“Febre do Rato”, de Cláudio Assis, é eleito o melhor filme do Festival de Havana

20/04/2013

10h18

Fonte: Folha de São Paulo
DA EFE, EM NOVA YORK
O brasileiro “Febre do Rato”, de Cláudio Assis, ganhou o prêmio Havana
Star de melhor filme do Festival de Cinema de Havana de Nova York, que
foi encerrado na última sexta-feira (19) com a projeção do premiado
longa uruguaio “7 Cajas”.
No total, o festival reuniu desde 12 de abril 45 filmes da Argentina,
Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, México, Estados Unidos,
Espanha e Venezuela.
Daniela Nader/Divulgação
Irandhir Santos faz um poeta que tenta conquistar a jovem estudante vivida pela atriz Nanda Costa em "Febre do Rato"
Irandhir Santos faz um poeta que tenta conquistar a jovem estudante vivida pela atriz Nanda Costa em “Febre do Rato”
O prêmio de melhor diretor foi para o chileno Fernando Lavadeiros, por
“Las Cosas Son Como Son”, e o de melhor roteiro homenageou o argentino
“Paisajes Devorados”, de Eliseo Subiela.
No encerramento da edição deste ano, o público prestou homenagem a
Alfredo Guevara, fundador do Instituto de Cinema de Cuba e presidente do
Festival Internacional de Novo Cinema Latino-Americano, que morreu na
sexta-feira aos 87 anos de idade.

Críticas Adoro Cinema

Febre do Rato 

 Fonte: site Adoro Cinema AQUI

3,5


Anarquia e sexo
De Francisco Russo

Febre do rato é uma expressão típica do Nordeste, que significa
estar fora de controle. Metáfora apenas aparente para Zizo, personagem
principal de Febre do Rato,
o filme. Poeta por vocação, ele dedica a vida à publicação de seu
jornaleco, cujo nome é o mesmo do título. O objetivo é expor suas
ideias, repletas de propostas anárquicas que valorizam o livre arbítrio
das pessoas, sem se prender às amarras morais impostas pela vida
civilizada. Quem não conhece o mundo de Zizo pode imaginar que ele
esteja com a febre do rato, ou seja, fora de controle. Só que a verdade é
justamente o oposto.

A imersão por este mundo livre, leve e solto ao qual Zizo pertence é a grande proposta apresentada pelo diretor Cláudio Assis
em seu novo filme. Uma viagem feita não apenas de palavras, explorando
os versos e brados proferidos pelo protagonista, mas especialmente
através de costumes e imagens. Fiel à máxima de que o ser humano é sexo,
já explorada tanto em Amarelo Manga quanto em Baixio das Bestas,
Assis não poupa o espectador de cenas do tipo. Praticamente todos os
atores têm cenas de nudez, várias delas frontais e algumas que chegam a
incomodar. É este o grande objetivo do diretor: retirar do sexo qualquer
tipo de nobreza, tornando-o mero instinto a ser saciado. Assim vive
Zizo e boa parte dos seus amigos, com uma liberdade que vai do próprio
corpo aos relacionamentos que mantém. Para os demais, anárquico. Para
ele, absolutamente normal.

O mundo de Zizo começa a ruir quando
conhece Eneida. Não por ser amor à primeira vista, termo romântico
demais para o universo de Cláudio Assis, mas por ter um tesão imediato
assim que a vê. Eneida, entretanto, o provoca. Apesar de interessada no
poeta, o recusa. Cria um jogo onde vê-lo castrado é o que mais lhe
excita. Ele, por sua vez, fica cada vez mais vidrado pelo desprezo
afetivo dela. É neste ponto que Febre do Rato se
diferencia dos demais filmes do diretor, por abordar a questão do gozo
impedido e suas consequências, tanto pelo lado do instinto quanto de
impacto sobre a mente.

Além do ambiente de certa forma hipnótico – para quem aceita a liberalidade do corpo, é importante frisar -, Febre do Rato tem como grande trunfo a belíssima fotografia em preto e branco de Walter Carvalho.
Seja através de panorâmicas da cidade de Recife ou nas imagens aéreas,
mostrando os movimentos dos personagens sob um ângulo pouco usual, ela
tem um importante papel nesta história que conta com personagens que
vivem fora da sociedade convencional. Destaque também para a enorme
atuação de Irandhir Santos, mergulhado na pele de Zizo, e o corajoso trabalho de Nanda Costa, intérprete de Eneida, pela exposição provocada pela personagem.

Febre do Rato
é um bom filme que traz em seu DNA a linguagem cinematográfica, no
sentido da construção de um universo particular. Peca pela gratuidade de
certas cenas, na intenção de chocar o espectador, sem ter uma função na
trama além de compor a ambientação entre os personagens. Entretanto,
quem conhece o cinema de Cláudio Assis não irá se surpreender. Goste-se
ou não dele e de suas teorias, é inegável que de cinema ele conhece bem.


Assista o trailler  AQUI 

Assista: AQUI “O surf rock brega iê-iê- iê “Passione” tema composto por Junio Barreto
com Jorge Du Peixe, sobre a base levada pelo Mombojó (destaque para o
teclado de Chiquinho e a guitarra de Felipe S), para a trilha sonora do
filme “Febre do Rato” de Claudio Assis.”

PASSIONE (letra e música – Jorge du Peixe e Junio Barreto)

PERFUME DO MEU PARAÍSO
BONITA ESTRAGO DO MEU CÉU
QUE ATÉ ME CUSTE, VALHA A VIDA
VOU TE AMAR, VOU TE AMAR
PASSIONE, TENHO POR TU
TANTO GUARDADINHO AMOR
AGRESSIVE NÃO
SAFADA, ÉS MEU VÍCIO
MORRO EM VOCÊ
PRA VIVER EM MIM

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