momento, dialogam de forma intensa. O ano de 1990, quando escrevo
sobre a organização do primeiro encontro de menores do bairro américa e a
passeata de protesto “culturalizada”, realizada como culminância do
referido encontro que aconteceu neste ano, e o tempo propriamente em que
estou inserido agora, o ano de 2019 com seu carnaval, considerado um
dos mais politizados.
leio critica quanto aos aspectos imorais e violentos do carnaval,
resumindo o carnaval a isso, tão somente.
nesse sentido foi a postagem do vídeo pornográfico realizada pelo
presidente Bolsonaro, como resposta a avalanche de criticas que recebeu
dos foliões de norte a sul do país.
Record, só viu cenas de violência associadas aos festejos de Momo.
leio a reiteração da antiga critica aos aspectos alienantes e de fuga
do carnaval, resumindo o carnaval a isso, tão somente.
Vamos amigo, ajude!
Senão
A gente acaba perdendo o que já conquistou…
Vamos levante e lute!
Vamos levante e ajude!
Vamos levante e grite!
Vamos levante agora!
Que a vida não parou
A vida não pára aqui
A luta não acabou
E nem acabará
Só quando a liberdade raiar… “
Lutar com arte! O carnaval 2019 deu a pista. Mas não esqueçamos o investimento necessário. ZdO
incluímos o gesto “carnavalizado” do ator José de Abreu que se
autoproclamou presidente do Brasil, mesmo que este não tenha sido
parte da programação para este período, mas que acabou se conectando.
processo por parte de Bolsonaro e à esquerda, com comentários do tipo:
“A esquerda é capaz de lotar um aeroporto pra brincar de “ Zé de
Abreu na presidência”, mas não consegue lotar as ruas do Rio para
protestar contra o Bozo e a Reforma da Previdência. Estamos bem! Bom
sábado a todos.”
apresentado abaixo, cuja pesquisa e escrita do texto foi concluída no
dia de hoje, 10 de março de 2013, com o macro acontecimento do carnaval
de 2019?
administrativo do projeto Reculturarte, nos mostra o quanto a
metodologia utilizada, se assemelha ao processo pedagógico e cultural
da construção de um carnaval de escola de samba ou de bloco afro.
Encontro que marcou o lançamento do projeto Reculturarte em Sergipe e da campanha nacional “Não Matem Nossas Crianças.”
Santa Rita de Cássia nos dias 23 , 24 e 25 de novembro de 1990. Depois,
abrindo a programação do dia 26, tivemos a missa que deu o ponta pé da
mobilização de rua . Esta foi celebrada pelo Pe. Didiu e pelo Pe.
Gabriel, que eram salesianos, na Igreja de São José, o que foi muito
bom. Assim como foi toda a concentração na Pça. Tobias Barreto, em
frente a Secretaria de Segurança que ficava próximo a igreja, depois
tivemos a caminhada até o centro da cidade, nos levando a crer que as
autoridades de Sergipe iriam tomar posição em relação as chacinas de
crianças, ainda mais com o envolvimento do procurador geral da
república, na época Aristides Junqueira, da Anistia Internacional e da
secção sergipana da OAB, que entrou de cheio, com o presidente Clóvis
Barbosa. Naquela época a OAB era mais envolvida com a questão social.
Depois, continuando uma caminhada muito boa pelas ruas do centro da
cidade. Me recordo da presença de Ivanir Santos, que era o coordenador
do Centro de Apoio às Populações Marginalizadas (CEAP) do Rio de
Janeiro e que veio a Aracaju lançar a campanha nacional “Não Matem
Nossas Crianças”. Sobre o primeiro encontro, acolhemos pela manhã as
crianças e os pais, a educadora Rosangela Souza cantou, teve a
palestra com Rosana do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua,
Zé da Guia e Zezito de Oliveira fizeram a abertura, representando o
CESEP e a AMABA respectivamente. Frei Florêncio Pecorari, o pároco da
Igreja São Judas Tadeu, apareceu, deu uma palavrinha. Teve uma
apresentação do próprio projeto Reculturarte, por meio de um esquete de
teatro e uma apresentação do grupo de dança FAMA, cujo responsável era o
professor Henrique. Teve também gincanas e brincadeiras, e não
poderia faltar o lanche e o almoço. O almoço me marcou, porque quase
todas as crianças do nosso projeto passavam por situações difícieis ,
por necessidade, e algumas até fome e o almoço foi bom, porque vimos a
alegria e a felicidade dos pais dizerem, poxa em nosso bairro tem uma
entidade que promoveu um encontro esclarecedor, de educação, sobre
cultura, nos oferece um lanche e um almoço desse. Estamos num bairro
bom. Não existia somente a guerra da maconha, razão, segundo a policia,
da morte de tantos adolescentes e jovens. Também existia projetos
sociais que precisavam ser vistos pela comunidade, para estimular a
comunidade a resistir, para levantar a auto estima da comunidade e o
encontro serviu para isso. Foi graças ao encontro que tivemos sucesso
com a caminhada no centro. O encontro foi em três dias e no encontro
mobilizamos toda comunidade para participar da caminhada. Muitas
crianças que estavam na caminhada, eram do projeto Reculturarte, e já
estavam participando de atividades como teatro, capoeira, escolinha de
esporte e lazer, cooperativa dos guardadores de carros. O encontro fez
o lançamento da caminhada acontecer em grande estilo.”
