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Os donos do mundo têm um ano inteiro para chamar de seu. Via de regra,
os poderosos fazem e acontecem, sem dar nenhuma satisfação a ninguém. O
pai do sambista estava coberto de razão, o brasileiro médio é mesmo um
homem cordial. À parte as conversas em mesa de bar, um post aqui, outro
ali, apesar de todos os escândalos, não se ouve bater de panelas, nem um
pio.
volume e berra mais alto, como se fosse de fato a própria voz de Deus. O
corpo fala. Além de se cobrir com todas as cores para tomar as ruas em
alvoroço, o folião muitas vezes aproveita para ir à forra e faz da farra
um grandiloquente ato político.
treme. A caretice, o moralismo e até o poder recolhem-se ao escuro de
suas tocas, com o rabo entre as pernas. O escracho é a única norma.
Qualquer um com culpa no cartório tem motivo de sobra para temer o
confete, a serpentina e o apito.
pode até driblar o Ministério Público, escorado na força da grana, fruto
das relações pouco republicanas mantidas com a família Bolsonaro, como
fez até agora, impunemente. Mas não será poupado pela fuzarca. Henrique
Teles (Maria Scombona), Julio Andrade (The Baggios) e Alex Sant’Anna,
três compositores da língua grande, botaram o amigo do presidente na
roda, sem um pingo de dó.
toque de caixa e guitarra fuzz, é desde já o grande hit do bloco
cibernético Unidos do Laranjal, disposto a congestionar os caminhos
pavimentados do ambiente virtual com o repique de uma pergunta
inconveniente, que não pode se calar.
Publicado no Jornal do Dia, 19 de fevereiro.
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“Mas
a esquerda segue meio perdida, reativa e sem imaginação. Onde é preciso
ouvir, muita pregação. Onde falta interlocução, mais pregação. Onde
precisa de base, decisões da liderança. Precisa achar, cultivar e
fomentar experiências que apontem para fora deste atoleiro.”
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“Fui a três atos dos funcionários municipais que estão em greve por causa da imposição de um plano de previdência
péssimo: o Sampaprev. A mobilização parece que está boa, maior que a do
ano passado, que logrou barrar o decreto temporariamente. A Prefeitura
não está negociando e o movimento tenta se manter na rua. Do ponto de
vista da rua, as manifestações obedecem a um padrão bem clássico:
concentração com carro de som, votação por aclamação, passeata. Tudo de
bom ao movimento, mas fiquei de novo com aquela sensação de que é
preciso renovar as formas de atuar em público. Por ora, parece que a
sociedade não se sensibiliza com atos de rua.”
Leia mais: AQUI -
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O texto de Frei Betto serve não só de conselhos, mas também de auto-avaliação.
Temos que ter clareza de quem somos!!!!
Dez Conselhos para militantes de esquerda
1. Mantenha viva a indignação.
Verifique periodicamente se você é mesmo de esquerda. Adote o critério
de Norberto Bobbio: a direita considera a desigualdade social tão
natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A esquerda a encara como uma aberração a ser erradicada.Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus social-democrata, cujos
principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas
de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não
ficar mal com os grandes.2. A cabeça pensa onde os pés pisam.
Não dá para ser de esquerda sem “sujar” os sapatos lá onde o povo vive,
luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias. Teoria sem
prática é fazer o jogo da direita.3. Não se envergonhe de acreditar no socialismo.
O escândalo da Inquisição não faz os cristãos abandonarem os valores e
as propostas do Evangelho. Do mesmo modo, o fracasso do socialismo no
Leste europeu não deve induzi-lo a descartar o socialismo do horizonte
da história humana.O capitalismo, vigente há 200 anos,
fracassou para a maioria da população mundial. Hoje, somos 6 bilhões de
habitantes. Segundo o Banco Mundial, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de
US$ 2 por dia. E 1,2 bilhão, com menos de US$ 1 por dia. A globalização
da miséria só não é maior graças ao socialismo chinês que, malgrado
seus erros, assegura alimentação, saúde e educação a 1,2 bilhão de
pessoas.4. Seja crítico sem perder a autocrítica.
