São três reis que chegam lá do oriente
Para ver um rei que acaba de nascer
Dizem que um é branco, o outro, cor de jambo
O outro rei é negro e que vieram ver
O novo rei que nasceu
Igual estrela no céu
Dizem que uma estrela muito diferente
Lá do oriente se podia ver
Falam de um cometa, ninguém sabe ao certo
Mas pelo deserto eles vieram ver
Ao novo rei que nasceu
Igual estrela no céu
E trazem ouro, incenso e mirra
Pra festejar o novo rei
Que tem poder e majestade
Que vem do céu, que é de Deus
Que vai sofrer, que vai morrer
E que nos libertará
São milhões de vidas que no ocidente
Que no oriente sofrem de opressão
Têm todas as cores, todos os temores
Todos os rancores desta humilhação
Esperam libertação
E olham todos pro céu
Dizem que um futuro muito diferente
Essa pobre gente ainda conhecerá
Dizem que é seguro, que o futuro é certo
Que anda muito perto, que começa já!
Olham pro rei que nasceu
Igual estrela no céu
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do dia de hoje, o dia de Santos Reis, o qual anda meio esquecido….
os versos da antológica canção gravada por Tim Maia?
A gravação é do inicio dos anos de
1970. A lembrança do restante da canção é mais forte para quem tem mais de cinquenta anos como é o meu caso.
Se bem que Tim Maia foi
um artista marcado por uma criação tão
juvenil, que “Dia de Santos Reis” nem é
tão desconhecida para adolescentes e
jovens do nosso tempo, porque as canções de Tim Maia não são datadas, e ainda
hoje é presença confirmada nas set lists dos melhores DJs.
de nossos antepassados, precisamos ter
algum contato com essa cultura de forma sensorial, ou através da pele, do tato,
do paladar, dos olhos e dos ouvidos.
Para quem é adolescente e jovem nos tempos de hoje, a escola ou as iniciativas culturais de base comunitária,
como é o caso dos Pontos de Cultura , são os locais onde mais frequentemente
isso pode ocorrer.
meados da década de 1960 em uma cidade histórica, São Cristóvão, ainda pude ter uma distante lembrança do contato
sensorial com a festa de reis, isso quando tinha entre cinco e sete anos , daí
porque pude fazer um link com essa lembrança , quando ouvi/ouço canções e apreciei/aprecio outros tipos de obras de arte que fizeram e fazem referência a essas tradições, não apenas a cultura popular
do ciclo natalino, como também a do ciclo junino e a do ciclo do carnaval.
Artistas e obras de arte que foram/são minhas referências, porque desde os oito anos de idade moro fora da cidade, primeiro no Rio de Janeiro e depois em Aracaju.
fortalecer, incentivar, apoiar e fomentar as manifestações e expressões das culturas
populares? Assim como àqueles que
utilizam essa cultura como fonte de
inspiração. Os artistas da música, do teatro,
das artes plásticas, da dança, da fotografia,
do cinema , da literatura, do circo, a arte de rua e etc..
nossa (s) identidade (s) cultural (is), que começamos a abrir caminho para a
dominação e o controle dos nossos desejos, afetos, valores e percepções, por
parte de quem busca nos alienar, afastar-nos da nossa conexão com os
antepassados, enfraquecer nossos laços de coesão e solidariedade, diminuir
nossa autoestima e etc..
valeram disso.
Santos Reis de janeiro de 2018, a importância de um governo comprometido até a alma
com o seu povo é o apoio e incentivo a manifestações culturais como a festa de
Santos Reis. Fonte de vitalidade em termos de saúde mental e física (1),
identidade, sentido de pertencimento e coesão, além do potencial de geração de
riqueza econômica também.
apropriação do conhecimento da cultura popular rural , por parte das novas
gerações na forma de práticas e vivências.
A cultura popular, notadamente a que tem origem nas
aldeias, povoados, quilombos, terreiros, vilas de pescadores, florestas,
caatingas, cerrado e nos pampas, e que já serviram e
servem como fonte de inspiração para novas criações
geniais, como as de Villa Lobos, Luiz Gonzaga,
Alceu Valença, Martinho da Vila, Egberto Gismonti,
Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento,
Zé Ramalho, João do Vale, Chico Science,Naná
Vasconcelos, Olodum e tantos outros, aqui somente no
campo da música, inclusive com a ironia fina da canção
antológica gravada por Tim Maia, da autoria de Marcio
Leonardo Sossio.
“Eles chegam tocando sanfona e
violão
pandeiros de fita carregam sempre na mão
vão levando, levando o que pode
deixar com eles, eles levam até os bode
os bode da gente, é os bode méé
os bode da gente, é os bode méé”
A ironia do verso final se refere ao fato que os foliões de reis,
ao sair, levam os presentes que nos pedem e que os
motivam a entrar nas casas generosas, como animais por
exemplo, e também levam “os bodes da gente”, quer dizer,
nossas idiossincrasias, nossas mágoas ou tristezas,
nossas broncas, às vezes conosco mesmo, nossa falta
de humor. Pelo menos por um tempo, que vai durar
de acordo com a acolhida que dermos em nossos corações
“ a Eterna Criança, o deus que
faltava. O humano que é natural. O divino que sorri e que
brinca.” Como afirma Alberto Caieiro no poema Menino
Jesus.
me agrada nos Santos Reis, é a origem e
trajetória deles, magos do oriente, astrólogos, gente que conforme o jornalista
Mauro Lopes “ revela que Jesus é
admirado por uns tipos suspeitos (os magos, gente como os artistas e os
“vagabundos” todos, de todos os tempos, na visão
fundamentalista-bolsonarista).
Um Brasil sem respeitar e valorizar a nossa diversidade cultural e religiosa como querem bolsonaristas-fundamentalistas é mesmo um desastre. Um Brasil triste, sem alegria genuína, sem originalidade, sem unidade.
Mais…..
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
