O cardápio cultural do brasileiro


por Jotabê Medeiros



publicado
05/08/2018 00h15,


última modificação
03/08/2018 15h22



Pesquisa mostra como se dividem pelo País e pela população os gostos, o consumi e a exclusão da cultura
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A música é a atividade cultural mais frequentada pela população

A perspectiva é a do consumo, mas a pesquisa Cultura nas Capitais – Como 33 Milhões de Brasileiros Consomem Diversão e Arte acaba por revelar também as tendências da exclusão, o que a torna interessante para a postulação de políticas públicas na área cultural.
Coordenada por João Leiva e Ricardo Meirelles, com produção da
J.Leiva Cultura & Esporte, a pesquisa foi empreendida pelo
Datafolha, que fez mais de 10 mil entrevistas em 12 capitais do País,
entre 14 de junho e 27 de julho de 2017, para chegar aos resultados.

Para além das conclusões que reafirmam os clichês (a maioria prefere
ver tevê e navegar na internet, apenas um terço da população já foi a um
museu e 66% das pessoas nunca foram a um concerto), há informações
preciosas para o setor. Por exemplo, 46% da população foi a algum show
de música no último ano, o que configura a apresentação ao vivo como o
grande reduto da sobrevivência dos músicos, embora não conte com qualquer tipo de programa de apoio do Estado.

Além do mais, a música é a atividade cultural mais praticada pela
população (7% já disseram tocar algum instrumento ou cantar, e 29%
tiveram experiência musical no passado). Outro ponto forte são as festas
populares, frequentadas por 42% no ano passado (São Luís do Maranhão é a
capital com maior frequência às festas).

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Belo Horizonte tem melhores índices para museus, teatros e concertos
de música clássica. O mapa da exclusão é intimamente ligado à
escolaridade: pessoas com nível fundamental são as que menos usufruem de espetáculos de cultura, e aquelas com nível superior são as que mais leem e vão ao teatro, concertos e museus (55%).

A renda tem ainda maior impacto no acesso: o porcentual é quase
sempre superior a 40% dos que não foram a nenhuma atividade no ano
passado. Mas há outras ferramentas de exclusão. As mulheres têm maior
interesse por cultura, mas o acesso é inferior ao dos homens – essa
diferença de
acesso entre homens e mulheres diminui conforme aumenta a escolaridade.

O acesso a cinema, museus e teatros é maior entre brancos; a shows de
música e espetáculos de dança, entre pretos; e a maioria da população
(55%) apoia políticas de valorização da cultura dos povos afrodescendentes e indígenas.

Nos escaninhos das preferências, gospel, samba, pagode e rap têm mais
força entre os pretos; sertanejo, MPB e rock, entre os brancos. “O
gospel lidera entre os negros (24%) – são 9 pontos porcentuais acima das
citações dos brancos (15%). É tendência que acompanha o avanço dos
cultos evangélicos e neopentecostais
em periferias, favelas e subúrbios das grandes cidades.

Nessas áreas, que concentram população negra, as igrejas são espaços
de fé, mas também de relações comunitárias e atividades culturais, quase
sempre gratuitas”, diz o estudo.

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