Por Zezito de Oliveira
“Quem se informou sobre o assunto no inicio da manhã do dia 12/06, soube uma
noticia, da metade da manhã até o final da tarde já tinha acesso a outra
versão.
No meio da noite já havia o meio desmentido e por volta
das 22h a versão final voltava a primeira narrativa. No meio da tarde
quem nos fez refletir melhor e aguardar com mais tranquilidade uma
conclusão desse “imbroglio” noticioso , foi o jornalista Mauro Lopes e um programa
na TV 247.
Mas quem ficou com a versão oficial repercutida por grandes
veículos, referendada por agências “suspeitas” de checagem de fake
news, ficou nervoso e preocupado de um lado, e do outro satisfeito e
lambendo os beiços com a descoberta de uma “treta” do advogado Grabois, representante do Papa Francisco junto com os blogs progressistas e o PT.“
Grabois a Lula no dia 11/06 (terça-feira), enviado do Papa Francisco, circulou na semana
passada. No dia e horário anunciado, a frustração da visita não ser liberada,
embora com aviso prévio e a consequente reação indignada em declarações a mídia independente que faz a
cobertura da vigília Lula Livre.
de um Rosário, presente do Papa à Lula, entrevistas com o representante do
Papa, muitos vivas ao gesto do Papa e de Juan Grabois, evidentemente, por parte de quem está ao lado da justiça e da democracia no Brasil,
consequentemente a favor da libertação de Lula, porque já está provado que o
processo que condenou Lula é fraudulento, inclusive deixou marcas e digitais comprovando isso.
em sequência, de quem joga no time da
justiça e da democracia. O primeiro na semana passada foi o depoimento do ex-advogado da Odebrecht, Tacla Duran, que comprova quem e como usou de má fé dentro da operação Lava
a Jato.
distantes, sugerindo que o papa não teria feito o gesto de enviar representante
e nem presenteado Lula com um Terço, mas essa versão era muito fraca, de uma certa maneira, quase imperceptível,
apenas sussurros de quem espalhava ou levantava suspeitas.
contrária a primeira narrativa exposta até aqui explode, “O PT teria espalhado uma fake news”, o Papa não enviou representante nenhum e apenas abençoou um Terço,
que poderia ser presenteado a qualquer pessoa, sem distinção.
e desalento. E agora? Da minha parte, preferi aguardar mais informações. Quem
deu a pista que negar o gesto do Papa, é parte de uma guerra interna dentro do
Vaticano foi o jornalista Mauro Lopes, o jornalista brasileiro mais especializado
e acreditado em assuntos relacionados a igreja católica.
aconteceu anteriormente com o caso do telefone do Papa à familiares de Mariele,
quando foram levantadas dúvidas quanto a veracidade do telefonema do Papa, e
que só foram retiradas, quando Francisco mesmo confirmou.
advogado Juan Grabois, visitar Lula utilizando o nome do Papa e sem o seu consentimento? Não me pareceu
convincente, sobretudo por ter lido antes do “imbroglio” noticioso um resumo biográfico dele e sobre as suas relações de amizade e de cooperação desde os tempos do então cardeal Bergoglio.
clima de desconfiança com relação a Juan Grabois, ao PT e aos blogs progressistas que
divulgaram a primeira informação, a qual foi divulgado exaustivamente por
veículos apoiadores do golpe e da fraude processual contra Lula, ao contrário
da primeira noticia referente a visita do representante do Papa a Lula.
cidades, estados e países, não se pode confiar e deixar levar pelos
serviços oficiais das estruturas do poder , seja ele eclesiástico ou estatal. Sem negar a
existência desses, faz-se necessário buscar se aliar, fortalecer e criar
estruturas mais leves , mais ágeis e mais comprometidas com a emancipação
humana.
que esse episódio reforça, é preciso fortalecer cada vez mais opções
alternativas de comunicação, corrigindo um erro dos sindicatos e das centrais sindicais, em especial a CUT, que “marcaram bobeira” ou “dormiram de touca”(1), ao não investir na criação ou fortalecimento de um ou mais
orgãos nacionais de imprensa alternativa e independente, a exceção do sindicato dos metalúrgicos do ABC e alguns sindicatos paulistas que criaram na década de 1990 uma produtora de vídeo a TVT, que atualmente é um um canal de televisão.
Querido Lula:
Ontem
eu saí do Brasil muito angustiado. Como sabes, impediram-me de te
visitar de forma injustificada, arbitrária e mal-educada. Depois,
visitei os meus irmãos e irmãs provadores, carrinheiros, camponeses,
favelados, professores, servidores públicos, operários e integrantes de
diversas pastorais.
