Se a gente tivesse lido mais Paulo
Freire no momento da realização do projeto Reculturarte, talvez compreendêssemos
 mais a importância da arte e da cultura para
a educação libertadora, para a educação popular.
Afirmo isso por causa dos relatórios
de avaliação que apresentam os pormenores do confronto ideológico ocorrido na Amaba
no ano de 1993, o qual provocou a saída de alguns dirigentes e sócios, tendo
como ponto central da discórdia  o papel
da arte e da cultura no seio da organização. E faço isso, com o distanciamento
necessário no tempo e no espaço, assim como pela leitura que estou fazendo do pensamento
de Paulo Freire e das reflexões acadêmicas e documentos relativos à educação popular
no inicio dos anos de 1960, antes do golpe militar de 1964.
Na época da Amaba/Projeto Reculturarte,
 no meu caso, mesmo com pouca leitura de
Paulo Freire e das iniciativas  educativas
com cultura popular na década de 1960, compreendia que nem precisava  se exagerar de um lado, ficando  preso ao “ninho” ou ao “útero aconchegante” das
ações socioculturais, como acabou se sucedendo com a equipe de educadores do
Projeto Reculturarte,  e do outro lado,  relegar a arte e a cultura a um papel secundário,
o que seria difícil diante do espaço que estas ocuparam dentro da Amaba, quando
começamos a dispor de recursos da cooperação internacional para as atividades
do Projeto Reculturarte.
E esse debate, não se encerrou
naquele momento, ainda hoje é um tema que divide organizações,  instituições e indivíduos. Basta lembrarmos da
ideia que muitas pessoas tem de que investir em educação, saúde e segurança é
mais importante do que investir em arte e cultura. Como se investir em arte e
cultura não fosse uma grande maneira de prevenir gastos maiores com educação, saúde
e segurança. O que está sendo comprovando por pesquisas cientificas.
“A gente não quer só comida, a
gente quer comida, diversão e arte.” Afirma uma das mais conhecidas  canção dos Titãs.
Por outro lado, parafraseando o
verso de outra famosa canção do saudoso Luiz Melodia
Se a gente falasse menos, ou se a
gente procurasse conhecer mais o pensamento de Paulo Freire , talvez compreendêssemos
 mais porque temos dificuldade com a
educação das novas gerações.

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