Eucaristia fraterna e subversiva – dom Pedro Casaldáliga

Aos 86 anos, dom Pedro
Casaldáliga segue enfrentando ameaças, o sistema político, o
agronegócio, os impérios. Em nome da esperança, se apresenta como
soldado de uma causa invencível 
 Fonte: Rede Brasil Atual

por Sônia Oddi e Celso Maldos


publicado
20/06/2014 09:09,


última modificação
20/06/2014 16:48

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“Por mi pueblo en lucha, vivo.
Con mi pueblo en marcha, voy” (Joan Guerrero)
São Félix do Araguaia, nordeste mato-grossense, 10
de maio de 2014. Numa pequena capela, no fundo do quintal, uma oração
inaugura o dia na casa do bispo emérito de São Félix, dom Pedro
Casaldáliga. A simplicidade da arquitetura ganha força com o significado dos objetos ali dispostos.
No altar, uma toalha com grafismos indígenas. Na parede, um relevo do
mapa da África Crucificada, um

Cristo rústico no crucifixo, uma
cerâmica de mãe que protege seu filho com um braço e carrega um pote no

outro. No chão de cimento, bancos feitos de toras de madeira,
que lembram aqueles de buriti, usados pelos Xavante, em uma competição
tradicional, em que duas equipes se enfrentam numa corrida de
revezamento, carregando as toras nos ombros, demonstração de resistência
e força, qualidades de um povo conhecido por suas habilidades
guerreiras. Cercada de plantas, a luz entra por todas as faces das
tímidas e incompletas paredes. Nesse ambiente orgânico, assim como tem sido a vida de Pedro, os amigos se aninham para tomar parte da oração.
José Maria Concepción, companheiro de Pedro de longa data, e recém-chegado da Espanha, inicia a leitura:
“1795: José Leonardo Chirino, mestiço, lidera a insurreição de Coro,
Venezuela, com índios e negros lutando pela liberdade dos escravos e a
eliminação de impostos. 1985: Irne García e Gustavo Chamorro, mártires
da justiça. Guanabanal, Colômbia.
1986: Josimo Morais Tavares, padre, assassinado pelo latifúndio. Imperatriz, Maranhão, Brasil”
Os martírios lembrados referem-se àquela data, 10 de maio. Inúmeros
outros, centenas deles, são e serão lembrados ao longo de todo o ano, de
acordo com a Agenda
Latino-Americana. E continua: “2013: Ríos Montt, ex-ditador
guatemalteco, condenado a 80 anos de prisão por genocídio e crimes
contra a humanidade. A Comissão da Verdade calcula que ele cometeu 800
assassinatos por mês, nos 17 meses em que governou, depois de um golpe de Estado.”
O jovem padre Felipe Cruz, agostiniano, de origem pernambucana,
conduz um canto, a reza do pai-nosso e a leitura de uma passagem da
edição pastoral da Bíblia. O encerramento se dá com a Oração da
Irmandade dos Mártires da Caminhada Latino-Americana, escrita por dom
Pedro, onde na última linha pode-se ler “Amém, Axé, Awere, Aleluia!”, em respeito à diversidade de crenças do povo brasileiro.
Em nome desse respeito, dom Pedro nunca celebrou uma missa na Terra
Indígena Marãiwatsédé, dos Xavante, comunidade que desde sempre contou
com o seu apoio na luta pela retomada da terra, de onde haviam sido
deportados em 1968 e para onde começaram a retornar em 2004. “Se o bispo
está aqui celebrando a missa, significa que nós estamos em pleno
direito aqui. E, por orientação do Cimi (Conselho Indigenista
Missionário) e da igreja da Prelazia, ele, pessoalmente, não fez nenhuma
celebração na reserva”, testemunha José Maria.
Por apoiar a luta quase cinquentenária dos povos originários daquela
região de Mato Grosso, Pedro foi ameaçado de morte algumas vezes. Na
última, no final de 2012, quando o processo de desintrusão (medida legal
para efetivar a posse) dos fazendeiros e posseiros da TI (terra
indígena) Marãiwatsédé avançava e se efetivava, decorrente da
determinação da Justiça e do governo federal, ele teve de se ausentar de São Félix.
