Cineclube Realidade em Rosário do Catete: cinema, direitos humanos e o grito da terra


11 de junho de 2026 | Escola Municipal Des.
José Sotero Vieira Melo – Rosário do Catete/SE


Público total: 85 participantes (com equipe)

⏰ Acordar mais cedo para valer a
pena

Hoje, o Cine Realidade fez a terceira exibição programada
para esta 15ª Difusão da Mostra Cinema e Direitos Humanos.

Para isso, precisei acordar e sair de casa mais cedo que o
habitual. O mesmo aconteceu com a jovem assistente. Na companhia de duas
professoras extremamente comprometidas com seu ofício, fomos para Rosário do
Catete – cidade do interior de Sergipe, bem pertinho da capital, Aracaju.

Os filmes escolhidos pela professora Marta a partir dessa lista são primorosos.
Assim como os dois principais exibidos nas sessões anteriores.

Na sessão de hoje, exibimos Pau D’Arco e Terra
Doente
. Sobre todos os quatro filmes, não posso deixar de dizer: a
pertinência das temáticas, a qualidade técnica e artística e a curadoria estão
de parabéns.

Zezito de Oliveira – Curador do Cine Realidade e Editor do Blog.

Abaixo – Com anotações realizadas por Iasmin Feitosa


️ Turma 1 – 07h30 | 28
participantes

Filme: Pau
D’Arco

Os alunos demonstraram grande concentração. O
filme trouxe seriedade, profundidade e relatos reais sobre o assassinato de
trabalhadores rurais por policiais militares no Pará..

“O assassinato foi algo
impactante e novo para mim.”

Pau D´Arco

89 min – PA – 2025 – 14 anos – Documentário

Perfil online: @docpaudarco @_ana_aranha_

Direção: Ana Aranha

Sinopse: 

Depois de sobreviver à chacina em que a polícia matou 10 trabalhadores sem-terra, a principal testemunha do crime e seu advogado lutam por justiça e pelo direito à terra. Ao seguir seus passos por sete anos na Amazônia Paraense, acontecimentos chocantes indicam uma possível tentativa de encobrir o crime.

Turma 2 – 09h | 27
participantes

Filme: Terra Doente

O documentário mostra a realidade sob o ponto de
vista indígena
, destacando:

  • A
    diferença de cuidado com a natureza entre indígenas e não indígenas
  • O
    medo da contaminação dos rios e animais por agrotóxicos e plantações
    excessivas de soja
  • O
    desmatamento em grande escala
  • O
    processo de reconstrução até reestabelecer o lar, a transferência de um local mais impactado pela agressão ao habitat dos indios para outro menos.. 

️ “O rio que nos
alimenta é a nossa vida.”

Os alunos assistiram com atenção, muitos fazendo anotações.
A exibição terminou com muitos aplausos.

Depoimentos e relatos locais

Alunos trouxeram relatos da própria região:

  • Plantações
    contaminadas em Rosário do Catete
  • Aviões
    despejando agrotóxicos
  • Desmatamento
    na Mata Vermelha

⚠️ “Já pensaram onde os filhos e
netos de vocês vão beber água? E na quantidade de doenças que estamos tendo por
causa disso?”

Muitos responderam: “não”.

Sobre o que polui o rio, citaram: lixo e esgoto.

Turma 3 – 10h | 28
participantes

Filme: Terra Doente

Houve necessidade de uma breve orientação para concentração
e seriedade. Depois desse momento, os alunos focaram nas cenas
profundas e impactantes
. O filme terminou com aplausos e comentários.

O que mais surpreendeu/impactou:

  • Cena
    do indígena pegando mamão num pé alto
  • Pinturas
    corporais e faciais
  • O
    fogo
  • Rituais
    e tradições
  • Pescar
    com a mão
  • O
    rio
  • A
    poluição nos rios e o “sabor de metal”

Sobre o entendimento do filme:

“Não pode cortar as
árvores, queimar e poluir o rio.”

Zezito complementou:

✂️ “O errado não é cortar como fazem os indios. O
errado é cortar sem necessidade, como muitas vezes fazemos como homens brancos.”

“Valeu a pena? Por quê?”

  • Matheus: “Sim.
    Achei bacana porque nós temos tudo aqui na cidade, mas e eles? Os brancos
    não pensam neles.”
  • Jane: “Sim.
    Aprendi coisas que eu não sabia sobre os indígenas.”
  • Stephanie: “Sim.
    Gostei das águas.”

Pergunta que ficou no ar:

“Existem indígenas como
esses?”

Por que o aluno perguntou “Existem indígenas como esses?”

O aluno fez essa pergunta porque o filme Terra Doente mostrou indígenas com traços culturais fortíssimos – pinturas corporais, rituais, pesca com as mãos, relação sagrada com o rio, fala na língua original – mas ao mesmo tempo lidando com tecnologia e problemas do mundo contemporâneo: agrotóxicos, desmatamento, utilização de drones e câmeras de filmar, canoas com motor,  decisões políticas de favorecimento do agronegócio em detrimento da vida das pessoas, dos animais, das plantas, das águas e do solo.

Esse contraste gerou estranhamento. No imaginário comum, o imaginário do aluno, “indígena de verdade” costuma ser associado apenas ao passado, à floresta intocada, ao corpo nu ou com cocar, isolado da tecnologia e dos problemas “dos brancos” e estes talvez nem devam existir mais.

Ao ver que é possível ser profundamente indígena na aparência, nos ritos, na relação com a terra – e simultaneamente ser um sujeito do século XXI – o aluno ficou em dúvida. Sua pergunta revela que ele aprendeu a separar essas coisas: ou o indígena é “tradicional” (e aí estaria no passado), ou é “moderno” (e aí perderia sua identidade). O filme mostrou que essa separação é falsa. Os Khisêtjê são os dois: profundamente originários e plenamente contemporâneos.

SUKANDE KASÁKÁ | Terra Doente

30min  – 2025 – MT – Livre – Documentário 

Perfil online: @minhanaturezamuda 

Direção:  Kamikia Kisedje, Fred Rahal

Sinopse: 

Kamikia e Lewaiki, do povo Kisêdjê, são obrigados a abandonar sua maior aldeia após detectarem a contaminação por agrotóxicos, que envenena suas terras, rios e alimentos. Cercados por monoculturas de soja, eles lutam para proteger sua cultura, suas famílias e seu território, enfrentando um inimigo invisível que ameaça sua existência.


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exibições do Cineclube Realidade.

 Rosário
do Catete – Sergipe

 Cinema,
memória e transformação social.


 

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