Carta
protocolada dia 19/12/2018 no Palácio de despacho, dirigida ao
governador Belivaldo Chagas em protesto à extinção da Secretaria de
Cultura.
“Em um lugar onde não há atividades culturais a violência vira espetáculo”.
Não localizamos a autoria da frase que abre esta carta, mas a sua expressividade é por demais emblemática para ser ignorada.
Ao: Exmo. Sr. Belivaldo Chagas
Governador do Estado de Sergipe
Senhor Governador,
“Em um lugar onde não há atividades culturais a violência vira espetáculo”.
O Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe, coletivo de artistas
que discute as questões nesta área e propõe ações que beneficiam toda a
sociedade, vem a público expressar seu descontentamento acerca da
extinção da SECULT.
Pelas vossas entrevistas e anúncios
publicados, a Secretaria de Estado da Cultura será extinta, passando as
suas atividades a serem gerenciadas pela Fundação Aperipê e esta,
subordinada à Secretaria de Estado da Educação.
De início consideramos as seguintes questões:
1. Ao rebaixar a Cultura ao terceiro nível hierárquico, suprimindo seu
status de Secretaria, o governo deixa claro que a Cultura não é
prioridade na sua administração.
2. Quando vice-governador, ao
ser procurado pelos artistas, Vossa Excelência
3. Na argumentação oficial, com a extinção da
Secult e sua subordinação à Secretaria de Educação haverá integração e
economia de recursos. Na nossa compreensão a tal integração acontecerá,
mas a autonomia será nenhuma, pois a Cultura no terceiro nível
hierárquico terá menor peso perante as demais áreas, fato que já é
notório pelo quadro enxuto de funcionários e as ações tímidas da Secult.
4. O argumento de que a fundação agilizará a obtenção de
recursos, não encontra correspondência na realidade, a exemplo da
Funcaju e da própria Aperipê que funcionam sem os recursos necessários
para desenvolverem suas atividades com desenvoltura administrativa e
autonomia financeira.
5. É compreensível que haja esforços para
economizar verba pública. Sabe-se, no entanto, que o perdão às dívidas
de grandes sonegadores são práticas dos governos que hoje estão em
situação financeira debilitada. Em Sergipe, muitos dos postos de
fiscalização foram fechados. Segundo o Sindicato do Fisco de Sergipe, o
futuro governo terá que “desempenar” o eixo econômico e diz também haver
o problema grave da sonegação de impostos a ser resolvido. Reduzir a
estrutura pública ao invés de melhorar a eficiência da arrecadação, terá
como consequência a queda na qualidade e no volume dos serviços,
enquanto os sonegadores se negam a contribuir com os dispositivos
fiscais de incentivo à Cultura, como a Lei Rouanet, por exemplo,
principalmente em projetos de artistas sergipanos que estejam fora do
grande mercado cultural.
6. Precisamos lembrar que a Cultura
gera emprego, renda, movimenta o comércio fazendo circular mercadorias e
serviços. O resultado disto é a geração de impostos. Os europeus
faturam, milhões de euros diariamente com o turismo cultural. Gente do
mundo todo vai à Europa ao encontro da História, da Arte e da Cultura
que estão intimamente ligadas. Enquanto no Brasil e em Sergipe se padece
da miserabilidade de ideias e ações para amparar e incentivar estas
áreas, mesmo tendo tantos talentos. A nossa arquitetura histórica tem
sido demolida pelos proprietários, os prédios públicos sem a devida
conservação e faltam obras de arte nas avenidas, praças e parques,
enquanto sobram artistas desestimulados.
É sabido que a cultura
reflete o modo de vida de uma sociedade, seu modo de pensar e agir.
Assim como para qualquer povo, para nós a Cultura é um fator importante
para o fortalecimento da nossa identidade, assim como do desenvolvimento
dos sergipanos.
A Constituição Federal afirma no “Art. 215. O
Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da Cultura Nacional, e apoiará e incentivará a
valorização e a difusão das manifestações culturais”. Infelizmente a
insensibilidade está institucionalizada e relega a Cultura ao último
plano, quando deveria ser prioridade.