Perseguições, ameaças de morte e processos de expulsão do país têm
marcado a trajetória de Pedro, que chegou à longínqua região do
Araguaia, como missionário claretiano, em 1968, aos 40 anos. De origem
catalã, ele nasceu em 1928 – e aos 8 anos teve sua primeira experiência com
o martírio, quando um irmão de sua mãe, padre, foi assassinado quando a
Espanha estava mergulhada em uma sangrenta guerra civil.
A Prelazia de São Félix, uma divisão geográfica da Igreja Católica, foi criada em 1969 e abrange 15 municípios: Santa Cruz
do Xingu, São José do Xingu, Vila Rica, Santa Terezinha, Luciara, Novo
Santo Antônio, Bom Jesus do Araguaia, Confresa, Porto Alegre do Norte,
Canabrava do Norte, Serra Nova Dourada, Alto Boa Vista, Ribeirão
Cascalheira, Querência e São Félix do Araguaia. Atualmente, conta com
uma população estimada em 135 mil habitantes, uma área aproximada de 102
mil quilômetros quadrados e 22 chamadas paróquias.
Pedro, em meio às distâncias, encontrou um povo carente, sofrido,
abandonado, à mercê das ameaças dos grandes proprietários criadores de
gado. Os pobres do Evangelho, a quem havia escolhido dedicar a sua vida,
estavam ali.
Em 1971, pelas mãos de dom Tomás Balduíno (que morreu em maio último,
aos 91 anos) foi sagrado bispo da prelazia. A partir de 2005, quando
renunciou, recebeu o título de bispo emérito.
Um dos fundadores da Teologia da Libertação, o seu engajamento nas
lutas dos ribeirinhos, indígenas e camponeses incomodou os
latifundiários e a ditadura. Ainda hoje, incomoda os homens ricos e poderosos do Centro-Oeste brasileiro.
A política dos incentivos fiscais,
levada a cabo pelos militares, por meio da Superintendência do
Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), foi o berço do agronegócio. E
também dos conflitos advindos da expropriação da terra das populações
originárias, da exploração da mão de obra, do trabalho escravo e toda sorte de violências, que indignou o missionário Pedro e o fez escolher do lado de quem estaria.
“O direito dos povos indígenas são interesses que contestam a
política oficial”, diz dom Pedro. “São culturas contrárias ao
capitalismo neoliberal e às exigências das empresas de mineração,  das
madeireiras. Os povos indígenas reivindicam uma atuação respeitosa e
ecológica.”
Em plena ditadura, nos anos 1970, fundou, junto com dom Tomás
Balduíno, o Cimi e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), como resposta à
grave situação dos trabalhadores rurais, indígenas, posseiros e peões,
sobretudo na Amazônia. Ainda nesse período, em 1976, presenciou o
assassinato do padre João Bosco Burnier, baleado na nuca quando ambos
defendiam duas mulheres que eram torturadas em uma delegacia de Ribeirão
Cascalheira (MT).
Pedro faz seções de fisioterapia algumas vezes na semana. Aos 86
anos, e com o Parkinson diagnosticado há cerca de 30, esse cuidado se
faz necessário para minimizar os avanços do mal que provoca atrofia
muscular e tremores. Ele segue disciplinadamente uma dieta alimentar, o
que de certa maneira retardou, mas não cessou, segundo seu médico, o
avanço da doença.
A disciplina se repete na leitura diária de e-mails, notícias,
artigos, acompanhado mais frequentemente por frei Paulo, agostiniano, 
que assim como dom Pedro tem sempre as portas abertas para moradores da
comunidade e viajantes. Durante a visita da Revista
do Brasil, por exemplo, há uma pausa para acolher Raimundo, homem alto,
pardo, magro que, aflito, emocionado, de joelhos, pedia a sua bênção.
A casa é simples, de tijolos aparentes,

sem

acabamento nas paredes. Porém, tal como a capela no fundo do quintal, é
plena de significados e ícones que atestam o compromisso com as causas
humanas, de quem vive sob aquele teto.

