Texto baseado na fala “inspirada” durante a minha participação no seminário do coletivo investigador para a elaboração do plano integrado de cultura e educação.
Iniciativa do MINC e Casa da Arte de Educar, realizado em Recife nos dias 15 e 16 de junho.
O processo educativo precisa aterrar, descer abaixo do chão e subir possibilitando a gira girar de forma bem tranquila.
A “crise” da escola advém daí. Quando falamos em aterramento estamos tratando dos saberes de nossos ancestrais, estamos querendo dizer que precisamos buscar referenciais na memória das nossas comunidades , das nossas tribos, dos nossos terreiros, dos povos originários.
Deixar a gira girar é garantir um ambiente favorável dentro da escola para liberar corpos e mentes para poderem se relacionar de forma mais sincera e criativa, inclusive com o conhecimento.
Por isso não acontecer é que nos deparamos com pessoas completamente perdidas e a mercê dos modismos de ocasião em matéria de valores e comportamentos fabricados e disseminados com vistas ao fortalecimento da sociedade materialista, consumista e predatória que nos é imposta pelas elites capitalistas.
Portanto, não é preciso temer nada daquilo que é novo ou diferente, desde que seja dedicado uma atenção especial aquilo que vem de muito longe e que nos liga com os elementos naturais e culturais que recebemos das gerações que nos antecederam.
Falo das brincadeiras, dos folguedos, dos ritos religiosos, das lendas, não reduzidas a folclore, espetáculo, lazer ou coisa que o valha, mas entendendo que tudo isto é fonte de conhecimentos, significados e saúde. Falo também das águas, das florestas, da terra e do ar.
Quando falo em deixar a gira girar, me refiro a possibilidade de recriar, ressignificar ou revitalizar aquilo que herdamos sem medo e sem falsos pudores. Porque a vida está sempre fazendo isso, sob a aparência de algo estático e imóvel, o movimento e a transformação estão sempre acontecendo.
O movimento de rotação e translação da terra é um bom exemplo. Se é verdade que se repetem os dias e as estações, também é verdade que sempre surge algo novo nestes dias e nestas estações que se repetem.
Em suma, uma educação atenta aos ciclos naturais e culturais da vida, pode ser a saída para as crises nossas de cada dia.
Se temos dificuldade para que isto seja assimilado pelo sistema acadêmico e educacional como um todo, poderemos começar em aliança com parte daqueles que compreendem isto e que atuam em universidades, escolas, órgãos da gestão, artistas, ONGs, empresas e órgãos de comunicação.