Sentimos que, ao invés de as
ações culturais se expandirem pelos bairros da capital e pelas cidades
do interior, se encolhem e mudam de mão na burocracia que engessa e
imobiliza. Quando o assunto é Cultura, a falta de verba é sempre a
justificativa para a ausência de ideias e de esforço político para
envolver a sociedade, por mais que os funcionários da Secult se
empenhem. Desta forma, o resultado das ações culturais continua para
certo segmento social, deixando grandes contingentes à margem.
A
sensibilização da população para fruir a arte e conviver próximo dela,
somente acontecerá se a Cultura for estrategicamente alçada ao fator
máximo de integração e, para isto, seja oferecida à população como
alimento do espírito criativo humano, com todos o seu simbolismo e
representações.
Se a Secult fez o levantamento das cadeias
produtivas das áreas culturais, não o tornou público. Os Artistas
Visuais fizeram o seu levantamento e o entregou à Secult no ano de 2013.
Se cada uma das áreas for profissionalizada com o devido apoio, a
geração de emprego, renda e retorno para o Estado será enorme.
Não localizamos a autoria da frase que abre esta carta, mas a sua expressividade é por demais emblemática para ser ignorada.
Para o menor Estado da federação, Sergipe que já esteve no topo da
lista dos mais violentos, ao invés de mais armas para a polícia,
reivindicamos que o Sr. Governador invista muito mais na Cultura para
combater a violência, o desemprego e o ócio. Muitos jovens ociosos se
tornam presas fáceis para o tráfico e a espiral da violência cresce
aumentando a apreensão da sociedade.
O Fórum de Artes Visuais tem
sido colaborador, mas jamais se furtará de pontuar os erros
políticos/administrativos que prejudicam o segmento e a sociedade.
Mais verba para a Cultura e autonomia para os gestores, com status de
secretaria para o órgão gestor diz muito de um governo civilizado e
sensível às demandas da população.
Aracaju, 19 de dezembro de 2018.
Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe
P/ Assinam: Márjorie, Wecio, Tábata e Cruz
Governador do Estado de Sergipe
Senhor Governador,
“Em um lugar onde não há atividades culturais a violência vira espetáculo”.
O Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe, coletivo de artistas
que discute as questões nesta área e propõe ações que beneficiam toda a
sociedade, vem a público expressar seu descontentamento acerca da
extinção da SECULT.
Pelas vossas entrevistas e anúncios
publicados, a Secretaria de Estado da Cultura será extinta, passando as
suas atividades a serem gerenciadas pela Fundação Aperipê e esta,
subordinada à Secretaria de Estado da Educação.
De início consideramos as seguintes questões:
1. Ao rebaixar a Cultura ao terceiro nível hierárquico, suprimindo seu
status de Secretaria, o governo deixa claro que a Cultura não é
prioridade na sua administração.
2. Quando vice-governador, ao
ser procurado pelos artistas, Vossa Excelência
ajudou se posicionando contra a fusão da Secult com a
Secretaria de Esporte que seria criada em 2016, pelo então govenador
Jackson Barreto. Hoje, como governador, o Senhor extingue a Secult,
contradizendo-se.
3. Na argumentação oficial, com a extinção da
Secult e sua subordinação à Secretaria de Educação haverá integração e
economia de recursos. Na nossa compreensão a tal integração acontecerá,
mas a autonomia será nenhuma, pois a Cultura no terceiro nível
hierárquico terá menor peso perante as demais áreas, fato que já é
notório pelo quadro enxuto de funcionários e as ações tímidas da Secult.
4. O argumento de que a fundação agilizará a obtenção de
recursos, não encontra correspondência na realidade, a exemplo da
Funcaju e da própria Aperipê que funcionam sem os recursos necessários
para desenvolverem suas atividades com desenvoltura administrativa e
autonomia financeira.
5. É compreensível que haja esforços para
economizar verba pública. Sabe-se, no entanto, que o perdão às dívidas
de grandes sonegadores são práticas dos governos que hoje estão em
situação financeira debilitada. Em Sergipe, muitos dos postos de
fiscalização foram fechados. Segundo o Sindicato do Fisco de Sergipe, o
futuro governo terá que “desempenar” o eixo econômico e diz também haver
o problema grave da sonegação de impostos a ser resolvido. Reduzir a
estrutura pública ao invés de melhorar a eficiência da arrecadação, terá
como consequência a queda na qualidade e no volume dos serviços,
enquanto os sonegadores se negam a contribuir com os dispositivos
fiscais de incentivo à Cultura, como a Lei Rouanet, por exemplo,
principalmente em projetos de artistas sergipanos que estejam fora do
grande mercado cultural.
