O que é que pode fazer o homem comum neste presente instante ? Em tempos de chacina banalizada e tortura e assassinato semelhante aos tempos da Gestapo de Hitler.

Arte de Cristiano Siqueira, ilustrador (divulgada na Internet)

 O que é que pode fazer o homem comum

neste presente instante senão sangrar?

Tentar inaugurar a vida comovida,

inteiramente livre e triunfante?
O que é que eu posso fazer com a minha
juventude – quando a máxima saúde hoje
é pretender usar a voz?
O que é que eu posso fazer – um simples
cantador das coisas do porão? (Deus fez
os cães da rua pra morder vocês que sob a
luz da lua, os tratam como gente – é
claro! – a pontapés.)
Era uma vez um homem e seu tempo…
(Botas de sangue nas roupas de Lorca).
Olho de frente a cara do presente e sei
que vou ouvir a mesma história porca.
Não há motivo para festa: ora esta! Eu
não sei rir a toa!
Fique você com a mente positiva que eu
quero a voz ativa (ela é que é uma boa!)
pois sou uma pessoa.
Esta é minha canoa: eu nela embarco.
Eu sou pessoa!
(A palavra “pessoa” hoje não soa bem –
pouco me importa!)
Não! Você não me impediu de ser feliz!
Nunca jamais bateu a porta em meu nariz!
Ninguém é gente!
Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca
houve!
Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos!
Não sou da nação dos condenados!
Não sou do sertão dos ofendidos!
Você sabe bem:
Conheço o meu lugar!


1 – Descobrir e/ou afirmar o nome do homem assassinado na abordagem da PRF em Umbaúba (SE), Genivaldo de Jesus Santos, e chamar gente para um ato de protesto e denúncia dentro da universidade, como fez a ADUFS.

2- Quem é de Sergipe problematizar o papel da imprensa local com relação ao caso, via redes sociais.

3- Quem for parlamentar do campo progressista, não precisa ser só do PT ou do PSOL, publicar nota de repúdio exigindo apuração isenta do caso e punição aos envolvidos, além de colocar a estrutura do mandato a disposição da (s) familia (s) do (s) morto (s), assim como dos coletivos e organizações que defendem pautas antiracistas e contra o genocidio do povo negro..

4- Quem for padre, pastor ou liderança religiosa de outras religiões não cristãs contextualizar o fato de Sergipe e o mais recente do Rio de Janeiro dentro da conjuntura politica atual, confrontando com o que afirma Jesus Cristo nos Evangelhos, especialmente no caso dos cristãos.

5- Quem for jornalista ou blogueiro convidar estudiosos/especialistas sobre violência policial contra as populações vulneráveis para tratar do assunto, apresentando causas, consequências e propostas de superação, a curto, médio e longo prazo. Ou no caso dos blogs mais humildes como esse, replicar a produção positiva dos maiores. Vale também neste caso, para quem compartilha via redes virtuais.

A CÂMARA DE GÁS DA PRF


Acima, sugestão de leitores desse post..

6 – Se engajar na campanha Lula Presidente e de candidatos progressistas as assembléias e governos estaduais, assim como congresso.

7 – Quem for artista fazer como muitos estão fazendo nos momentos de apresentações para o grande público, além de participar de atos politicos culturais a favor dos direitos humanos e dos outros seres vivos, inclusive da Mãe Terra, assim como produzir obras de arte que dialoguem com o momento atual, colocando o dedo nas feridas, como fez recentemente João Gordo..

O Padre Reginaldo Veloso grande religioso e irmão/companheiro de Dom Hélder Camara, e que nos deixou na semana passada,  assim como um grande artista, animador cultural e formulador de uma exitosa politica educultural em Pernambuco, compôs a canção abaixo remetendo a Chacina de Vigário Geral, a qual aconteceu na década de 1990 no Rio de Janeiro. São muitos exemplos como esse, da arte e dos artistas  incidindo/impactando a cena social e politica da nação.

https://www.youtube.com/watch?v=V1Mr0GzPyXQ

acrescentado em 27/05/2022

O QUE MAIS? ESCREVA NOS COMENTÁRIOS…

Quero respirar

Do seu lar saiu para labutar
Logo foi parado, jogado ao chão
Com requintes de perversidade
Que não se faz nem com um cão
Foi amarado e humilhado
Seus olhos fecharam na escuridão

Sem pena ou piedade
Foi jogado na escuridão
Na frente da comunidade
Empurrado para o camburão
Lembrando Auschwitz
A câmara de gás entra em ação.

A história se repete
Na minha cabeça veio a lembrança
De tempos bem longínquos.
Me faltou a esperança
Vendo tudo se repetindo
Contra nossa segurança

Estão banalizando a morte
Todo dia uma tragédia
Tem gente que apoia
Para o governo faz a média
Para dá de bacana
A da vida alheia faz comédia

É morte na favela
É morte no asfalto
Nossas vidas não valem nada
E tirada de assalto
E o que mais se ouve
É risadas no planalto

Genivaldo, é mais uma vida
Que sem piedade foi ceifada
Sem respeitar seus direitos
Sua voz foi calada
Pela farda verde e amarela
Acabou sua jornada.

A câmara de gás retornou
Nos moldes do século 21
Com mais perversidade
Com plateia comum
A volta de Auschwitz
Vai matar todos um a um.

A cidade de umbaúba
É só tristeza e lamentação
Perdeu mais um filho
Sem nenhuma razão
Foi tirada a sua vida
Dentro de um camburão

Sem puder respirar
Para Deus pedia ajuda
Sem entender o porque
Sua vida foi desnuda
Por homens cruéis
Sem ter ninguém que acuda.

Tem gente que acha normal
Não tem compaixão
Em ver o sofrimento alheio
E um irmão no caixão
Você é bem igual a eles
Falta amor no coração.

Emanuel Rocha
Poeta popular


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