Geração Coca-Cola” Renato Russo – 1985
Os jovens professores estão
chegando as escolas, são os nascidos desde meados das décadas de 1990, 2000.
São tempos marcados pela ascensão
e tentativas de consolidação do neoliberalismo, caracterizado pela primazia do
individual em detrimento do coletivo, o que na economia significou a privatização de empresas
públicas, a terceirização de algumas áreas do serviço público, algumas delas estratégicas em termos de soberania, a
desnacionalização das economias dos países periféricos, a financeirização da
economia, desindustrialização e etc..
Isso tem impacto na cultura e na
educação, com o reforço da mentalidade individualista, competitiva,
meritocrática, consumista, anti democrática
e etc., o que retroalimenta as iniciativas ou ações objetivas do
neoliberalismo no plano econômico.
Em termos mais práticos, muito
dessa cultura que reforça a mentalidade individualista, competitivas,
meritocrática, consumista, anti democrática e etc., foi aprendida nas escolas
e/ou universidades privadas de onde muitos jovens professores são oriundos, e até mesmo com alguns professores nas universidades públicas.
Isso porque, na maioria das
escolas e universidades privadas não se “perde tempo” com longas consultas ou
debates e com eleição direta de diretores ou reitores, até porque são
empreendimentos privados, sem interesse no incentivo e fortalecimento do pensamento critico e emancipador
por razões óbvias decorrentes.
E aí , chegamos ao atual
“estado da arte” da participação democrática na escola. Logo, como avançar a
participação do jovem professor no sindicato? Com profissionais sem muito
hábito em questionar o “status quo”, sem hábito
ou “habitus” (1) aqui trazendo o conceito de Pierre Bordiau, de discutir
coletivamente, acostumado a velha hierarquia em que “manda quem pode, obedece
quem tem juízo”, sem horizontes utópicos, contentes com um estilo de vida bem
semelhante ao chamado “american way life”. Um modo de viver, fortemente ancorado em uma
cultura marcada pelo consumismo, padronização social e cultural e a crença
nos valores democráticos liberais.
(1)
Habitus é um sistema de
disposições incorporadas, tendências que organizam as formas pelas quais os
indivíduos percebem o mundo social ao seu redor e a ele reagem (em
termos de classe social,
religião, nacionalidade, etnia, educação, profissão etc.), como o habitus é
adquirido através de mimesis e
reflete a realidade vivida a que os indivíduos são socializados, sua
experiência individual e oportunidades objetivas. Assim, o habitus representa a
forma como a cultura do grupo a história pessoal moldam o corpo e a mente e,
como resultado, moldam a ação social no presente.
O conceito de habitus — também conhecido
como capital cultural incorporado —
foi desenvolvido pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu com
o objetivo de pôr fim à antinomia indivíduo/sociedade dentro da
sociologia estruturalista. Relaciona-se
à capacidade de uma determinada estrutura social ser incorporada pelos agentes
por meio de disposições para o seu modo de ser — sentir, pensar, agir.
Reforçando com o pensamento de Edgar Morin, “a reforma de pensamento exige a reforma da Universidade”.
E aqui comenta o colega professor de História Silvaney Silva Santos, o qual teve acesso a este artigo antecipadamente: ” A contemporaneidade mostra o recrudescimento do humanismo. Por outro lado, o consumismo, o individualismo, e formas mais severas de extração da mais valia, por meio de variadas formas de precarização do trabalho vêm ancorada nessa enxurrada de obscurantismo. Algo, que sem a reforma do pensamento acaba sendo legitimado, fazendo incutir o “habitus”.
Sobre os profissionais da educação oriundos da universidade
pública, o quadro também tem sido desfavorável nos últimos tempos, mas ainda assim
percebemos um pensamento critico mais acentuado e posturas mais assertivas no
enfrentamento ao projeto tecnicista neoliberal que avança no ensino. Mais
detalhes sobre isso traremos na próxima semana..
Importante! No argumento acima não afirmo de forma absoluta os comportamentos
assinalados de diferenciação de professores das duas origens,
faculdades e universidades particulares e universidade públicas,
O que trago acima e no próximo artigo, se refere a
tendências. Em uma pesquisa qualitativa com os profissionais da educação que
estão no chão da escola será possível encontrar com maior acerto a
categorização geral que fiz..
Dessa maneira, há profissionais politizados e engajados nas
discussões e lutas em defesa do ensino público de qualidade oriundos de
faculdades e universidades particulares, assim como profissionais da escola
pública que tem um pensamento e
comportamento desinteressado da organização e da luta coletiva..
E é nessa perspectiva,
que retomo as quatro proposta que apresentei as chapas que disputam a
direção do SINTESE para os próximo anos… O que foi realizado no primeiro
artigo desta série.
Qual
a opinião dos representantes das duas chapas. Aqui perguntas sobre a
funcionamento e a dinâmica interna do sindicato.
acerca da necessidade de organizaçao dos professores por local de
trabalho, ou de um conjunto de escolas por bairros, no
caso de cidades maiores como Aracaju e as cidades da região metropolitana?
da necessidade de realizar discussões, inclusive em conferência e congressos,
além de ações, considerando a interação do campo da educação
com os campos da cultura e da comunicação?
da necessidade de incluir as familias dos professores, principalmente crianças
e adolescentes, em processos formativos e socializadores, seja no campo
politico, seja no campo cultural.
da necessidade de realizar ações culturais no sindicato, para além dos
aspectos da animação, da agitação e da propaganda.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
Eleições no SINTESE – Outros olhares, outras palavras.. E a questão dos partidos, do aparelhamento?
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022