Fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/conjunto-jardim-em-busca-dos-direitos-negados
11/5/2014
comprometer o recebimento de recursos federais para a Escola Estadual
Júlia Teles ( Sergipe) realizar iniciativa cultural voltada para
fortalecer a afirmação e a auto estima negra e indigena.
Apresentação do Projeto Aldeia/Quilombo Jardim.
É um produto da parceria Escola Estadual Júlia Teles com a
Associação Cultural, fruto de uma demanda colocada em reuniões de
professores, gerando a iniciativa pioneira de realização da Semana da
Consciência Negra no ano de 2011. O sucesso da iniciativa, em razão da
receptividade dos alunos (as), assim como o amparo da Lei 11.645/08 que
versa sobre o ensino da História e cultura afro-brasileira e indígena em
sala de aula motivou alguns professores a dar prosseguimento e
aprimorar a proposta inicial, por meio da elaboração de um projeto mais
amplo e detalhado, após duas reuniões e colhidas algumas sugestões,
tem-se o QUILOMBO/ALDEIA JARDIM.
Através desse projeto, pretende-se, por meio de oficinas de capoeira,
dança, rap e fotografia/vídeo, proporcionar um espaço para aprendizagem
artística, reflexão e práticas pedagógicas e de convivência relacionadas
à herança ancestral africana e indígena, visando fortalecer a
identidade cultural, o senso de pertencimento e os laços de
solidariedade e coesão social.
Em termos quantitativos pretende-se atingir 100 estudantes da Escola Estadual Júlia Teles.
Para divulgar os resultados e aumentar a adesão da sociedade a proposta e
estimular a apropriação da metodologia e dinâmica do projeto por outras
escolas, serão produzidas ações de culminância (mostra artística e
cultural) com apresentação do resultado das oficinas e produção de blog,
vídeo documentário e boletim impresso.

Zezito de Oliveira no seminário do plano articulado entre cultura e educação. Recife – junho de 2012
DO SEMINÁRIO “PLANO ARTICULADO ENTRE CULTURA E EDUCAÇÃO” ATÉ A DIVULGAÇÃO DO PROJETO CONTEMPLADO NO EDITAL MAIS CULTURA NAS ESCOLAS.
O edital Mais Cultura nas Escolas é uma das ações que integra o “Plano Articulado entre Cultura e Educação”, iniciado
em 2012 com a realização de diversos seminários realizados em cinco
cidades brasileiras ( Recife, Campo Grande, Porto Velho, Porto Alegre e
Rio de Janeiro). Participei do primeiro seminário, realizado em Recife ,
nos dias 15 e 16 de junho de 2012, ao retornar produzi o artigo “O Chão e a Gira “.
O lançamento do edital, demorou mais tempo que o previsto, em especial
por conta da mudança de ministros, e em diversas ocasiões escrevemos ao
Ministério da Cultura para defender a necessidade de lançamento do
edital.
No ano de 2013, por ocasião da realização de uma video-conferência
visando discutir ações no parlamento em favor da integração entre
cultura e educação, promovida pelas comissões de cultura e
de educação da câmara dos deputados, conseguimos encaminhar a
solicitação diretamente a ministra da cultura, Marta Suplicy, que
respondeu confirmando a importância estratégica do edital, fruto da
parceria inédita do Ministério da Educação (MEC) com o Ministério da
Cultura (MINC).
Na ocasião, me recordo de ter utilizado como reforço do argumento,
para defender a necessidade do edital Mais Cultura nas Escolas, a fala
do dep. Federal Jean Willys, presente a conferência e que fez um relato
bem apropriado sobre os ataques sofridos por pessoas ligadas a
religião de matriz africana e a necessidade de atividades pedagógicas e
culturais no seio da escola para favorecer a criação de uma cultura de
diálogo, tolerância e respeito para com os adeptos da umbanda,
candomblé e de outras tradições religiosas.
Ainda demorou algum tempo para o lançamento do edital que aconteceu em
21 de maio de 2013, mais tempo ainda para a divulgação das escolas
contempladas, o que veio acontecer no caso da Escola Estadual Júlia
Teles no dia 13 de fevereiro de 2013. A lista das escolas restantes foi publicada em abril de 2014.
