Frei Tito.
“Quando secar o rio da minha infância / secará toda dor. / Quando os
regatos límpidos de meu ser secarem / minh’alma perderá sua força. /
Buscarei, então, pastagens distantes / lá onde o ódio não tem teto para
repousar. / Ali erguerei uma tenda junto aos bosques. / Todas as tardes
me deitarei na relva / e nos dias silenciosos farei minha oração. / Meu
eterno canto de amor: / expressão pura de minha mais profunda angústia. /
Nos dias primaveris, colherei flores / para meu jardim da saudade. /
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.”
“Quando secar o rio da minha infância / secará toda dor. / Quando os
regatos límpidos de meu ser secarem / minh’alma perderá sua força. /
Buscarei, então, pastagens distantes / lá onde o ódio não tem teto para
repousar. / Ali erguerei uma tenda junto aos bosques. / Todas as tardes
me deitarei na relva / e nos dias silenciosos farei minha oração. / Meu
eterno canto de amor: / expressão pura de minha mais profunda angústia. /
Nos dias primaveris, colherei flores / para meu jardim da saudade. /
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.”
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Trecho de uma carta de Frei Tito de Alencar Lima a um irmão de Ordem, datada de 02/02/1970
Muitas vezes somos arrastados para onde não queremos ir. Temo que isto
venha a acontecer com o conjunto da Igreja do Brasil. Se vier, e se for
como consequência de uma fidelidade e de uma responsabilidade mais
profunda ao Evangelho, que seja bem-vinda essa hora.
Na cadeia tenho
descoberto o evangelho de São Mateus. O troço tem que ser ou pão ou
pedra. Noutras palavras, acho que ele nos convida a sermos simplesmente
homens. É impressionante como tantos não-cristãos aqui, vivem isso até
às últimas consequências. 0utro dia dizia-me um jovem: “Não falei nada
porque fiz uma opção e diante dela, morrer ou não é secundário”.
Frei Tito
Quanto a mim, estou só. Num mundo, não sei qual mundo./Talvez da
incerteza, mas também da Esperança:/De um dia de ver-te
face-a-face./Como gostaria de ver,/E de perguntar apenas:/O que queres
de mim?Por acaso não me chamastes à vida?/E por que me abandonas?/Ou
será que meus ouvidos já estão/surdos à tua voz? (fragmento da poesia
“Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate!” – frei Tito)


