O mundo da cultura caiu

O modo predominante como pensamos e fazemos política
cultural fracassou?


Em que medida esse tipo de situação descrita abaixo, por
meio dessas duas fotografias,  não
demonstra o quanto o modus operandi de pensar e fazer politica cultural, predominante
até agora, incluindo como pensado e realizado pelos  setores mais ou menos progressistas , não comprova  o seu fracasso?
 

“Os
grupos centenários da Cultura Sergipana que justificam a existência do
Encontro Cultural de Laranjeiras são violentamente desrespeitados no
cartaz de divulgação que evidencia como atração ISTO.”



Eduardo Freitas em 9 de janeiro de 2019
 





A nossa resposta é SIM! 

E há  tempos , nós da
Ação Cultural e outros agentes culturais e intelectuais afins, tem  produzido escritos com reflexões  sobre práticas que buscam produzir  outras formas e maneiras de fazer politica
cultural. O problema,    é que  o modus operandi tradicional da maioria dos técnicos
e gestores dos órgãos culturais, referendados por muitos intelectuais e
artistas,  se  mantiveram   impermeável
à muitas dessas  criticas e
sugestões  apresentadas.  

Abaixo, nessa linha,  um texto inédito aqui na net, produzido há uns trinta
anos e publicado em um jornal comunitário, direcionada para moradores do Bairro
América e adjacências, uma região de Aracaju  que
contava com grande efervescência cultural nos anos de 1980 e 1990, cujo trabalho está  sendo sistematizado,  para ser lançado através de um livro com lançamento  previsto para acontecer em meados de 2019.



E
AS FESTAS DA AMABA?


Alguns
companheiros e companheiras tem nos questionado, sobre a não
realização de grandes festas, como dos anos anteriores
(1987/1988) quando  a Associação dos Moradores do Bairro América e Adjacências (AMABA) promoveu com bastante  sucesso,  Semanas
de Arte que trouxe artistas e grupos como  Tonho Baixinho,
Chico Queiroga, grupo teatral Imbuaça e grupo teatral Mambembe, Band’auê, palhaço Tonico e
Pirulito, grupo afro cultural
Unidos do Quilombo, grupos folclóricos, grupos de dança Adara e Fama etc… 
Para que se possa entender melhor  o porquê da não
continuidade da programação, é necessário observarmos  o seguinte: Para a realização
de produções do tipo “Semana de Arte” ou “A arte é nossa”, como realizado pela Sociedade Comunitária do  bairro Siqueira
Campos (SOCAMPOS), é necessário se contar com uma infraestrutura muito cara , além do pagamento
de artistas, ocorre que atualmente o governo do estado para bancar estas despesas
todas, exige das associações que o procura, que as mesmas se transformem em comitês
eleitorais. 
E  por este motivo,  a maioria das associações    de moradores têm o rabo preso e não
organiza o povo para lutar por seus direitos, pois se assim o fizer,  o
governo corta as verbas e os convênios que mantém estas associações. Para se ter uma
ideia da corrupção que o governo do estado promove, existe,  segundo o último  boletim das Associação dos Moradores e Amigos
do Siqueira campos (AMASC) 2.000 (duas  mil)
lideranças comunitárias empregados no  estado  e que estão à disposição das diversas associações
ou comitê eleitorais como queiram chamar, com o fim unicamente de enganar o
povo com falsas promessas e esmolas. Em troca,  estas lideranças são contempladas
com casas em conjunto residenciais construídos pelo governo, possibilidades de indicar parentes para se empregar no estado, 
possibilidade de muitas vez desviar produtos das esmolas que o governo envia
para distribuir junto à população etc.. 2-Passado o
momento de euforia, quando da realização das duas Semanas de Arte, começamos a
avaliar internamente a nível da coordenação de cultura da AMABA e junto a 
companheiros da direção e chegamos as seguintes conclusões: Como instrumento de diversão lazer e para divulgação do nome da AMABA,  a Semana de Arte  foi
importante, mas em termos de elevação do nível de consciência da comunidade,
não foi satisfatório e também não deixou saldo organizado quer dizer, a
população do bairro não se envolveu tanto no processo de preparação da festa,
como em outras atividades da AMABA. Sendo assim,  decidimos elaborar um
calendário de festas para o ano de 1991, observando os seguistes critérios:  A-Participação da comunidade;B-Vinculação ao
trabalho de base que é desenvolvido pela AMABA;C- Que sirvam
como instrumento para reforçar os laços de união e solidariedade das pessoas que
estão envolvidas direta ou indiretamente em atividades diárias na AMABA; D- Que sejam
simples e baratas (para evitar dependência do governo do estado).”  Editorial

(Jornal Popular – Nº18 – Maio/1991 – Ano III – Amaba/Bairro América – Aracaju-SE)




Abaixo links de  artigos e reportagens escritos e publicados na internet,
com a defesa da mesma tese.

sábado, 13 de maio de 2017

O FASC está voltando! Que comece com uma audiência pública para a cidade poder dizer como quer.

 terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Bons negócios, boa diversão e alta cultura no Festival de Arte de São Cristóvão 2018 (FASC).

São textos que apontam: Sem empoderar os micro e pequenos empreendedores
 culturais, inclusive os coletivos e
associações. Sem investir no
protagonismo cidadão na discussão e implementação das políticas culturais,
assim como no acesso aos meios de produção cultural, em função do protagonismo cultural. E sem buscar  articular as políticas culturais com as dos  campos da educação e da comunicação, não estaria
fracassando apenas um projeto de política cultural, mas um projeto de cidade,
um projeto de nação.


E para ilustrar essa constatação  trazemos uma canção  antológica da cantora Maísa. “Meu mundo caiu”.
E diga-se de passagem, o mundo da cultura caiu, bem antes de Bolsonaro vencer
as eleições, a despeito de tudo que foi realizado no ministério da cultura no período em que Gilberto Gil e Juca Ferreira foram ministros.

Começou a cair lá atrás quando prefeituras e governos do
estado, mesmo administrados pelo PT, PC do B 
colocaram a maior parte do orçamento da cultura a serviço de grandes
eventos com a predominância do entretenimento, mesmo  os de natureza mais “cultural”, podemos dizer
assim, como o  Forrocaju e o Festival de
Verão por exemplo, no caso de Sergipe Del Rey 

Como não trabalhamos com o modo dicotômico de pensar, o que quer
dizer,  ou isso ou aquilo, reafirmamos a
importância de grandes eventos como esses acima,  mas por outro lado, se uma parte dos recursos investidos
nesses eventos até hoje, tivessem sido revertidos  para a ação cultural de base comunitária, o
pensamento conservador, raso, utilitarista, tacanho, obtuso, limitado, exageradamente pragmático e mercantil, e que está demasiadamente em alta, nestes tempos
invernosos, tristes  e cinza,  poderia  estar sendo melhor  enfrentado e/ou neutralizado, em grande ou
pequena  parte, mas estaria.

A Prefeitura Municipal de São Cristóvão e a Universidade Federal de Sergipe pode aprender no caso da realização dos próximos  Festivais de Arte de São Cristóvão (FASC). Aqui lembro Sol de Primavera, “a lição já sabemos de cor, só nos resta aprender.”

Os estados nordestinos que elegeram ou reelegeram governos progressistas e/ou de esquerda  também. Sergipe é um destes.

Ainda há tempo,  para as cidades administradas pelo PT e PC do B, como é o caso de Aracaju e outras Brasil afora.  Aqui lembro Criolo, “as pessoas não são más, elas só estão perdidas”.

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