realizar em 2010/2011 as reuniões da
comissão pró retomada do Festival de Arte de São Cristóvão (PROFASC), nos
deparemos com muitas situações de recordações carregadas de afeto, alegria e saudade dos dias em que o evento aconteceu.
solicitamos as pessoas que enviassem
depoimentos para serem publicados no blog. O que foi enviado e o depoimento do
jornalista e poeta Araripe Coutinho, já falecido, foram publicadas no blog
“Saudades do FASC”. Vale ressaltar que o depoimento de Araripe Coutinho, foi
localizado em pesquisas sobre o FASC na internet.
véspera do esperado momento da retomada,
temos o depoimento do jornalista e poeta Amaral Cavalcante, o qual vem
se somar a essa lista de depoimentos produzidos e/ou publicados nos anos de
2010 e 2011.
links de outros depoimentos acerca do FASC ou quiser enviar o seu, fique a
vontade.
Recebo como uma homenagem à minha geração a
iniciativa da Prefeitura de São Cristóvão de reeditar o Festival de
Artes, principalmente quando assistimos ao intenso besteirol de eventos
ditos “culturais”que ocupam a agenda dos novos gestores, mais
preocupados em promover festas para o povo oferecendo-lhe “arte” de
apelo eminentemente popularesco e idiota.
com as chamadas “estrelas” incensadas pela mídia e pelas gravadoras,
impostos com estratosféricos cachês ao orçamento público onde permeiam o
superfaturamento e a corrupção. Nunca imaginei que a rubrica “difusão
cultural” nos orçamentos públicos fosse servir a tanta bandalheira.
O FASC histórico foi, sem dúvidas, o maior acontecimento cultural
jamais realizado em Sergipe e assim o foi porque contribuíram com a sua
formatação os diversos agentes culturais em atividade, naqueles tempos,
em Sergipe.
alternativos e marginais participamos, convidados por seus idealizadores
– Madre Albertina Brasil e Alencarzinho – de todas as etapas que o
fizeram acontecer.
perfeita simbiose com a sociedade sergipana, intérprete das suas
demandas e parceira das suas realizações.
nem por que, a Universidade Federal de Sergipe se afastou tanto de nós,
mas o fosso se agiganta a cada dia. E ela lá na sua torre de sapiências
acumuladas e nós cá, tendo que aplaudir o seu agigantamento
inconsistente – como cresce e se espalha! – como um grande pé de
elefantíase a nos pisar doente.
Cristóvão – afirma-se que com algum apoio da UFS – veio em boa hora
apontar caminhos para promover o ansiado reencontro dos programas de
extensão da nossa universidade com a cultura sergipana.
A programação e outras noticias do FASC redivivo podem ser conferidas aqui
Todos os depoimentos abaixo foram publicados pela primeira vez no blog “Saudades do FASC”.
Janeiro, decidiu retornar com a família ao seu Estado de origem. O seu filho
mais velho, um menino que amava os Beatles, Chico Buarque/Caetano Veloso e a
Cor do Som, sentiu-se muito inquieto em retornar para um “deserto cultural”
onde prevalecia um modo de fazer política fundamentado nos valores e
atitudes típicos do mau e velho sistema do coronelismo.
chegar a estas conclusões, o menino partiu dos assuntos dominantes nas rodas de
conversas das tias e tios, que às vezes visitavam seus pais, das leituras dos
jornais alternativos, a exemplo do Pasquim e outros, e ainda dos jornalões (O
Globo e o JB).
quando tudo está ou parece perdido, sempre existe uma luz, como disse pouco
depois um jovem compositor, e o menino se deparou com o Festival de Arte de São
Cristóvão, conhecido também como FASC, e aí, quando era tempo do festival, o
menino se sentia bastante iluminado culturalmente.
ocorria pelo fato de o FASC lhe recordar as temporadas populares de teatro
(vamos comer teatro), os projetos de acesso à música popular (seis e meia), a música clássica (projeto aquarius), os cineclubes da zona sul, eventos e
ambientes culturais frequentados pelo ousado menino suburbano
o menino pode encontrar um pouco de tudo isso, e ainda melhor, concentrado em
um mesmo local, em dias consecutivos, e na antiga cidade onde o menino nasceu,
cenário bem propício para uma ação cultural comprometida com a qualidade, a
diversidade e a democratização do acesso da população as mais diversas
manifestações culturais e artísticas.
