O mundo explodindo e eu ainda aqui sonhando. Crash 2020, Economia derretendo, Itália inteira de quarentena por causa do Coronavirus, Bolsonaro queimando reservas acumuladas por Lula e Dilma.


AINDA AQUI SONHANDO

(Leo Cavalcanti)

O mundo explodindo e eu ainda aqui sonhando em ter um amor
o mundo explodindo e eu ainda aqui sonhando
sonhando solitário a minha dor
do fato dado de estar inundado por um sonho
Barragens se rompendo e eu ainda aqui querendo aquele amor
as lamas escorrendo e eu ardendo por um sonho
um certo cara e o seu calor
tão displicentemente ele entra nos meus sonhos
sonhos de amor
E ele já não me quer mais
por que ele entrou assim
no fundo de dentro de mim?
Tanta gente sem amor
e eu pedindo por favor
pra ele me salvar de mim
e o mundo em chamas por aí
e não será a última vez
Sete bilhões de solidões
fascismo a todo vapor
medo, ignorância e dor
e eu sem saber mais de mim
por que me sinto só assim?
ele já tem um novo amor
por que isso dói tanto aqui?
eu achei que era amor
Fascismo se espalhando e eu ainda insistindo em ser um cantor
pessoas sendo mortas e eu ainda aqui com medo
de ser alguém aquém de quem eu sou
de não dar conta de cantar o canto dos meus sonhos
cantos de amor
Como se não coubesse em mim
o canto que se pede aqui
num mundo em pleno desamor
medo, ignorância e dor
e eu pedindo por favor
pra ele me salvar de mim
e o mundo em chamas por aí
fascismo a todo vapor
Ele já tem um novo amor
por que ele entrou assim
no fundo de dentro de mim?
Sete bilhões de solidões
Tanta gente sem amor
E não será a última vez
Por que me sinto só assim?
Eu achei que era amor
Eu achei que era amor
Eu achei…
O mundo explodindo e eu ainda aqui
sonhando…





Milho Aos Pombos

Zé Geraldo



Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí
Queimando pestanas, organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas
Mortalhas



A cada conflito mais escombros
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos



Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos



Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil
O pão, o arroz, o feijão, o aluguel
Uma nova corrida do ouro
O homem comprando da sociedade o seu papel


Quando mais alto o cargo, maior o rombo
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
Eu dando milho aos pombos no frio desse chão
Eu sei tanto quanto eles, se bater asas mais alto
Voam como gavião
Tiro ao homem, tiro ao pombo
Quanto mais alto o vôo, maior o tombo
Eu já nem sei o que mata mais
Se o trânsito, a fome ou a guerra
Se chega alguém querendo consertar
Vem logo a ordem de cima
“Pega esse idiota e enterra”
Todo mundo querendo descobrir seu ovo de Colombo
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos


Local de origem da foto: http://linguagemgeografica.blogspot.com/2016/05/assistindo-o-mundo-pegar-fogo.html




Pequeno Perfil de Um Cidadão Comum

Belchior


Era um cidadão comum como esses que se vê na rua

Falava de negócios, ria, via show de mulher nua

Vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua

Acordava sempre cedo (era um passarinho urbano)

Embarcava no metrô, o nosso metropolitano…

Era um homem de bons modos:

“Com licença; – Foi engano”

Era feito aquela gente honesta, boa e comovida

Que caminha para a morte pensando em vencer na vida

Era feito aquela gente honesta, boa e comovida

Que tem no fim da tarde a sensação

Da missão cumprida

Acreditava em Deus e em outras coisas invisíveis

Dizia sempre sim aos seus senhores infalíveis

Pois é; tendo dinheiro não há coisas impossíveis

Mas o anjo do Senhor (de quem nos fala o Livro Santo)

Desceu do céu pra uma cerveja, junto dele, no seu canto

E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto

Que a terra lhe seja leve


É com muita alegria que recebemos no nosso Quintal o cantor Leo Cavalcanti. A música que escolhemos é a belíssima ” Ainda aqui sonhando”, composta por Leo Cavalcanti e produzida por Gustavo Ruiz e Guilherme Held. Ainda aqui sonhando é um grito de dor, de questionamento, de sonhos, desejos, de amor (ou sobre o desamor?) … Se deu certo essa mistura? MUITO!


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