BOA NOITE COM A MÚSICA DE IRMÃO


 
Ontem (02/05/2013) estive
na homenagem ao  saudoso Irmão, cantor,
compositor e agente cultural de Aracaju city. Além da qualidade das interpretações
da obra de Irmão, realizadas por renomados artistas , assim como a boa  estrutura e produção  do evento, me chamou a atenção a qualidade do
repertório composto por Irmão.
É verdade que conhecia e gostava  de algumas músicas de Irmão, porém, pelo  auge da sua criação artistica 
ter se dado em um tempo de pouco  acesso a tecnologias mais baratas e mais simples  na área da  produção e da difusão, (anos de 1970, 1980 e 1990), a maioria das músicas
composta por ele, não tornou-se bem mais conhecida e apreciada. Ao sair do
Espaço Cultural da  Maloca ontem a noite,
foi este um de meus pensamentos principais.
Chegando em casa, fiquei
imaginando outros tributos semelhante, homenageando  João Mello, Ismar Barreto, José AugustoSergipano, Josa e outros. Pensei mais, além de um tributo em forma de
espetáculo, também  em forma de pesquisa
e produção de livro e documentários sobre os nomes acima citados e outros mais.
Será que a Petrobrás,
patrocinadora oficial do evento de ontem poderia continuar patrocinando mais eventos
com este perfil?  O Instituto Banese e a Funcaju não poderiam também pensar  em alocar recursos para isso?
Os recursos referentes as bolsas
de pesquisa poderiam ser fornecidas pela UFS ou pela Fapitec e a impressão seria
realizada pela Editora da UFS e pela Segrase.
Não será uma boa idéia para
artistas, intelectuais e produtores apresentarem a estas instituições,
inclusive através de editais de seleção pública voltados para os objetivos de pesquisa
, registro e difusão da memória artística e cultural de Sergipe Del Rey.
Vale destacar, o edital de audiovisual (baixo orçamento) da  Secult, que contempla em parte, uma das demandas proposta acima, confira aqui
Zezito de Oliveira
Educador e Produtor Cultural

Assista imagens da noite de ontem.

 Vídeo 01 Tributo ao Cantor e Compositor IRMÃO 02/05/2013 Aracaju/SE 
 Vídeo e Filmagem de Ildebrando Siqueira Melo. Organização da festa Tonho Baixinho Cantor e Compositor Aracaju/Se 02/05/2013


Confira outros videos do Tributo ao Cantor e Compositor  Irmão, neste canal. AQUI

Atualização abaixo em 05/05/2013, 15:06

As informações abaixo foram postadas no grupo Espetáculos e Artistas Sergipanos (facebook) após o texto acima:
 POR: José Carvalho Carvalhinho

CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DA MÚSICA SERGIPANA E SEUS ARTISTAS.

Para os que não sabem.


A nossa música já era destaque na década de 60 com a
existência de Festivais de música a exemplo do I Concurso Sergipano de Música
(Gravatinha, Maria Olivia, Boa Ventura e outros), Semana da criação (Brasinha,
Henrique Souza e outros) e Festival da Canção de Estância. Mas a chamada
“música popular sergipana”, surgiu em 1972 com o Grupo D’aqui (Jorge
Lins e Henrique Souza), Nêm e Carvalho, Irmão e Tonho Baixinho, Instante 4
(Lina e irmãs), Valdefrê e Nery, Alcides Melo, Jimmy e Nenêm, Nêgo Beto, Marcos
Chulé, Brasinha (Zé Antônio Vieira),

The Tops, Grupo Repente (Carvalhinho em 1976), Grupo Bolo de
Feira (Antonio Carlos du Aracaju/Beneti Nascimento e Zezinho em 1978) e Grupo
Cata Luzes (Claudio Miguel, Antonio Amaral, José Amaral e Valdefrê, em 1980).
Os três últimos surgiram trazendo temática local para as letras, inserindo nas
suas canções elementos do folclore sergipano. Já na década de 80 surgiram
Cantores como Chiko Queiroga e Antônio Rogério, Grupo Asa Branca (Itabaiana),
com Amorosa cantando e outros.


Informações por: Jota Carvalho (Professor, cantor, escritor e compositor).