Alunas da Escola Júlia Teles participantes da oficina de dança do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania. Aracaju – Fev de 2013
PREPARAÇÃO DAS ESCOLAS, EDUCADORES E ARTISTAS PARA INSCREVER PROJETOS NO EDITAL MAIS CULTURA NAS ESCOLAS
Após o período de anuncio do edital houve uma série de iniciativas
voltadas para a preparação de educadores e/ou agentes culturais,
visando tornar possivel, contemplar o maior numero de escolas sergipanas aptas a participarem desta seleção pública de projetos.
Estas iniciativas foram organizadas, entre outros, pelo Projeto Negócio
em Economia Criativa do SEBRAE e pelo mandato da professora e deputada
estadual Ana Lúcia. A Associação Cultural ou Ação Cultural, utilizou o
espaço do blog e algumas páginas de grupos/páginas no facebook para
colaborar com o compartilhamento de orientações acerca do programa e do
edital. Importante destacar que o post relativo as orientações sobre como participar do Edital Mais Cultura foi um dos mais acessados em 2013, de acordo com o contador de visitantes do blog da Ação Cultural.
REALIZANDO O LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES E PRODUZINDO O TEXTO DO PROJETO QUILOMBO/ALDEIA JARDIM
No seio da Escola Estadual Júlia Teles, o período de elaboração do
projeto coincidiu com um momento muito dificil, após a saída de uma
equipe de gestores, incluindo diretora, secretária, coordenador
pedagógico e uma assistente administrativa, gerando uma crise de
continuidade, agravada pelos constantes ataques a escola, na forma de
furtos e danos ao patrimônio, culminando com um incêndio, o qual, caso
não tivesse sido debelado a tempo, acabaria por destruir toda a escola.
Quando o edital foi lançado levamos o assunto ao conhecimento do Profº
Anselmo, diretor da escola, que assumiu no inicio de 2013 e Lélia
Siqueira, nova coordenadora que abraçaram a proposta de participação no
Edital Mais Cultura nas Escoalas. Também contamos com o incentivo do
Profº Rodrigo, na época professor-especialista e hoje diretor.
A escolha do tema e dos eixos e princípios norteadores foi realizado
com a participação dos colegas citados acima e de alguns outros.
Em duas reuniões, produzimos com a ajuda de uma companheira da Ação
Cultural, um esboço do projeto o qual foi distribuído via internet e
em papel para os colegas que disseram concordar com a proposta e que
torciam para que o esforço fosse bem sucedido.
Outras reuniões foram tentadas, além das duas realizadas, porém
esbarraram em uma série de dificuldades, em razão dos problemas de
agenda e tensão, em especial, por conta dos problemas e incertezas
daquele momento, como por exemplo, necessidade de funcionários para
compor o quadro de vigilantes e equipe de apoio, invasão constante da
escola no período da noite e finais de semanas e por último o já citado
incêndio, além dos problemas de indisciplina e violência simbólica por
parte dos alunos, resvalando em alguns casos para situações de violência
fisica.
Quanto ao projeto, as dificuldades para a escrita do mesmo, se deveu a
falta de registros escritos e visuais de projetos pedagógicos/culturais
anteriormente desenvolvidos pela escola, registro fotográfico até se
encontra, porém, textos de projeto anteriores, relatórios de
desenvolvimento e relatórios de avaliação não há, inclusive das oficinas
ligadas ao programa Mais Educação e ao Escola Aberta que aconteceram
por cerca de três anos.
Outro fator, se refere ao projeto politico pedagógico da escola e o
regimento escolar, o primeiro bastante defasado com relação as ações que
já são desenvolvidas há algum tempo na escola no campo da arte e da
cultura, tanto aquelas desenvolvidas por agentes culturais externos,
como em decorrência das atividades de cunho artístico-cultural,
solicitada aos alunos no momento da culminância de alguns projetos.
Quanto ao regimento escolar, este se constituiu no documento
referencial da escola, utilizado para ajudar na composição do texto do
projeto, pelo motivo do texto está mais atualizado e condizente com o
atual momento da educação em nosso país, embora ao contrário do projeto
politico pedagógico, esteja bem mais adiantado do que a realidade
vivida por aqueles que ensinam e aprendem na Escola Júlia Teles.
Portanto, o que falta em um documento, sobra no outro.
