Aula de forró para tímidos, estimula autoconfiança

28/06/2013
 Débora usa

 Débora usa “tratamento de choque” (Foto: Luna Markman/ G1)
Quem é tímido sofre nas festas
em que a dança a dois é um dos pontos altos, como o São João. Medo de levar um
‘fora’ no convite, não saber os passos e ter vergonha de aprender junto com
outras pessoas são alguns dos problemas. Quer dizer, eram: uma escola de dança
no Recife abriu uma turma específica para os mais acanhados.

Débora Moura dá aula de dança de salão há 15 anos e sempre notou que havia
gente sem coragem
para se matricular nas turmas por conta da timidez. Até que abriu o próprio
espaço, há dois meses, e decidiu investir no filão. “Eles não conseguem se
entrosar com facilidade por serem tímidos. Alguns não querem nem ser tocados.
Conheço alguns que até viraram alcoólatras, pois bebiam para poder dançar”,
disse.

Existem três tipos de aula: workshops, particulares e regulares. Atualmente,
a escola tem alunos nas duas últimas modalidades. Todos eles embarcam no alto
astral da professora para aprender forró. “Eu faço logo um tratamento de
choque, para deixar todo mundo bem à vontade. O segredo é fazer com que se
sintam em casa. Coloco os alunos até para dançar com a vassoura”, falou.

A representante comercial Andreza Rodrigues afirma o grau de timidez dela
diminuiu após o início das aulas. “Agora está médio, porque fui me soltando aos
poucos, quero colocar em prática o que estou aprendendo. E isso está refletindo
não só na dança, mas na minha vida
como um todo”, comentou. O analista em suporte Ilaércio Mafra lembrou que
quando saía para a balada com amigos ficava “escanteado”, pois não tinha
coragem de tirar pessoas desconhecidas para dançar. “Hoje, estou mais
confiante, encaro o que vier”, brincou.

Um aluno que, por timidez, preferiu não ser identificado, falou que tinha
vergonha de falar em público e abordar garotas nas festas. “Eu demorava a noite
toda para chamar para dançar, até que elas iam embora. Então, soube dessa turma
e me matriculei para perder esse medo da rejeição. Agora, estou mais confiante.
Na última festa, dancei com o dobro de mulheres que meus amigos”, falou, todo
orgulhoso.

Acompanhar o novo tempo

Débora conta que a turma para tímidos é apenas um exemplo de outras mais
diferentes que a escola dela tem. Há aulas de dança para homossexuais e gordos,
de sensualidade para mulheres, pole dance, entre outras. “Aqui envolve mais que
timidez, mas o medo do preconceito dos outros alunos”, falou.

A professora conta que muitas escolas nas quais ensinou não recebiam bem as
sugestões de novas turmas. “Minhas ideias eram tidas como piadas, mas essas
escolas é que precisam se modernizar
, abrir a cabeça para acompanhar seu tempo.
No começo,
acharam estranho, dizendo que estou perdendo o foco, mas hoje só
recebo elogio” comentou.


Fonte: G1 Pernambuco
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