18/04/2013
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03h30
PEDRO IVO TOMÉ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O debate sobre a redução da maioridade penal opõe especialistas em
direito e a sociedade. Apesar de 93% dos paulistanos apoiarem a medida,
professores e advogados se dizem contra a mudança na legislação para
jovens entre 16 e 18 anos.
direito e a sociedade. Apesar de 93% dos paulistanos apoiarem a medida,
professores e advogados se dizem contra a mudança na legislação para
jovens entre 16 e 18 anos.
Haddad diz duvidar de eficácia de redução da maioridade penal
Maioria em São Paulo apoia punições mais duras para jovens
93% dos paulistanos querem redução da maioridade penal
Maioria em São Paulo apoia punições mais duras para jovens
93% dos paulistanos querem redução da maioridade penal
Foi a maior aprovação à proposta medida pelo Datafolha em São Paulo. Em 2003 e 2006, o apoio foi de 83% e 88%, respectivamente.
Os argumentos dos especialistas são o aumento da população carcerária, o
fracasso do sistema penitenciário e o possível agravamento da
criminalidade com a entrada dos jovens nas prisões.
fracasso do sistema penitenciário e o possível agravamento da
criminalidade com a entrada dos jovens nas prisões.
Outra razão apontada contra a mudança é a fato de a discussão sobre o
assunto estar motivada por um crime brutal: o assassinato de Victor Hugo
Deppman, 19, em um assalto no dia 9.
assunto estar motivada por um crime brutal: o assassinato de Victor Hugo
Deppman, 19, em um assalto no dia 9.
Um jovem, que estava a três dias de fazer 18 anos, foi detido sob suspeita de ser o assassino.
Ontem, no programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo, os pais de Deppman defenderam a redução da maioridade.
“Sempre fui a favor. Sou advogada e para mim é inconcebível a gente
viver em uma sociedade com a gama de informações que esses jovens
recebem e eles não saberem o que fazem”, disse a advogada trabalhista
Marisa Riello Deppman, mãe da vítima.
viver em uma sociedade com a gama de informações que esses jovens
recebem e eles não saberem o que fazem”, disse a advogada trabalhista
Marisa Riello Deppman, mãe da vítima.
REFLEXO EMOCIONAL
Para Antonio Magalhães Gomes Filho, 67, diretor da Faculdade de Direito
da USP, a opinião dos paulistanos é um reflexo emocional do crime.
da USP, a opinião dos paulistanos é um reflexo emocional do crime.
“Sistema penitenciário não recupera ninguém desde o tempo que eu fui
estudante. Essas medidas em relação aos menores não têm efeito.”
estudante. Essas medidas em relação aos menores não têm efeito.”
Alamiro Netto, professor de direito penal da USP e criminalista,
concorda. “A pesquisa é interessante para ter um instantâneo da comoção
social. Isso é normal, mas é muito mais uma resposta passional do que
reflexiva”, diz.
concorda. “A pesquisa é interessante para ter um instantâneo da comoção
social. Isso é normal, mas é muito mais uma resposta passional do que
reflexiva”, diz.
Para ele, o marco para a maioridade penal é uma cláusula pétrea da
Constituição, que não poderia ser alterada para restringir direitos.
Constituição, que não poderia ser alterada para restringir direitos.
Marta Machado, professora de direito penal da FGV (Fundação Getulio
Vargas), afirma haver uma “tradição de evocar respostas populistas
penais logo depois de crimes de grande comoção”.
Vargas), afirma haver uma “tradição de evocar respostas populistas
penais logo depois de crimes de grande comoção”.
Ela exemplifica com a alteração da lei de crimes hediondos em 1994,
motivada pelo assassinato de Daniela Perez, e a mudança do Código Penal,
em 2009, para especificar o sequestro relâmpago na lei.
motivada pelo assassinato de Daniela Perez, e a mudança do Código Penal,
em 2009, para especificar o sequestro relâmpago na lei.
“Encarcerar é o remédio que mata o doente. Em vez de oferecer uma
alternativa, o Estado dá o adolescente de mão beijada para o tráfico.”
alternativa, o Estado dá o adolescente de mão beijada para o tráfico.”