6. Precisamos lembrar que a Cultura
gera emprego, renda, movimenta o comércio fazendo circular mercadorias e
serviços. O resultado disto é a geração de impostos. Os europeus
faturam, milhões de euros diariamente com o turismo cultural. Gente do
mundo todo vai à Europa ao encontro da História, da Arte e da Cultura
que estão intimamente ligadas. Enquanto no Brasil e em Sergipe se padece
da miserabilidade de ideias e ações para amparar e incentivar estas
áreas, mesmo tendo tantos talentos. A nossa arquitetura histórica tem
sido demolida pelos proprietários, os prédios públicos sem a devida
conservação e faltam obras de arte nas avenidas, praças e parques,
enquanto sobram artistas desestimulados.
É sabido que a cultura
reflete o modo de vida de uma sociedade, seu modo de pensar e agir.
Assim como para qualquer povo, para nós a Cultura é um fator importante
para o fortalecimento da nossa identidade, assim como do desenvolvimento
dos sergipanos.
A Constituição Federal afirma no “Art. 215. O
Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da Cultura Nacional, e apoiará e incentivará a
valorização e a difusão das manifestações culturais”. Infelizmente a
insensibilidade está institucionalizada e relega a Cultura ao último
plano, quando deveria ser prioridade.
Sentimos que, ao invés de as
ações culturais se expandirem pelos bairros da capital e pelas cidades
do interior, se encolhem e mudam de mão na burocracia que engessa e
imobiliza. Quando o assunto é Cultura, a falta de verba é sempre a
justificativa para a ausência de ideias e de esforço político para
envolver a sociedade, por mais que os funcionários da Secult se
empenhem. Desta forma, o resultado das ações culturais continua para
certo segmento social, deixando grandes contingentes à margem.
A
sensibilização da população para fruir a arte e conviver próximo dela,
somente acontecerá se a Cultura for estrategicamente alçada ao fator
máximo de integração e, para isto, seja oferecida à população como
alimento do espírito criativo humano, com todos o seu simbolismo e
representações.
Se a Secult fez o levantamento das cadeias
produtivas das áreas culturais, não o tornou público. Os Artistas
Visuais fizeram o seu levantamento e o entregou à Secult no ano de 2013.
Se cada uma das áreas for profissionalizada com o devido apoio, a
geração de emprego, renda e retorno para o Estado será enorme.
Não localizamos a autoria da frase que abre esta carta, mas a sua expressividade é por demais emblemática para ser ignorada.
Para o menor Estado da federação, Sergipe que já esteve no topo da
lista dos mais violentos, ao invés de mais armas para a polícia,
reivindicamos que o Sr. Governador invista muito mais na Cultura para
combater a violência, o desemprego e o ócio. Muitos jovens ociosos se
tornam presas fáceis para o tráfico e a espiral da violência cresce
aumentando a apreensão da sociedade.
O Fórum de Artes Visuais tem
sido colaborador, mas jamais se furtará de pontuar os erros
políticos/administrativos que prejudicam o segmento e a sociedade.
Mais verba para a Cultura e autonomia para os gestores, com status de
secretaria para o órgão gestor diz muito de um governo civilizado e
sensível às demandas da população.
Da civilidade
bem reconhecemos. Neste momento esperamos que fale bem alto a vossa
sensibilidade.
Aracaju, 19 de dezembro de 2018.
Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe
P/ Assinam: Márjorie, Wecio, Tábata e Cruz
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SOBRE POLÍTICA DE CULTURA PARA SERGIPE, por Euler Lopes
Sobre o “abandono” do teatro Lourival Batista, para mim, é sintomático o
descaso da gestão pública com o espaço que até então sempre foi visto
como “destinado aos artitstas sergipanos” – sim, porque cá entre nós os
outros teatros são usados, em sua maioria, por produções não-locais.