Reportagem do Jornal Super Popular – Julho de 2013
OS PROBLEMAS COM A PRESTAÇÃO DE CONTAS E OS RISCOS PARA O
RECEBIMENTO DOS RECURSOS CONQUISTADOS POR MEIO DO EDITAL MAIS CULTURA
NAS ESCOLAS
Esse problema, gerado na gestão anterior a 2013, tem como consequência
até os dias atuais, a não liberação de recursos federais como o Mais
Educação e Escola Aberta para a Escola Júlia Teles, por parte do Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação(FNDE), de responsabilidade do
Ministério da Educação e Cultura. Como os recursos destinados aos
projetos contemplados pelo Edital Mais Cultura nas Escolas também é
oriundo do FNDE, o mesmo se dará com o projeto Aldeia/Quilombo Jardim.
A menos que haja um interesse em resolver a situação, pelo que se sabe ,
o problema central da prestação de contas, decorre da não observância
de algumas exigências legais com relação a documentação exigida para a
realização de compras e pagamentos de serviços com dinheiro público.
Outro fator que atrasou a situação, foi a demora da entrega de toda a
documentação por parte da gestão anterior ao ano de 2013, ao setor de
prestação de contas da Secretaria de Estado da Educação (SEED) para que
pudesse ser realizada o diagnóstico da situação.
Da mesma maneira, é aguardado pelo setor de prestação de contas da SEED
que o atual diretor solicite ao banco todos os extratos para que
juntos com a documentação já entregue, sejam adicionados e o parecer
final seja produzido e providências encaminhadas.
A pergunta que fica. Essa história, em curto prazo, terá um final feliz? Final feliz tão necessário para uma comunidade, Conjunto Jardim, que perde uma média de dois a três adolescentes e jovens que bem poderiam encontrar na arte e na cultura uma forma de dar sentido e encontrar significados e e outras razões para viver. Outras maneiras de serem felizes e contribuir para a felicidade dos outros.
Qual a contribuição que você, ao chegou até aqui, pode dar para que a
resolução desse problema não demore e não comprometa a realização dos
objetivos e metas planejadas para o projeto Quilombo/Aldeia Jardim?
Como diz o Rap da Felicidade:
“ Eu só quero é ser feliz
Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem o seu lugar . (refrão)
Minha cara autoridade, já não sei o que fazer
Com tanta violência eu sinto medo de viver
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado
A tristeza e a alegria aqui caminham lado a lado
Eu faço uma oração para uma santa protetora
Mas sou interrompido a tiros de metralhadora
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela
O pobre é humilhado e esculachado na favela
Já não agüento mais essa onda de violência
Só peço à autoridade um pouco mais de competência
Diversão hoje em dia não podemos nem pensar
Pois até lá no baile eles vêm nos humilhar
Ficar lá na praça, que era tudo tão normal
Agora virou moda a violência no local
Pessoas inocentes, que não têm nada a ver
Estão perdendo hoje o seu direito de viver
Nunca vi cartão postal em que se destaque uma favela
Só vejo paisagem muito linda e muito bela
Quem vai pro exterior da favela sente saudade
O gringo vem aqui e não conhece a realidade
Vai pra zona sul pra conhecer água de coco
E pobre na favela vive passando sufoco
Trocaram a presidência, uma nova esperança
Chega de tempestade, agora eu quero a bonança
O povo tem a força, só precisa descobrir
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.”
MC Cidinhor e MC Doca.
Para saber mais sobre a Escola Estadual Júlia Teles, clique AQUI
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Entre o espanto e a gracinha – A cultura de massa atravessando a Escola. AQUI
Fazendo Produção Cultural na Escola, AQUI
Conheça a proposta do portal CulturaEduca AQUI
O CulturaEduca é um portal aberto e gratuito que tem como objetivo
contribuir para a troca e produção de metodologias que promovam a
articulação entre cultura e educação.
Nesse espaço virtual poderão interagir educadores, agentes culturais,
estudantes, gestores de políticas públicas, pesquisadores de diversas
áreas e interessados em geral.
O portal prevê os seguintes conteúdos:
Mapa interativo com informações de 15 mil territórios educativos
das escolas que fazem parte do Programa Mais Educação do Ministério da
Educação (MEC)
Fóruns para debate, troca e produção de metodologias
Painel de indicadores para acompanhamento e avaliação das ações de Cultura e Educação
Galeria para construção de acervo (textos, imagens, vídeos e áudios)
