Playlist – Contra a intolerância religiosa – canções brasileiras de matriz afro.

Há diversas formas de prevenir/combater a intolerância
religiosa. O nosso  cancioneiro popular
fornece uma bom acervo de canções. A escola e os meios de comunicação são locus
importantes para enfrentarmos o problema por meio dessa estratégia

Abaixo, algumas músicas ligadas a matriz afro brasileira que
podem nos ajudar. Quem quiser/tiver outras sugestões pode enviar através dos
comentários.

No endereço abaixo, uma série de músicas com temática religiosa de matriz africana.


http://afroreligiaonampb.blogspot.com.br/

Aqui a sequência das músicas acima  em playlist no youtube.
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por Yvonne Maggie

Menina apedrejada: fanatismo e intolerância religiosa no Rio de Janeiro

http://g1.globo.com/pop-arte/blog/yvonne-maggie/post/menina-apedrejada-fanatismo-e-intolerancia-religiosa-no-rio-de-janeiro.html

Assista no link acima gravação em video relacionada ao assunto.

Avó faz campanha pela tolerância religiosa, após agressão a neta

  RESUMO DO ARTIGO: Agressão contra a menina
Kayllane Campos, de 11 anos, na saída de uma cerimônia de candomblé,
seria impensável até pouco tempo no Brasil, onde casos de fanatismo e
intolerância eram pontuais, de acordo com a colunista. Yvonne lembra,
entretanto, que já houve perseguição e violência do Estado contra
religiões de matriz africana. Especialista no tema, ela aponta marcos
dessa perseguição que são visíveis até hoje. Por isso, aponta ela, a
reação ao sectarismo precisa ser forte para evitar cenários como os que
têm feito estragos em locais como Síria, Somália e Myanmar.
LEIA A ÍNTEGRA ABAIXO:

“Achei
que ia morrer. Eu sei que vai ser difícil. Toda vez que fecho o olho eu
vejo tudo de novo. Isso vai ser difícil de tirar da memória”, afirmou
Kayllane Campos, uma menina de onze anos, ferida no domingo dia 14 de
junho, quando saía de uma cerimônia de candomblé em um subúrbio carioca,
com sua avó e outros participantes, todos vestidos com as roupas
brancas de santo.

Dois jovens agrediram o grupo atirando pedras,
e brandindo a Bíblia gritavam: “É o diabo, vai para o inferno, Jesus
está voltando”. Uma das pedras atingiu Kayllane na cabeça e lhe deixou
um grande corte que sangrou muito. Os dois agressores fugiram de ônibus.

A menina disse à Globo News
que o caso não abalara sua fé. A avó que a acompanhava na entrevista
informou que é mãe-de-santo há mais de trinta anos, conhecida como Mãe
Kátia de Lufan. O caso foi registrado como lesão corporal e no artigo 20
da lei 7.716 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou
preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional).

Fatos
tristes como este estão acontecendo em muitos lugares do mundo de forma
assustadoramente violenta e cruel, como na Síria, Somália e Myanmar. No
Brasil, isso parecia ser impensável.

A história das religiões
afro-brasileiras – atualmente também nomeadas religiões de matriz
africana – foi marcada pela violência por parte do Estado, especialmente
com o advento da República. O primeiro código penal republicano, de
1891, criminalizou e proibiu, em seu artigo 157, “Praticar o
espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismãs e cartomancias
para despertar sentimentos de ódio e amor, inculcar cura de moléstias
curáveis ou incuráveis, enfim para fascinar e subjugar a credulidade
pública.”

Os pais e mães-de-santo, e seus fiéis, eram presos e
alguns até mortos nas investidas da polícia amparadas por este artigo.
Estudei essa história no meu livro “Medo do feitiço” no qual analisei
muitos processos judiciais e inquéritos policiais contra os que
praticavam “o espiritismo, a magia e seus sortilégios…”.

Os legisladores acreditavam nos poderes da magia e a lei exigia a
perseguição aos acusados de feitiçaria. Durante esta época o campo das
religiões afro-brasileiras  foi sendo construído e, como diziam os
juízes, “foi separado o joio do trigo”. Ou seja, os “charlatães” e
“feiticeiros” foram punidos e os “verdadeiros religiosos” puderam seguir
seu curso.

O Estado imiscuiu-se, dessa forma, nos assuntos da magia e interveio
no combate aos feiticeiros regulando acusações e criando juízos
especiais. A partir da mudança no Código Penal, em 1942, os casos de
repressão foram escasseando, mas até hoje o curandeirismo é considerado
ilegal.

