por João Mateus Júnior
publicado
17/03/2019 18h05,
última modificação
17/03/2019 18h53
Reprodução
tinha 7 anos. Morreu vítima dessas doenças bobas, que teimam em ceifar a
vida de pequenos anjos. Desses anjos que deveriam estar por aí jogando
bola, correndo pela rua, ralando o joelho, dançando balé, brigando pra
não tomar banho ou chorando por mais um pouco de sorvete. Desses anjos
que deveriam estar por aí fazendo qualquer outra coisa, menos morrerem
aos 7 anos de idade.
Arthur foi vítima de uma fatalidade, dessas que vitimam tantos outros
todos os dias. Mas a sua vida não foi como a de uma criança comum, e na
sua morte ele não recebeu o respeito que merecia e que não é negado às
outras crianças. Nas redes sociais, pessoas comemoraram a sua morte,
zombaram de sua família, menosprezaram a dor de seus entes. E o que
motivou essas almas penadas? O que fez pessoas se comportarem como
indignas do ar que respiram? Arthur era neto do ex-presidente Lula.
Depois de ter negado ao ex-presidente o direito de sepultar o seu
irmão Vavá, a “justiça” achou por bem não repetir a crueldade e permitiu
a sua presença na despedida do neto. Permitiu a despedida, mas
assegurou um espetáculo dantesco, com dezenas (talvez centenas) de
policiais de fuzis em mãos para constranger um senhor de 73 anos e
impedir que ele falasse.
Na saída da cerimônia, Lula acenou à multidão que (ao contrário do
seu desejo) insistiu em ir prestar solidariedade à família. Foi
repreendido por um delegado que disse: “O senhor sabe que não devia ter
feito isso”, ao que respondeu com um “O senhor sabe que eu devia”.
Não sei quem é o delegado. Talvez (provavelmente) seja um bom homem
apenas cumprindo ordens. Mas trago más notícias para ele. Quando uma
ordem é criminosa, é criminoso quem dá a ordem, quem transmite a ordem, e
quem a executa. E daqui a 50 anos ninguém saberá quem o senhor era ou
foi, delegado (talvez, e só talvez, algum ente querido), mas posso lhe
assegurar que daqui a 50 anos o mundo ainda saberá quem foi e o que
representa Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele foi o homem que tirou 40 milhões de pessoas da miséria, que
colocou o pobre na universidade, que levou água ao nordeste, que reduziu
drasticamente o desemprego, que tirou o país do mapa da fome da ONU e
que fez o Brasil ser respeitado mundialmente. Lula também é, hoje, um
homem preso. Preso injustamente. Condenado em um processo eivado de
vícios, com um conjunto probatório tacanho. Um processo que não se
sustenta juridicamente e que um dia será posto aonde merece: na lata de
lixo da história.
O ex-juiz que condenou Lula é hoje ministro de um adversário político do ex-presidente. Isso diz tanto sobre esse processo…
Por muito tempo achei que Lula era um preso político. Hoje tenho
certeza de que ele é mais do que isso. O ex-presidente é um sequestrado.
Está sequestrado por esse aparato jurídico-midiático que quer tirar de
nós a esperança de um país melhor, mais justo, mais equânime.
São tempos difíceis para aqueles que acreditam que um outro mundo é
possível. São tempos difíceis para aqueles que acreditam que um outro
país, mais justo, mais solidário, com respeito às diferenças e guardião
das liberdades individuais ainda possa existir.
Mas nós não arrefecemos, pois sabemos que Lula precisa da nossa força, e nós precisamos de sua força.
De todas as fotos de Arthur que circularam na rede, uma me doeu mais
do que todas. É uma na qual ele está sentado à frente da sede da Polícia
Federal em Curitiba esperado pra visitar o avô. Essa foto me doeu pois
tenho uma bem parecida, só que ao invés do Arthur são meus filhos que
estão na foto. Eles também estão esperando pra visitar o avô. Ele também
está preso injustamente. Ele também é um preso político. Ele também é
um sequestrado político. Meus filhos são netos de João Vaccari Neto.
É de uma injustiça tremenda o que fazem com o Lula, com o Vaccari,
o que fizeram com o Arthur e o que fazem com meus filhos. A história
será implacável. Ela nos absolverá. Poderia ser com qualquer um, mas foi
com o Arthur. E como no texto de Émile Zola, eu acuso todas aqueles que zombaram da situação: vocês são a escória do mundo. E não valem o ar que respiram!