Marc Ferro
Por Zezito de Oliveira
Na semana passada, uma noticia bem positiva com relação a forma como a periferia está enfrentando o coronavirus nos chamou a atenção.
Isso ajuda a explicar, porque três pessoas com quem conversei recentemente tem boas recordações do trabalho da AMABA a partir de 1990, mas não se recordavam da minha pessoa como presidente. Dois por morarem nas imediações do bairro América e não participar do cotidiano da associação, e o outro por ter começado a participar da AMABA através de atividades do Projeto Reculturarte.
Acerca deste último, acontecia uma questão interessante e que confundia a cabeça de muitas crianças e adolescentes que participavam do Reculturarte,
Tratava-se do papel do coordenador do projeto e o papel de presidente da AMABA, o que para muitos eram a mesma pessoa, já que somente o coordenador do projeto podia ser remunerado para ficar a disposição do projeto, logo, permanecendo por mais tempo na sede da entidade e circulando pelo bairro. O contrário do presidente da AMABA, que trabalhava e fazia universidade durante o dia, e que era proibido de receber remuneração por conta da legislação da época, mesmo com o trabalho especializado a serviço do projeto sociocultural que muitas vezes realizava. Trabalho que misturava competências de educador popular com assistente social.

Luiz Fernando – Em pé de óculos e bigode. De frente Aparecida e de costas Paulo Sérgio. Essa cena é uma dramatização, possivelmente como parte de um exercicio de psicodrama. A foto tem como local o Recanto Franciscano, casa de retiros localizada no bairro Mosqueiro em Aracaju. O ano é 1992.
No capitulo do livro que dedicaremos a esse desenho ou redesenho de gestão, traremos mais detalhes sobre o sucesso parcial da proposta e sobre as dificuldades para conseguirmos avançar, dificuldades que deita raízes em nosso passado colonial, escravocrata, e que nos deixou marcas profundas de autoritarismo, paternalismo, passividade, acomodação, conformismo, apego exagerado a tradição e ao estabelecido, falta de hábito pelo estudo, preguiça ou dificuldades em pensar, medo de inovar.
Isso também ajuda a explicar o retrocesso violento que o nosso país está sofrendo na atualidade, depois das avançadas gestões de Lula e primeiro governo da presidenta Dilma Roussef, mesmo com os limites e contradições que acabaram por provocar o colapso “programado” do seu segundo mandato, o que contaminou os demais poderes da república, além de amplos setores da iniciativa privada e da sociedade civil que embarcaram na canoa furada ou no titanic do golpe de 2016, motivos do afundamento do Brasil desde então.
Antônio Luis também prestou inestimável contribuição para o desenvolvimento atual do Bairro América. Tendo a sua contribuição se ampliado, ainda no tempo da AMABA, para a cidade de Aracaju como um todo. Considerando o seu engagamento posterior no movimento sindical dos aposentados e atualmente na federação dos conselhos comunitários de segurança.
Por último, voltando mais uma vez para a periferia de São Paulo encontro uma noticia negativa, aqui trata-se de uma área conhecida como Brasilândia, nessa região, segundo o blog de uma rádio comunitária da região, a Cantareira, apesar de ser uma área com o maior número de caso de coronavirus, a população residente, em sua maioria, não reage com os cuidados que a gravidade da situação requer.
E para concluir: Fundamental pensarmos esse momento para fortalecermos redes politicas de solidariedade, politicas porque não se faz solidariedade apenas prestando assistência ou alivio imediato. Mas pensando o agora e o depois. Bem na linha do que afirmou Dom Hélder: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.”
P.S.: O trabalho social educativo com arte e cultura realizado
pela AMABA, foi financiado de forma permanente
pela Visão Mundial, desde 1989 até 1999. E de forma intermitente pela
Coordenadoria Ecumênica de Servico (CESE).
O Unicef fez repasse de pequeno repasse uma vez e o então deputado
Renatinho Brandão (PT) fez repasse razoável uma ou duas vezes, não temos
certeza. O Centro Sergipano de Educação Popular prestou
assessoria fundamental nos dois primeiros anos e depois esporadicamente. O
Centro Nordestino de Animação Popular , localizado em Pernambuco e
especializado em arte-educação popular, prestou assessoria a distância,
presencial e significativa, em especial de 1992 à 1995. O Centro Ecumênico de
Serviços a Evangelização e a Educação localizado em São Paulo, colaborou de forma indireta por meio dos
cursos de verão em 1990 e 1991. Inclusive por meio deste chegamos ao CENAP.
assim como por parte de alguns sócios, de forma esporádica.
em especial no período compreendido entre 1983 e 1991 na pessoa do Frei Florêncio Pecorari.
Assim como a Escola Estadual Souza Porto, na pessoa do diretor Carlos, entre 1986 e 1991.
A todos, o nosso mais sincero e afetuoso agradecimento.
DOCUMENTOS SOBRE A REFORMA NO ESTATUTO QUE DESCENTRALIZOU E DEMOCRATIZOU A AMABA.
DOCUMENTOS SOBRE O TRABALHO EDUCATIVO E PREVENTIVO CONTRA A COLÉRA E CONTRA A AIDS.
Jornal de Sergipe – 17 de julho de 1991
O texto a esquerda no recorte acima, foi extraído do Jornal “O São Paulo” da Arquidiocese de São Paulo. Não encontramos mais detalhes acerca da edição ou ano de publicação. Provavelmente é do ano de 1991.
Zezito de Oliveira e Paulo Sérgio no Curso de Verão de 1992 . Teatro da PUC/SP. Em destaque, saindo do palco por um dos corredores, após uma fala de boas vindas, o saudoso Arcebispo de São Pauo, Dom Paulo Evaristo Arns.
Cardeal Arns, personagem emblemático da história do Brasil contemporâneo se foi, mas o Curso de Verão prossegue.
Até uma parte do mesmo, pode ser visto aqui na net.. Vale a pena participar de maneira presencial..
Livro conta a história do Bairro América
Dom Paulo Evaristo Arns – um homem amado e perseguido
artigos,monografias, dissertação e teses..
BAIRRO AMÉRICA EM ARACAJU/SERGIPE
UMA FONTE PARA A HISTÓRIA DO CATOLICISMO EM SERGIPE: O PRIMEIRO LIVRO TOMBO DA PARÓQUIA SÃO JUDAS TADEU – ARACAJU/SE (1961 – 2016)
Do MEB ao CESEP : uma análise da educação popular em Sergipe
BOLETIM DA AMABA DEZEMBRO DE 1984 – ARQUIVO DIGITAL DO CENTRO PASTORAL VERGUEIRO.
CURSO DE VERÃO: UM PROJETO DE EDUCAÇÃO POPULAR FEITO EM MUTIRÃO.
METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO POPULAR: CONCEITOS, PRÁTICAS E APRENDIZAGENS NO CURSO DE VERÃO 2018
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