Nas palavras do cronista João do Rio, em seu magnífico
As religiões do Rio, 1904: “Vivemos na dependência do feitiço… somos
nós que lhe asseguramos a existência com o carinho de um negociante por
uma amante atriz…” . Ou seja, a repressão ao feitiço se fazia na
lógica da feitiçaria e as pessoas buscavam às escondidas os médiuns. A
relação entre a sociedade mais ampla e os terreiros era como a “de um
negociante por uma amante atriz”, uma relação de fascínio, prazer,
perigo e pecado. A crença atingia pessoas de todas as classes.

No
Brasil, o fanatismo e a intolerância costumavam ser casos pontuais. Há
histórias emblemáticas como a perseguição ao Xangô de Alagoas em 1912,
estudado por Ulisses Rafael no seu livro “Xangô rezado baixo”.
Entretanto, alguém que se ache no direito de agredir e ferir outra
pessoa por não professar a mesma fé, chame a crença alheia de coisa do
diabo, do capiroto e, em nome de Jesus, erga a Bíblia contra “infiéis”,
era quase impensável, mas desgraçadamente tem sido frequente nos últimos
anos.

Fanatismo, intolerância e violência caminham juntos,
embora, para nossa surpresa, Kayllane Campos tenha dito que, até então,
nunca sofrera preconceito. Segundo a avó, a menina era iniciada há
quatro meses e durante o período de feitura do santo, de iniciação,
havia frequentado a escola sem ser alvo de nenhum tipo de discriminação,
nem mesmo bullying, apesar de ir vestida de branco e com os colares
rituais.

Mãe Kátia disse já ter sofrido e presenciado outros
casos de perseguição, agressões verbais e até mesmo físicas, mas, desse
modo, contra uma criança, nunca. Em Vila da Penha onde fica o seu
barracão, outra casa de culto foi invadida e destruída por pessoas que
ela acredita não serem evangélicas, pois “são pessoas fanáticas, loucas,
que não têm Deus no coração.”

Nas palavras da mãe-de-santo, os
casos de agressão que se repetem contra os praticantes das religiões
afro-brasileiras por fanáticos que não aceitam a religião dos outros,
ferem profundamente o sentimento brasileiro de sincretismo, de convívio
entre as crenças. E ela tem fortes razões para crer que isso seja
verdade. Embora sua neta seja iniciada no santo, sua filha, que mora ao
lado com outros filhos também do candomblé, converteu-se ao
protestantismo.

Segundo o secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, o fanatismo religioso é um ato de barbárie.

Esses
ventos que sopram para insuflar o ódio aos que usam branco, o branco da
paz, como diz mãe Kátia, mas também o branco do candomblé, da umbanda e
de outras religiões de origem africana podem produzir efeitos trágicos.

Para
combater a intolerância religiosa Mãe Kátia está iniciando uma campanha
na qual diz: “Eu visto branco, o branco da paz porque sou
candomblecista e você?”

A reação à intolerância religiosa do
grupo agredido e da menina ferida pela pedrada que poderia tê-la matado
foi de convite à paz, de chamamento à não violência. Esta resposta ao
sectarismo é um alento de esperança. Uma esperança de que não se repita
aqui a loucura das guerras e dos ódios religiosos que tão mal têm feito
em outras paragens!

 
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Tinha
o povo de santo, tinha batista, católico, luterano, ateu e muçulmano.
Tinha esta manhã, no Largo do Bicão, na Vila da Penha, uma multidão
contra a intolerância religiosa, contra a ‘afrofobia’ – essa sim,
estupidamente forte no Brasil.

Eu estava lá em nome da Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, da qual
sou titular. Nisso há unanimidade – ao menos de boca pra fora – no
Congresso Nacional: o repúdio à agressão sofrida por Kayllane Campos,
a menina do candomblé agredida por uns canalhas no domingo passado, que
lhe atiraram pedras aos gritos de “vocês vão queimar no inferno,
macumbeiros do demônio!”.


Lembrei que a Constituição garante no Art. 5, inciso VI, que “é
inviolável a liberdade de consciência e crença”, e que a Lei 7716, de
1989, prevê cadeia para quem comete crimes de intolerância religiosa. Os
agressores de Kayllane precisam ser identificados e detidos,
urgentemente!

A Vila da Penha cantou, orou, dançou ao som de
atabaques, invocou orixás e santos. Caminhou, com o branco da Paz.
Confirmou que a melhor religião é aquela que não se considera melhor que
nenhuma outra. E que o Brasil, para ser democrático de verdade, precisa
respeitar sua própria diversidade, e o direito de crença e não crença.

Caminhemos. Os fascistas e energúmenos não passarão!

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