Lançamento de curtas-metragens atraiu centenas de pessoas ao Teatro Atheneu

Noite de festa para o cinema sergipano. Na última
quinta-feira, 24, foram lançados no Teatro Atheneu, os cinco
curtas-metragens contemplados pelo Edital de Apoio a Produções
Audiovisual de Curtas-mestragens. O edital, realizado pelo Governo do
Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), aportou
recursos da ordem de 150 mil reais, divididos em para os cinco projetos.
‘Conflitos e Abismos’, de direção de Everlane Moraes, ‘M.A.D.O.N.A.’,
de André Aragão, ‘Para Leopoldina’, de Diane Veloso, ‘Operação
Cajueiro’, de Fábio Rogério e ‘Morena de Olhos Pretos’, de Isaac
Dourado, arrancaram risos, emocionaram e contaram um pouco da história
de Sergipe e do Brasil as mais de 700 pessoas que lotaram o Atheneu para
a exibição.
Em uma breve fala, a secretária de Estado da Cultura, Eloisa Galdino,
falou da alegria de poder finalizar mais uma edição deste projeto. Ela
ressaltou ainda da certeza que, assim como em outras ações da Secult,
este edital já atua como uma forte política pública implantada na vida
cultural do Estado.
“São alguns anos de atuação no setor público e a referência que
tivemos nesta área é de que política pública só se faz se construída
para aqueles e com aqueles que são a razão delas existirem. Quando
chegamos a Secult, em 2009, não existia política de audiovisual, nem de
editais. Por isso, analisando a situação pela qual passava o país nós
entendemos que Sergipe precisava entrar neste processo. Hoje, com essas
ações e com o diálogo que foi traçado com os agentes culturais das mais
variadas linguagens, fechamos em 2014 este ciclo de trabalho, com a
sensação de dever cumprido”, discursou a secretária.
Realizadores comemoram
Ao final da exibição de cada curta, os aplausos explodiam,
demonstrando que os filmes estavam surpreendendo cada vez mais. A atriz e
diretora Diane Veloso (Para Leopoldina), estava extasiada com a
exibição do primeiro filme que ela dirigiu. “A sensação é de dever
cumprido, e de muita alegria em ver nosso trabalho sendo exibido assim.
Foi um filme muito importante para mim”, frisou.
Já o diretor do curta M.A.D.O.N.A., André Aragão, que foi contemplado
também na primeira edição do Edital, o projeto da Secult está cumprindo
seu papel. “Este edital surgiu de uma necessidade da classe e vem
fazendo a área do audiovisual crescer, as pessoas se profissionalizarem
mais. Isso é muito importante. A expectativa é que isso siga
acontecendo, fazendo a qualidade das produções melhorem e que o edital
também cresça, tanto em número de contemplados, quanto no valor
investido”, argumentou.
Isaac Dourado (Morena dos Olhos Pretos) também estava bastante
emocionado com o final da exibição do seu filme. O curta que conta a
história de vida da forrozeira Clemilda, será transformado em longa e
lançado no mês de junho. “Acho que conseguimos hoje mostrar um prólogo
do que foi a vida da Clemilda. Ela é uma figura muito importante para
Sergipe e toda a sua historia não caberia em um curta, por isso,
crescemos o filme e tenho certeza que ele irá surpreender a todos mais
uma vez”, afirmou.
Sobre os curtas
Conflitos e Abismos
Direção: Everlane Moraes
Produção:
Gênero: Animação
‘Conflitos e Abismos: a expressão da condição humana’ tem a autoria da
cineasta e produtora cultural Everlane Moraes. A produção trata da
história do artista plástico sergipano José Everton Santos, analisando a
estética do seu trabalho e enfatizando a sua concepção sobre o universo
artístico. O principal objetivo é tratar filosoficamente sobre a
relação existente entre arte e vida, usando um tema ao qual o artista se
detém: a expressão da condição do homem.
M.A.D.O.N.A.
Direção: André Aragão
Produção: Isaac Dourado
Gênero: Ficção
Dirigido por André Aragão, autor do projeto inspirado em Amós Lima
Chagas, que pretende revelar a história de amor vivida entre uma
travesti (Madona) e uma prostituta (Folosa). Além disso, trata da
problemática da violência praticada contra homossexuais, originária de
uma grave crise enfrentada em Sergipe, com base nos altos índices aqui
registrados.
Para Leopoldina
Direção: Diane Veloso
Produção: Nah Donato
Gênero: Ficção
Já a obra ‘Para Leopoldina’, de Diane Veloso, aborda a solidão como
estado inerente ao ser humano, traduzida de forma poética, com objetivo
de explorar um paradoxo conceitual, quando uma das personagens tenta
acabar com a solidão alheia, sendo ela um personagem solitário. O
objetivo da obra é fazer com que o filme circule em festivais,
exportando Sergipe no âmbito profissional, social, cultural e artístico,
além de ser instrumento capaz de gerar reflexões sobre a solidão, o
indivíduo e a solidariedade.
Operação Cajueiro
Direção e produção: Fábio Rogério, Werden Tavares e Vaneide Dias
Gênero: Documentário
Fruto de diálogos mantidos com ex-presos políticos e considerando os
esforços mantidos pelos mesmos, bem como dos seus familiares e
organizações da sociedade civil para evidenciar uma memória sobre as
ditaduras militares no Brasil, surge o documentário ‘Operação Cajueiro,
um carnaval de torturas’. A produção visa, além de homenagear
perseguidos, demitidos, torturados e exilados, alertar a sociedade
brasileira para que barbáries cometidas no período ditatorial não sejam
repetidas e para dissipar a conivência com a criminalização dos
movimentos sociais em qualquer período da história.
O documentário destaca, portanto, o Estado de Sergipe como parte
desse cenário, tendo na ‘Operação Cajueiro’ uma das manifestações
impositivas mais violentas, realizada com participação de militares que
vieram da Bahia especialmente para acabar com qualquer tipo de
reorganização do PCB em Sergipe.
Morena de Olhos Pretos
Direção: Isaac Dourado
Gênero: Documentário
O outro documentário aprovado no ‘Edital de Apoio a Produção de Obras
Audiovisuais Digitais de Curta Metragem’ é ‘Morena de Olhos Pretos’,
assinado pelo ator e roteirista Isaac Dourado. Com a produção, ele
procura traçar uma trajetória sobre a história de Clemilda, cantora
radicada em Sergipe, tida como uma das responsáveis pelo amadurecimento e
reconhecimento do tradicional pé-de-serra nordestino em todo o Brasil,
promovendo a reflexão sobre o que o seu legado representa para a cultura
sergipana e brasileira na atualidade.
Eloisa Galdino, Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe

Foi
uma noite marcante, emocionante, daquelas que fazem você refletir sobre
o seu trabalho, os diálogos surgidos a partir dele, as dificuldades e
as conquistas.
Uma noite em que me deparei com algumas
transformações realizadas ao longos desses anos de atuação na cultura.
Eu me reencontrei mais uma vez com o objetivo maior da nossa passagem
por aqui: MUDANÇA.
Lembrei da caminhada, do percurso, e sorri várias vezes, por inúmeras razões. Como não sorrir com o Atheneu lotado, repleto
de pessoas que estavam ali pra encontrar elas mesmas, pra reencontrar a
sua aldeia, a sua tribo e identidade. Como? Impossível não falar de
celebração pra caracterizar uma noite como aquela.
Foi mais um
momento do audiovisual sergipano, mas como falar nele sem pensar na
cadeia que ele engendra e movimenta? Sem pensar no artista, no técnico,
no diretor, no figurinista, na costureira , no músico, nas produtoras,
fotógrafos, estudantes, finalizadores, designers etc etc etc ? Não é
possível. Porque o audiovisual talvez seja uma das linguagens mais
articuladoras e agregadoras da cultura, e justamente por isso a casa
estava cheia, de gente diversa, militante, colorida, crítica e festiva.
Uma gente da cultura, agentes dela, e agentes também da mudança. Uma
gente que me desafiou e desafia, cotidianamente, a buscar e a fazer mais
e melhor.
A noite foi de festa e de muito brilho por conta dessa
gente, dos agentes da cultura sergipana. Até agora as imagens dos
curtas, das pessoas, da estética e boa música da Couto, e de uma
empolgação generalizada estão em minha mente e alimentam a minha alma.
Fazem valer a caminhada.
Num tempo em que a democracia nos permite
ter voz e usá-la diuturnamente em defesa de causas, meu melhor exercício
é ouvir as vozes de quem produz arte e cultura em meu Estado.
Aprendizado em estado puro, sempre.
E quando esta fase passar –
porque há um tempo pra tudo na vida -, hei de carregar essas vozes em
minha mente como ecos bons, que me farão crescer e praticar ainda mais a
alteridade. Eu nunca irei esquecer de um tempo em que minha voz se
confundiu com tantas outras pra engrossar o coro de uma causa tão rica, a
causa cultural.
Obrigada a todos por tudo isso. Para sempre!

