Vista panorâmica do Conjunto Jardim.
Vista panorâmica do Conjunto Jardim.
O bairro Conjunto Jardim era conhecido como Palestina desde a época da existência de um leprosário. O nome oficial é Djenal Tavares de Queiroz. O primeiro núcleo de residências (Jardim I) foi construído em 1984.
O Conjunto Jardim foi inicialmente construído para as domésticas que moravam em vilas de Aracaju, a maioria com origens no interior do Estado de Sergipe e nos Estados vizinhos de Alagoas, Pernambuco e Bahia e que ao chegar ao Conjunto Jardim intermediaram a vinda de outros parentes.
Em 1988 foram construídas mais casas que formam os núcleos residenciais Jardim II e III, muitas delas construídas em regime de mutirão e seus moradores foram pessoas desabrigadas pelas enchentes que estavam alojadas provisoriamente no espaço da exposição agropecuária e por moradores de vilas que pressionaram o governo estadual com ocupações e passeatas em Aracaju, através do movimento sem teto.
Quanto às tradições culturais, o povo trouxe a festa natalina nas casas e o São João. Antigamente o povo acendia muitas fogueiras nas ruas mas atualmente a quantidade é menor. Havia muita decoração das ruas no mês de junho.
No inicio, havia muita festa de aniversário, muitas das vezes com a divisão de tarefas e gastos com os amigos e vizinhos. Havia também muita festa de 15 anos. Hoje é ruim realizar festas por causa da interferência dos malandros e da polícia.
Atualmente existe a festa das crianças que há quinze anos é organizada por Selma e Yuri, bem como a procissão, a via sacra nas ruas, os grupos de capoeira, as quadrilhas juninas e o desfile de 7 de setembro.
Um destaque importante são os cantores de “arrocha” que moram no Jardim e que fazem sucesso nas rádios e em shows em diversas cidades de Sergipe e de outros estados, mas que dizem morar na Bahia.
Grupo Pop Dance, formação de 2005.
Apresentação do Grupo Teatral Arte na 1ºMostra Arte e Cidadania. 2004
Apresentação do Grupo de Dança Ecarte na 1ºMostra Arte e Cidadania. 2004
Adelmo(bailarino e coreógrafo) e Professor Zezito.
Havia muitos grupos de dança e de teatro que em 2004 acabaram. Em termos culturais, a maioria deixava muito a desejar, pois as coreografias eram feitas a partir das músicas de sucesso, reproduzindo assim os mesmos passos das bandas de pagode e forró. Acabaram por causa de falta de espaços físicos adequados e das dificuldades para obter patrocínio.
Na ausência de atividades culturais, esportivas e de aprendizagem profissional muitos adolescentes e jovens preenchem o tempo ocioso “fazendo neném”. Os adolescentes reclamam que o conjunto não oferece opção de lazer, não há o que fazer, não há para onde ir.
Segundo professores e médicos, estão acontecendo muitos casos de gravidez precoce com adolescentes. Para muitos deles, outra forma de preencher o tempo, o vazio existencial e para compensar a falta de perspectivas de futuro é utilizar drogas. Os jovens furtam para sustentar o vício e os pais vivem amedrontados por causa do perigo de os filhos entrarem nessa onda.
Para a composição desse texto contamos com a colaboração de diversos moradores, alguns mais idosos e que moram no bairro desde 1984 e outros, adolescentes, envolvidos com atividades culturais. A todos somos bastante gratos pela abertura e confiança. Da parte da Ação Cultural, cujo embrião foi gerado no conjunto Jardim, podem contar sempre com o nosso apoio e amizade sincera.