 Por Luiz Eduardo Oliva 
Faltou
citar Nomes importantes da década de 60 como Edidelson Andrade e o Trio
Atalaia, Vilela,o compositor da consagrada Atalaia, Sérgio Boto, Hunald
Alencar
Hunald de Alencar além de poeta era letrista e concorria aos festivais, Lobinho, joãozinho
Monteiro,
Roberto Melo, Hugo Costa e a figura de Hilton Lopes, só para ficar
nestes nomes. Havia ainda nomes como Antonio Teles, Luiz Ouro, o Prof.
Argolo, Carlos Rubens, Sêo Oscar, Bado, Pitta, Carvalhal. Os anos 70,
pela forte repressão do regime militar, foi pouco criativo. Mas é a
força de
Alcides Mello
e a Eletrozabumbada misturando o The Tops, a Zabumba de Quem Dera e o
próprio Alcides em show antológico no Atheneu. Havia o Roteiro das 11
com Reinaldo Moura,depois substituído por Gilvan Fontes e apresentado
nas manhãs de Sábado no auditório da Rádio Cultura ou de forma
itinerante pelo interior. Aliás os programas de auditório tiveram seu
lugar,revelando Tuti Fred, Lisboa e os conjuntos ao estilo ie-ie-ie,
como Os Águias, Os Nomades, Os Vikings, Stop Keps, Medeiros e seus big
boys…Em meados dos anos 60′ de forma ousada, eu,
Tonhobaxinho Tomrobson Baixinhorobson, Jorge Lins,
Adilson Silva e Deda Corumba lançamos o Zoológico,espetáculo que reunia
música,poesia,dança e um pouco de teatro e que foi um retomar da nossa
música. Eu mesmo integrei o Grupo D’Aqui, com Henrique Souza, Jorge
Lins, Zé Carlos Tourinho e Wilson Cordeiro. No alvorecer dos anos 80
Paulo Lobo
E Bandaraxá (como esquecê-lo?) lançam Moleque Brasil sob minha direção,
Alcides Melo lança Mamageroma, Alexandre Ribeiro,o portuga,
Alexandre Ribeiro com Cravos Tropicais(integravam Joesia Ramos, Mascarenhas, Paulo Lobo, tbém com minha direção. Irineu Neu Fontes,Alex e Emmanuel Dantas, sob direção de Genival Nunes
Lançam Entre Amigos. Os anos 80 são riquíssimos, onde o ápice está nos
dois FSMPB – Festival Sergipano da Música Popular Brasileira,pela TV
Sergipe, mas aí são outros qunhentos, como se costuma dizer e fica para
outro capítulo. Abraços a todos que amam nossa música.
 
Por Neu Fontes

Em
Aracaju, os festivais da segunda metade da década de 60, impulsionaram o
surgimento da nova musica aracajuana. Jovens compositores, cantores e
músicos acompanhando o pensamento musical nacional como a bossa nova os
Sambas e canções com letras de amor e proclamando a liberdade. Eles
participavam dos festivais da canção, artistas como: Marcos Antônio
(Popular Marcos Chulé) autor de um clássico da musica aracajuana Cruzada
vencedora do Festival de 1968, Irmão, Ariquitiba, Luiz Antonio Barreto,
Antonio Vilela compositor de outro clássico da cidade “Atalaia” ,
Antonio Teles considerado o nosso Nelson Gonçalves, Hunald de Alencar um
grande poeta e letrista, Alcides Melo, Irmão, Grupo as Moendas, Claudio
Miguel, Nery e Valdefrê, Miron, Tonho Baixinho, Trio Atalaia, Heribaldo
e sua Orquestra, Los Guaranis, Brasa Dez, Os Nômades, Vikings, e Bandas
de Rock, nomes que nortearam a musica sergipana nas décadas seguintes.
A decretação do Ato Institucional nº5, em dezembro de 1968, os artistas
e suas musicas eram perseguidos pela censura, as canções politizadas
foram retiradas das rádios, TVs e palcos. Mesmo assim, não se pode dizer
que o gênero tenha sido extinto.
Ao longo dos anos 70, os
compositores foram obrigados a exercitar com muito mais força a sua
criatividade e as metáforas, criptografias e outras táticas utilizadas
pelos compositores – sem esquecer a incompetência de vários censores –
permitiram que mensagens mais ou menos cifradas chegassem até o público.
em 1972 com o Grupo D’aqui (Jorge Lins e Henrique Souza), Nêm e
Carvalho, Nery e Valdefrê, Jimmy e Nenêm, Nêgo Beto, Brasinha (Zé
Antônio Vieira),
Grupo Repente, Grupo Bolo de Feira.
Um dos
artistas mais atuante na década de 70 era o Alcides Melo vencedor do I
Festival estudantil da canção em 71 com a música Retirante.