Che, Jesus, Milton

No quarto, na salinha, na cozinha, no alpendre dos fundos, no
escritório, um devaneio para os olhos e para o coração. Imagens de
significados diversos: Che Guevara, Jesus Cristo, Milton Nascimento,
padre João Bosco Burnier, dom Hélder Câmara, monsenhor Romero, Pablo
Neruda. Textos de Martín Fierro, São Francisco de Assis, Joan Maragall,
Exodus. Pôsteres da Missa dos Quilombos, da Romaria dos Mártires da
Caminhada, da Semana da Terra Padre Josimo. Calendários da Guerra de
Canudos, de operários no 1º de Maio. E ainda fotos, pequenas lembranças e
artefatos populares, em meio a estatuetas de prêmios recebidos.
O seu compromisso com as causas populares extrapola as fronteiras do
país. Em 1994, dom Pedro apoiou a revolta de Chiapas, no México,
afirmando que quando o povo pega em armas deve ser respeitado e
compreendido. Em 1999, publicou a Declaração de Amor à Revolução Total
de Cuba. Fala com convicção da importância da unidade latino-americana,
idealizada por Simon Bolívar (1783-1830) e defendida pelo ex-presidente
da Venezuela Hugo Chávez (1954-2013).
“Eu dizia que o Brasil era pouco latino-americano, a língua comum dos
povos castelhanos fez com que o Brasil se sentisse um pouco à parte do
resto”, diz dom Pedro. “Por outro lado, o Brasil tem umas condições de
hegemonia que provocava nos outros povos uma atitude de desconfiança.
Hugo Chávez fez uma proposta otimista, militante, apelando para o
espírito de Bolívar, com isso se conseguiu vitórias interessantes, como
impedir a vitória da Alca.”
Ele recorda de um encontro com o ex-presidente brasileiro. “Quando
Lula esteve na assembleia da CNBB, estávamos nos despedindo, ele se
aproximou de mim e me deu um abraço. E eu falei, vou te pedir três
coisas. Primeiro, que não nos deixe cair na Alca, segunda, que não nos
deixe cair na Alca, terceira, que não nos deixe cair na Alca. Só te peço
isso”, conta, em referência a Área de Livre Comércio das Américas,
ícone do neoliberalismo.
“E realmente não entramos na Alca. Porque a América Latina tem de se
salvar continentalmente, temos histórias comuns, os mesmos povos, as
mesmas lutas, os mesmos carrascos. Os mesmos impérios sujeitando-nos,
uma tradição de oligarquias vendidas. Tem sido sempre assim. Começavam
com o império, o que submetia as oligarquias locais. Os exércitos e as
forças de segurança garantiam uma segurança interesseira. Melhorou,
inclusive os Estados Unidos não têm hoje o poder que tinham com respeito
ao controle da América Latina. Somos menos americanos, para ser mais
americanos.”

Esperança e diálogo

É preciso de todo jeito salvar a esperança, defende dom Pedro.
“Insistir nas lutas locais, frente à globalização. Se somar as
reivindicações, sentir como próprios, as lutas que estão acontecendo nos
vários países da América Latina. El Salvador, Uruguai, Bolívia,
Equador… Claramente são países muito próximos nas lutas sociais.”
Há tempos dom Pedro Casaldáliga não concede entrevistas pela
dificuldade que tem encontrado em conciliar a agilidade do raciocínio
com o tempo possível da articulação das palavras. A ajuda de José Maria,
seu amigo e conterrâneo, foi fundamental para a compreensão das
pausadas e esforçadas falas, enquanto discorria sobre assuntos por ele
escolhidos.
Otimista  com a atuação do papa Francisco, ressalta que “ele fez
gestos emblemáticos, muito significativos”. “A Teologia da Libertação se
sentiu respaldada por ele. Tem valorizado as Comunidades Eclesiais de
Base, com o objetivo de uma Igreja pobre para os pobres. Estimulou o
diálogo com outras igrejas… Chama a atenção nele o diálogo com o mundo
muçulmano e com o mundo judeu, e agora essa visita a Israel… Muito
significativa. Desmantelou todo o aparato eclesiástico, seus
colaboradores tiveram de se adaptar.”
Ele reconhece as limitações que o sistema político impõe à atuação do governo,
que segundo dom Pedro tem “um pecado original”: as alianças. “Quando há
alianças, há concessões e claudicações. Enquanto esses governos todos
se submeterem ao capitalismo neoliberal teremos essas falhas graves. A
política será sempre uma política condicionada. Tanto o Lula como a
Dilma gostariam de governar a serviço do povo mesmo, mas as alianças
fizeram com que os governos populares estivessem sempre condicionados”.
Para ele, deve haver uma “atitude firme, quase revolucionária”, em
relação a temas como saúde, educação e comunicação.
Morto em março do ano passado, o ex-presidente da Venezuela Hugo
Chávez é lembrado com determinação pelo religioso. “Ele tentou romper,
rompeu o esquema. Por isso, a direita faz questão de queimar, queimar
mesmo, a Venezuela. Nos diários e noticiários, a cada dia tem de
aparecer alguma coisa negativa da Venezuela”.

