Tem muita gente com fome, também de poesia.

Andando pelas ruas de nossa cidade, não tem como passar
despercebido o aumento da quantidade de pessoas pedindo dinheiro ou revirando o
lixo das ruas.


Ontem a noite encontrei dois homens nesse tipo de situação,
depois me pediram dinheiro. Logo após, passando por um  ponto de ônibus,  um jovem me pede dinheiro para a passagem e
hoje cedo na caminhada matinal próximo a uma padaria, um trabalhador desce de
sua bicicleta e me pergunta  se não tenho
R$0,50.  Detalhe: Aqui não estamos
trataNdo de pedintes profissionais, a exceção dos dois primeiros citados.

Ao  mesmo  tempo, 
vejo isso  e me recordo do
noticiário da imprensa que denuncia o retorno do Brasil ao mapa da fome, trazendo
a recordação  de uma situação que deveria 
ter ficado para trás, apenas como uma lembrança de “páginas  infelizes da nossa história”.  Essa realidade também  me fez recordar   poemas
de   Solano Trindade e Manuel  Bandeira. 


O segundo: O BICHO (Manuel Bandeira) – 1947
 Vi ontem
um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.”

Se a fome aumenta , também aumenta o violência gerada pelo tráfico de
drogas e a prostituição, assim também como um maior controle e dominação por
parte dos velhos politicos e empresários de “bens”, pois um povo esfomeado fica
mais sujeito as pressões para votar nos candidatos indicados pelos patrões,  e ser submetido  aos salários degradantes e em  condições de trabalho que beira ao tipo escravo.


Daí,  a importância dos programas
de transferência de renda, incluindo o bolsa familia e  aumento real do
salário minimo. Sem isso,  uma parte
significativa da população fica mais carente e dependente da “caridade de quem os detesta”.

Como apenas três candidaturas a presidente tem  real compromisso com o fortalecimento do papel
do estado e  investimento no mercado de
produção e  consumo, por meio das medidas
citadas acima, entre outras, vale a  pena acompanhar as campanhas de
Lula-Haddad-Manuela, Guilherme Boulos e Ciro Gomes, bem como buscar escolher candidatos
aos governos do estado, ao congresso e as assembleias estaduais, comprometidas
com um projeto de nação realmente democrático, desenvolvimentista e
sustentável. Uma página no facebook para acompanhar este debate.

Essas escolhas são fundamentais, porque o terceiro e o quarto poder, o
judiciário e a imprensa, não darão trégua àqueles que desejam a  retomada de um país que possa fazer jus ao que
diz uma  passagem de nosso  hino nacional.
“Terra
adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!”

E como apesar disso tudo, não podemos deixar de  acreditar e agir, que tal lembrar a nossa fé e
resistência secular, que nos fez chegar até aqui? Mesmo com tantos golpes,
roubos e traições.  A que nos faz insistir e re-existir.
“Credo” de   Milton Nascimento e Fernando Brant.(1978)
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