A excelente impressão que tive da semana multicultural de Pojuca (BA).

Aqui ladeado pelas professoras Cláudia Santos Silva e Sirlene Lisboa, duas companheiras que nos acompanharam nas falas inspiradora e instigadora da roda de conversa “Em um lugar onde não acontecem atividades culturais, a violência vira espetáculo.”

Zezito de Oliveira (*)

Pojuca é uma  cidade pertencente a região metropolitana de Salvador. O evento cultural é centrado na reflexão sobre as relações  arte, educação,  juventude e direitos humanos.

Clique abaixo, para entender o contexto desse artigo, antes de prosseguir a leitura abaixo e depois retorne para cá.



Semana Multicultural de Pojuca – “Em um lugar onde não há atividades culturais a violência vira espetáculo”

As rodas de conversas, 
antecede a programação  mais
intensa de apresentações artísticas  que
acontecem na sexta à noite e no sábado.

As apresentações  artísticas  entremeiam as rodas de conversa.
Geralmente antes,  e todas são realizadas
por alunos das redes municipal, estadual e particular. Assisti a apresentações  de dança, teatro e música( flauta doce e coral).
Na abertura  das apresentações artísticas na noite de sexta-feira, pude saborear uma sequência  do bom forró pé de serra, com destaque para o grupo “forró roots”.

O teatro e a dança que assisti estão  alicerçados principalmente no legado cultural de matriz
africana. Seja tratando da  temática do
sofrimento, das lutas e da resistência dos africanos e descendentes, seja
reforçando aspectos simbólicos ligados às questões de identidade, beleza e
auto- estima. 

Os temas e os palestrantes são  pulsantes e vibrantes, sob o ponto de vista
das conexões com os temores,  as angústias,
as alegrias e as esperanças  que precisamos
ter, afim de  aguentar a “barra de viver”. Aqui lembrando a canção “No woman no cry”
de Bob Marley, na interpretação de Gilberto Gil.

Na conversa com a professora  Cláudia Santos da Silva, uma das organizadores do evento, ela
me disse que os convites para aqueles que fazem as falas
instigadoras/inspiradores,  busca
contemplar professores que estão no chão da escola, ao mesmo tempo que realizaram/realizam trabalhos de pesquisa, frutos de formação  no campo da graduação ou da pós graduação,
assim  como professores e/ ou agentes
culturais que atuam como protagonistas no campo da ação  cultural e/ou do  ativismo social. Na maior parte,
 professor, pesquisador e agente cultural,
representam  uma boa síntese na mesma
pessoa.

Ouvi nas falas dos convidados por várias vezes menção a expressão
“educação popular”, assim como falas marcadas pela  simplicidade e profundidade ao mesmo tempo,
bem como a forma de exposição  permeada
ou atravessada com canções, poesias, histórias de vida ligadas a realidade do
cotidiano, sem perder  a conexão com  conceitos de 
renomados pensadores  acadêmicos.

Quem está  a frente da
organização  do evento, são  jovens professores e/ ou agentes culturais e
artistas. Chamou-me bastante  atenção, o  fato da organização  do evento ser realizado sem financiamento
publico ou privado de grandes empresas. Quando isso acontece, os patrocinadores
são micro ou pequenos empresários da cidade, por exemplo,  o dono de uma  hamburgueria  libera uma certa quantidade de lanches
gratuitamente para a equipe de produção, entre outras maneiras de colaboração.

A prefeitura  não
participa como parceira da  semana
multicultural, mas apoia com  uma boa
infraestrutura  a semana evangélica, além
do novenario e festa da padroeira. Pode isso Arnaldo?

Isso antecede uma situação  que viveremos no próximo ano, no plano federal
e no congresso. Sem duvida, o corte do financiamento público federal em arte e
cultura, será uma das principais armas de “censura” e do
desencorajamento para quem produz arte e cultura de base comunitária em todo o
país.

O que vi em Pojuca,  indica os caminhos que precisamos trilhar. Ação
cultural e educativa, com foco nas crianças e na juventude, protagonizado por
jovens professores e agentes culturais ao mesmo tempo, acompanhados no trabalho
de produção por  ex- alunos, alguns
artistas emergentes,  organizados em um coletivo/associação
cultural. Semana Multicultural realizada mesmo sem apoio do poder publico
estadual e municipal, mas com forte aderência de muitos artistas e intelectuais
locais, assim como de alguns comerciantes e uma grande rede de amigos.

Diante disso, é urgente reunirmos  informações para interagirmos mais,  com   pessoas e organizações afins,  que realizam iniciativas culturais com as características
educativas e culturais semelhante ao que fazemos.

Iniciativas culturais  que  fortalecem as identidades locais e regionais,
os vínculos de convivência pessoal e  comunitária,  assim como a economia local, incluindo a
economia solidária. 

Em especial, quem fez e faz sem depender de grandes somas
de recursos públicos, os quais sem deixarmos de continuar buscando, posto que é
direito e não  favor ou “caridade”,  não  chegarão na quantidade  dos  governos
Lula e Dilma, considerando a opção preferencial no favorecimento aos grandes
empresários, anunciada pelo governo eleito para governar o país nos próximos
quatro anos, em detrimento do  investimento em iniciativas sociais e culturais
de base comunitária.
(*)  educador, pesquisador e agente/produtor cultural 

Notícias Do Brasil (Os Pássaros Trazem)

 “(…) A novidade é que o Brasil não é só litoral
É muito mais, é muito mais que qualquer Zona Sul
Tem gente boa espalhada por esse Brasil
Que vai fazer (já está fazendo) desse lugar um bom país. (…)

Aqui vive um povo que merece mais respeito
Sabe, belo é o povo como é belo todo amor
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar
O canto mais belo será sempre mais sincero
Sabe, tudo quanto é belo, será sempre de espantar
Aqui vive um povo que cultiva a qualidade
Ser mais sábio que quem o quer governar.(…)

Vídeos (nessa mesma página onde estão os vídeos, podem ser acessadas mais  fotos  da semana multicultura de Pojuca).




P.S. A semana multicultural de Pojuca representou para mim, a confirmação do quanto faria bem aos agentes culturais de São Cristóvão e as escolas do municipio, se a  atual  gestão municipal de São Cristóvão e a Universidade Federal de Sergipe (UFS), buscassem utilizar mais,  o  conceito de  um Festival de Artes de São Cristóvão (FASC), com maior participação e protagonismo dos educadores  e estudantes que atuam como agentes culturais na cidade, assim como dos artistas, intelectuais e moradores  da cidade e do entorno que atuam também como agentes culturais.

Em termos de programação o FASC está muito bom, mas continua repetindo o  padrão que não considerou a necessidade do empoderamento técnico e politico  dos  agentes culturais locais, para que buscassem fazer pequenos ou médios FASCs, ou iniciativas culturais de base comunitária   quando a  UFS não pode mais realizar o FASC há anos atrás. 


O que acontecerá.  quando a cidade não tiver um prefeito com o mesmo bom gosto e compromisso cultural do atual, Marcos Santana. Sem contar que não se deve esperar boa vontade do novo governo federal para apoiar financeiramente projetos tipos FASC, mesmo de forma indireta via Lei Rouanet, como aconteceu neste dois últimos anos.

Nas próximas semanas publicarei um artigo, reforçando mais uma vez esse argumento. 

Para saber mais sobre como foi o FASC 2018, clique aqui.

O primeiro artigo que escrevi defendendo isso, foi esse abaixo:

FASC: A participação da comunidade é fundamental   

 

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