Vida alternativa: A cultura invisível dos malucos de estrada

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Fonte: Site Agência Social
Pessoas com dreades nos cabelos, roupas coloridas e chinelos de pneu,
vivem perambulando pelos quatro cantos do mundo. Estendem seu pano com
artesanatos por onde passam. Em um misto de arte, sonhos, liberdade e
desapego, eles tem uma filosofia de vida própria.
Para muitas pessoas são os chamados hippies. Porém esses ficaram nos
anos 60 e 70, os atuais preferem ser nomeados como ‘malucos de estrada’ e
tem uma filosofia de vida própria, num movimento específico e
abrasileirado. “Mas a sociedade nos considera hippies por sermos
alternativos”, diz Lucas Costa, 29 anos, que é chamado pela “malucada”
de Salsicha. Ele viaja desde os 15 anos e já conhece o Brasil todo.
A maioria deles não tem casa, dorme nas ruas, acorda a hora que quer e
se mantem de um trabalho feito pelas próprias mãos. O maior objetivo é
viajar, prezam a liberdade de ir e vir, sem se preocupar com o tempo,
como é hábito nas grandes cidades.


A filosofia de vida dos malucos de estrada são passadas de pai para filho.

Rafael Lage é artesão, fotógrafo, malabarista e atualmente diretor.
Viajou pelo mundo durante 10 anos. Hoje dirige o ‘A Beleza da Margem’,
um documentário que mostra a vida do maluco de estrada, a cultura e as
retaliações que sofrem no percurso.  A inspiração veio da própria
vivência.
“Eu vivi do artesanato e do malabarismo. No momento me considero um
hibrido, carrego toda a herança desta vivência, mas me encontro
dialogando com comunicação, pesquisa, fotografia, filmagem, produção.
Isto me distingue da malucada em geral que costuma ter uma certa
resistência a este aparato”, relata Rafael.
As retaliações e o preconceito da sociedade com esse estilo de vida
fizeram com que ele colocasse mais um item em sua mochila nômade: a
câmera filmadora. E junto com uma equipe de malucos de estrada percorre o
mundo para mostrar a realidade e beleza desse grupo alternativo.
“A abordagem da mídia convencional e a visão em geral da sociedade
sobre este movimento, tem uma forte tendência a ‘folclorizar’ ou então a
criminalizar estas pessoas. Acreditamos que o filme irá aumentar o
arsenal de entendimento e adensar o tema.” diz Rafael Lage, sobre o que
espera com o documentário.


A Charge bem humorada de Marcio Andrade em homenagem aos malucos de estrada

O ‘A Beleza da Margem” esta em fase de produção e mostra a riqueza
cultural e a luta contra a repressão desta ‘sociedade alternativa’, como
diria Raul Seixas. O financiamento acontece de forma colaborativa e
será lançado pela internet no final de 2013 com livre acesso.
Minha vida é estrada eu não ligo pra nada, só quero cantar
Hosana, 35 anos, é a terceira geração de sua família que esta na
estrada e optou por educar seus filhos de uma maneira não tradicional. A
alfabetização de seus quatro filhos é feita por ela mesma. Tem uma
caixa de sapato com diversos livros que a acompanha para todo lugar. A
filosofia de vida é passada de pai para filho. “A gente mesmo ensina o
artesanato, a ler, escrever e fazer contas” comenta Hosana.


Geralmente a fonte de renda dos viajantes é o artesanato.

A trilha sonora de suas vidas são ritmos como reggae e rock
alternativos. Marcos Rasta compõe suas próprias canções, se apresenta na
Avenida São João, Centro de São Paulo. O velho, de bata colorida e
barbas longas, fala sobre tudo que vê na rua. “A partir do momento que
você saiu da barriga de sua mãe, você já é cultura”, fala com sua
experiência. “As pessoas têm que andar nas ruas e conhecer todo tipo de
manifestação cultural, não é só na TV que elas existem.”, sugere Marcos.
Até o momento não existe uma pesquisa que retrata os malucos de
estrada e sua evolução, mas o sonho, a liberdade e o desapego continuam
fazendo a cabeça dessa galera pelas estradas do mundo. De carona ou a pé
os “malucos belezas” não precisam de muito dinheiro. “Com o artesanato
ganho o suficiente para viver.”, conta Salsicha com um sorriso no rosto
queimado pelo sol.

Assista o teaser e colabore com o financiamento do filme.

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