Houve um tempo em que ser bispo, padre e leigo cristão em Aracaju, podia ser também sinônimo de pessoas descoladas, alternativas, progressistas ou de esquerda, antenadas, bem (in)formadas, não preconceituosas, inovadoras, ousadas, mesmo que representasse uma minoria.. Isso foi quando Dom José Távora foi arcebispo de Aracaju, principalmente do final dos anos 1950 quando tomou posse até 1964.

Depois veio o tempo negro e a força, e o mal que a força sempre faz. Como disse Belchior, nesse caso quando os militares usurparam o poder civil e quando um grande amigo dos militares Dom Luciano José Cabral Duarte tomou posse substituindo Dom Távora. Um bispo tão amigo dos militares que é acusado de ter matado dom Távora de desgosto por conta das suspeitas de ser um informante do exército contra seus irmãos de sacerdócio e contra leigos engajados

E assim, aqui em Aracaju, bispo, padre e leigo cristão passaram a ser o contrário de tudo o que afirmo acima, com poucas exceções que foram diminuindo cada vez mais, quanto mais fomos ficado distantes daquele triste 03 de abril de 1970, data do falecimento de Dom Távora.

Mas nos idos dos anos 1990, chega a Aracaju um professor de filosofia que bebeu na fonte onde Dom Távora deu passos fundamentais para se tonar a maravilha que se tornou, como ser humano e como cristão, o estado de Pernambuco, a formação diferenciada no Iter-Recife, seminário fechado porque formava padres na linha dos adjetivos que apresento nesse texto.
O nome do professor é Romero Venâncio que desafia a noção de um padrão de ser cristão, muito em voga hoje em dia, e em tempos pré Concilio Vaticano II. Mas que floresceu bastante e que deu muito e ainda dá bons frutos, desde as décadas de 1960, 1970, 1980, em muitas regiões do Brasil, inclusive aqui em Sergipe nos tempos de outro bispo, Dom José Brandão, da diocese de Propriá, o que me fez descobrir no Jornal do Brasil que nem tudo em Sergipe era atraso e retrocesso em matéria de governo pastoral, considerando ter sido por esse mesmo Jornal do Brasil onde Dom Luciano José Cabral Duarte escrevia artigos criticando a CNBB por ir além das palavras em favor da caridade e da justiça, o que para ele seria influências da infiltração comunista..

A lembrança que me traz essa reflexão vou deixar para depois… Mas penso o quanto é necessário trazer essas histórias a lume.

Adianto que no próximo ano estarei lançando um livro relacionado ao que trago agora…. Mais pesquisas, livros e documentários deveriam ser produzidos, sobre o que escrevo acima….

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