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O desafio maior é   “institucionalização”  de iniciativas inovadores como a  deste edital,  concomitante ao fortalecimento dos setores
envolvidos com a pequena e com a média produção no campo da cultura.
Dessa maneira,  haverá
um diferencial no legado dos gestores culturais em Sergipe. E neste particular
vale dizer, o que você deixa/deixará,  pela primeira vez, em Sergipe,  tem a cara de um projeto crativo, republicano   e antenado
com a construção iniciada a partir da gestão dos ministros Gil e Juca Ferreira,
cobertos pela sensibilidade e visão de um homem público como Luiz Inácio Lula da
Silva
E isso você busca fazer, mesmo que eu tenha criticas a fazer
a alguns aspectos da gestão, o que não é o caso de apresentá-las neste momento
e sabendo que  mudanças  mais ousadas e ampliadas dependem  de um conjunto de  competências , as quais,  nós que fazemos parte da cadeia produtiva da
cultura em nosso estado precisamos apertar o passo para obtê-las. Neste particular,  quero agradecer ao Ministério da Cultura pelo investimento que está fazendo em centenas de agentes culturais, entre os quais me incluo, através do curso de educação a distância e presencial em gestão de empreendimentos criativos, ministrado pela competente equipe do Senac-DF.
A propósito dos filmes, é fundamental que os mesmos sejam disponibilizados
para as escolas da rede pública, o que está sendo feito neste sentido?
Zezito de Oliveira

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Por questão de justiça
E pensar que o
governo de Sergipe estava “de mal” com o Minc de Gilberto Gil, chegando
ao ponto de um ex secretário de Cultura declarar-se contrário à vinda
do ministro a Sergipe por não considerá-lo suficientemente
sério. Eloisa Galdino não somente nos incluiu, como se incluiu na
formulação e acompanhamento de políticas públicas na área da Cultura,
presidindo o colegiado federal que tratava da matéria.

Infelizmente
ela não conseguiu, embora tentasse, dotar a secretaria de Cultura, em
Sergipe, de meios institucionais e orçamentários ideais ao enfrentamento
das modernas demandas que a Cultura apresenta.

Faz um bom
trabalho, embora sintamos falta de uma maior interação com os atores
tradicionais da cultura local, de gerações e momentos históricos
diferentes, que, certamente, tornariam política e administrativamente
irreversível o resultado do seu trabalho, estabelecendo uma sólida
linha do tempo que prosperasse além de qualquer governo.



Eloisa Galdino, sem dúvidas, estabeleceu sua gestão na administração
cultural como um divisor de águas, graças, prioritariamente, ao
reconhecimento de Sergipe como um ente capaz de realizar com sucesso
alguns dos mais caros programas federais na área da Cultura

Este
é um depoimento de quem já esteve, bem antes dela e em cinrcunstâncias
históricas diferentes, exercendo a mesma função pública.


Amaral Cavalcante

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