curtir as atrações artísticas, nessa ocasião o menino era hóspede da sua
querida vó Nanã (Sara), que residia em um casarão próximo à igreja do Rosário,
local onde o menino viveu até os sete anos, quando se mudou com a família para
Aracaju e, logo depois, para o Rio de Janeiro.
atrações artísticas do FASC, o menino tinha uma especial predileção pelas
apresentações dos grupos de teatro no auditório do Colégio Paulo Sarazate, em
razão da temática regionalista que predominava nos textos encenados. Por ter
vivido distante do nordeste por longos anos, precisava disso para se
banhar e mergulhar nas fontes culturais de sua terra natal.
trazendo-lhe uma das poucas recordações que o tempo não apagou: a homenagem aos
Santos Reis, cuja data é celebrada em janeiro.
de 2011, o menino, agora homem feito, colabora com um grupo de moradores da
cidade com o objetivo de obter dos poderes públicos o compromisso efetivo com a
retomada e continuidade do FASC, suspenso em 1993 por decisão da Universidade
Federal de Sergipe e retomado, de forma descontínua e em proporção reduzida,
pelas administrações municipais que se sucederam desde então.
menino, e agora homem feito, sou eu, que depois de tantas andanças por outros
lugares, sempre buscando contribuir “para a felicidade geral da nação”, agora
acrescenta sua experiência de agente e educador cultural em favor da cidade que
o viu nascer.
“Zezito” de Oliveira Santos
Maria Marlene e de José de Deus
em que se realizava o Festival de Artes de São Cristovão, o FASC, eram marcados
por um clima de liberdade e magia que decorriam da união de artistas e
visitantes na procura da beleza estética nas suas mais diferentes manifestações
populares, nascidas das entranhas do povo simples de nossa terra.
a beleza que marcava o FASC não estava apenas nas apresentações artísticas e
culturais, mas também na multifacetada aparência do público que para lá afluía
de todo o Estado de Sergipe e além fronteiras: eram “bichos-grilos”, hippies,
estudantes de “aparência comportada”, intelectuais, artistas consagrados e
outros em busca de seu lugar ao sol, artesões e vendedores de doces e
petiscos.
nunca fui de hábitos noturnos, voltava cedo para casa, em Aracaju, o que me
fazia perder os espetáculos e atrações que iam noite a dentro. Mas, pela manhã,
logo cedo, no sábado e no domingo, retornava
à quarta cidade mais antiga do Brasil para respirar aquele ar de alegria e
beleza, apreciando as barracas de dormir armadas nas praças ou próximo às
igrejas.
que circundava as praças e mesmo em um dos lados de algumas ruas mais
largas.
culturalmente iluminado, na feliz expressão cunhada pelo professor Zezito.
Violência, se havia, nunca presenciei. Mas via a solicitude com que a população
local acolhia os visitantes e artistas populares.
da tarde, os grupos folclóricos começavam seu desfile pelas ruas estreitas da
velha capital.
brincantes, muitos deles idosos, esbanjavam uma vitalidade de nos dar inveja, a
nós, os jovens de então: dançar samba de coco, de pareia, naquelas centenárias
ruas de calçamento irregular, sob um sol escaldante e trajes que
muitas vezes aumentava o calor, não era para qualquer um. Só quem via sentido
para sua vida naquelas brincadeiras era capaz de suportar o cansaço com um
sorriso de satisfação estampado no rosto: era um momento de glória ser
visto por milhares de visitantes que apreciavam o espetáculo
proporcionado por aquelas pessoas simples, do povo de São Cristovão, e de
outras cidades sergipanas e nordestinas.
muito mais a ser visto, mas a lente de meu interesse mirou apenas o que havia
de mais popular naquele que foi um dos maiores festivais de artes do
País.
FASC retorne, “para o bem de todos e felicidade geral da nação”
Hora Reis
viva João Bebe Água.
quando aconteceu o 1º Festival de Arte de São Cristóvão – FASC. A nossa pequena
cidade ficou cheia de gente. De repente uma trupe invadiu nossas ruas e vielas;
homens e mulheres, muitos cabeludos, armaram suas barracas nas nossas praças.
Foram três dias de magia. Depois deste primeiro FASC, muitos outros
aconteceram. Até alguns que se apoderaram dessa denominação (FASC) mas que da
idéia original nada tinham. O último FASC aconteceu em 2005 e eu já tinha 46
anos e pude reviver deliciosamente os dias de magia que vivi na minha
adolescência. Que venha de novo o FASC. E que venha pra nunca mais ir embora. Viva
o FASC, viva São Cristóvão, viva João Bebe Água.
