Bahia Notícias 07/05/2023 10:13, atualizado 07/05/2023 10:16
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi alvo de críticas após promover o seminário “Educando com o cu: traveco-terrorismo e descolonialidade de gênero” dentro do campus da instituição, nessa sexta-feira (5/5).
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Contudo, apesar do nome “polêmico”, estudantes que estiveram no local relataram que a mesa tratou assuntos importantes, como pedagogia corporal, trazendo referências das tradições dos povos indígenas e africanos.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi alvo de críticas após promover a roda de conversa “Educando com o cu: traveco-terrorismo e descolonialidade de gênero”, dentro do campus da instituição nesta sexta-feira (5). Contudo, apesar do nome “polêmico”, estudantes que estiveram no local relataram que a mesa tratou assuntos importantes, como pedagogia corporal, trazendo referências das tradições dos povos indígenas e africanos.
“Estou aqui e isso está sendo uma experiência transformadora. Educar com o cu na verdade é pedagogia com a corporalidade, tal como ensinada pelas nossas tradições ancestrais, em oposição à pedagogia jesuítica/europeia baseada na escrita como única forma válida de conhecimento. A ideia de usar o nosso próprio corpo como material de ensino e aprendizado”, disse a aluna de Produção Cultural da UFBA, Ana Carolina Branco, ao Bahia Notícias.
Apesar do tema central ter sido pedagógico, dentro da mesa também foram abordadas pautas da comunidade LGBTQIA+, cultura indígena, intelectualidade travesti e o papel das mídias na sociedade. A estudante de Produção Cultural comentou que, apesar do título polêmico, também houve a descredibilização das pautas que seriam abordadas, mesmo de grupos “menos conservadores”.
“Por mais que o título tenha sido afrontoso, me assustei com as reações questionadoras e desincentivadoras, principalmente de grupos que, em geral, se dizem progressistas e apoiadores da diversidade. Foi pautado como esses grupos que adoram esses discursos de diversidades e inclusão, eles vivem muito na superfície e não se aprofundam de fato. Foi mostrado o quão grande é bibliografia de pessoas trans que compõem a intelectualidade da brasileira hoje”, disse Ana Carolina.
A roda de conversa foi ministrada pela artista Tertuliana Lustosa, cantora da banda de pagode “A Travestis”. Além de vocalista, ela também é escritora e mestranda da universidade. O evento foi organizado pelo grupo de extensão e pesquisa “Laboratório Permanente de Práticas e Estudos sobre Performance”.
“Nosso objetivo foi trazer artistas diferentes que pudessem falar sobre suas vivências com a performance. Hoje contamos com Tertuliana e ela veio falar sobre o lado dela acadêmico, enquanto pesquisadora. Ela veio falar um pouco sobre como é que a travesti é vista. O título ‘Educando com o cu’ assustou um pouco o pessoal, mas na verdade ela quis evidenciar como a sociedade só a enxerga a partir do sexo”, explicou Vinícius, um dos coordenadores do laboratório.
“Longe do que foi imaginado, não foi nada promíscuo, foi uma troca de experiências. Ela [Tertuliana] mostrou como pode ser prazeroso a educação, mostrando que não é preciso aprisionar. A perspectiva de educando com o cu foi para falar sobre educação através do prazer”, disse Drica Bispo, membra da instância de pesquisa.
Nas redes sociais, Tertuliana comentou sobre os “deboches” contra a mesa ministrada pela artista e ressaltou a importância da correlação entre a pedagogia e a corporalidade.
“A minha aula foi um sucesso, realmente faz todo o sentido educação é corpo, prazer, transcendência. O koo educou e muito e em breve esse encontro só me mostrou o quão importante é quebrar tabus na universidade sim, na UFBA, sim onde sou mestranda com muita dificuldade. A mídia distorceu tudo, debocharam do nosso evento e inclusive tentaram acabar com ele, mas ele aconteceu e foi lindo obrigado a todes que estavam lá”, disse a pesquisadora.
A historiadora e cantora Tertuliana Lustosa responde em suas redes às críticas após vir a público a palestra na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) na qual promete “educar com o c*”.
Autora da música “Murro na costela do viado”, do grupo “A Travestis”, ela postou um novo vídeo após pedidos de um “pronunciamento oficial”. Nele, dança apenas de maiô e diz que ainda será ministra da Educação.
“Pros (sic) fascistas que me odeia, só um recadinho: eu ainda vou ser sua ministra da Educação, bebê”, diz a música dançada por Lustosa.
Na sequência, a cantora toca a música que gerou polêmica durante palestra na UFMA nessa quinta-feira (17/10).
“No mestrado da putaria, vou te ensinar gostoso, dando aula na sua pic*. Aqui não tem nota, nem recuperação, não tem sofrimento e se aprende com tesã0. De quatro, empino o c*”, diz a letra.
Como mostrou o Metrópoles na coluna Paulo Cappelli, a cantora protagonizou performance como parte do I Encontro de Gênero do Grupo de Pesquisa Epistemologia da Antropologia, Etnologia e Política (Gaep).
Na apresentação, a artista subiu em uma cadeira, levantando o vestido e expôs suas partes íntimas. Ao final, ainda afirmou que estava “educando com o c*”. A universidade federal diz que “tomará as providências cabíveis” e que “respeita o ambiente acadêmico inclusivo”.



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