A irresistível atração que o centro exerce sobre alguns setores da esquerda sergipana e brasileira.

 

O final melancólico da carreira
politica de Francisco Gualberto que desagua no PSD, tendo importante passagem
pelo PSTU, CUT  
e pelo PT me fez lembrar em
sentido politico inverso
  a trajetória politica de Teotônio Vilela, usineiro
de Alagoas, apoiador do golpe militar de 1964 durante um bom período, mas que
se transformou em um dos ícones da campanha pela redemocratização do Brasil,
nos difíceis e divertidos anos de 1980.

Francisco Gualberto caminhou da esquerda
para o centro, Teotônio Vilela da direita para o centro.


O que poderia fazer Francisco
Gualberto para ter um final de carreira mais coerente com o inicio, penso que poderia
ser com a publicação de  um livro de memórias,
inclusive com poesias e contação de causos, Gualberto é bom nestes dois campos,
além de se colocar gratuitamente para atividades de formação junto ao movimento
popular e sindical.  Em especial no caso
do primeiro, pois tende crescer ainda mais,   por
conta do aumento do chamado precariado em detrimento do trabalhador assalariado,
com  carteira assinada, com estabilidade,
no caso do funcionalismo público e etc…

Já disse isso a uma amiga comum
com um personagem politico que também migrou da esquerda para o centro, o qual já
foi detentor de alguns  mandatos e cargos
no primeiro escalão do governo, mas este prefere viajar….A sugestão neste caso
foi escrever um livro apenas, até porque o personagem em tela vem de uma história
de vida pequeno burguesa e  a  esquerda do qual fez parte na juventude  já flertava com ideias e práticas liberais.

E como sempre, fazendo  menção a AMABA e aos anos de 1980, como tenho feito
 em  meus escritos ultimamente, Francisco Gualberto
no tempo em que era um deputado de esquerda colaborou durante alguns anos para
a impressão do Boletim da AMABA e foi um dos colaboradores na publicação do segundo
livro sobre a história do Bairro América, e o mais importante em termos de caracterização
de uma história geral do bairro e arredores.

O que estou lançando “AMABA: O
esquecido círculo de cultura da Aracaju dos anos de 1980, tem a sua importância
no fato de ser o primeiro dos três livros publicados sobre o B.A, que traz  em primeiro plano a história da AMABA e do Projeto Reculturarte . 

Importante lembrar, este que escreve
não fazia mais parte do quadro de diretores da AMABA  quando Francisco Gualberto deu a sua importante
contribuição, isso foi no final da década de 1990 e inicio dos anos 2000.

E como cristão existencialista
que sou, penso que uma boa forma de concluir estas bem trançadas linhas seja
com um verso da canção “Tocando em Frente” da dupla Almir Satter e Renato Teixeira.

“Cada um de nós
compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz”

E para quem é brechtiano, o  que também sou, de uma certa maneira..

Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.

Bertolt Brecht

Por último, importante lembrar que esta inflexão ao centro ou até mesmo à direita por parte de lideranças de esquerda, também acontece com outros setores da  sociedade, mas como estes ocupam cargos de terceiro e segundo escalão não ficam muito expostos. Na burocracia de estado isso é muito encontrado.    

 E já que citei Teotônio Vilela, não posso deixar de trazer a bela canção feita em sua homenagem por Milton Nascimento e Fernando Brant.

https://www.youtube.com/watch?v=yD9T2NjbDdU

Recebemos duas observações questionando a  utilização do “centro” como conceito politico utilizado por nós no artigo acima. Por considerar pertinente  trago para cá.


1 – Diria que Gualberto já está na direita, se aproximando da extrema-direita⁉️

1 – Francisco Gualberto não é de centro, mas de direita… é um oportunista…. traidor da classe trabalhadora… vota na Assembleia Legislativa a favor de todos os Projetos de Lei que retiram direitos dos trabalhadores. Há mais de 20 anos que ele faz do fisiologismo da direita pevertida a sua prática política.

Uma das minhas respostas:

É fato que desde  o império os conceitos politicos no Brasil de adequam pouco a realidade… Como era corrente na segunda fase do império no Brasil, quando haviam dois partidos.. O Liberal e o Conservador … ” nada mais conservador do que um liberal no poder”

 

 


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