Cena da caminhada de protesto contra o assassinato de crianças e adolescentes por grupos de exterminio em 1990.
imersos em um local, mesmo que não totalmente, já que as pessoas iam
dormir em casa, e contando com estrutura de apoio e formação pedagógica
e cultural.
E depois isso prossegue de maneira permanente, não mais
episódica ou pontual, isso por conta do apoio financeiro e técnico
recebido das agências de cooperação Coordenadoria Ecumênica (CESE) e
Visão Mundial e que se estenderam até o final da década de 1990. As
oficinas culturais e a criação de grupos culturais, assim como o reforço
escolar e a escolinha de esportes. Os retiros/acampamentos como
momentos privilegiados para a formação humana integral. Os encontros
para formação de educadores com base na pedagogia de Paulo Freire. Os
encontros com pais e familiares dos educandos. Os festivais infantis e a
festa Kizomba, momento anual de apresentação dos trabalhos produzidos
pelos grupos culturais, que lembravam um pouco o clima e a apoteose que
significa um desfile de grandes blocos ou escolas de samba.
samba e alguns blocos carnavalescos dispõem, com a estrutura mínima
necessária para que pessoas possam estudar, debater e criar materiais
cênicos e cenográficos, entre outros tipos, para narrar uma história ou
para construir uma espécie de ópera popular.
pesquisadora do campo das culturas populares, Marina Ribeiro,
respondendo à uma questão proposta pelo colega também pesquisador e
ativista cultural, Jhonatam Vasconcelos. Disse Marina Ribeiro: “o
desfile é emocionante, mas não sei se os bastidores daquela construção
também é. Conheço pouco do carnaval carioca, mas, do pouco que sei, cada
vez menos cargos de comando são de pessoas pretas ou de pessoas da
comunidade; as rainhas de baterias que muitas vezes têm que ser
artistas; carnavalecxs tão distantes do berço do samba; necessidade de
se ter muito muito, muito dinheiro para competir com o samba-enredo, etc
etc etc. Não sei como estas críticas sociais desfilando na avenida são
vividas no dia-a-dia das escolas e, principalmente, da comunidade que a
escola ocupa. O quanto realmente se investe na comunidade para que
seus/suas moradorxs possam ocupar (voltar a ocupar) espaços de
lideranças, criação, de decisão, de poder dentro do núcleo ativo das
escola/comunidade. Não sei mesmo sobre o carnaval carioca. Mas o canto
de Nelson Sargento pra mim está sendo superior aos emocionantes
desfiles: “mudaram toda sua estrutura, te impuseram outra cultura e você
não percebeu” (Samba, Agoniza Mas Não Morre, 1978).”
AMABA/Projeto Reculturarte chegou ao fim. Porém, mais detalhes, tanto
sobre isso, como a respeito do encontro e caminhada constarão no livro.
iniciativas de base comunitária que não conseguiram sobreviver, poderiam
estar dando nesse momento importantes contribuições para enfrentarmos
os monstros e vampiros que querem devorar os nossos direitos e a nossa
dignidade.
sucumbiram, como das que não sucumbiram. Por isso, vale conhecer,
registrar, sistematizar, estudar, recuperar a história e difundir as
melhores iniciativas dentre milhares de caráter social, educativo e
cultural que colaboraram/colaboram para os avanços e as conquista
obtidas pelo povo brasileiro.
Eclesiastes. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o
propósito debaixo do céu.” Decerto, nestes tempos da onda conservadora
fascista que pensa poder nos afogar, uma outra maneira de utilizar o
tempo, para quem quer combate-la é viajar ao passado, tanto distante,
como recente, para descobrir as luzes que ajudaram a descortinar os sóis
do direito, da justiça, da esperança, da alegria, do bem viver. E se
puder, transformar isso em uma grande narrativa de resistência e de
superação como fizeram as escolas de samba Paraiso do Tuiuti e
Mangueira.
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