Participou de vários movimentos de emancipação da música nordestina,
como os Projetos Pró-Disco, Criação da Coletiva de Música de Sergipe, o
Movimento Pró-Cooperativa de Música, a Coopermúsica e as Reuniões de
Gente de Música do Nordeste, era um musico atuante em defesa da
categoria, em entrevista ao site triangulo Mineiro.com Alcides Melo
deixa bem clara sua trajetória musical pelas décadas de 70 e 80, auge de
sua carreira artística.
No começo dos anos oitenta a cidade de
Aracaju é tomada de surpresa com a volta dos Festivais e acontece o I
FSMPB – Festival Sergipano de Musica Popular Brasileira promovido pela
TV Sergipe, emissora vinculada a TV Globo, e surgi ai novos talentos
como: Grupo Bolo de Feira, Paulo Lobo, Antonio Carlos Du Aracaju, Irineu
Fontes, Lula Ribeiro, Joésia Ramos, Chico Queiroga, Mingo Santana,
Emanoel Dantas, Alexi Pinheiro, Chico Pires, Joésia Ramos, Grupo
Repente, Jimmy e Nenem, Mary Barreto, Doca Furtado, Ismar Barreto, o
Crupo Cataluzes, Ailton Cardoso, Rogério, Amorosa, Jorge Duccy, Dalila
entre outros.
O Grupo Entre Amigos, composto por amigos de infância
cada um com diversas influências musicas montaram dois históricos shows,
o Entre Amigos em 1981 e o Brasil conversa de Fome de 1982, o grupo era
formado por Irineu Fontes, Alex Pinheiro, Emanuel Dantas, Dalila, Denys
Leão, Genival Nunes, Jairo Bala, Mauricio Botto, Marcus Passos e Paulo
Bedeu. O grupo faz no começo da década de 80 uma grande revolução na
produção musical e artística da época, pensando pela primeira vez em um
trabalho de planejamento, contrata uma agencia publicitária a Hellius
Publicidade para criação de cartaz, releases, spot para radio e VT para
televisão. Busca em Salvador sonorização e iluminação profissional, e
profissionais em todas as áreas diretor musical, diretor artístico,
arranjador, a produção busca na iniciativa privada o apoio e patrocínio
uma mudança radical no conceito de show musical em Aracaju.

Inspirados pelo novo momento vários artistas começam a produzir shows
musicais com as mesmas preocupações, Joesia Ramos com o Show Cantarina,
Marcos Passos e Hunald Alencar, Lula Ribeiro Show Florescer, Irmão e
Tonho Baixinho, Clara Angélica.
Surge nessa década um festival
estudantil da canção – Novo Canto, criado pela equipe da Fundação
Estadual de Cultura composta de Jorge Lins, Antonio Amaral e José
Américo o Sucupira, que lança no seu primeiro ano em 1984 e nos anos
seguintes das décadas de 80 e 90, nomes da nova safra da musica de
Aracaju, Chico Queiroga, Antonio Rogério, Marcos Aurélio, Sena,
Sergival, Antonio Passos, Nino Karva, Cris Emmel, Pantera, Kleber Melo,
Marcos Aurélio, e o Rubens Lisboa que é o nosso objeto do Projeto
Experimental, entre outros, que participaram dos vários Lp’s gravados
pelo órgão de cultura do Estado com os vencedores do referido Festival.
Na inicio década de 80, começam a surgir as primeiras propostas de
produções independentes no Brasil, resultado da grande crise econômica.
O trabalho de Antonio Adolfo e as gravadoras Lira Paulistana e Som da Gente são os pioneiros desse movimento.
Em Aracaju o grupo Cataluzes lança o LP “VIAJEM CIGANA”, gravado no Rio
de Janeiro totalmente independente seguindo o pensamento do Antonio
Adolfo e logo em seguida em 1985 três artistas montam um projeto
independente e buscam apoio na iniciativa privada e conseguem
sensibilizar o empresário Luciano Nascimento da Cosil Dados que investiu
na época a quantia de Cr$ 40 Milhões. Gravarão e lançarão o disco
Cajueiro dos Papagaios são eles o Irineu Fontes, Lula Ribeiro e o Paulo
Lobo com a produção executiva do José Américo Sucupira, no jornal
Tribuna de Aracaju em Janeiro de 1986 encontramos esses comentários.

