Videoclipe da música Zumbi preparado como material de suporte para aulas
sobre o tema da Escravidão no Brasil para o Ensino Fundamental e Médio.
Zumbi
Jorge Ben Jor
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há
Um princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados num carro de boi
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Dum lado cana de açúcar
Do outro lado o cafezal
Ao centro senhores sentados
Vendo a colheita do algodão tão branco
Sendo colhidos por mãos negras
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
È senhor das demandas
Quando Zumbi chega e Zumbi
É quem manda
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
África Brasil (Zumbi)
| “Zumbi” | |||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Canção de Jorge Ben do álbum A Tábua de Esmeralda |
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| Lançamento | 1974 | ||||||
| Gênero(s) | Samba soul | ||||||
| Duração | 3:39 | ||||||
| Gravadora(s) | Phonogram | ||||||
| Composição | Jorge Ben | ||||||
| Faixas de A Tábua de Esmeralda | |||||||
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| “África Brasil (Zumbi)” | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Canção de Jorge Ben do álbum África Brasil |
|||||
| Lançamento | 1976 | ||||
| Gênero(s) | Samba funk | ||||
| Duração | 3:44 | ||||
| Gravadora(s) | Phonogram | ||||
| Composição | Jorge Ben | ||||
| Faixas de África Brasil | |||||
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Índice
História
Versão de 1974
de 1974, a canção foi batizada com o título de “Zumbi” e era
caracterizada por uma sonoridade acústica e leve, em sintonia com a
temática esotérica desse disco. Ressaltando a letra cantada, a voz de
Jorge Ben aparece mais alta do que o acompanhamento instrumental,
marcado pelo uso do violão – instrumento predileto até então do cantor – combinados a violino e cello, instrumentos típicos da música erudita.
Versão de 1976
de 1976, o compositor fez significativas mudanças, a começar rebatizado
a canção com o nome do disco. Além disso, Ben alterou a estrutura da
letra e os arranjos originais foram completamente modificados, ganhando
uma pegada mais pesada e funk, inspirada na black music estadunidense, em especial pelo soul de Memphis,
e que privilegiava o acompanhamento instrumental. Em lugar do tom mais
suave e acústico da versão de 1974, foram incorporados o baixo elétrico e a guitarra elétrica junto a atabaques e outros instrumentos de percussão.
Na mixagem de som, a voz de Ben apareceu quase na mesma freqüência dos
instrumentos, uma iniciativa que aproximou o cantor de alguns gêneros do
rock e o afastou do formato típico da MPB daquela época.2
o que vai acontecer/ Quando Zumbi chegar”, repetindo o trecho “eu quero
ver” por três vezes, o que reforça a chegada de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, e a sua luta pela libertação dos escravos.2
A voz de Ben assume contornos declamatórios e discursivos nos versos
“Zumbi é senhor das guerras/ É senhor das demandas/ Quando Zumbi chega/ É
Zumbi é quem manda”, em que o compositor omite na entoação o “s”
da palavra “demandas” para rimasse com o verbo “manda”. O volume da voz
do cantor cresce à media que aumenta a sonoridade do acompanhamento
instrumental, um efeito que amplia a tensão do anúncio da vinda de Zumbi
com a entoação do refrão.2
de onde vinham os escravizados para o Brasil, o refrão é cantado três
vezes em sua primeira aparição, convocando os negros para a luta.2
Ben modifica a pronúncia de “Cabinda”, que vira proparoxítona com a
tonalidade recaída sobre a primeira sílaba. Na última aparição do
refrão, a pronúncia é corrigida. O refrão é acompanhado por instrumentos de sopro.
um leilão de escravos e reproduzem o cenário das grandes fazendas de
escravos, são nítidos recursos da figurativização.2
Além de conferem um caráter narrativo e visual aos versos, Ben trabalha
um jogo de imagens que contrastam a cor branca do açúcar (“Dum lado
cana de açúcar”) e do algodão (“Vendo a colheita do algodão branco”) com
à cor negra do café (“Do outro lado o imenso cafezal”) e da pele dos
escravos (“Sendo colhidos por mãos negras”).2
No final desta parte, a execução dos instrumentos elétricos é suspensa,
permanecendo apenas o conjunto percussivo, onde se destacam ainda a
cuíca emitindo um som percussivo e melódico ao mesmo tempo e o agogô no
contratempo dos atabaques e de outros instrumentos graves, e a voz de
Ben, que acompanha o repique na caixa da bateria como em uma marcha de
guerra.2
por um curto e ascendente acorde da guitarra, que anuncia o clímax da
canção, com a reintroduçãp da massa sonora dos metais e o canto
assumindo contornos mais passionais e dramáticos, alternando com
entoações figurativas, na execução final do refrão, intercalado por
apóstrofes (“meu povo!”) e alguns vocalises improvisados.2
Ficha Técnica
- no “Tábua de Esmeralda“
- Jorge Ben: violão
- Jorge Ben: guitarras
- Dadi Carvalho: baixo elétrico
- Pedrinho: bateria
- José Roberto Bertrami: teclados
- Oberdan Magalhães: saxofone
- Zé Carlos Bigorna: saxofone
- Darcy Cruz: trompete
- Márcio Montarroyos: trompete
- Doutor: percussão
- Gustavo: percussão
- Joãozinho: percussão
- Wilson Canegal: percussão
- Ariovaldo Contesini: atabaque
- Djalma Corrêa: atabaque
- Hermes Contesini: atabaque
- Esdra Ferreira (Nenen): cuíca
Referências
- Oliveira, Luciana Xavier de. O Swing do Samba. Salvador: UFBA, 2008.
- Oliveira, Luciana Xavier de. África Brasil (1976): uma análise midiática do álbum de Jorge Ben Jor. Salvador: UFBA, 2012.
- África Brasil – Discos do Brasil
Consciência Negra em “La Lune de Gorée” de Gilberto Gil e Capinan. música e oração, lamento e protesto.