BAIÃO DE PROTESTO


Hoje é o 31º aniversário de morte de Luiz Gonzaga. Queremos lembrá-lo cantando um dos maiores baiões da história, que não é fruto da parceria com Zé Dantas, Humberto Teixeira e muito menos João Silva. Trata-se de uma melodia criada pelo seu afilhado musical Orlando Silveira para quem abriu as portas do rádio carioca em 1951. Luiz Gonzaga conheceu Orlando através do seu pai, um simples carregador de malas da Estação Roosevelt. Ele pediu a Luiz uma forcinha para seu filho jovem e músico. Orlando, ganhou uma sanfona de Gonzaga e se tornou grande sanfoneiro, arranjador e maestro. Fez parte muito tempo do famoso Regional de Canhoto que acompanhou Luiz Gonzaga em gravações ainda no tempo dos discos de 78 RPM. De 1973 a 1983, trabalhou como arranjador oficial dos discos de Luiz Gonzaga. 

Lindos são seus arranjos inovadores para O FOLE RONCOU e BAIÃO DE SÃO SEBASTIÃO, por exemplo. Com Gonzaga compôs a belíssima ACÁCIA AMARELA. Foi Orlando o responsável por introduzir Luiz Gonzaga na maçonaria. Este baião, O ANDARILHO, recebeu a preciosa letra de Dalton Vogeler. Na foto em destaque no vídeo, Luiz Gonzaga e Orlando Silveira após se apresentarem para o Papa João Paulo II em Fortaleza em 1980. É claro que Luiz não cantou esse baião de protesto, mas um canto de louvor ao Papa. Aplausos para os dois, ou melhor, para os três ! 

Se alguém não entendeu, o baião O ANDARILHO é uma canção de protesto contra o êxodo rural promovido pela “Revolução de 1964”, um dos responsáveis pelo aumento da violência urbana que cresce desde a década de 70 do século passado. Isso prova que nem só Chico Buarque e Geraldo Vandré fizeram músicas de oposição ao regime militar. 
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