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15.05.2013 – 19h40 | Atualizado em 15.05.2013 – 21h01
foi criada em 1995 no Centro Comunitário do Instituto Municipal Nise da
Silveira, no Rio de Janeiro. Se o projeto surpreendeu os pacientes que
frequentavam o Centro ao levar música aos corredores de um espaço no
qual a angústia predominava, logo viria uma curiosidade ainda maior,
quando souberam que também poderiam participar da equipe da rádio.
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“As pessoas foram aparecendo cada vez mais, porque era uma novidade
ligar o rádio na enfermaria e ouvir as músicas que os pacientes haviam
pedido. A gente dava a essas pessoas um canal de expressão”, relembra o
psicólogo Annibal Coelho de Amorim. O médico foi um dos fundadores da
emissora, que hoje é uma rádio virtual, e relembra com bom humor o
codinome que usava no ar: Doc Crazy. A rádio é uma das iniciativas que
buscam humanizar a relação com quem sofre de transtornos psíquicos e
auxiliar na ressocialização desses indivíduos.
“Pessoas que apresentavam internações recorrentes ficavam cada vez mais
fora da enfermaria devido à sua ‘militância’ na rádio, tomavam menos
medicação. Elas assumiram um protagonismo cidadão de que talvez nem elas
tivessem ideia”, conta Amorim.
O entusiasmo para buscar um caminho alternativo no contato com usuários
de saúde mental também moveu o médico e artista plástico Lula
Wanderley. Após um convite da psiquiatra Nise da Silveira, ele a
auxiliou na reformulação do Museu de Imagens do Inconsciente,
também parte do Instituto Municipal Nise da Silveira. “Eu tinha a
impressão de quem sofre tem um corte de comunicação com o mundo, então
minha função era criar formas de comunicação com a pessoa. Nise gostou
muito dessas ideias, me acolheu e disse para usar minha sensibilidade
como instrumento de trabalho”, recorda.
Conheça o Museu de Imagens do Inconsciente e o legado de Nise da Silveira AQUI
“A Psiquiatria teve que se voltar à questão da sociabilização, porque
quem fica fora do corre-corre do cotidiano é massacrado. É natural que a
saúde mental entre nesse contexto de incorporar o sujeito à sociedade e
a arte é uma intermediadora maravilhosa de relações sociais”, afirma
Lula Wanderley. No fim dos anos 1980, o artista plástico fundou no
Instituto Nise da Silveira o Espaço Aberto ao Tempo, com o objetivo de
trabalhar questões existenciais do corpo por meio da arte.
Lula Wanderley diz ter recebido grande influência da também artista
plástica Lygia Clark. “Lygia criou o que chamou de ‘objeto relacional’,
que tem uma linguagem exclusiva para o corpo e possui uma sensorialidade
tão particular que toca a alma do indivíduo. Em pessoas com vivências
psicóticas muito graves, essa relação com o objeto fazia com que algumas
criassem uma nova vivência do corpo, que era ressignificado, e tivessem
chance de melhora”.
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