Massacre em Suzano abre discussão sobre como o país tem tratado as escolas e alunos
investimentos, culto às armas, ascensão da extrema-direita só impedem
projeto pedagógico e de seguranças nas escolas
por Redação RBA
publicado
14/03/2019 10h22,
última modificação
14/03/2019 13h37
na região metropolitana de São Paulo, que deixou 10 pessoas mortas e
nove feridas, nesta terça-feira (13), levanta a importância de uma
reflexão sobre como a sociedade brasileira tem tratado crianças e adolescentes e
a própria educação pública. A avaliação é do como avalia o advogado
especialista em Direito da Infância e da Juventude Ariel de Castro
Alves, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
(Condepe), em entrevista à Rádio Brasil Atual.
Bolsonaro (PSL-RJ) em relação a “arma fazer tão mal quanto um carro” e
do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que usou a tragédia para criticar a
maioridade penal e o desarmamento, ou ainda, da ascensão de doutrinas da extrema-direita
que pregam o culto às armas, violência e intolerância, o advogado chama
a atenção para a falta de estrutura das instituições de ensino.
precisa vir acompanhado de um projeto que dê conta da seguranças nas
escolas, mas também do processo pedagógico tanto para o entendimento do bullying como da evasão escolar e da necessidade de mais investimentos na educação,
por exemplo, para contratação de professores mediadores de
conflitos. “Eu entendo que mais violência só vai gerar sempre mais
violência. É necessário um trabalho mais preventivo das escolas, com
relação à própria estrutura, do que essas questões que eles (Eduardo e Flávio) colocam”, afirma à jornalista Marilu Cabañas.
Ouça a entrevista na íntegra
É preciso transformar assuntos que afligem jovens em tema de aula
Deep Web
Submundo da internet estimula crimes como o da escola em Suzano
tecnologicamente à altura das novas ameaças virtuais. Protegidos pelo
anonimato, integrantes de fóruns disseminam todo tipo de discurso de
ódio
por Redação RBA
publicado
14/03/2019 11h50,
última modificação
14/03/2019 13h58
Estes fóruns formam um submundo virtual inacessível a navegadores
comuns e reúnem pessoas que, anonimamente, passam a propagar discursos
de ódio, racismo, misoginia (ódio contra as mulheres) e homofobia,
incitando crimes como o ocorrido na última quarta (13).
Para a integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social – Flávia Lefévre, que também
participa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), é preciso
que o poder público – polícias e Ministério Público – se desenvolva
tecnologicamente para combater esse tipo de crime no mundo virtual. Episódios
como o da escola de Suzano são celebrados por esses grupos como forma
de “despertar” a sociedade contra um “sistema opressor” e seus “ideais
socioculturais”, que impedem os seus integrantes de fazer e ser “o que
quiserem”.
“Não faltam leis no Brasil. O que falta,
especialmente neste momento, é um compromisso dos organismos públicos de
atuar na garantia desses direitos. Se a gente tem conhecimento de que
existe um grupo dentro da deep web comemorando, estimulando e
incitando ódio – o que é crime –, assim como essas pessoas acessam, a
polícia também deve acessar e atuar para coibir”, afirma Flávia, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas na Rádio Brasil Atual nesta quinta-feira (14).
Ela diz que, especialmente no Brasil, vive-se um clima de extrema
polarização que faz com que grupos políticos desvalorizem conquistas
civilizatórias realizadas nas últimas décadas, desde a Constituição de
1988.
“É muito grave quando representantes dos poderes públicos adotam posturas estimulando o armamento,
a violência e o desrespeito a esses direitos fundamentais. Compromete o
desenvolvimento e aplicação de políticas públicas, bem como a aplicação
de recursos para garantir que a polícia apure a violação a esses
direitos. Estamos vivendo um momento muito perigoso institucionalmente, e
isso pode ser reverter no caos, como ocorreu ontem na escola em
Suzano.”
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Ouça a íntegra da entrevista
Saúde mental dos alunos deve ser observada no ambiente escolar
suscitou a importância do tema. “Como formamos um cidadão, que é o papel
da escola, sem cuidar da mente?”, questiona Maria Julia, diretora da
UJS
por Redação RBA
publicado
15/03/2019 13h57,
última modificação
15/03/2019 14h41
São Paulo – O programa Jornal Brasil Atual desta sexta-feira (15) promoveu um debate para tentar compreender as razões que levaram dois jovens a entrarem numa escola com o intuito de matar alunos e funcionários, como aconteceu esta semana na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, região metropolitana de São Paulo.
Participaram da conversa Rogê Carnaval, historiador e educador do
projeto “Respeitar é Preciso”, Maria Julia Oliveira Rodrigues do
Nascimento, diretora da União da Juventude Socialista (UJS), e Maria
Eduarda Antonowitz, estudante secundarista e também integrante da UJS,
com mediação da jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.
Para Rogê Carnaval, a uso da força e a violência está no centro da
formação histórica do Brasil, desde a escravidão, com requintes de
crueldade e a prática de castigos públicos para servirem de “exemplo”.
“Isso se perpetua na nossa formação enquanto nação. Nos anos 70 e 80,
a violência vai se transformando em algo ainda mais endêmico, um
momento em que a ditadura militar e a violência vai se
institucionalizando nos porões, mas também com a polícia nas ruas, com
grupos de extermínio que se formam nas grandes cidades”, analisa.
Para ele, esse processo chega aos dias atuais, com o crescimento do
tráfico de drogas alinhado com o tráfico de armas, e uma população cada
vez mais armada e com medo. “É um discurso absolutamente falacioso,
mentiroso, hipócrita, dizer que, ao armar a população, estamos
promovendo aquilo que o Estado não consegue prover, que é a sensação de
segurança. E de fato, é um discurso legítimo, todo mundo quer se sentir
seguro, o problema é que não é armando a população que a gente vai
conseguir isso.”
Maria Julia pondera a importância de se avaliar a saúde mental dos
jovens que cometeram o atentado em Suzano. “São jovens que entram numa
escola para matar outros jovens. Por que? Problemas de saúde mental têm
sido cada vez mais recorrentes. É urgente se preocupar com a saúde
mental principalmente dos jovens, que já é uma fase muito complicada.”
Ao concordar com a colega, Maria Eduarda diz desconhecer a existência
de algum trabalho nas escolas de escuta dos estudantes. E concordo que é
preciso dar amparo. “É uma idade muito vulnerável”, afirma, destacando a
importância de haver assistente social e psicólogo nas escolas para
poder dar esse auxílio.
“Como formamos um cidadão, que é o papel da escola, sem cuidar da mente?”, questiona Maria
Julia.