(…) Com o apoio cultural da Cocil Dados e com um investimento de Cr$
40 milhões, o disco intitulado “Cajueiro dos Papagaios” traz
diversidades de ritmos e composições. (…) o disco produzido em
Pernambuco pela somax, (…) Lula, Paulinho e Irineu produziram 2.000
copias para festa de lançamento. (Matéria Jornal Tribuna de Aracaju em
Janeiro de 1986)

Nos anos seguintes alguns artistas se
destacarão como Roberto Alves, Rogério, Amorosa, Neu Fontes, Jorge
Duccy, Antonio Carlos Du Nos anos seguintes alguns artistas se
destacarão como Roberto Alves, Rogério, Amorosa, Neu Fontes, Jorge
Duccy, Antonio Carlos Du Aracaju, Amorosa, banda Karne Krua, os
Forrozeiros Luiz Paulo, Erivaldo de Carira, Batista do Acordeon,
Clemilda uma lenda do forro com a sua musica Prenda o Tadeu alcançando
sucesso nacional, volta a Aracaju com seu marido o maior sanfoneiro de
oito baixos do Brasil o Gerson Filho, Josa o Vaqueiro do Sertão entre
outros é um final de década prodiga para a musica da cidade, pois o
Governador da época era o Sr. Antonio Carlos Valadares musico amador e
um apaixonado pela musica produzida em Aracaju foi um grande
incentivador colocando os artistas a participarem de todos os momentos
de festas do governo estadual.
No final dos anos 80 e inicio da
década de 90 os artistas tiveram que se adaptar ao mercado dos mas media
ai surge os artistas voltando suas antenas para a cultura popular,
pesquisando e buscando um novo formato musical entre eles o Kleber Melo,
Banda Sulanca, Luiz Fontinelis, Bando de Mulheres, Gena Ribeiro,
Patrícia Polayne, Pedrinho Mendonça, Tom Toy, entre outros.
Gena
Ribeiro surge cantando em uma banda de pop rock chamada Exceção que era
composta por Milton Goulart, Luciano Goulart, Wolney e Duda e logo se
destaca como uma das maiores interpretes da musica Brasileira, ganha
dois festivais o Novo Canto e o Canta Nordeste esse ultimo revela uma
grande interprete e compositora a Patrícia Polayne. Nessa década o Ismar
Barreto volta de Brasília onde morou por vários anos e se transforma em
um dos mais requisitados compositores da cidade, nomes como Amorosa,
Guewdolin Thopson, Antonio Carlos e Jocafi, Zinho, Domingos entre outros
grandes interpretes da musica Brasileira.
No seu artigo no Site “serigi a historia do seu povo” Barreto comenta.
(…) Ismar Barreto não fugiu ao cotidiano urbano de Aracaju e compôs
algumas das músicas antológicas do seu repertório de autor, uma delas,
fazendo uma viagem pela cidade, sem pressa, parando até para tomar um
chope com Pascoal Maynard, no saudoso bar Fans, da Avenida Rio Branco,
no térreo do edifício Oviêdo Teixeira, que mereceu gravação
irrepreensível de Amorosa, espécie de interprete preferencial do
compositor.
O Pop Rock influenciado pelas bandas dos anos 80 traz
diversos nomes para o nosso mercado musical da década de 90, Minho San
Liver, Banda Java, Conexão 69 hoje Alapada, Cartel de Bali, Mosaico,
Alex Santana Henrique Teles, o Paulo Lobo lança seu primeiro CD Ruas de
Ara, transformando a musica titulo em um hino da cidade de Aracaju e
nessa década também o Rubens grava seu primeiro CD “Assim meu de lua”.
Um novo século começa e com força total aparecem novas ferramentas e
todo aparato digital, facilidade as gravações. Home Studios e
computadores ajudam a prolifera as gravações e surgimentos de vários e
novos artistas da musica produzida em Aracaju.
Varias bandas, grupos
e artistas utilizam das novas ferramentas e lançam seus trabalhos como
os grupos Maria Scombona, Nauêra, Sibéria, Alapada, Plástico Lunar,
Lacertae, Snoze, Grupo Membrana, Lateiros Curupira, Jô Baba de Boi e
compositores e interpretes como João Ventura, Alice Nou, Edson João, a
Dupla Chiko Queiroga e Antônio Rogério consolida seus trabalhos e se
lançam internacionalmente, a banda Calcinha Preta se transforma na maior
banda de forro eletrônico do Pais, usando ferramentas de Marketing e
produção e o Rubens lança mais dois CDs “Segundas Intenções e Todas as
Tribos.

Parte do Prex – Projeto Experimental apresentada à
Faculdade Sergipana como pré-requisito para obtenção do grau de Bacharel
em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda.
RUBENS EXPERIMENTA A NOVA MPB
“A PROPAGANDA E O MARKETING COMO
FERRAMENTAS DE VALORIZAÇÃO E RECONHECIMENTO DO ARTISTA SERGIPANO NO
MERCADO MUSICAL DE ARACAJU”
de Irineu Fontes

 Áudio original do Festival de Música, em Aracaju, no ano de 1969, com a música vencedora, “Cruzada” de Marcos Gomes.

AQUI

Rolar para cima