Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me diz que somos feitos de histórias.
Eduardo Galeano
“Corria o ano de
1993, fui dançar em Salvador, uma colega me chamou para participar de um
trabalho dela. Era parte de um painel
coreográfico promovido pela UFBA no teatro do ACBEU, localizado no corredor da Vitória, como
conclusão do curso de especialistas em composição coreográfica.
1993, fui dançar em Salvador, uma colega me chamou para participar de um
trabalho dela. Era parte de um painel
coreográfico promovido pela UFBA no teatro do ACBEU, localizado no corredor da Vitória, como
conclusão do curso de especialistas em composição coreográfica.
Eu comuniquei a você que não poderia ir no
sábado dar aula e você, Zezito, disse OK! Disse que até poderia ir assistir. E para
meu espanto você se mobilizou em levar algumas meninas para assistir o
espetáculo. Fiquei hiper surpresa com a atitude e ao mesmo tempo com medo. Por
causa da censura, já que tínhamos meninas menores, crianças. E aí do palco, tem
uma cena que eu paro e identifico uma das alunas, era Rejane e tomei um choque,
porque no trabalho seguinte haveria nudez e aí fiquei com medo do impacto, da
reação, porque nós provincianos, inclusive nos chocamos, porque estávamos em
cena, quando os bailarinos estavam se aquecendo para o próximo espetáculo, e a
gente assistiu previamente e meio que titubeou.
Quando retornei a Aracaju, depois de ter o primeiro
encontro com elas, perguntei o que acharam: “Magnifico, amamos, o nosso sonho é
dançar num palco.” Era tudo que queriam e em nenhum momento falaram sobre nudez
e eu ainda inquieta perguntei: E aquele outro trabalho? “Normal professora, não
vimos nada demais, nada agressivo, fazia parte do texto, tinha tudo a ver, não
achei apelativo”, inclusive Crécia, foi quem falou isso, uma das mais novas. E os
atores estavam completamente nus. Elas entenderam , elas se permitiram cair
na fruição artística sem o julgamento, sem o preconceito.”
Depoimento de Jussara Rosa, professora de dança no projeto Reculturarte, periodo 1992/1993
Como uma forma de pré campanha para divulgação do livro, estaremos
publicando semanalmente, dois ou três parágrafos com passagens bem interessantes
dos capítulos já escritos, sempre acompanhado de uma foto do projeto. Importante
que haja repasse ou compartilhamento via zap, facebook, instagram e etc…
Leia também:
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Amostra grátis do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte (1). A ser lançado em 2019.
Mais informações sobre a AMABA/Projeto Reculturarte AQUI
Por que essa questão da sexualidade, conseguia fluir de maneira satisfatória no projeto? Por que as mães confiaram a ida dessas meninas com um jovem adulto à Salvador? O que podemos aprender com essa experiência? Boas perguntas para tempos de loucuras, delírios e disputa do imaginário em torno dessas questões. Basta lembrar as fantasias pervertidas da ministra Damares. Esperamos poder colaborar com o debate, desse e de outros temas, através do livro

