos, nos vigiamos, nos podamos,
nos controlamos. Várias gerações (sobretudo as que nasceram recebendo
as lições matinais da “Xuxa”…) foram formadas com valores capitalistas
intransigentes a repetir e defender uma visão de mundo norte-americana
baseada no individualismo e no consumismo e que recusam (consciente ou
inconscientemente) qualquer ideia que fuja do modelo “americano”.
Cercado por países de língua espanhola, o Brasil ignora a América Latina
e é hoje um país absolutamente doutrinado pela música, pelo cinema e
pela TV dos EUA, e mesmo os que se dizem mais críticos à “mídia”, ao
“sistema”, à “Globo”, ao “capitalismo”, tem mais de 90% de suas
referências culturais absolutamente restritas ao idioma inglês e sua
cultura. Como temos dito desde o início, não basta descobrir que a Globo
aliena, é preciso enxergar os efeitos dessa alienação perversa dentro
de nós mesmos, que nos inviabiliza um outro mundo possível (ORG).

 12/05/2013 Tecnologia na Educação

Como a tecnologia está presente na sua sala de aula? Você sabe
utilizar o computador, a internet, blogs, celulares, tablets, podcasts,
projetores, câmeras e outros recursos para ensinar ainda melhor os
conteúdos curriculares de cada disciplina? Navegue nos 108 links abaixo e
dê um upgrade nas suas aulas. Há material para todos os segmentos. 

 AQUI

 

Site mostra como trabalhar a cultura digital na educação

Materiais produzidos por educadores de três escolas públicas de
Pernambuco, Tocantins e Ceará estão sendo disponibilizados em um site
para ajudar outros professores do ensino fundamental e médio a
trabalharem a cultura digital em sala de aula. O recém lançado portal Telinha na Escola
quer estimular educadores e alunos a experimentarem as novas
tecnologias de uma forma criativa e que transforme os processos de
aprendizagem.

Na sessão “aulas criativas”, por exemplo, há planos de aulas que o
ajudam a ensinar sobre o uso das redes sociais, a realizar dinâmicas de
reflexão sobre a história das mídias interativas no Brasil ou até mesmo a
levar a história do hipertexto para a sala de aula. Na categoria
“edição”, estão materiais que auxiliam na criação de vinhetas animadas
ou vídeos literários. Enquanto em “mobilidade”, é possível achar
conteúdos que orientam o professor a trabalhar temas como mídia e
cidadania usando máquinas fotográficas e aparelhos celulares.

 

crédito aleciccotelli / Fotolia.com

 

O site é resultado de um trabalho realizado, desde 2009, pela ONG Casa da Árvore,
nas escolas Arraial Novo do Bom Jesus (PE), Don Alano (TO) e Joaquim
Alves (CE). A instituição vem capacitando professores para pensarem e
produzirem aulas usando as novas tecnologias. E tudo que é realizado
nessas escolas fica disponível para uso livre e aberto (em licença Creative Commons) e pode ser editado, modificado e reproduzido livremente por qualquer educador.

Segundo Aluísio Cavalcante, coordenador do projeto Telinha na Escola, o
portal visa estimular professores a desenvolverem e mediarem aulas
usando recursos como redes sociais, audiovisual e mapas digitais. “As
aulas inovadoras e criativas realizadas pelos professores servem apenas
como um ponto de partida para a construção da experiência em novas
tecnologias”, afirma. “Nossa ideia é ter uma interface muito simples,
que permita uma navegação mais autônoma onde cada um possa aprender
aquilo que quer da forma que acha melhor”, diz Cavalcante.

Arraial Novo do Bom Jesus

Presente na escola municipal Arraial Novo do Bom Jesus, de Recife, desde
o início do ano passado, o projeto está capacitando mais de 40
professores do ensino fundamental para o uso dessas ferramentas. Segundo
Amanda Morais, diretora da escola, a cultura digital já existia no
colégio, mas de modo muito superficial. “Se o professor domina as
tecnologias, ele consegue envolver mais os alunos e trabalhar os
conteúdos em novos formatos”, afirma. “A iniciativa trouxe um novo gás e
aumentou a autoestima dos professores, que estão aprendendo na prática e
na própria escola, o que tem ajudado também a fortalecer o trabalho em
equipe”, diz.

De acordo com Amanda, uma das surpresas foi o fato de os alunos não
dominarem tão bem as tecnologias como o previsto. “Achávamos que os
estudantes tinham mais conhecimento do que os professores, mas
descobrimos que eles precisavam aprender e se apropriar melhor dessa
nova cultura. O que motivou ainda mais os professores.”

Algumas imagens são capazes de resumir mil frases... No caso brasileiro, por exemplo, depois de 25 anos de ditadura militar, o uso das forças armadas para reprimir a sociedade se tornou desnecessário. O aparelho de repressão oficial deixou de ser o cassetete e o pau-de-arara e passou a ser a televisão, incutindo valores capitalistas e a visão de mundo estadunidense em grande parte da população. Hoje, nós somos nossos próprios CENSORES, nós mesmos nos reprimimos, nos vigiamos, nos podamos, nos controlamos. Várias gerações (sobretudo as que nasceram recebendo as lições matinais da "Xuxa"...) foram formadas com valores capitalistas intransigentes a repetir e defender uma visão de mundo norte-americana baseada no individualismo e no consumismo e que recusam (consciente ou inconscientemente) qualquer ideia que fuja do modelo "americano". Cercado por países de língua espanhola, o Brasil ignora a América Latina e é hoje um país absolutamente doutrinado pela música, pelo cinema e pela TV dos EUA, e mesmo os que se dizem mais críticos à "mídia", ao "sistema", à "Globo", ao "capitalismo", tem mais de 90% de suas referências culturais absolutamente restritas ao idioma inglês e sua cultura. Como temos dito desde o início, não basta descobrir que a Globo aliena, é preciso enxergar os efeitos dessa alienação perversa dentro de nós mesmos, que nos inviabiliza um outro mundo possível (ORG).

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