Direitos indígenas x ruralistas

Ele aponta a “atualidade” da causa indígena, e as ameaças que não
cessam. “Nunca como agora, se tem atacado tanto. Tem várias propostas
para transformar a política que seria oficial, pela Constituição de
1988, que reconhece o direito dos povos indígenas de um modo muito
explícito. Começam a surgir propostas para que seja o Congresso quem
defina as demarcações das terras indígenas, sendo assim já sabemos como
será a definição. A bancada ruralista é muito grande…”, observa dom
Pedro.
Por outro lado, prossegue, nunca os povos indígenas se organizaram
como agora. E o país criou uma “espécie de consciência” em relação a
essa causa. “Se querem impedir que haja uma estrutura oficial com
respeito à política indígena, tentam suprimir  organismos que estão a
serviço dessas causas. Isso afeta os povos indígenas e o mundo rural .
Tudo isso é afetado pelo agronegócio, o agronegócio é o que manda. E
manda globalmente. Não é só um problema do Mato Grosso, é um problema do
país e do mundo todo. As multinacionais condicionam e impõem.
“A retomada da TI Marãiwatsédé é bonita e emblemática. Os Xavante
foram constantes em defender os seus direitos. Quando foram expulsos,
deportados – esta é a palavra, eles foram deportados –, seguiram
vinculados a esse terreno, vinham todos os anos recolher pati, uma
palmeira para fazer os enfeites. E reivindicavam sempre a terra onde
estão enterrados nossos velhos. E foram sempre presentes”, testemunha.
“Aqui, nós sempre recordamos que essa terra é dos Xavante, que esta
terra é dos Xavante. Os moradores jovens, meninos, outro dia diziam –
nossos vovôs contam que essa terra é dos índios, nossos papais contam
que essa terra é dos índios.”
A essa altura, dom Pedro lembra de “momentos difíceis” em que o Cimi
se vê obrigado a contestar certas ações do governo. “Quando se diz que
não há vontade política pelas causas indígenas, eu digo que há uma
vontade contrária ao direito dos povos indígenas, isso é sistemático. A
Dilma, eu não sei se se sentisse um pouco mais livre, respaldaria as
causas indígenas. Alguns pensam que ela pessoalmente não sintoniza com a
causa indígena. Tem sido criticada porque nunca recebeu os índios. Faz
pouco foi o primeiro encontro com um grupo. Todos esses projetos de Belo
Monte, as hidrelétricas. Se ela tem uma política desenvolvimentista,
ela tem de desrespeitar o que a causa indígena exige: em primeiro lugar
seria terra, território, demarcação, desintrusar os invasores. Seria
também estimular as culturas indígenas e quilombolas”, diz, sem
meio-termo. “Se você está a favor dos índios, você está contra o
sistema. Não adianta colocar panos quentes aí.”
Dom Pedro defende a presença de sindicatos, mas critica o movimento.
“Eles são a voz dessas reivindicações todas dos povos indígenas, do
mundo operário. Na América Latina, estiveram muito bem os sindicatos,
ultimamente vêm falhando bastante. Foram cooptados. Quando se vê um
líder sindicalista transformado em deputado, senador, ele se despede”,
afirma, vendo a Via Campesina como uma alternativa, por meio de alianças
de grupos populares em vários países.
“Daí voltamos à memória de Hugo Chávez, que estimulou essa
participação”, observa. “De ordinário acontece que antes as únicas vozes
que os operários tinham eram o sindicato e o partido. Nos últimos anos,
tanto o partido como o sindicato perderam representatividade. Em parte
foram substituídos por associações, alguns movimentos. Mas continuam
sendo válidos. Os sindicatos e partidos são instrumentos conaturais a
essas causas do povo operário, camponês.”
Para fazer campanha eleitoral, todo candidato operário a deputado,
senador, tem de “claudicar” em algum aspecto, acredita dom Pedro.  “Por
isso, é melhor que não se candidate. Por outra parte, não se pode negar
completamente a função dos partidos e dos sindicatos. Não é realista,
ainda continuam sendo espaços que se deve preencher.”
Lúcido, Pedro conclui a conversa lembrando a frase de um soldado que
lutava contra a ditadura franquista na Guerra Civil Espanhola: “Somos
soldados derrotados de uma causa invencível”.
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Descalço sobre a terra vermelha

