Democracia Cultural como fim, democratização cultural como meio


 
Democracia Cultural X Democratização Cultural

A ausência dos artistas e de todos os ligados as cadeias produtivas do funk, do rap, do samba, dos periféricos e periféricas, dos negros e negras no debate público sobre a cultura vai excluir a maioria dos editais das cidades e do estado que estão chegando. E para piorar,   quem tem pouca ou nenhuma escolaridade ficará de fora, e nós precisamos participar e construir alternativas para essas pessoas. A inclusão não pode ser apenas por palavras, precisa ser na prática. Milhões de pessoas serão excluídas desses processos. Ainda precisamos de prêmios para negros, negras, indígenas, a cultura popular e as culturas que vão precisar do atravessador e do produtor para receber uma pequena parte dos recursos. A classe média mesquinha não se importa se as pessoas vão acessar os recursos. Corremos o risco de viver uma democratização da PNAB e ver tudo pelo qual lutamos ir por terra. É preciso sair desse processo de letargia e paralisia que afeta a mente, e construir diálogo com toda a coletividade.

Neri Silvestre

O professor Teixeira Coelho  define ação cultural “como o processo de criação ou organização das condições necessárias para que as pessoas e grupos inventem seus próprios fins no universo da cultura.” (COELHO, 1999)”.  Essa definição nos permite compreender melhor  o significado de democracia cultural

Fazer ação cultural é se contrapor a predominância de uma cultura estática, uma cultura fixa, inerte que não sai do lugar, não chega ao público, não faz o público se mexer até ela ou na direção seja do que for.

Para exemplificar,  podemos lembrar a relação de gestores e técnicos culturais com os grupos da cultura popular, ou grupos folclóricos, como são chamados aqui em Sergipe, tratados de um lado,  como objeto da caridade de quem os tolera ou de maneira superprotetora  por parte de outros. Em um caso como outro,  se reforça a cultura estática, fixa, inerte e que não consegue afetar um público mais amplo.

Há também, como afirma Teixeira Coelho, uma política ou visão cultural que nada mais faz do que perpetuar uma visão elitista da cultura, segundo o qual uns poucos (os produtores culturais, os artistas) produzem para que a maioria consuma. Essa politica pode até ser feito com democratização cultural, quando busca ampliar o público que tem acesso a produção artística do conjunto de linguagens agrupadas nas belas artes,  porém mantém o público como um agente passivo do circuito de produção e circulação cultural.


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