Muitos
militantes de esquerda mudam de lado quando começam a catar piolho em
cabeça de alfinete. Preteridos do poder, tornam-se amargos e acusam os
seus companheiros (as) de erros e vacilações. Como diz Jesus, vêem o
cisco do olho do outro, mas não o camelo no próprio olho. Nem se engajam
para melhorar as coisas. Ficam como meros espectadores e juízes e, aos
poucos, são cooptados pelo sistema.Autocrítica não é só admitir os próprios erros. É admitir ser criticado pelos (as) companheiros (as).
5. Saiba a diferença entre militante e “militonto”.
“Militonto” é aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos
os eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é
repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais.O
militante aprofunda seus vínculos com o povo, estuda, reflete, medita;
qualifica-se numa determinada forma e área de atuação ou atividade,
valoriza os vínculos orgânicos e os projetos comunitários.6. Seja rigoroso na ética da militância.
A esquerda age por princípios. A direita, por interesses. Um militante
de esquerda pode perder tudo: a liberdade, o emprego, a vida. Menos a
moral. Ao desmoralizar-se, desmoraliza a causa que defende e encarna.
Presta um inestimável serviço à direita.Há pelegos disfarçados
de militante de esquerda. É o sujeito que se engaja visando, em
primeiro lugar, sua ascensão ao poder. Em nome de uma causa coletiva,
busca primeiro seu interesse pessoal.O verdadeiro militante,
como Jesus, Gandhi, Che Guevara, é um servidor, disposto a dar a própria
vida para que outros tenham vida. Não se sente humilhado por não estar
no poder, ou orgulhoso ao estar. Ele não se confunde com a função que
ocupa.7. Alimente-se na tradição da esquerda.
É preciso
oração para cultivar a fé, carinho para nutrir o amor do casal, “voltar
às fontes” para manter acesa a mística da militância. Conheça a história
da esquerda, leia (auto) biografias, como o “Diário do Che na Bolívia”,
e romances como “A Mãe”, de Gorki, ou “As Vinhas de Ira”, de Steinbeck.8. Prefira o risco de errar com os pobres a ter a pretensão de acertar sem eles.
Conviver com os pobres não é fácil. Primeiro, há a tendência de
idealizá-los. Depois, descobre-se que entre eles há os mesmos vícios
encontrados nas demais classes sociais. Eles não são melhores nem piores
que os demais seres humanos. A diferença é que são pobres, ou seja,
pessoas privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida
digna. Por isso, estamos ao lado deles. Por uma questão de justiça.Um militante de esquerda jamais negocia os direitos dos pobres e sabe aprender com eles.
9. Defenda sempre o oprimido, ainda que, aparentemente, ele não tenha razão.
São tantos os sofrimentos dos pobres do mundo que não se pode esperar
deles atitudes que nem sempre aparecem na vida daqueles que tiveram uma
educação refinada.Em todos os setores da sociedade há
corruptos e bandidos. A diferença é que, na elite, a corrupção se faz
com a proteção da lei e os bandidos são defendidos por mecanismos
econômicos sofisticados, que permitem que um especulador leve uma nação
inteira à penúria.A vida é o dom maior de Deus. A existência
da pobreza clama aos céus. Não espere jamais ser compreendido por quem
favorece a opressão dos pobres.10. Faça da oração um antídoto contra a alienação.
Orar é deixar-se questionar pelo Espírito de Deus. Muitas vezes,
deixamos de rezar para não ouvir o apelo divino que exige a nossa
conversão, isto é, a mudança de rumo na vida. Falamos como militantes e
vivemos como burgueses, acomodados ou na cômoda posição de juízes de
quem luta.Orar é permitir que Deus subverta a nossa existência, ensinando-nos a amar, assim como Jesus amava, libertadoramente.
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O que é a nova esquerda –
André Jacobina e Leonardo Attuch debatem sobre a nova esquerda e figuras
como Bernie Sanders, Alexandra Ocasio Cortez e Fernando Haddad.
Afinal, o que querem os partidos-movimento?Eles prometem uma nova esquerda,
indispensável. Mas, como mostra Alexandria Ocasio, talvez seja a hora de
construir programas claros, e uma estrutura orgânica que vá além da
eterna “consulta às bases”
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Manifestantes entregando folhetos de conscientização da reforma da previdência, com uma fruta simbólica.
Clique AQUI para assistir ao vídeo.
Terça valente em BH – Evento periódico que acontece desde setembro/2016 para debater Política.




