Finalmente! Odair José em Sergipe neste primeiro de agosto de 2025

 Muito feliz por poder assistir um show do Odair José em
Sergipe e na cidade onde nasci… São Cristóvão.

Como integrante da chamada geração 1980, cresci no Rio de Janeiro, onde residi por treze anos, em uma realidade controversa em torno do nome de Odair Jose, por conta da divisão
que se estabeleceu desde o inicio dos anos 1960
 com a arte engajada de um lado e a arte alienada
no polo oposto, essa última no campo da música, representada pelas canções
românticas populares de artistas como Odair José, Fernando Mendes, Márcio 
Greyck,
entre outros, além do rock da jovem guarda, e porque não dizer, também pela
bossa nova, mas essa era música de classe média, zona sul do Rio,  que emergiu com os anos dourados
no Brasil de JK, portanto não era objeto das mesmas críticas recebidas por canções
compostas por Odair José.

Mas o tempo passou, e eu que cresci tanto ouvindo música de
protesto ou engajada, ao mesmo tempo que canções da tropicália.  fui me tornando mais receptivo de forma
gradativa as canções que batiam forte nos corações daqueles mais próximos a  mim, residentes na baixada fluminense, quase fronteira com a zona norte do Rio de Janeiro que , segundo  a dupla Antônio Carlos e Jocafi, não eram
compreendidos pelos  intelectuais “que não usam o coração como expressão. “ ,
uma critica injusta mas que pode ser entendida dentro de um contexto elitista
e excludente de parcelas importantes da elite cultural , mesmo se revolucionária, como em
muitos casos.

E surpresas descobertas
nestes anos mais recentes, a perseguição a Odair José pela ditadura militar,
assim como a outros autores de músicas românticas, pejorativamente chamada de
bregas e a veia roqueira de Odair José, e por que não dizer contracultural também, essa última,  descoberta
quando assisti o musical “Eu vou tirar você deste lugar – As canções de Odair José.“, em São Paulo no ano de 2015 –  Centro Cultural Banco do Brasil  e quando ouvi o disco icônico, “O filho de Maria e José.”

Zezito de Oliveira

CAETANO TRAZ ODAIR JOSÉ PARA OUTRO LUGAR.

José teles

Nada como um dia atrás do outro, e uma noite no meio. O velho ditado se aplica ao goiano Odair José, o mais polêmico dos artistas populares da música brasileira (na foto com Caetano Veloso em 1973). Dia 20 de maio, ele será agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, maior honraria do Ministério da Cultura, que em 2025 celebra 40 anos de criado. 

A entrega da medalha da OMC, a Odair, e outras pessoas ou entidades que, de alguma forma, contribuíram pra cultura do país, acontece no Rio, na reinauguração do Palácio Campanena.

50 anos atrás, Odair José chegava ao ápice da carreira, como hit maker, emplacando sucessos seguidos, com temas que provocavam celeuma, e idas ao departamento de censura federal. 

Cantava sobre empregadas domésticas, prostitutas, pilula anticoncepcional, culminando, em 1977,  com um disco conceitual que trazia a Sagrada Família para a década 70. 

Com o álbum O Filho de Maria José, Odair conseguiu desagradar a gravadora, a igreja católica, a censura, os fãs, e o levou a entrar para o clube dos “malditos” da MPB. Maldito na ditadura, e agraciado com uma honraria num governo democrático. Em tempo, a outorga da OMC está sendo retomada. Não acontecia desde 2019.

Tendo como gancho, o disco Seres Humanos, que Odair Jose lançou dias atrás, fiz uma entrevista com ele, uma das mais longas e mais interessantes das centenas que já publiquei. Abaixo um dos trechos da conversa. Confiram a entrevista completa em telestoques.com 

TT – Você foi alvo constante da censura durante a ditadura. Quantas músicas suas foram proibidas? 

Odair José – Não sei exatamente quantas, tem uma estimativa. Pesquisadores que vão atrás disso sabem. Dizem que depois de Chico Buarque, os mais censurados fomos eu e Taiguara. Acho que tenho umas trinta músicas censuradas. Até fazer sucesso com Vou Tirar Você Deste Lugar não tinha problema com censura, eu era um desconhecido. Quando a música estourou, o pessoal da editora me mandou uma carta que pedia pra eu comparecer ao departamento de censura no Rio. Fiquei meio que enrolando aquilo. Mandaram outra carta dizendo pra eu ir que a coisa era séria. E eu fui. 

Chego lá, tinha um monte de gente fardada, outros sem farda. Um deles falou que eu estava usando uma frase pouco recomendável naquele momento, ‘eu vou tirar você deste lugar”.  Achava que tinha a ver com o governo, com política. Ai eu esclareço que era a história de um rapaz que se apaixonou por uma prostituta, uma garota de programa que conheceu numa boate. Quando conto isto, o cara foi ficando vermelho, ele e os outros que estavam na sala. Parecia que tiveram uma crise de raiva, chega espumavam. E o cara falou: ‘O que o senhor está dizendo é um absurdo.  Isto é muito pior do que pensamos. Como o senhor propõe o casamento de um cara com uma prostituta? O senhor é louco”. Ele só faltava urrar. “Pois agora todo o disco que o senhor for fazer tem que vir pra censura”. Enquanto a censura existiu todos as minhas músicas passavam por ela.