Pude sentir a dor do seu povo,
partilhar a sua impotência perante a injustiça, a sua revolta perante a
perseguição do seu máximo dirigente. Notei também a enorme deterioração
institucional, social e política que o Brasil sofre por causa da ambição
de poucos que concentram o poder e impedem que as diferenças se
apaziguamento nos quadros da democracia.
O drink
mais amargo, porém, me esperava no aeroporto de Curitiba. Foi aí que
soube que estavas a ser atacado nos meios de comunicação social e redes
sociais. Dizem que mentiu sobre o Rosário enviado pelo Papa Francisco.
Acontece sobre tu, preso e incomunicável, também mentem! Com espanto vi
que os seus inquisidores indicavam que a fonte da sua calúnia era o
próprio Vaticano.
Maior foi a minha surpresa quando
confirmei que numa página da internet chamada Vatican News tinham
publicado um texto em português agressivo, cheio de imprecisões e erros
de redação. A comunicação desta página não pode ser considerada oficial,
mas, com efeito, trata-se de um local dependente do secretariado de
comunicação do Vaticano.
Enquanto Lia, não podia
sair do meu espanto. Evidentemente, um editor desse site, sabe Deus com
que intenção ou a pedir de quem, quis causar um tumulto e conseguiu.
Quando pude reclamar com os superiores, a nota foi removida do site e
substituída por uma adequada
(https://www.vaticannews.va/…/precisacao-sobre-caso…),
mas
o dano já estava feito. Infelizmente, os meios que espalharam até o
paroxismo a suposta desmentida alegria não visualizaram a nova nota com a
informação correta. Vivemos, afinal, na era da pós verdade.
Nunca
revelei o conteúdo de um encontro com o Papa Francisco porque sou leal,
o respeito e admiro muito. Além disso, sei que o seu apoio aos
movimentos sociais e aos pobres lhe traz mais do que uma dor de cabeça.
Como sabe, ele também sofre o ataque sistemático dos fariseus e
herodianos dos nossos tempos.
No entanto, tendo em
conta as circunstâncias, sinto-me na obrigação de te contar como foram
as coisas. Em meados de maio estive no Vaticano para visitar o
Francisco, que me honra com uma amizade que não mereço, ama a pátria
grande e – como ele mesmo indicou – está preocupado com a situação
atual.
Como sabe, é muito claro e frontal, não
precisa de porta-Vozes e eu nunca quis ser. Sofro muito quando a mídia
me coloca nesse lugar. Eu apenas tento ajudar no diálogo com os
movimentos sociais, algo que tenho feito desde que nos conhecemos em
Buenos Aires, há mais de dez anos, lutando por uma sociedade sem
escravos nem excluídos.
Neste momento, colaboro com
o dicastério para a promoção do desenvolvimento humano integral que
preside o cardeal Peter Turkson com quem organizamos os três encontros
mundiais de movimentos populares e outras atividades para promover o
acesso à terra, o teto e o trabalho como direitos essenciais.
Por
esses dias de maio, meus amigos dos movimentos populares do Brasil me
ofereceram a possibilidade de te visitar. Fiquei muito satisfeito porque
admiro o que fizeste como presidente pelos mais pobres e tenho a
certeza de que és alvo de uma perseguição política, tal como Nelson
Mandela e tantos outros dirigentes políticos na história recente.
Aproveitei,
então, aquela visita ao Vaticano para conversar com o papa sobre a
situação e pedir-lhe um rosário abençoado para te levar a ti. Assim foi.
É incrível que um gesto tão simples de solidariedade e proximidade do
papa, um objeto que serve para rezar, gere tantos problemas, mas não é a
primeira vez e Vatican News é responsável por ter permitido que se
publique essa nota tão inapropriada e caracterizada por falta de
profissionalismo.
O seu responsável pediu-me perdão e perdoo-lhe, porque todos podemos cometer erros. Mas também sei que houve danos graves.
Também
quero esclarecer que, quando me negaram ver-te, pedi aos teus
colaboradores que te levassem o Rosário, exporta expressamente que vinha
da parte do papa com a sua bênção. Por esse motivo, o que eles
afirmaram na sua conta do facebook – erroneamente denunciada de fakenews
e ameaçada com a censura – é simplesmente o que eu lhes disse: A
verdade.
Entrego esta carta aos seus colaboradores com a
autorização expressa de que a postem se lhes serve para amenizar o dano
causado, embora temendo por aqueles que odeiam esse operário que tirou
da fome quarenta milhões de excluídos e colocou de pé a América Latina
em frente aos seus colaboradores.
Os poderes globais não vão dizer a verdade.
Te peço perdão pelo que aconteceu e te deixo um abraço fraterno, Latino-Americano e solidário.
Rezo pela tua liberdade, o teu povo e a nossa pátria grande;
João grabois
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