Pessoalmente, é triste perceber que é um perrengue encontrar um lugar
para ensaiar semanalmente, – quando não nos exigem uma contrapartida, num
verdadeiro pague pelo uso do aparelho público, numa relação
privatizadora da parada – enquanto um local é assim, entregue. Ou seja, é
mais vantajoso que o espaço pereça do que “acender a luz “e deixar que
ele seja ocupado?. Embora os últimos diretores tenham sido muito legais
em ceder esse espaço – diga-se de passagem usei muito o teatro Lourival
graças à figuras más que administravam o tal espaço – o que se
comprova é que um espaço público cultural demanda atividade, agenda,
gente fomentando e fazendo arte – vamos aprender com as estudantes da
ocupação de São Paulo, porra! – Um espaço público precisa ser ocupado,
com que frequência? o tempo todo! E a ótica de gestão que temos, não
entende que uma pessoa sozinha não consegue administrar e fomentar um
espaço se não tiver apoio dos seus superiores e do público ao qual se
destina.E quem sabe fazer isso – ocupar espaços culturais – são
artistas, grupos, fazedores. O abandono do Lourival é resultado dos
últimos anos nos quais nos distanciamos – ou fomos distanciados? – do
diálogo. E o que ele gera? Problemas para a população. Eu realmente
espero que a gente volte a ocupar os aparelhos culturais do estado, e
que a gente volte a ser ouvida, ou chamada pra conversar porque a gente
tem a dizer – sim, estou bem alice indo para 1964. Enfim, o que eu queria
dizer nessa minha confusão geminiana é que o “abandono” é culpa de nós
todos. Da gestão -que entregou de fato o local, dos artistas – que em
algum momento nessas jornadas múltiplas de trabalho perdemos o tempo de
se encontrar, da sociedade – que sempre negligenciou o espaço e não o
ocupou também. Por fim, Vem cá Belivaldo e Eliane, vamo conversá! Vamos
pensar numa administração coletiva Estado-artistas e aprender como isso
pode se dar.
Sobre o “abandono” do teatro Lourival Batista, para mim, é sintomático o
descaso da gestão pública com o espaço que até então sempre foi visto
como “destinado aos artitstas sergipanos” – sim, porque cá entre nós os
outros teatros são usados, em sua maioria, por produções não-locais.
Pessoalmente, é triste perceber que é um perrengue encontrar um lugar
para ensaiar semanalmente, – quando não nos exigem uma contrapartida, num
verdadeiro pague pelo uso do aparelho público, numa relação
privatizadora da parada – enquanto um local é assim, entregue. Ou seja, é
mais vantajoso que o espaço pereça do que “acender a luz “e deixar que
ele seja ocupado?. Embora os últimos diretores tenham sido muito legais
em ceder esse espaço – diga-se de passagem usei muito o teatro Lourival
graças à figuras más que administravam o tal espaço – o que se
comprova é que um espaço público cultural demanda atividade, agenda,
gente fomentando e fazendo arte – vamos aprender com as estudantes da
ocupação de São Paulo, porra! – Um espaço público precisa ser ocupado,
com que frequência? o tempo todo! E a ótica de gestão que temos, não
entende que uma pessoa sozinha não consegue administrar e fomentar um
espaço se não tiver apoio dos seus superiores e do público ao qual se
destina.E quem sabe fazer isso – ocupar espaços culturais – são
artistas, grupos, fazedores. O abandono do Lourival é resultado dos
últimos anos nos quais nos distanciamos – ou fomos distanciados? – do
diálogo. E o que ele gera? Problemas para a população. Eu realmente
espero que a gente volte a ocupar os aparelhos culturais do estado, e
que a gente volte a ser ouvida, ou chamada pra conversar porque a gente
tem a dizer – sim, estou bem alice indo para 1964. Enfim, o que eu queria
dizer nessa minha confusão geminiana é que o “abandono” é culpa de nós
todos. Da gestão -que entregou de fato o local, dos artistas – que em
algum momento nessas jornadas múltiplas de trabalho perdemos o tempo de
se encontrar, da sociedade – que sempre negligenciou o espaço e não o
ocupou também. Por fim, Vem cá Belivaldo e Eliane, vamo conversá! Vamos
pensar numa administração coletiva Estado-artistas e aprender como isso
pode se dar.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

