E se tratássemos as nossas cidades, como a (as) mulher (es) ou o (os) homem (ens) que gostamos?
Vamos ouvir as músicas abaixo. Quem sabe pode nos inspirar a fazer melhores escolhas para vereadores e prefeitos.
Sinal de amor e de Perigo – Diana Pequeno
Carioca – Chico Buarque
Caetano Veloso e Maria Gadú – Sampa
Criolo – “Não Existe Amor em SP”
A Cidade (Clipe) – Chico Science & Nação Zumbi
Novo Apocalipse Recife
Ruas de Ará – Paulo Lobo
O CANTO DA CIDADE-DANIELA MERCURY-VIDEO ORIGINAL-ANO 1992
Itapuã – Caetano Veloso
Carlos Moura – Minha Sereia (Maceió, minha sereia)
Kleiton e Kledir – Porto Alegre – Homenagem – DEU PRA TI!
Olhando Belém – Nilson Chaves
Aracaju nos seus 150 anos e a cultura que fica.
Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
30/3/2007
Em todos os anos, durante o mês de março, é elaborada uma vasta programação para
comemorar o aniversário da cidade. No ano de 2005, quando foram
comemorados os 150 anos, publicamos no jornal Cinform o presente artigo.
Para resumir o motivo pelo qual o texto está sendo reeditado na íntegra,
aqui no Overmundo, podemos lembrar da frase de uma composição do Legião
Urbana: “Mudaram as estações e nada (ou quase nada) mudou” na área da ação cultural transformadora e inclusiva.
O que nos deixa perplexos é o fato de que a cidade, sendo governada
desde o ano 2000 por uma aliança de partidos de esquerda, ainda não
atendeu aos anseios de quem tanto esperou e espera do grupo.
Afinal, a expectativa era de que o segmento artístico/cultural fosse
considerado prioridade no governo da mudança. Mas o que se percebe é que
na área da cultura quase tudo está por fazer.
Esperamos que nos próximos aniversários, possamos registrar o melhor e
mais duradouro presente, que são as políticas públicas de cultura à
altura da importância que a área requer no atual momento histórico nacional e mundial.
Enquanto isso não acontece, continuaremos como propõe o ditado popular
jogando “água mole em pedra dura, que tanto bate até que fura.”
Esperamos que muito mais gente se some, para que nos transformemos em
uma forte correnteza que provoque uma real mudança de atitude, muito
além da retórica, por parte dos nossos companheiros e camaradas.
Eis o texto. Que também pode se chamar:
Aracaju nos seus 152 anos e a cultura que fica.
Os casais sabem que nas relações de amor um dos aspectos mais
importantes, e que deixam marcas muito fortes na memória, é o
entrosamento do casal na cama. Existe até um ditado que se refere a isto
como o ‘amor que fica…’.
Como cultura é uma palavra feminina, e Aracaju também, tanto que nas
peças publicitárias referentes ao aniversário dos 150 anos a nossa
cidade é apresentada como uma bela menina, penso que o referido dito popular, nesse caso, pode ser aplicado à cultura também.
Concordo com o prefeito Marcelo Déda, no estilo dado às comemorações do
aniversário da nossa cidade, com as tradicionais entrega de medalhas,
alvoradas, corridas e shows musicais. Eu não faria diferente, afinal
este tipo de programação me lembra as declarações de amor, as flores, os
bombons e os bichos de pelúcia que quase toda mulher gosta de receber. O
problema é que apenas isso não sustenta uma relação que se quer firme,
duradoura e inteira.
Mas e a cultura que fica? Como nas coisas do amor , vai muito além dos
eventos que o Governo do Estado ou Prefeitura estão oferecendo para
celebrar o aniversario da nossa bela menina.
A cultura que fica é aquela que garante um orçamento digno para o
crescimento e sustentabilidade deste setor no município. A cultura que
fica é aquela que coloca em prática leis de fomento aprovadas pela
Câmara Municipal, como à de incentivo à cultura e a que institui o ‘Programa VAI’ que
apóiam, respectivamente, as iniciativas dos artístas profissionais e
dos artistas e/ou grupos culturais emergentes da periferia.
A política cultural que fica prepara agentes culturais, incluindo
gestores municipais, para melhor planejar e administrar o setor na
cidade. A política cultural que fica se propõe a construir um teatro
municipal.
E, principalmente, a política cultural que se quer firme, duradoura e
inteira consulta os artistas, produtores culturais, intelectuais e as
lideranças comunitárias para ouvir e atender as suas demandas,
utilizando como pressuposto que cultura não é gasto, e sim investimento
que resulta na melhoria da qualidade de vida da nossa população e
daqueles que nos visitam.
A política cultural que fica é tarefa dos vereadores, que precisam
discutir e aprovar a proposta de lei encaminhada pela ECOS – Entidades
Culturais Organizadas – no ano de 2003, instituindo o Fundo Municipal de
Incentivo à Cultura, conhecido no meio artístico de nossa cidade pela
sigla FICA.
Do contrário, é alimentar, em relação à cidade, uma opinião/atitude do
machão brasileiro, que vem desde os tempos do Brasil-Colônia, ao afirmar
a existência de dois tipos ideais de relação com as mulheres: a de um
casamento formal com uma e as relações extraconjugais com outras. As
primeiras são as esposas que cuidam da casa e dos filhos. As outras para
todo o prazer que houver nessa vida.
Trazendo o exemplo para Aracaju,
moramos, trabalhamos, descansamos e, de vez em quando, namoramos com a
nossa menina. Já com as outras (Salvador, Recife, Fortaleza, Rio de
Janeiro e São Paulo) nos divertimos, nos esbaldamos e nos deliciamos pra
valer. E, neste caso, vale tanto para quem gosta de lixo cultural como
para quem gosta da “papa fina”, do “biscoito fino”, da cultura
brasileira e universal.
Se no campo das relações conjugais muitos homens e mulheres estão
conseguindo ser completos e viver juntos com plenitude, contribuindo
para um novo modo de relacionamento que pode dispensar a necessidade de
amantes, penso que o mesmo vale para a nossa capital.
Neste sentido, queremos Aracaju por inteira, dando e recebendo tudo do
bom e do melhor nos dois planos: afetivo/sexual e cultural.
TE AMO MUITO ARACAJU.
P.S.: O prefeito atual de Aracaju é Edvaldo Nogueira do PC do B, que foi
reeleito em 2004, como vice-prefeito na coligação PT-PC do B. O
prefeito na época em que esse texto foi escrito, Marcelo Déda (PT),
atualmente é o nosso governador.
O Programa VAI de Aracaju, inspirado em proposta do mesmo nome do
município de São Paulo, foi tranformado em lei através da Câmara
Municipal no ano de 2003 e aguarda ser retirado da gaveta pela Fundação
Municipal de Cultura (Funcaju).
O FICA ficou parado em uma das comissões na Câmara Municipal, espera-se que com a posse de um suplente de vereador, Chico Buchinho, identificado com as demandas do meio artistico/cultural, o projeto possa andar.
Ismar Barreto – Viver Aracaju
Cristhiane de Lis – Viver Aracaju
Leia também:
“Eu
quero participar mais” O que estão fazendo em 2016, os partidos e/ou
candidatos que estão respondendo a esta demanda das jornadas de junho de
2013.
“
O vereador e o prefeito de nossos sonhos. Àqueles que investem na
juventude, em arte e cultura cidadã e de base comunitária e na
democratização da comunicação.”
domingo, 31 de julho de 2016