Em 1973, em plena ditadura militar, a Música representava uma das mais fortes expressões dos sentimentos populares. Assim, em maio de 1973, realizou-se um festival no Palácio de Convenções do Anhembi, com o elenco da gravadora Phonogram (Universal), que tinha como contratados a nata da música popular brasileira. No festival, grandes momentos merecem registro: Elis, Gal e Bethânia juntas, Toquinho e Vinícius, Gil e Chico com Cálice. Mas um momento chamou a atenção e vaias do público. Foi o dueto entre Odair José e Caetano Veloso, cantando a música “Eu vou tirar você desse lugar”, em que o eu-lírico revela o seu amor por uma prostituta e promete resgatá-la, mesmo diante das dificuldades e preconceitos que a situação ensejava. Consta que a vaia no Anhembi foi fenomenal, sobretudo porque Odair José, que há pouco se tornara conhecido pela canção “Pare de tomar a pílula” (que na época causou revolta em setores conservadores do clero), era um representante de uma música considerada “brega” e “alienada” Foi justamente a partir desta apresentação que Caetano cravou uma de suas frases emblemáticas: “Não há nada mais Z do que a classe A”. O episódio deixa bem claro o caráter tropicalista de Caetano, que através de sua postura conseguiu “legitimar” , ainda que tardiamente, muitas músicas não consumidas por uma chamada “elite” intelectual brasileira, que patrulhava e rotulava artistas.  Crédito: blog música em prosa.
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Em vez dos festivais competitivos que tinham feito história, Phono 73 foi um evento que reuniu dezenas de artistas da gravadora Phonogram. Já seria um acontecimento por apresentar, no mesmo palco, os principais nomes da MPB e revelações como Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Fagner. Mas a situação do país, sob a ditadura num de seus momentos mais sombrios, não ficou de fora. Chico Buarque driblou a censura para poder cantar “Cálice” ao lado de Gilberto Gil. E canções como “Pesadelo” eram explicitamente contra a ditadura. O festival, que virou disco, ainda teve o surpreendente duo entre Caetano Veloso e o “brega” Odair José. O programa de Joaquim Ferreira dos Santos conta com depoimentos de Roberto Menescal, que era diretor da Phonogram.
Repertório
Loteria de Babilônia (Raul Seixas e Paulo Coelho) – Raul Seixas
Eu quero botar meu bloco na rua (Sérgio Sampaio) – Sérgio Sampaio
Ladeira da preguiça (Gilberto Gil) – Elis Regina e Gilberto Gil
Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi) – Gal Costa e Maria Bethânia
Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro) – MPB-4
Vou tirar você desse lugar (Odair José) – Odair José e Caetano Veloso
Manera, Fru Fru, manera (Fagner e Ricardo Bezerra) – Fagner
Quinze anos (Naire e Paulinho Tapajós) – Nara Leão
Cálice (Gilberto Gil e Chico Buarque) – Gilberto Gil e Chico Buarque
Baioque (Chico Buarque) – Chico Buarque
 
Roteiro e apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos
Edição: Filipe Di Castro

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Estúdio F

Odair José

Apresentado na Rádio Cultura Brasil em 24 de agosto de 2013

Apresentação: Paulo César Soares

Produção: Rádio Nacional – Rio de Janeiro

Ouça AQUI 

Odair José nasceu em Morrinhos no interior de Goiás, mas foi no Rio de Janeiro que, nos anos 70, se tornou um legítimo representante da MPC – música que o povo canta. Dono de hits que deixaram a censura de cabelo em pé, ele ficou conhecido, entre outros títulos, como o Bob Dylan da Central do Brasil. Mas sempre derrubando preconceitos.

Odair José de Araújo, seu nome de batismo, foi um dos compositores mais visados pela censura federal durante o regime de 1964. Não por razões políticas, mas o motivo era por questões comportamentais, caso da música “Uma vida só”, popularmente conhecida pelo refrão: “Para de tomar a pílula, porque ela não deixa nosso filho nascer”.

A música de Odair José que tanto sucesso fazia no rádio, também incomodou a Igreja, chegando a ser excomungado pela canção “O filho de José e Maria”.

O Estúdio F focaliza a carreira do cantor e compositor que no auge do sucesso dividiu palco com Caetano Veloso, a pedido desse, e anos depois teria suas músicas gravadas por bandas alternativas, como a Vexame, e mais recentemente regravações produzidas por Zeca Baleiro.

No repertório do programa estão “Essa noite você vai te que ser minha”, “Viagem”, “Minhas coisas” e “Eu vou tirar você desse lugar”.

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Vou tirar você desse lugar – Tributo a Odair José (Álbum Completo)


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