Cultura in Sergipe (2) – Sem orçamento, Conceição Vieira promete criatividade e parcerias para gerir política cultural

A nova presidente da Fundação Cultura e Arte Aperipê, Conceição
Vieira, revelou em entrevista na manhã desta terça feira, 15, ao Jornal
da Fan que ainda não sabe o orçamento que terá para trabalhar, e
descreveu o pedido do governador, Belivaldo Chagas, ao lhe incumbir a
missão de gerir a fundação após a reforma administrativa.
“Ainda estamos fechando as informações para saber qual será nosso
orçamento. Mas quando Belivaldo me chamou, disse que queria uma gestão
diferente da Cultura, com criatividade e capacidade de fazer muito com
poucos recursos”, disse Conceição.
A entrevista foi bem movimentada com a participação de diversos
ouvintes envolvidos com a área cultural como o ativista e arte-educador, Zezito de  Oliveira,
o produtor Ricardo Douglas e o presidente do Sindicato dos Artistas,
Ivo Adnil. Eles questionaram sobre as pretensões, a ausência de recursos
e a necessidade de diálogo com os personagens da cena cultural.
“Ainda não tivemos tempo mas vamos ouvir a todos para analisar as
parceiras e ouvir o que nos trarão de sugestões”, respondeu Conceição,
que garantiu ainda fazer uma gestão participativa.
Diversos líderes comunitários pediram apoio do governo para fomento
da cultura na periferia. A presidente citou iniciativas já tomadas como a
implantação de uma parceria com escola estadual localizada no Conjunto
Bugio, em Aracaju (SE).
“Já adaptamos uma sala para realizar oficinas de dança na escola
Augusto Franco no Bugio. São ações simples que não dependem de grandes
orçamentos e por isso já estamos fazendo para fomentar a atividade
cultural para os que mais necessitam”, afirmou.
Conceição assegurou que não faltarão parcerias público-privadas e com
organizações como o Sebrae para realização de formação e capacitação de
agentes e produtores culturais.
A entrevista trouxe um balanço dos principais problemas causados pela
ausência de uma efetiva política pública de cultura, como o abandono de
teatros e equipamentos públicos além da ausência de incentivo para
produção artística de uma forma geral.
Indicação
Conceição revelou que sua ida para a Aperipê é uma indicação do
governador e não PT. “Belivaldo me indicou na sua cota pessoal, não fui
indicação partidária”.
Eleições 2020
Sobre o posicionamento de outros membros do PT sobre a estratégia do
partido para 2020, Conceição descartou antecipação de debate. “Tem muita
gente apressada, não podemos antecipar nada. Cada decisão em seu tempo.
Agora é hora de trabalhar”.



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  “Dois dos ministros da cultura mais importantes que tivemos, Celso
Furtado e Gilberto Gil, quando tomaram posse, convidaram agentes
culturais, artistas, intelectuais e etc..para ouvir suas demandas e
sugestões. Há pretensão de Conceição Vieira em fazer isso também? Se a
resposta for positiva, como isso está sendo pensado e organizado?”

Pergunta que fiz no inicio da manhã de hoje (15/01/2019) à Conceição
Vieira, presidente da Fundação Aperipê de comunicação e cultura, no
Jornal da Fan, apresentado pelo radialista Narcizo Machado. A resposta
foi positiva, não poderia ser diferente, mas faltou a apresentação do
como está sendo pensado e organizado. Se de um lado, o tempo é curto em
termos de assunção do cargo. Por outro lado, me parece que já há tantas
idéias preconcebidas, que não haverá espaço para novas propostas. Por
outro lado, outro fator impeditivo a aceitação “real” de novas propostas
e novas idéias, a questão crônica da falta de visão sobre a importância
estratégica da cultura, inclusive o papel econômico, por parte dos
técnicos e secretários da fazenda. O que gera uma destinação em forma de
“esmola” para o orçamento da cultura. Muito bem lembrado pelo artista
visual Antônio da Cruz.
Uma sugestão que antecipei: Apoiar o
PROTAGONISMO JUVENIL por meio da cultura, em especial dos estudantes das
escolas públicas, através de edital de fomento a criação de oficinas
artisticas e estimulo a formação de grupos culturais.
PROTAGONISMO
JUVENIL está em caixa alta porque merecerá um artigo especial para
tratar do termo. Em termos de cultura politica, percebo a dificuldade de
setores progressistas ou de centro-esquerda, campo do qual Conceição
Vieira faz parte, de compreender a importância e necessidade da
aplicação desse conceito.
Há um texto que escrevi há alguns anos e
que trata disso. À direita neofascista compreende bem o conceito de
protagonismo juvenil, em especial na interface com o uso das novas
tecnologias.

Zezito de Oliveira

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OUTRO BRASIL? SOMENTE COM PARTICIPAÇÃO E ARTE.

“(…) Nesse sentido, considero duas questões primordiais. Em primeiro lugar,
atenção especial para a mudança de valores e práticas de relacionamento
político pautado nos antigos procedimentos da elite dominante, como o
clientelismo, o paternalismo, o autoritarismo etc…

  Em segundo lugar, atenção especial àquilo que aponta para a criação de
sujeitos mais solidários, mais livres, mais ousados, àquilo que cria e
dá sentido à realização plena das pessoas (refiro- me aqui à produção
artístico/ cultural).

No primeiro caso se faz necessário (re)construir, fortalecer ou criar
estruturas formais e informais de participação “real” da população nas
decisões sobre os rumos do governo, como os conselhos, as conferências,
as câmaras setoriais, os fóruns e as redes, além do incentivo e apoio à
organização da sociedade civil através das ongs, e cooperativas.
Assim, se viabilizaria um ambiente favorável à gestação de novas
idéias e recursos para resolver ou atenuar velhos problemas, o que
também pode garantir a criação de um antídoto para evitar o retrocesso
de condução antidemocrática das decisões, a partir da eleição de
partidos ligados às velhas elites dirigentes, após suceder-se um
governo de esquerda.

No segundo caso, democratizar o acesso aos meios de produção artística e
dos meios de produção e difusão da informação, com orçamento decente e
gestores comprometidos, preparados e que saibam ouvir os
interessados no assunto, o que resultará em diretrizes e ações que
garantirão à maioria da população a possibilidade de se expressar de
maneira que não fiquem apenas se comportando como meros consumidores de
um bocado de lixo que é comercializado como produto cultural e cujos
conteúdos — carregados de intolerância (inclusive religiosa),
vulgarização do sexo, preconceitos vários, individualismo exacerbado,
banalização da violência, etc., — vão na direção contrária de tudo
aquilo que defendemos, formando o “caldo” da cultura que conduz ao
retorno e sustentação da nova/ velha direita.

E isso é tudo que muita gente que ousa lutar e acreditar em outro país
menos deseja, mas que será inevitável, caso opiniões como a nossa não
sejam levadas em consideração a tempo.(…) “



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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019



Cultura in Sergipe. Para onde e como vai? De 2019 em diante….

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