é o prefeito da cidade de São Cristóvão, eleito em 2016 e reeleito para o próximo quadriênio.
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3/8/2010
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A emoção é sempre algo vacilante, faz-nos sentir
crianças e ao mesmo tempo grandes. Emoção está cada vez mais rara nos dias de hoje. “Tempo de partido, tempo de homens partidos” – diria nosso poeta de Itabira, Drummond. Ao receber o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão, 4ª cidade mais antiga do Brasil, é elevada ao grau de importância para o mundo que ela sempre, na verdade, teve, independente do título ou não. Agora, evidente, de fato e de direito. A Praça de São Francisco está localizada no centro da cidade e é A praça é a única no Brasil com um traçado urbanístico de origem tipicamente Tirando os dados históricos , a Praça São Francisco, na verdade, guarda Ali, se apresentaram
centenas de grupos nacionais e internacionais sob a batuta de intelectuais e mestres como Albertina Brasil, João Cardoso do Nascimento, então reitor e Luiz Bispo que fora nomeado pelo Presidente Médici para ser o novo magnífico, sob a idéia de Núbia Marques, já professora da UFS e poeta consagrada. Isso
em 1972. De la pra cá a Praça São Francisco, hoje patrimônio da Humanidade, recebeu vários grupos do Brasil inteiro, alunos e artistas consagrados que fizeram aquele espaço se imortalizar. Foram emoções grandes, espetáculos inesquecíveis de balé, dança contemporânea, música, circo, folclore, literatura e cinema, oficinas de artesanato, mostra de livros, recitais, teatro, gastronomia e festa, muita festa. Da formação do Fasc até quando ele conseguiu resistir, porque o atual O Fasc mais rico foi sem dúvida, o que tinha Maria da Glória Santana de Almeida, a professora Glorinha, à frente. Ela era Pró-Reitora de Extensão e Ali naquela praça não está faltando ele, porque passaram Grupos como Corpo, A arte de Sergipe na música também foi destaque sempre, ali na praça, de A Praça São Francisco guarda em si a grande glória de tudo isso.
Dos bracelets, que as freiras fazem iguais na suissa, à queijada de dona Geninha que, quando viva, enrolava-as em papel cor de rosa e verde, aquele velho papel de pão; de Vesta Viana endeusada por Jorge Amado e Zelia Gati por sua obra – tudo ali é mágico, é poético, é deslumbrante. Mas o mais divino e ambicioso prêmio da Praça São Francisco, além de sua Ele que estava enterrado no mais nobre Atentamos também para o Museu de Arte e Sacra que
Araripe Coutinho Poeta e escritor.
MEMÓRIAS DO FASC (5) – O FASC (Festival de Arte de São Cristovão), jamais deveria
ter sofrido solução de continuidade
O FASC
(Festival de Arte de São Cristovão), jamais deveria ter sofrido solução de continuidade. Foi, enquanto durou, um dos maiores encontros de arte e cultura do nordeste brasileiro. Participei de 03 festivais na categoria arte musical, cantando ao lado do saudoso Hilton Lopes, e tocando/cantando com o grupo Repente. Torço pelo retorno do Festival, neste momento em que a juventude necessita rever valores, e nada melhor do que a arte, para servir de instrumento neste sentido. Sucesso ao pessoal da comissão pró-FASC. Um abraço! Antônio Vieira
“O que a memória ama, fica eterno”
O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis. Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.
O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano.
É que a memória é contrária ao tempo. Nós temos pressa, mas é preciso aprender que a memória obedece ao próprio compasso e traz de volta o que realmente importou, eternizando momentos.
A frase do título é de Adélia Prado: “O que a memória ama, fica eterno”. Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente.
Quando nos damos conta, nossos baús secretos_ porque a memória é dada a segredos _ estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo. Dizem que o tempo cura tudo, mas talvez ele só tire a dor do centro das atenções. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na ferida. Mas aquilo que amamos tem disposição para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando.
Somos a soma de nossos afetos, e aquilo que nos tocou pode ser facilmente reativado por novos gatilhos _ uma canção cala nossos sentidos; um cheiro nos paralisa lembrando alguém; um sabor nos remete à infância.
(Recorte de um texto também publicado no jornal “A Folha de São Carlos”, edição 13.723, 12 e 13/10/2012, pág 02) de Fabíola Simões
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