 
Maldos
MINISSÉRIE
O ator catalão Eduard Fernández interpreta Dom Pedro no filme rodado no Brasil

A minissérie em dois capítulos de uma hora Descalço sobre a Terra Vermelha,
baseada em livro homônimo do jornalista catalão Francesc (Paco)
Escribano, é uma produção da TVE (Educativa da Espanha),  da TV3 da
Catalunha, da produtora Minoria Absoluta, da TV Brasil e da produtora
paulista Raiz Produções Cinematográficas. Descalço sobre a Terra
Vermelha estreou na TV3 em março e está programada para ser exibida na
TV Brasil no segundo semestre.
Trata da vida de dom Pedro Casaldáliga, desde sua chegada ao Brasil
até sua visita ad Limina ao Vaticano, quando se apresentou ao Papa João
Paulo II e ao conservador cardeal Joseph Ratzinger, então à frente da
Congregação para a Doutrina da Fé, herdeira da Santa Inquisição, onde
deveria explicar sua ação teológica a favor dos pobres e dos oprimidos.
O filme, uma belíssima e apurada produção, contou com a participação
de mais de mil figurantes de povoados e das cidades de Luciara e São
Félix do Araguaia, locais onde foram construídas verdadeiras cidades
cenográficas, representando como eram esses lugares nos idos dos anos
1970.
Dirigido por Oriol Ferrer, tendo Eduard Fernández, premiado ator
catalão, no papel de Casaldáliga, contou com um elenco de ótimos atores
espanhóis e brasileiros.
Rodado como uma espécie de western
teológico, retrata com grande força e sensibilidade a violência e tensão
existentes, ainda  hoje, nos conflitos entre latifundiários, invasores
de terras indígenas, posseiros e a ação pastoral da Prelazia de São
Félix que, tendo dom Pedro à frente, desde sempre esteve ao lado dos
despossuídos.
De acordo com a descrição que aparece no site da Minorita Absoluta, a
série combina ação e misticismo “no cenário exuberante de Mato Grosso,
em contraste com a paisagem humana e social chocante”. A história de
Pedro Casaldáliga se desenvolve “em torno de valores universais”, no
contexto da teoria filosófica e teológica da libertação e da situação
geopolítica dos anos 1970, na ditadura brasileira. O jornalista e
produtor executivo Francesc Escribano salienta que a produção se tornou
“seu coração” para contar “uma história notável de um catalão
universal”.
Durante o making of, impressionou como a historia e principalmente  o
próprio dom Pedro teve impacto na vida de todos os envolvidos na
produção. Confirma a impressão que tive desde a primeira vez que viajei
com ele, há mais de 30 anos: estar na sua presença é sentir-se na
presença de um espirito muito elevado; sem exagero, um verdadeiro santo
do povo.
(Celso Maldos)

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